Um ovo de moa, a grande ave da Nova Zelândia que desapareceu há cerca de seis séculos, passou das mãos de uma coleção privada americana para as de Peter Jackson, o cineasta de O Senhor dos Anéis. Ele não será chocado, mas servirá como fonte de informação para a Colossal Biosciences, empresa que sonha em trazer de volta uma versão do animal. Entre a memória de uma espécie perdida e a ousadia de quem deseja recriá-la, o objeto carrega ainda a história de um povo que conviveu com essas aves e deverá retornar à terra de onde saiu.
Ovo de moa comprado por Peter Jackson pode ajudar a estudar a recriação de ave extinta
Os estudos não significam que o ovo possa ser incubado
Por que um ovo quebrado e remontado importa tanto?
Porque é raro. Menos de 40 ovos de moa razoavelmente completos estão em coleções públicas, e só oito têm ao menos 90% da casca original.
Então dá para chocar esse ovo?
Não. A reportagem é clara: os estudos não significam que ele possa ser incubado.
Vale separar o que é fato do que é promessa. Os números sobre raridade vêm da própria Colossal, e a ideia de que será o nono ovo quase intacto é uma expectativa de Jackson depois da restauração.
E o que os cientistas esperam achar?
Material genético na casca, a espécie de moa, a região de origem e pistas sobre a reprodução da ave.
Esperam investigar, não encontraram. Não se sabe ainda se a casca preserva DNA útil.
E a meta de 2030?
É o objetivo divulgado pela empresa para avançar no projeto, não uma garantia de que haverá um moa.
Exato. O que está confirmado é a compra, a origem de 1966 e a devolução prevista a Te Maire Tau. O resto depende de pesquisas e técnicas que ainda precisam ser desenvolvidas.
O Pulso
- Um ovo frágil, remontado de inúmeros fragmentos, ainda tem peças faltando e ganha valor científico raro: quase nenhum sobreviveu inteiro.
- A compra de Peter Jackson, em parceria com a Colossal, coloca a desextinção do moa no centro de um debate que mistura ciência, dinheiro e memória.
- O caminho é longo: primeiro a restauração, depois análises genéticas capazes de dizer se restos de casca ainda guardam DNA útil.
- A meta de 2030 está no horizonte, mas o ovo não pode ser incubado, e a recriação dependerá de técnicas reprodutivas que ainda não existem.
- Ao final do estudo, o ovo deve voltar à Nova Zelândia e ser entregue ao historiador Maori Te Maire Tau, reconectando a peça às comunidades de origem.
Um ovo de moa, a grande ave da Nova Zelândia que desapareceu há cerca de seis séculos, passou das mãos de uma coleção privada americana para as de Peter Jackson, o cineasta de O Senhor dos Anéis. Ele não será chocado, mas servirá como fonte de informação para a Colossal Biosciences, empresa que sonha em trazer de volta uma versão do animal. Entre a memória de uma espécie perdida e a ousadia de quem deseja recriá-la, o objeto carrega ainda a história de um povo que conviveu com essas aves e deverá retornar à terra de onde saiu.
O ovo tem cerca de 22 centímetros por 17 e foi montado peça por peça a partir de muitos fragmentos. Ainda faltam pedaços. Foi esse objeto frágil que o cineasta Peter Jackson adquiriu, para uso em uma pesquisa que quer verificar se é possível recriar o moa, ave gigante que desapareceu há cerca de 600 anos.
A compra foi feita em parceria com a Colossal Biosciences, empresa de biotecnologia conhecida por projetos de desextinção. Segundo a empresa, menos de 40 ovos de moa suficientemente completos existem em coleções públicas, e apenas oito conservam ao menos 90% da casca. Após a restauração, este deve ser o nono quase intacto conhecido.
A peça foi encontrada na Nova Zelândia em 1966 e passou seis décadas em uma coleção privada nos Estados Unidos. Registros de leilão sugerem que pode ter vindo de um sepultamento humano associado ao povo Moa Hunter, por volta do ano 1300.
A proposta é cruzar informações genéticas de restos antigos com técnicas modernas de engenharia genética. Os pesquisadores querem saber se a casca guarda material genético útil e de qual espécie e região o ovo provém. Ainda assim, não há previsão de incubação: a recriação depende de avanços que a própria empresa projeta para 2030.
Quando os estudos terminarem, o ovo voltará à Nova Zelândia e será entregue ao professor Te Maire Tau, historiador Maori ligado ao povo Ngai Tahu. Se a pesquisa avançar, a intenção é que comunidades Maori participem de formas de manter os animais recriados em seu território de origem.
O ovo mede cerca de 22 centímetros de comprimento por 17 de largura e foi remontado a partir de numerosos fragmentos. Ainda faltam pedaços a recolocar. Foi esse objeto que o cineasta Peter Jackson comprou, e que agora entra em uma pesquisa sobre a possibilidade de recriar o moa, ave gigante que desapareceu há cerca de 600 anos.
Jackson fez a compra em parceria com a Colossal Biosciences, empresa de biotecnologia que pretende contribuir com estudos voltados a trazer de volta uma versão do animal. Segundo a Colossal, menos de 40 ovos de moa suficientemente completos são conhecidos em coleções públicas, e apenas oito preservam ao menos 90% da casca original. Depois de uma restauração especializada, o ovo deve se tornar o nono quase intacto conhecido, provavelmente um dos cinco mais bem preservados, afirmou Jackson à Bloomberg.
A peça foi encontrada na Nova Zelândia em 1966 e passou cerca de 60 anos numa coleção privada americana. Registros do leilão indicam que pode ter vindo de um local de sepultamento humano associado ao período conhecido como Moa Hunter, por volta do ano 1300.
Terminados os estudos, o ovo será devolvido à Nova Zelândia e entregue ao professor Te Maire Tau, historiador Maori ligado ao povo Ngai Tahu. A iniciativa busca restituir à região de origem um objeto de importância científica, histórica e cultural.
A proposta da Colossal é combinar informações genéticas extraídas de restos antigos com técnicas modernas de engenharia genética e reprodução. Os pesquisadores querem verificar se os fragmentos da casca preservam material genético útil. As análises também podem indicar a qual espécie de moa o ovo pertence e de que região da Nova Zelândia veio, e a estrutura e a composição da casca podem revelar aspectos da biologia reprodutiva da ave.
Isso não quer dizer que o ovo possa ser incubado. A eventual recriação do moa depende de pesquisas genéticas e do desenvolvimento de técnicas reprodutivas adequadas. Pelos planos divulgados pela empresa, a meta é avançar no projeto até 2030. A Colossal já é conhecida por iniciativas de desextinção, como a do lobo-terrível: em 2025 nasceram três filhotes geneticamente modificados para exibir características atribuídas ao animal extinto, com o lobo-cinzento como referência genética.
Os moas eram aves terrestres, incapazes de voar, nativas da Nova Zelândia, com diferentes espécies de tamanho semelhante ao de um peru. Desapareceram após a chegada dos ancestrais dos Maori ao país; a caça e as mudanças provocadas pela ocupação humana estão entre os fatores associados à extinção.
Se a pesquisa avançar, a intenção é estudar formas de manter os animais recriados em ambientes adequados no país de origem, com participação de comunidades Maori. Paul Scofield, curador sênior de história natural do Museu de Canterbury e consultor do projeto, vê nisso uma oportunidade de reconexão direta dos Maori com os moas, além de uma oportunidade econômica. O próximo passo concreto é a restauração do ovo e as análises genéticas, com a meta de 2030 no horizonte.
Citações Notáveis
É uma oportunidade para os Maori se reconectarem com os moas em contato direto, além de uma oportunidade econômica.— Paul Scofield, curador sênior do Museu de Canterbury e consultor do projeto (paráfrase)