Num território onde a ocupação e a resistência se entrelaçam há décadas, um tribunal militar israelita condenou esta quinta-feira Nadmi Abu Baker a prisão perpétua pela morte do soldado Amit Ben Yigal, de 21 anos, atingido por um meio tijolo lançado de um telhado durante uma operação militar em Yabad, na Cisjordânia, em 2020. O veredicto — que inclui ainda uma indemnização superior a um milhão de euros à família do soldado — encerra juridicamente um caso que permanece aberto como símbolo das tensões profundas e irresolvidas entre israelitas e palestinianos nos territórios ocupados.
Palestiniano condenado a prisão perpétua pela morte de soldado israelita
Regressou ao local, recolheu fragmentos e atirou-os para a berma
Como é que um tribunal militar chega à conclusão de que o lançamento de um tijolo é um acto de terrorismo intencional e não apenas um acto de violência durante um confronto?
O tribunal considerou que havia intenção de matar — não apenas de ferir ou assustar. O peso do objeto, a altura do telhado, e o facto de ter sido lançado sobre soldados durante uma operação militar foram interpretados como evidência dessa intenção.
Mas como se prova a intenção? Temos apenas a acusação e o veredicto do tribunal. Não há menção a testemunhas oculares independentes ou a defesa apresentada por Abu Baker.
E quanto à acusação de obstrução à justiça? Isso parece-lhe uma acusação adicional legítima?
Sim, porque ele regressou ao local e recolheu fragmentos do tijolo para os descartar. Isso sugere consciência de culpa e tentativa de destruir evidências.
Novamente, temos apenas a versão da acusação. Não sabemos se Abu Baker tinha acesso a representação legal adequada ou se pôde contestar esta narrativa em tribunal.
A indemnização de um milhão de euros — como é que se espera que um palestiniano condenado a prisão perpétua pague isso?
É uma questão prática importante. Provavelmente nunca será paga na totalidade, mas representa o reconhecimento legal do dano causado à família.
Ou é um acréscimo simbólico a uma sentença já severa. O que não sabemos é se houve apelação possível ou se este é um veredicto final.
The Pulse
- Um soldado de 21 anos morreu instantaneamente atingido por um fragmento de tijolo de até 11 quilos lançado de um telhado durante uma operação de detenções no norte da Cisjordânia.
- O tribunal considerou o ato deliberadamente homicida e não um incidente fortuito, classificando Abu Baker como terrorista na sentença oficial.
- A tentativa de apagar os vestígios — recolher e dispersar os fragmentos do tijolo após a retirada das forças militares — agravou a condenação, sendo interpretada como obstrução consciente à justiça.
- A pena de prisão perpétua e a indemnização milionária à família Ben Yigal representam a resposta máxima do sistema judicial militar israelita aplicado nos territórios ocupados.
- O caso reaviva o debate sobre os direitos processuais dos palestinianos julgados por tribunais militares e sobre as condições em que a legislação de exceção é exercida na Cisjordânia.
Num território onde a ocupação e a resistência se entrelaçam há décadas, um tribunal militar israelita condenou esta quinta-feira Nadmi Abu Baker a prisão perpétua pela morte do soldado Amit Ben Yigal, de 21 anos, atingido por um meio tijolo lançado de um telhado durante uma operação militar em Yabad, na Cisjordânia, em 2020. O veredicto — que inclui ainda uma indemnização superior a um milhão de euros à família do soldado — encerra juridicamente um caso que permanece aberto como símbolo das tensões profundas e irresolvidas entre israelitas e palestinianos nos territórios ocupados.
Na quinta-feira, o Tribunal Militar de Samaria — designação israelita para a Cisjordânia — condenou Nadmi Abu Baker a prisão perpétua pela morte do soldado Amit Ben Yigal, de 21 anos. O incidente remonta a 2020, quando Ben Yigal participava numa operação de detenções na localidade de Yabad, no norte da Cisjordânia, e foi atingido mortalmente por um meio tijolo lançado do telhado de um edifício.
O tribunal aceitou integralmente a versão da Procuradoria Militar: Abu Baker atirou intencionalmente o fragmento de tijolo — com um peso entre nove e onze quilogramas — sobre os soldados israelitas com intenção de os matar. O projétil atingiu Ben Yigal de forma fatal. A condenação abrangeu ainda o crime de obstrução à justiça, depois de o tribunal concluir que o acusado regressou ao local após a retirada das forças militares para recolher e dispersar os fragmentos do tijolo, destruindo assim potenciais evidências.
Além da pena de prisão perpétua, Abu Baker foi condenado a indemnizar a família do soldado em mais de quatro milhões de shekels, equivalentes a cerca de um milhão de euros. A operação em Yabad resultou ainda na detenção de quatro pessoas, duas delas por alegadas atividades terroristas e duas por arremesso de pedras. O caso permanece como reflexo das tensões persistentes nos territórios ocupados e das questões em aberto sobre a aplicação da justiça militar israelita a cidadãos palestinianos.
Um tribunal militar israelita condenou Nadmi Abu Baker a prisão perpétua nesta quinta-feira pela morte do soldado Amit Ben Yigal, um jovem de 21 anos que foi atingido por um meio tijolo lançado de um telhado durante uma operação de detenções na Cisjordânia em 2020. O veredicto do Tribunal Militar de Samaria — a designação israelita para a Cisjordânia — encerrou um processo em que o acusado foi declarado culpado não apenas de causar intencionalmente a morte do soldado, mas também de obstrução à justiça.
Segundo a acusação militar, Abu Baker atirou o fragmento de tijolo, que pesava entre nove e onze quilogramas, do telhado de um edifício sobre soldados do Exército israelita com intenção de os matar. O projétil atingiu Ben Yigal, causando-lhe a morte imediata. O tribunal aceitou integralmente as acusações apresentadas pela Procuradoria Militar, considerando o acusado um terrorista.
O que ocorreu após o lançamento do tijolo tornou-se também central na condenação. Conforme sustentou o Ministério Público, Abu Baker fugiu do telhado para sua casa assim que lançou o objeto. Quando as forças militares abandonaram o local, regressou e recolheu fragmentos do tijolo, atirando-os para a berma da estrada — uma ação que o tribunal interpretou como tentativa deliberada de obstruir a investigação e destruir evidências.
Além da pena de prisão perpétua, Abu Baker foi condenado a indemnizar a família do soldado em mais de quatro milhões de shekels, o equivalente a pouco mais de um milhão de euros. As Forças Armadas israelitas divulgaram o veredicto através de um comunicado oficial em que se referem ao condenado como terrorista.
O incidente ocorreu durante uma operação de detenções na localidade de Yabad, no norte da Cisjordânia. Ben Yigal fazia parte de um batalhão deslocado para a região com o objetivo de efetuar prisões. A operação resultou na morte do soldado e na detenção de quatro pessoas: duas alegadamente envolvidas em atividades terroristas e duas acusadas de atirar pedras. O caso ilustra as dinâmicas de confronto que persistem nos territórios palestinianos ocupados e a forma como a legislação militar israelita é aplicada nestes contextos.
Notable Quotes
Lançou, do telhado de um edifício, meio tijolo, com um peso de entre nove e 11 quilos, sobre soldados do Exército israelita, com a intenção de lhes causar a morte— Procurador Militar
O tijolo lançado pelo terrorista atingiu o primeiro-sargento Amit Ben Yigal, causando-lhe a morte. Posteriormente, o terrorista fugiu do telhado para a sua casa— Ministério Público Militar