Três anos após o ataque do Hamas que desencadeou a guerra em Gaza, satélites da ONU revelam que 82% de todas as construções do território palestino foram danificadas — uma destruição que, perturbadoramente, continuou a crescer mesmo após o cessar-fogo de 2025. O que os números capturam não é apenas a extensão física das ruínas, mas o apagamento de décadas de vida construída: escolas, hospitais, campos agrícolas e lares que sustentavam uma sociedade inteira. A reconstrução, estimada em ao menos 71,4 bilhões de dólares, enfrenta não só a escala material do colapso, mas o retrocesso de 77 anos no
Gaza tem 82% dos prédios danificados; destruição continua mesmo após cessar-fogo
Destruição continuou mesmo após o cessar-fogo entrar em vigor
Como é possível que a destruição tenha aumentado mesmo após o cessar-fogo começar?
O cessar-fogo reduziu a intensidade dos combates, mas não os eliminou completamente. Operações militares e ataques continuaram acontecendo, e as estruturas já danificadas continuaram sendo afetadas.
Mas precisamos ser claros: esses 9% de aumento em prédios completamente destruídos — isso é documentado por satélite ou é estimativa? Porque há diferença entre o que o Unosat pode confirmar visualmente e o que é inferido.
O Unosat usa imagens de satélite de alta resolução. Eles conseguem identificar estruturas completamente destruídas com bastante precisão, mas você tem razão em questionar — há sempre margem de interpretação em imagens.
E quanto aos números de mortos? Os 74 mil palestinos — quem está contando?
Esse número vem de autoridades controladas pelo Hamas. É importante notar que não há verificação independente completa. Diferentes organizações internacionais têm estimativas que variam.
Verdade. Mas mesmo com essa ressalva, o número de mortos documentado por organizações internacionais é substancial e consistente em ordem de magnitude.
A reconstrução vai custar 71 bilhões de dólares. Quem vai pagar isso?
O relatório não especifica. Historicamente, reconstruções em conflitos são financiadas por doadores internacionais, mas neste caso ainda não há clareza sobre compromissos concretos.
E esse número de 71 bilhões — é baseado em quê? Em preços de mercado atuais? Porque se a reconstrução levar uma década, os custos podem mudar significativamente.
É uma estimativa feita por especialistas da ONU, União Europeia e Banco Mundial. Provavelmente usa preços atuais e padrões de reconstrução em outros contextos, mas você está certo em apontar que é uma projeção, não uma certeza.
O que mais preocupa você nessa história?
A continuidade da destruição após o cessar-fogo. Sugere que mesmo com a trégua, as condições no terreno não melhoraram significativamente para a população civil.
The Pulse
- Satélites da ONU identificaram danos em 201.290 estruturas de Gaza — 82% de tudo que existia no território —, com 134.422 completamente destruídas.
- A destruição não respeitou o cessar-fogo: o número de prédios totalmente arruinados cresceu 9% nos oito meses seguintes à trégua, e mais de 1.400 palestinos foram mortos nesse período.
- Além dos edifícios, 95,5% das escolas estavam danificadas ou destruídas ao fim de 2025, mais da metade dos hospitais não funciona, e apenas 3% das terras agrícolas permaneciam intactas e acessíveis.
- O custo humano ultrapassa 74 mil mortos desde 2023, enquanto 328.627 unidades habitacionais foram atingidas e famílias erguem tendas nos campos que antes produziam alimento.
- A reconstrução exigirá ao menos US$ 71,4 bilhões na próxima década — e o relatório conjunto da ONU, UE e Banco Mundial calcula que a guerra fez o desenvolvimento humano de Gaza retroceder 77 anos.
Três anos após o ataque do Hamas que desencadeou a guerra em Gaza, satélites da ONU revelam que 82% de todas as construções do território palestino foram danificadas — uma destruição que, perturbadoramente, continuou a crescer mesmo após o cessar-fogo de 2025. O que os números capturam não é apenas a extensão física das ruínas, mas o apagamento de décadas de vida construída: escolas, hospitais, campos agrícolas e lares que sustentavam uma sociedade inteira. A reconstrução, estimada em ao menos 71,4 bilhões de dólares, enfrenta não só a escala material do colapso, mas o retrocesso de 77 anos no desenvolvimento humano de um povo.
Três anos após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 — que matou 1.221 israelenses e deixou 251 sequestrados —, Israel respondeu com bombardeios e operação terrestre que transformaram Gaza em ruínas. A extensão dessa destruição agora pode ser medida com precisão: o Unosat, centro de satélites da ONU, documentou danos em 201.290 estruturas a partir de imagens de junho deste ano, o equivalente a 82% de todas as construções do território. Das estruturas atingidas, 134.422 foram completamente destruídas. Imagens divulgadas pelo Google Earth mostram bairros inteiros substituídos por campos de escombros.
O que torna os números ainda mais perturbadores é que a destruição não cessou com a trégua estabelecida em outubro de 2025. Comparando avaliações do Unosat antes e depois do cessar-fogo, o total de estruturas atingidas cresceu 1,5% — e o de construções completamente destruídas aumentou 9% em apenas oito meses. Mais de 1.400 palestinos foram mortos mesmo durante a vigência da trégua.
A devastação vai além dos edifícios. Ao fim de 2025, 95,5% das 815 escolas de Gaza estavam danificadas ou destruídas. Mais da metade dos hospitais não funciona. Nos campos agrícolas, a FAO e o Unosat concluíram que apenas 3% das terras cultiváveis permaneciam intactas e acessíveis — forçando famílias a erguer tendas nos descampados que antes produziam alimento.
O custo humano acumulado ultrapassa 74 mil mortos desde 2023. A reconstrução, segundo relatório conjunto da ONU, União Europeia e Banco Mundial, exigirá ao menos 71,4 bilhões de dólares na próxima década. Os danos físicos foram estimados em 35,2 bilhões de dólares, e o relatório conclui que a guerra fez o desenvolvimento humano de Gaza retroceder 77 anos.
Três anos se passaram desde a manhã de 7 de outubro de 2023, quando militantes do Hamas romperam a fronteira da Faixa de Gaza e invadiram comunidades no sul de Israel. Aquele ataque matou 1.221 pessoas e deixou 251 sequestradas. Israel respondeu com bombardeios intensos e operação terrestre que transformou o território palestino em ruínas.
O alcance dessa destruição agora pode ser medido com precisão por satélite. O Unosat, centro de satélites das Nações Unidas, documentou danos em 201.290 estruturas — 82% de todas as construções de Gaza. A análise usou imagens capturadas em 16 de junho deste ano. Dessas estruturas danificadas, 134.422 foram completamente destruídas. Outras 13.848 sofreram danos graves, 28.096 danos moderados, e 24.924 apresentavam possíveis avarias. O levantamento estimou que 328.627 unidades habitacionais foram atingidas. Imagens de antes e depois divulgadas pelo Google Earth no fim de setembro mostram ruas e bairros inteiros substituídos por campos de escombros.
O que torna essa cifra ainda mais perturbadora é que a destruição não parou com o cessar-fogo que entrou em vigor em outubro de 2025. Comparando a avaliação do Unosat feita logo após o início da trégua com a de junho deste ano, o número total de estruturas atingidas cresceu 1,5%. Mais significativo: o de construções completamente destruídas aumentou 9% nesse período de oito meses. Ataques e operações militares continuaram mesmo durante a trégua, matando mais de 1.400 palestinos.
A devastação se estende além dos edifícios. Um relatório do Unicef indicou que 95,5% das 815 escolas de Gaza estavam danificadas ou destruídas ao fim de 2025. Uma avaliação conjunta publicada em abril pela ONU, União Europeia e Banco Mundial apontou que mais da metade dos hospitais não funciona. Moradia, saúde, educação, comércio e agricultura foram os setores mais atingidos.
Os campos agrícolas sofreram destruição particularmente grave. Uma análise da FAO e do Unosat concluiu que em junho apenas 3% das terras agrícolas de Gaza estavam intactas e acessíveis aos palestinos. Dos 4.091 hectares de áreas cultiváveis ainda acessíveis — dentro da área delimitada pela "linha amarela" estabelecida por Israel — somente 448 hectares não apresentavam danos. Com as cidades destruídas, palestinos tiveram de erguer tendas de abrigo nos grandes descampados que antes produziam alimento.
O custo humano permanece imenso. Autoridades controladas pelo Hamas contabilizam mais de 74 mil palestinos mortos desde 2023. Mesmo durante o cessar-fogo, mais de 1.400 foram mortos. A reconstrução do território, segundo ONU, União Europeia e Banco Mundial, exigirá ao menos 71,4 bilhões de dólares na próxima década. Apenas nos primeiros 18 meses seriam necessários 26,3 bilhões de dólares. Os danos físicos foram estimados em 35,2 bilhões de dólares, e o relatório calcula que a guerra fez o desenvolvimento humano de Gaza retroceder 77 anos.
Notable Quotes
A guerra fez o desenvolvimento humano de Gaza retroceder 77 anos— Relatório conjunto da ONU, União Europeia e Banco Mundial
95,5% das 815 escolas de Gaza estavam danificadas ou destruídas ao fim de 2025— Relatório do Unicef