Desde a manhã, diversos postos de vacinação na capital paulista enfrentam longas filas, com esperas de até uma hora apenas para cadastro. Muitas pessoas tentaram se vacinar na semana anterior sem sucesso e retornaram na segunda-feira para completar a imunização.
Paulistanos enfrentam longas filas para se vacinar contra Covid-19
Precisa ter vacina para vacinar a população
Por que as filas foram tão grandes justamente nessa segunda-feira?
Porque era o primeiro dia de vacinação para os 46 anos, e muita gente que tinha tentado se vacinar na semana anterior voltou. Tudo junto criou um pico.
Mas o prefeito disse que tinha 340 mil doses. Isso não era suficiente?
Era suficiente para os 46 e 45 anos — 215 mil pessoas. Mas depois faltavam 10 mil doses para os 44 anos. O sistema estava funcionando no limite.
E por que apenas três funcionários fazendo cadastro no megaposto?
Não está claro. Mas o resultado foi que pessoas esperavam uma hora só para conferência de dados, quando o processo em si levava três minutos.
Isso significa que a campanha ia desacelerar?
Provavelmente. Se já faltavam doses para a próxima faixa etária, o ritmo teria que diminuir.
Qual era o custo humano disso tudo?
Pessoas saindo do trabalho, pedindo folga, voltando várias vezes. Gente que queria se proteger mas tinha que escolher entre trabalho e vacinação.
E o prefeito comunicou o estado sobre a falta de doses?
Não respondeu. A prefeitura foi questionada e não explicou se tinha pedido mais imunizantes ou se tinha avisado o governo do estado.
O Pulso
- Filas de até uma hora apenas para cadastro no megaposto da Prestes Maia
- 340 mil doses em estoque para vacinar 215 mil pessoas de 46 e 45 anos
- Faltavam 10 mil doses para vacinar os 135 mil pessoas de 44 anos
- Muitas pessoas tentaram se vacinar na semana anterior sem sucesso
Desde a manhã, diversos postos de vacinação na capital paulista enfrentam longas filas, com esperas de até uma hora apenas para cadastro. Muitas pessoas tentaram se vacinar na semana anterior sem sucesso e retornaram na segunda-feira para completar a imunização.
São Paulo registra filas grandes em postos de vacinação para imunização de pessoas com 46 anos. Prefeito afirma que capital tem estoque limitado de doses.
Na segunda-feira, 28 de junho, São Paulo acordou com filas. Não filas ordinárias — filas de gente que acordou cedo, que saiu do trabalho, que trouxe um livro para ler, tudo para receber uma injeção contra a Covid-19. O dia marcava o início da vacinação para pessoas com 46 anos, e desde os primeiros minutos da manhã, o site que monitora as esperas já registrava "fila grande" em diversos postos espalhados pela capital.
Na UBS Belenzinho, na zona leste, pelo menos 50 pessoas esperavam por volta das 8 da manhã. O imunizante era da Janssen, aquele de dose única que prometia rapidez. E de fato, apesar do volume, o atendimento fluía. Mas nem todos ali estavam chegando pela primeira vez. Muita gente com mais de 46 anos também apareceu — pessoas que tinham tentado se vacinar na semana anterior e saído de mãos vazias.
José Martin, operador de manutenção com 49 anos, tinha voltado três vezes na semana passada. Três vezes saiu do trabalho, três vezes voltou sem a vacina. "Tive que sair do trabalho todas as vezes. A minha sorte é que meu patrão é compreensivo", disse, ainda de uniforme. Marcelo Daniel de Jesus, comerciante de 47 anos, também estava ali porque não conseguiu vir na data marcada. Gabriel Nunes, numismata de 46 anos, tinha vindo preparado — trouxe o livro que estava lendo. "Assim facilita, né", disse ele, já sabendo que a espera seria longa.
Mas a verdadeira aglomeração estava no megaposto da galeria Prestes Maia, no centro da cidade. Por volta das 9h30, havia pelo menos 90 pessoas esperando. O contraste era brutal: cadeiras lotadas na fila de cadastro, cadeiras vazias na fila de vacinação. Apenas três funcionários faziam o cadastro. Uma hora inteira só para conferir dados. Cleonice Pereira, servidora pública de 50 anos, chegou às 8h10 e até as 9h30 ainda aguardava. Quando finalmente foi chamada, levou exatos três minutos: conferência, dose, saída. "Podia ser tão rápido assim para mostrar os documentos né", disse ela, a frustração clara na voz. Renata Lins, operadora de cobrança de 46 anos, tinha pedido o dia de folga para estar ali. "Eu não sei qual vacina tem eu só sei eu quero ser imunizada", afirmou.
O prefeito Ricardo Nunes apareceu na CNN com uma explicação matemática. "Precisa ter vacina para vacinar", disse ele. A capital tinha 340 mil doses em estoque para vacinar os 46 anos naquele dia e os 45 anos no dia seguinte — um total de 215 mil pessoas. Sobravam 125 mil doses para os de 44 anos, que eram 135 mil. Faltavam 10 mil doses. "Estamos trabalhando no limite da quantidade de doses", afirmou. O prefeito não explicou se tinha comunicado o governo do estado sobre a situação ou se tinha pedido mais imunizantes. A prefeitura foi questionada sobre o tema e não respondeu.
As filas, portanto, não eram apenas consequência da demanda. Eram o reflexo de um sistema funcionando no limite, de doses contadas, de gente que precisava faltar ao trabalho para tentar se proteger. A vacinação em São Paulo tinha se tornado um exercício de paciência, planejamento e sorte — e ainda assim, havia quem saísse de mãos vazias.
Citações Notáveis
Tive que sair do trabalho todas as vezes. A minha sorte é que meu patrão é compreensivo— José Martin, operador de manutenção que tentou se vacinar três vezes na semana anterior
Estamos trabalhando no limite da quantidade de doses— Prefeito Ricardo Nunes