Pediatras alertam sobre riscos de canetas emagrecedoras em crianças e adolescentes

Crianças e adolescentes estão sendo expostos a medicamentos com potencial para causar transtornos alimentares graves como anorexia e bulimia, afetando seu desenvolvimento físico e psicológico.
Pode ser um gatilho para transtornos alimentares graves
O terceiro risco identificado pela Sociedade Brasileira de Pediatria é o desencadeamento de anorexia e bulimia em crianças e adolescentes.
Mark

Por que esse alerta agora? As canetas emagrecedoras existem há tempo.

Mimi

Porque vídeos de pais aplicando em filhos começaram a circular nas redes sociais. Isso normalizou a prática, e adolescentes começaram a pedir para fazer o tratamento também.

Luke

Mas quantos casos realmente aconteceram? O texto menciona vídeos, mas não diz quantas crianças estão usando.

Mimi

Não há números específicos de uso em menores. O que temos é a evidência de que está acontecendo e a preocupação de que pode crescer.

Mark

E os riscos são realmente tão graves assim?

Mimi

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, sim. Diminui proteínas e minerais que o corpo em crescimento precisa, causa perda de massa muscular e pode desencadear transtornos alimentares graves.

Luke

Esses riscos são documentados em crianças ou são extrapolações do que sabemos sobre adultos?

Mimi

O texto não especifica. A SBP está alertando baseada no que sabe sobre como o medicamento funciona e o que crianças precisam para se desenvolver.

Mark

E quanto aos pais que estão fazendo isso? Eles sabem dos riscos?

Mimi

Alguns parecem estar seguindo recomendação médica, pelo menos é o que afirmam. Mas muitos estão comprando no exterior, onde não há controle.

Luke

Então há médicos prescrevendo isso para menores?

Mimi

Pelo menos em um caso documentado, sim. Uma mãe disse que aplicava em sua filha de 17 anos por indicação médica.

Mark

Isso é legal?

Mimi

Os medicamentos autorizados pela Anvisa exigem receita retida na farmácia. Mas há questões sobre se médicos deveriam estar prescrevendo para adolescentes em primeiro lugar.

Luke

E qual é a alternativa? Só deixar as crianças obesas?

Mimi

A SBP não está dizendo isso. Está dizendo que o tratamento precisa de acompanhamento médico, não de aplicação caseira ou compra no Paraguai.

  • Vídeos circulam nas redes sociais mostrando pais aplicando canetas emagrecedoras em filhos de 11, 12 e 17 anos, alguns sem qualquer prescrição médica formal.
  • Pediatras alertam que esses medicamentos podem interromper o crescimento, provocar perda de massa muscular e funcionar como gatilho para anorexia e bulimia em corpos ainda em formação.
  • O comércio de produtos importados ilegalmente, especialmente do Paraguai, adiciona uma camada de risco invisível: não há como verificar composição, pureza ou dosagem do que está dentro da caneta.
  • Com mais de 17 milhões de crianças e adolescentes brasileiros com excesso de peso, a pressão por resultados rápidos é real — mas especialistas insistem que urgência não justifica exposição a riscos irreversíveis.
  • A Sociedade Brasileira de Pediatria reforça que qualquer tratamento em menores de idade deve ser conduzido com acompanhamento médico rigoroso e jamais motivado apenas por padrões estéticos.

Em um tempo em que a pressão estética alcança até os mais jovens, a Sociedade Brasileira de Pediatria emite um alerta formal: medicamentos injetáveis para emagrecimento estão sendo aplicados em crianças e adolescentes, muitas vezes sem supervisão médica adequada, com riscos que vão do comprometimento do crescimento ao desencadeamento de transtornos alimentares graves. O fenômeno, amplificado pelas redes sociais, revela uma sociedade que busca soluções rápidas para problemas complexos — e que, ao fazê-lo, pode estar comprometendo o futuro físico e psicológico de uma geração.

A Sociedade Brasileira de Pediatria emitiu um alerta formal depois que vídeos nas redes sociais passaram a mostrar pais aplicando medicamentos injetáveis para emagrecimento em filhos menores de idade. Em um dos registros, uma mãe aplica a substância na filha de 17 anos alegando ter recomendação médica. Em outro, uma criança de 11 anos recebe prescrição de tirzepatida. Adolescentes de 13 anos chegam a pedir orientações publicamente no TikTok sobre como iniciar o tratamento.

O alerta dos pediatras vai além da perda de peso em si. Crésio Alves, presidente do Departamento Científico de Endocrinologia da entidade, explica que o corpo em crescimento depende de proteínas e minerais em quantidades precisas — e que esses medicamentos reduzem justamente essa ingestão. O resultado pode ser crescimento comprometido, perda de massa muscular e, no campo mais delicado, o desencadeamento de transtornos alimentares como anorexia e bulimia, condições difíceis de tratar uma vez instaladas.

O cenário de saúde pública torna o problema ainda mais urgente: o Brasil tem mais de 17 milhões de crianças e adolescentes com excesso de peso, dos quais 7 milhões já são considerados obesos. A pressão por soluções rápidas é compreensível, mas a Sociedade Brasileira de Pediatria é enfática ao afirmar que esses medicamentos não devem ser usados para fins estéticos ou sem acompanhamento especializado.

Um risco adicional vem do mercado paralelo de produtos importados, especialmente do Paraguai. A endocrinologista Maria Edna de Melo, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade, alerta que é impossível saber o que está dentro dessas canetas adquiridas no exterior — sua composição, pureza e dosagem são completamente desconhecidas. Diferentemente dos medicamentos aprovados pela Anvisa, que exigem receita retida na farmácia, esses produtos não passam por nenhum controle. A recomendação final é clara: qualquer decisão de tratar obesidade em menores de idade deve ser tomada com extrema cautela, sempre sob orientação de profissionais de saúde.

A Sociedade Brasileira de Pediatria emitiu um alerta formal sobre o uso de medicamentos injetáveis para emagrecimento em crianças e adolescentes, após vídeos circularem nas redes sociais mostrando pais aplicando essas substâncias em filhos menores de idade. O aviso traz uma lista preocupante de riscos que vão além da simples perda de peso: diminuição da ingestão de proteínas e minerais essenciais, perda de massa muscular e, mais grave ainda, a possibilidade de desencadear transtornos alimentares como anorexia nervosa e bulimia.

Os casos documentados revelam a dimensão do problema. Uma mãe publicou vídeo aplicando o medicamento em sua filha de 17 anos, afirmando ter recomendação médica. Em outro, uma mulher relata ter levado sua filha de 11 anos, pesando 70 quilos, a um médico que prescreveu tirzepatida. Nas redes sociais, adolescentes comentam pedindo orientações: um usuário do TikTok, aos 13 anos e pesando 79 quilos, questiona se poderia fazer o tratamento. Esses registros públicos mostram como a prática se normalizou entre famílias em busca de soluções rápidas para o peso.

Crésio Alves, presidente do Departamento Científico de Endocrinologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, explicou os mecanismos pelos quais esses medicamentos prejudicam o desenvolvimento. O corpo em crescimento precisa de proteínas e minerais em quantidade adequada, especialmente durante o estirão da adolescência. Quando essas substâncias são reduzidas pela ação do medicamento, o crescimento é comprometido. Além disso, a perda de massa muscular ocorre de forma indiscriminada, afetando a estrutura corporal em formação. O terceiro risco, talvez o mais delicado, é que o uso da medicação pode funcionar como gatilho para transtornos alimentares graves, condições que, uma vez instaladas, são extremamente difíceis de tratar.

O contexto de saúde pública amplifica a urgência do alerta. O Brasil tem mais de 17 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos com excesso de peso, segundo o Atlas Mundial da Obesidade. Desse total, 7 milhões já são considerados obesos. A pressão por resultados rápidos é real, mas a Sociedade Brasileira de Pediatria insiste que esses medicamentos não devem ser usados simplesmente para atingir padrões estéticos ou compensar sedentarismo, especialmente sem acompanhamento médico adequado.

Outro foco de preocupação é o comércio de medicamentos comprados no exterior, particularmente no Paraguai. Uma mãe publicou que pretendia adquirir uma caneta para seu filho de 12 anos, pesando 93 quilos, em outro país. Esses produtos, frequentemente de marcas cuja venda é proibida no Brasil, apresentam riscos adicionais impossíveis de quantificar. Maria Edna de Melo, endocrinologista da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica, alertou que não há como saber com segurança o que está dentro daquela caneta, em qual quantidade, ou se o produto está puro ou contaminado. A eficácia e os efeitos colaterais tornam-se, portanto, completamente imprevisíveis.

Os medicamentos autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária exigem receita médica retida na farmácia no momento da compra, uma barreira que não existe para produtos adquiridos internacionalmente. A Sociedade Brasileira de Pediatria também chama atenção para a dimensão psicológica: crianças e adolescentes ainda estão desenvolvendo autoestima e comportamentos, e a pressão estética sobre eles é intensa. Permitir que usem esses medicamentos sem orientação adequada é expô-los não apenas a riscos físicos imediatos, como pancreatite, hipoglicemia e cálculos na vesícula, mas também a consequências psicológicas duradouras. A recomendação é clara: qualquer tratamento deve ser acompanhado por profissionais de saúde, e a decisão de usar esses medicamentos em menores de idade deve ser tomada com extrema cautela.

Pode diminuir a ingestão de proteínas e minerais que afetam o crescimento, principalmente o estirão do adolescente
— Crésio Alves, presidente do Departamento Científico de Endocrinologia da Sociedade Brasileira de Pediatria
Não sabemos o que tem exatamente dentro daquela caneta, a quantidade, se é puro ou contaminado, então tanto a eficácia quanto os efeitos colaterais são imprevisíveis
— Maria Edna de Melo, endocrinologista da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica
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