Paes encerra sabatina com promessas de segurança e críticas a Ruas

Tirar o crime de dentro do Palácio Guanabara
Promessa central de Paes para a segurança pública, rejeitando influência de políticos na área.
Mark

Paes passou a sabatina inteira rebatendo Ruas e Cabral. Por que essa defesa é tão importante agora?

Mimi

Porque Ruas está tentando pintar Paes como parte do mesmo grupo que destruiu o Rio — Witzel, Castro, Bacellar. Se conseguir colar isso, muda a eleição.

Luke

Mas Paes foi secretário de Cabral e apoiado por ele. Qual é a diferença real entre uma "aliança" e ser empregado?

Mimi

Paes diz que manteve independência nas práticas, que não era ungido. A questão é se o eleitor acredita nisso.

Mark

E quanto às parcerias dele com Brazão e Lucinha? Como ele explica isso?

Mimi

Diz que não sabia na época, que exonerou assim que soube. Mas é verdade que escolheu essas pessoas.

Luke

Exatamente. Ele não pode dizer que não sabia de nada se as escolhas foram dele. Isso fica fraco.

Mark

Na segurança, ele promete unificar as polícias. Isso é viável?

Mimi

Tecnicamente sim, já foi assim antes. A questão é se resolve o problema real de crime organizado.

Luke

E ele não respondeu como vai fazer isso sem confrontar o crime organizado de verdade. Só disse que começaria no Salgueiro.

Mark

A linha 3 do metrô é promessa realista?

Mimi

É um projeto que existe há anos. Paes tem experiência com grandes obras, mas é ambicioso.

Luke

Ninguém sabe quanto custa, quanto tempo leva, ou se há financiamento. É promessa de campanha, não plano.

Mark

Ele disse que não quer nacionalizar a eleição, mas criticou Bolsonaro o tempo todo.

Mimi

Verdade. Está tentando ter os dois: não trazer Lula para frente, mas usar Bolsonaro como alvo.

Luke

Isso é estratégia comum. O que importa é se funciona com o eleitor.

  • A segurança pública domina a campanha fluminense e Paes responde com propostas radicais: unificar os comandos das polícias Civil e Militar e retomar territórios dominados pelo crime, começando pelo Complexo do Salgueiro.
  • O candidato é pressionado a explicar alianças passadas com figuras hoje investigadas ou condenadas — de Sérgio Cabral a Chiquinho Brazão — e recorre ao argumento de que agiu antes do surgimento das denúncias.
  • A tentativa do adversário Douglas Ruas de colar a imagem de Paes à de Cabral é o principal campo de batalha da sabatina, com o candidato do PSD insistindo em distinguir aliança política de cumplicidade.
  • Paes apresenta projetos concretos de transporte — linha 3 do metrô, reformulação da SuperVia e redução de tarifas intermunicipais — como âncora de credibilidade técnica em meio ao debate sobre seu passado.
  • O estado vive uma situação institucional inédita, com governador cassado, vice coagido e terceiro na linha preso, e Paes promete estabilidade ao limitar cargos comissionados e reorganizar a máquina pública.

Em um momento em que o Rio de Janeiro busca recompor sua confiança nas instituições, Eduardo Paes encerrou um ciclo de sabatinas apresentando-se como o candidato capaz de devolver ao estado a ordem que lhe foi subtraída. Diante de perguntas sobre seu passado político e suas alianças, o ex-prefeito navegou entre a defesa de sua trajetória e a promessa de um governo distinto dos que o precederam. A disputa pelo Palácio Guanabara revela, assim, não apenas uma eleição, mas um estado ainda em busca de si mesmo.

Eduardo Paes encerrou na sexta-feira a série de sabatinas de O GLOBO, EXTRA, Valor e CBN como líder nas pesquisas para o governo do Rio. Em uma hora e meia, o candidato do PSD concentrou seu programa em três frentes: segurança pública, defesa de sua trajetória política e projetos de transporte.

Na segurança, Paes prometeu reunificar os comandos das polícias Civil e Militar, possivelmente incorporando também a Administração Penitenciária à mesma pasta. Rejeitou a tese de que a ausência de serviços sociais seria a raiz da violência — citando a Vila Kennedy como exemplo de área com infraestrutura pública e ainda assim dominada pelo crime — e declarou apoio à redução da maioridade penal. Descartou o debate sobre classificar facções como 'narcoterroristas', chamando-o de 'baboseiras de Trump'. Sua prioridade territorial seria o Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, reduto de seu principal adversário.

Grande parte da sabatina foi ocupada pelo confronto com a estratégia de Douglas Ruas, que tenta associar Paes ao ex-governador Sérgio Cabral. O candidato distinguiu aliança política de subordinação, admitiu ter sido secretário por um ano e depois candidato com apoio de Cabral, mas negou ter sido uma candidatura 'ungida'. Sobre nomes como Chiquinho Brazão e Lucinha, afirmou que as parcerias ocorreram antes das denúncias e que agiu assim que surgiram suspeitas. Ao ser questionado sobre elogios passados a Rodrigo Bacellar — hoje preso por ligações com o Comando Vermelho —, disse simplesmente não saber da origem do crescimento político dele.

Sobre o cenário nacional, Paes evitou trazer o debate presidencial para o Rio, mas criticou o histórico bolsonarista no estado: apoio a Witzel em 2018 e a Castro em 2022. 'Bolsonaro tem um dedo podre para o Rio de Janeiro', afirmou. Reconheceu ter Lula como presidente, mas ressalvou que não será Lula quem governará o estado.

Na área de transportes, onde foi mais detalhista, prometeu iniciar as obras da linha 3 do metrô ligando Rio, Niterói e São Gonçalo, reformular a SuperVia nos moldes do BRT, extinguir o Riocard e reduzir as tarifas dos ônibus intermunicipais. A presença de Washington Reis — ex-secretário de Transportes de Castro e hoje apoiador de Paes, cuja irmã é vice da chapa — ficou sem resposta sobre eventual recondução ao cargo.

Eduardo Paes encerrou na sexta-feira a série de sabatinas promovida por O GLOBO, EXTRA, Valor e CBN como candidato à frente nas pesquisas para o governo do Rio de Janeiro. Durante uma hora e meia, o ex-prefeito da capital pelo PSD traçou seu programa de governo, concentrando-se em três eixos: segurança pública, críticas aos adversários e projetos de transporte. A entrevista marcou o fim de um ciclo que também ouviu Douglas Ruas (PL), Anthony Garotinho (Republicanos) e William Siri (PSOL).

Na segurança, tema que domina a campanha fluminense, Paes prometeu remodelar completamente a Secretaria de Segurança, unificando novamente os comandos das polícias Civil e Militar — estrutura que havia sido separada. Ele também sinalizou disposição de incorporar a Secretaria de Administração Penitenciária sob a mesma pasta. O candidato rejeitou o que chamou de "lugar-comum" de que a falta de serviços sociais seria o cerne do problema de segurança, citando o exemplo da Vila Kennedy, que possui escolas e infraestrutura pública mas ainda enfrenta desafios de criminalidade. Paes declarou-se totalmente favorável à redução da maioridade penal, argumentando que quem pode votar para presidente tem capacidade de tomar suas próprias decisões. Quando questionado sobre a classificação de organizações criminosas como "narcoterroristas", descartou a discussão como "baboseiras de Trump" que não resolvem problemas concretos como transporte ou educação. Afirmou que sua prioridade seria retomar territórios dominados pelo crime, começando pelo Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo — reduto político de seu principal adversário.

Boa parte da sabatina foi dedicada a rebater a estratégia de Douglas Ruas, que tenta associar Paes ao ex-governador Sérgio Cabral. O candidato do PSD negou ter sido "empregado" de Cabral, esclarecendo que foi secretário por um ano e depois candidato a prefeito com apoio dele, mas sem ser uma candidatura "ungida". Paes argumentou que sua relação com Cabral foi de "independência" e "aliança para governar", mas com "práticas muito distintas". Ele criticou duramente a gestão de Cláudio Castro e figuras como Rodrigo Bacellar, preso em investigação sobre ligações com o Comando Vermelho. Quando provocado sobre acenos que fez a Bacellar no passado, alegou desconhecimento: "O sujeito estava de fato crescendo como um meteoro. Eu não sabia que era um meteoro do Comando Vermelho." Também respondeu sobre parcerias durante suas gestões na prefeitura com nomes como Chiquinho Brazão, condenado pelo assassinato da vereadora Marielle Franco, e Lucinha, investigada por ligação com milícias. Segundo Paes, essas escolhas ocorreram antes do surgimento de denúncias e ele exonerou os envolvidos assim que surgiram suspeitas.

Sobre a nacionalização da eleição, Paes deixou claro que não tem interesse em trazer o debate presidencial para o Rio, apesar de alfinetar as escolhas da família Bolsonaro no estado. Criticou o apoio bolsonarista a Wilson Witzel em 2018 e a Cláudio Castro em 2022, dizendo que "Bolsonaro tem um dedo podre para o Rio de Janeiro". Afirmou que Douglas Ruas precisa do bolsonarismo como "muleta" na campanha, enquanto ele próprio tem Lula como candidato a presidente, mas ressalvou que não será Lula quem governará o estado.

Sobre o governo interino de Ricardo Couto, Paes reconheceu a situação como "inusitada" e descreveu a cadeia sucessória que levou a ela: Castro cassado por corrupção, seu vice Thiago Pampolha coagido, e Rodrigo Bacellar — terceiro na linha — preso. Paes parabenizou o trabalho de Couto mas disse que "falta muita coisa", prometendo limitar a 5% o percentual de funcionários em cargos comissionados na máquina estadual, alinhando-se com medida recente da prefeitura do Rio.

Na área de transportes, onde apresentou maior detalhamento, Paes prometeu iniciar as obras da linha 3 do metrô, que ligaria Rio a Niterói e São Gonçalo. Também anunciou planos de fazer com a SuperVia o mesmo que fez com o BRT, acabar com o Riocard e licitar a bilhetagem eletrônica, além de reduzir a passagem dos ônibus intermunicipais. Washington Reis, ex-secretário de Transportes no governo Castro e hoje apoiador de Paes, tem a irmã Jane Reis como vice da chapa, embora o candidato não tenha respondido se reconduzirá Reis à função.

Bolsonaro tem um dedo podre para o Rio de Janeiro
— Eduardo Paes, sobre apoios bolsonaristas a Witzel e Castro
Não coloquei nenhum desses personagens como candidato a prefeito ou governador, nunca tiveram protagonismo
— Eduardo Paes, respondendo sobre parcerias com Brazão e Lucinha
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