Na madrugada de 15 de novembro de 2024, uma série de ataques aéreos israelitas varreu várias regiões do Líbano, ceifando pelo menos 43 vidas e ferindo dezenas de pessoas, incluindo paramédicos e trabalhadores de proteção civil. O ataque mais mortífero concentrou-se em Baalbek, cidade do leste libanês, onde a violência regressou duas vezes no mesmo dia. Num conflito que já dura mais de um ano e acumula mais de três mil mortos no Líbano, cada novo bombardeio aprofunda a ferida de uma região que ainda procura o caminho para a paz.
Pelo menos 43 mortos em série de ataques israelitas no Líbano
Ataque bárbaro contra infraestruturas civis em menos de duas horas
Porque é que estes ataques de hoje são significativos? Não há conflito nesta região há muito tempo?
Há, mas o padrão de hoje é diferente. Não são apenas ataques militares — são centros de saúde e Proteção Civil. São paramédicos mortos. Há uma escalada clara.
E a localização? Baalbek aparece duas vezes.
Exatamente. Dois ataques na mesma cidade em poucas horas. Isso não é acidental. Sugere uma estratégia deliberada de saturação.
O Hezbollah está envolvido?
Indiretamente. Um dos ataques visou uma instalação ligada ao Hezbollah. Mas a maioria das vítimas são civis comuns — pessoas em centros de saúde, pessoas nas ruas.
Como é que isto se compara ao que se passa em Gaza?
Os números são diferentes, mas a dinâmica é a mesma. Mais de um ano de conflito, dezenas de milhares de mortos, infraestruturas civis destruídas. A diferença é que em Gaza há uma guerra declarada. Aqui é mais uma série de trocas de ataques que ninguém parece conseguir parar.
O que vem a seguir?
Provavelmente represálias. É o padrão. Um lado ataca, o outro responde. E enquanto isso, as cidades continuam a sofrer.
O Pulso
- Uma cascata de ataques coordenados atingiu simultaneamente múltiplas cidades libanesas, revelando a escala e a sistematização da ofensiva israelita.
- Baalbek foi golpeada duas vezes em menos de duas horas, com o segundo ataque a destruir um centro de saúde e a matar pelo menos oito pessoas — um ato que o Ministério da Saúde libanês classificou como 'bárbaro'.
- Quatro paramédicos morreram no sul do país enquanto respondiam a emergências, levantando questões urgentes sobre o respeito pelas normas internacionais de proteção de pessoal médico em zonas de conflito.
- O Governo libanês documentou vítimas em pelo menos dez localidades diferentes, confirmando que a operação não foi cirúrgica, mas de larga escala geográfica.
- Com mais de 3.386 mortos no Líbano e 43.736 em Gaza desde o início das hostilidades, a região mergulha cada vez mais fundo numa crise humanitária sem resolução à vista.
Na madrugada de 15 de novembro de 2024, uma série de ataques aéreos israelitas varreu várias regiões do Líbano, ceifando pelo menos 43 vidas e ferindo dezenas de pessoas, incluindo paramédicos e trabalhadores de proteção civil. O ataque mais mortífero concentrou-se em Baalbek, cidade do leste libanês, onde a violência regressou duas vezes no mesmo dia. Num conflito que já dura mais de um ano e acumula mais de três mil mortos no Líbano, cada novo bombardeio aprofunda a ferida de uma região que ainda procura o caminho para a paz.
A madrugada de 15 de novembro chegou ao Líbano com o som de explosões. Quando o dia clareou, pelo menos 43 pessoas estavam mortas e dezenas feridas em várias cidades do país, vítimas de uma série de ataques aéreos israelitas que visaram, entre outros alvos, dois centros de Proteção Civil — infraestruturas que o direito internacional deveria proteger.
Baalbek, no leste do país, foi o epicentro da tragédia. Doze pessoas morreram num primeiro ataque, confirmado pelo governador provincial. Menos de duas horas depois, um segundo bombardeio atingiu o bairro de Al Shaab, destruindo um centro de saúde afiliado ao Estado e matando mais oito pessoas, ferindo outras 29. O Ministério da Saúde libanês não hesitou nas palavras: chamou-lhe um 'ataque bárbaro'.
No sul, em Arab Salim, um posto da Agência Islâmica de Saúde e Proteção Civil — estrutura ligada ao Hezbollah — foi igualmente atacado. Seis pessoas morreram, entre elas quatro paramédicos que respondiam a emergências. A morte de profissionais de saúde em instalações médicas reacendeu o debate sobre o cumprimento das leis da guerra.
Além destes três focos principais, o Governo libanês registou mortes em pelo menos sete outras localidades, de Shamstar a Qana, passando por Tamnine al Tahta e Shihin. A dispersão geográfica dos ataques traçou o mapa de uma operação de grande escala.
Este dia insere-se num conflito que já dura mais de um ano, iniciado após o ataque do Hamas em território israelita a 7 de outubro de 2023, que matou cerca de 1200 pessoas e levou 251 reféns. Desde então, o Líbano acumula mais de 3.386 mortos e 14.417 feridos. Em Gaza, o número de vítimas ultrapassa os 43.700 — quase 2% da população total —, numa crise humanitária que a ONU reconhece como devastadora.
A madrugada de 15 de novembro trouxe uma cascata de ataques aéreos israelitas sobre o Líbano. Quando o dia amanheceu, pelo menos 43 pessoas estavam mortas e dezenas feridas espalhadas por várias cidades do país. O Governo libanês confirmou que os ataques tinham visado múltiplas zonas, incluindo dois centros de Proteção Civil — infraestruturas civis que deveriam estar protegidas sob direito internacional.
O ataque mais devastador ocorreu na província de Baalbek, no leste do Líbano, onde 12 pessoas foram mortas de uma só vez. O governador provincial, Bachir Khodr, confirmou o número na rede social X. Mas Baalbek não foi poupada uma segunda vez. Poucas horas depois, um novo ataque atingiu o bairro de Al Shaab, na mesma cidade, matando pelo menos oito pessoas e ferindo 29. O Ministério da Saúde Pública libanês denunciou este segundo golpe contra um centro de saúde afiliado ao Estado como um "ataque bárbaro", ocorrido em menos de duas horas após o primeiro.
Noutro ponto do país, no sul, as forças israelitas atacaram um posto da Agência Islâmica de Saúde e Proteção Civil na cidade de Arab Salim, uma estrutura ligada ao Hezbollah. Seis pessoas morreram nesse ataque, incluindo quatro paramédicos — profissionais de saúde que respondiam a emergências. A morte de pessoal médico num ataque a uma instalação de saúde levanta questões sobre o cumprimento das normas de guerra.
Além destes três ataques principais, o Governo libanês registou quase uma dezena de operações adicionais que causaram mortes noutras localidades. Shamstar perdeu dois cidadãos. Em Tamnine al Tahta, pelo menos três pessoas foram mortas e quatro ficaram feridas. O Ministério documentou ainda vítimas em sete cidades adicionais: Sareen al Tahta, Al Bazoorba, Hanawiyya, Aytit, Qana, Al Bayyadh e Shihin. A dispersão geográfica dos ataques sugere uma operação coordenada de larga escala.
Este bombardeio ocorre num contexto de conflito prolongado. Há mais de um ano que Israel e o Hezbollah trocam ofensivas, um ciclo que começou após 7 de outubro de 2023, quando Israel declarou guerra ao Hamas na Faixa de Gaza. Nesse dia, o Hamas realizou um ataque em território israelita que matou cerca de 1200 pessoas, na maioria civis, e levou 251 reféns, dos quais 97 continuam em cativeiro — 34 deles já declarados mortos pelo Exército israelita.
O saldo do Líbano é agora de pelo menos 3386 mortos e 14.417 feridos desde o início das hostilidades, segundo o balanço mais recente do Governo libanês feito antes destes ataques. Na Faixa de Gaza, a guerra matou 43.736 pessoas, quase 2% da população total, de acordo com dados das autoridades locais que a ONU considera fidedignos. Os números revelam a escala do sofrimento humano que se estende por toda a região.
Citações Notáveis
Ataque bárbaro e violência desenfreada— Ministério da Saúde Pública libanês, condenando os ataques contra centros de saúde