Passageira é investigada por lesão corporal após atacar motorista com tesoura em Salvador

Motorista sofreu hematomas nas mãos, pescoço e marca de mordida durante ataque com tesoura; criança estava presente no veículo durante o incidente.
A minha sorte é que estou sempre gravando
Motorista Leonardo Ribeiro reflete sobre como a gravação de seu celular provou sua versão quando a passageira inverteu a narrativa diante de testemunhas.
Mark

Por que a gravação foi tão importante neste caso?

Mimi

Porque quando as pessoas chegaram, a passageira inverteu completamente a história. Ela começou a dizer que era ela quem estava sendo atacada. Sem o vídeo, algumas pessoas acreditaram nela e tentaram conter o motorista.

Luke

Mas a gente sabe que a gravação existe. O que não sabemos é se ela será usada como prova formal no processo. Um TCO é um registro inicial, não é uma condenação.

Mark

E quanto ao diagnóstico de esquizofrenia que a advogada mencionou?

Mimi

A advogada foi clara: não é uma justificativa, é um contexto. A mulher toma medicação controlada e não havia tomado naquele dia. Isso pode ter agravado impulsividades, mas não apaga o fato de que ela atacou alguém com uma tesoura.

Luke

Verdade. Mas também é importante notar que a advogada está oferecendo uma explicação clínica para o comportamento. Isso pode influenciar como o caso é julgado. Não sabemos ainda se haverá consideração de capacidade mental no processo.

Mark

O motorista estava realmente em perigo?

Mimi

Sim. Ele ficou com hematomas nas mãos, pescoço e uma marca de mordida no braço. A tesoura atingiu seu pescoço. Ele disse que achou que tinha penetrado.

Luke

Mas ele conseguiu se proteger e não foi ferido gravemente. Isso não diminui o ataque, mas é um detalhe que importa para entender a escala do que aconteceu.

Mark

Por que ela não quis pagar?

Mimi

Ela disse que deixaria para a próxima corrida. Quando o motorista explicou que o aplicativo não permite isso, ela mudou de comportamento e puxou a tesoura.

Luke

A gente não sabe se ela realmente não tinha dinheiro, se estava testando o motorista, ou se havia algo mais acontecendo. A versão dela sobre ter medo de ser levada de volta é só o que a defesa apresentou. Não temos confirmação independente.

Mark

E a criança que estava no carro?

Mimi

Estava lá durante todo o incidente. Ninguém fala muito sobre o impacto disso na criança, mas ela presenciou uma mulher atacando um homem com uma tesoura.

Luke

Isso é um detalhe importante que o material não desenvolve. Não sabemos a idade da criança, se ela foi ferida, ou se há investigação sobre negligência ou risco a menor.

  • Motorista Leonardo Ribeiro, 30 anos, atacado com tesoura em Salvador na manhã de 31 de agosto
  • Passageira se recusou a pagar corrida e puxou tesoura quando motorista mencionou polícia
  • Ribeiro ficou com hematomas nas mãos, pescoço e marca de mordida
  • Passageira mudou versão quando pessoas chegaram, alegando ser ela a vítima
  • Investigada foi liberada e responderá em liberdade; advogada cita diagnóstico de esquizofrenia

Motorista Leonardo Ribeiro foi atacado com tesoura após discussão sobre pagamento da corrida; ficou com hematomas e mordida, mas gravação do próprio celular provou sua versão. Passageira mudou de versão quando pessoas chegaram ao local, alegando ser ela a vítima; advogada reconhece possível crime e cita diagnóstico psiquiátrico como contexto, não justificativa.

Passageira é investigada por lesão corporal após atacar motorista de aplicativo com tesoura durante corrida em Salvador. Ela foi liberada e responderá em liberdade; a defesa alega diagnóstico de esquizofrenia e falta de medicação.

Leonardo Ribeiro estava trabalhando como motorista de aplicativo na manhã de segunda-feira, 31 de agosto, quando uma corrida que começou em Lauro de Freitas terminou em violência no bairro do Costa Azul, em Salvador. A passageira, que viajava com uma criança, se recusou a pagar quando ele perguntou se ela preferia dinheiro ou Pix. Ela respondeu que deixaria o valor para a próxima corrida. Ribeiro explicou que o aplicativo inDrive não permite esse tipo de adiamento de pagamento e mencionou que procuraria uma viatura da polícia. Naquele momento, ela puxou uma tesoura da bolsa.

O que aconteceu nos minutos seguintes deixou marcas no corpo de Ribeiro e questões mais profundas sobre segurança nas plataformas de transporte. Dentro do carro, a mulher começou a ameaçá-lo com a tesoura, gritando que o "brocaria" — expressão local para ferir com golpes. Ribeiro tentava se proteger enquanto pedia socorro. A tesoura atingiu seu pescoço, mas ele conseguiu segurar a lâmina com a mão. Ficou com hematomas nas mãos e no pescoço, além de uma marca de mordida no braço. "Achei que tinha penetrado. Olhei minha mão e estava toda ensanguentada", contou Ribeiro à TV Bahia.

Quando o motorista conseguiu parar o carro e começou a pedir ajuda, pessoas se aproximaram do veículo. Naquele ponto, a narrativa mudou. A passageira começou a afirmar que era ela quem estava sendo atacada, dizendo que Ribeiro não queria abrir a porta para ela sair e que ele tinha a tesoura para "enfiar" nela. Algumas das pessoas que chegaram ao local acreditaram inicialmente na sua versão e tentaram conter Ribeiro. "O pessoal achou que estava batendo nela e tentaram me segurar", relatou. Ele precisou mostrar a gravação que havia feito com seu próprio celular para esclarecer o que realmente havia acontecido. "A minha sorte é que estou sempre gravando", disse.

A Polícia Civil registrou um Termo Circunstanciado de Ocorrência e a mulher prestou depoimento na segunda-feira. Ela foi liberada e responderá em liberdade por lesão corporal. Sua advogada, Katharine Lopes, informou à TV Bahia que a investigada tem diagnóstico de esquizofrenia e já havia ficado internada por 15 dias em uma ala psiquiátrica de um Centro de Atenção Psicossocial. Lopes mencionou que a mulher toma medicação controlada e que não havia tomado os remédios naquele dia, o que pode agravar impulsividades. "Se ela cometeu algum tipo de crime, ela vai ser penalizada quanto a isso nos termos da lei", reconheceu a advogada, deixando claro que o contexto de saúde mental não era uma justificativa, mas um fator relevante.

A primeira versão apresentada pela defesa alegava que a passageira havia ficado com medo quando Ribeiro não permitiu que ela descesse e disse que a levaria de volta ao local onde havia sido buscada. Diante desse temor, ela teria usado a tesoura para ameaçá-lo. A plataforma inDrive, que intermediou a corrida, bloqueou a passageira de sua plataforma após a repercussão do caso. A empresa também esclareceu que não existe a opção de deixar o pagamento para uma próxima viagem, como a mulher havia tentado fazer. Segundo as políticas da inDrive, se um passageiro conclui uma corrida sem pagar, a conta pode ser banida permanentemente; o motorista pode procurar o suporte para solicitar análise e reembolso.

Ribeiro contou que estava trabalhando para juntar dinheiro e comprar o enxoval de seu primeiro filho, que deve nascer em novembro. Além dos ferimentos físicos, ele disse que ficou abalado com a situação. "Em nenhum momento tentei revidar, fazer nada do tipo. Não sou uma pessoa agressiva, sou tranquilão. Quem me conhece sabe", afirmou. O caso evidencia a vulnerabilidade dos motoristas de aplicativo e como um registro de vídeo pode ser a diferença entre ser acreditado ou não quando a narrativa é invertida por quem está sendo investigado. A criança que estava no veículo durante o incidente também foi exposta à violência.

Ela toma remédio controlado, inclusive, ela não tinha tomado as medicações hoje e a gente sabe que isso às vezes agrava as impulsividades das pessoas, mas não estamos aqui para justificar. Se ela cometeu algum tipo de crime, ela vai ser penalizada quanto a isso nos termos da lei.
— Katharine Lopes, advogada da investigada
Quando foi perto de parar, eu disse: 'Moça, você vai ser no dinheiro ou no pix?' Ela falou: 'Eu vou deixar para próxima'. Aí eu falei: 'Moça, não tem como deixar para próxima, porque o próprio aplicativo não permite'.
— Leonardo Ribeiro, motorista
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