Os efeitos secundários embaraçosos do Ozempic e do Mounjaro que poucos admitem

"O objetivo não é chegar depressa à dose máxima, mas chegar bem."
A endocrinologista Joana Menezes Nunes resume como encarar o aumento gradual da dose destes medicamentos.
Mark

Porque é que estes efeitos secundários quase não se ouvem, se são tão comuns?

Mimi

Porque o que se partilha é o número na balança. Obstipação e arrotos persistentes são embaraçosos, e o artigo nota que a maioria dos utilizadores os sente.

Mark

E são sinal de que algo corre mal?

Mimi

Em geral não. A endocrinologista diz que são esperados, sobretudo nas primeiras semanas e depois de subir a dose, e tendem a diminuir.

Luke

Convém ver o que isto é: o artigo apoia-se numa única especialista. "A maioria" sente efeitos, mas não vem nenhuma percentagem.

Mark

E a queda de cabelo? Vem do medicamento?

Mimi

Segundo a médica, vem sobretudo da perda de peso rápida e da restrição calórica, não de uma ação nos folículos. É temporária.

Luke

Isso é a explicação dela, não uma conclusão demonstrada no texto. Já o número da perda de visão tem fonte: a Agência Europeia de Medicamentos fala de até uma em cada 10 mil pessoas tratadas com semaglutido, e só para esse fármaco.

Mark

Então o que pode o leitor fazer?

Mimi

Subir a dose com calma, comer pouco de cada vez e devagar, evitar gorduras, beber líquidos, ter proteína e treino de força. E procurar um médico perante dor abdominal forte ou mudanças súbitas na visão.

Luke

Fica por dizer com que frequência cada efeito ocorre. O texto dá orientação, não estatísticas.

  • Obstipação, diarreia, arrotos e enfartamento surgem com frequência, sobretudo nas primeiras semanas e após cada subida de dose, pondo à prova a paciência de quem começa o tratamento.
  • A perda de peso rápida traz riscos silenciosos: queda de cabelo difusa, perda de massa muscular e formação de pedras na vesícula, que exigem vigilância atenta.
  • Para travar o impacto, a especialista aponta refeições pequenas, comida mais devagar, menos gordura, proteína suficiente e treino de força, ajustando o ritmo da dose quando o corpo não tolera.
  • Dor abdominal intensa, desidratação, vómitos persistentes ou alterações súbitas da visão exigem resposta médica imediata, sobretudo porque a NAION, embora muito rara, pode afetar o nervo ótico.

Num tempo em que a balança se tornou medida quase universal de sucesso, as canetas de semaglutido e tirzepatida trouxeram consigo uma promessa de emagrecimento e, com ela, um lado menos visível que raramente chega às conversas de café. A endocrinologista Joana Menezes Nunes lembra, a partir das orientações que a NiT divulgou, que o desconforto digestivo, a queda de cabelo e a perda de músculo fazem parte de uma transformação do corpo que pede atenção e não apenas resignação. O que se está a discutir é menos a eficácia dos fármacos do que a forma de os usar com discernimento, reconhecendo que a verdadeira medida do tratamento é a saúde que resulta dele.

Nas redes sociais, os primeiros quilos perdidos com o Ozempic ou o Mounjaro são anunciados quase de imediato. O que pouco se conta é o resto: obstipação, diarreia, arrotos persistentes, náuseas e uma sensação de enfartamento que afeta muitas das pessoas que recorrem a estas canetas para emagrecer.

A endocrinologista Joana Menezes Nunes explica que estes sintomas são normais, sobretudo nas primeiras semanas e depois de cada alteração de dose, e que costumam ser ligeiros a moderados, diminuindo com o tempo. Os fármacos, semaglutido no Ozempic e tirzepatida no Mounjaro, atrasam o esvaziamento do estômago e aumentam a saciedade, o que explica o enjoo inicial. Comer em excesso ou em refeições muito gordurosas agrava o desconforto.

Há efeitos menos conhecidos. A queda de cabelo está ligada à rapidez da perda de peso e à restrição calórica, sendo difusa e temporária. A perda de massa muscular é outra consequência, sobretudo nas pessoas mais velhas, e a resposta passa por proteína suficiente e treino de força. A perda rápida de peso também favorece as pedras na vesícula e, em casos raros, a pancreatite aguda, que exige avaliação urgente perante dor abdominal intensa.

Com vómitos ou diarreia, o risco de desidratação cresce, e pode afetar os rins. Entre os efeitos mais raros está a neuropatia ótica isquémica (NAION), que a Agência Europeia de Medicamentos reconhece como muito rara, e uma alteração súbita da visão exige assistência imediata.

Para reduzir os efeitos, a médica aconselha respeitar o esquema de aumento de dose, comer devagar e evitar gorduras, prolongando a adaptação se necessário, sempre com orientação médica. Quem toma insulina ou outros fármacos para a glicemia pode precisar de ajustes, e o uso sem acompanhamento aumenta o risco de problemas não identificados. Para a especialista, o sucesso deve medir-se pelo ganho de saúde e não apenas pela balança.

Nas redes sociais e nas pausas para café, os primeiros quilos perdidos com o Ozempic ou o Mounjaro costumam ser anunciados quase de imediato. O que se conta bem menos é o resto: obstipação, diarreia, arrotos persistentes, náuseas e uma sensação de enfartamento que, segundo a NiT, afetam a maioria das pessoas que recorre a estas "picas" para emagrecer.

A endocrinologista Joana Menezes Nunes explicou à publicação que estes sintomas são normais e até expectáveis, sobretudo nas primeiras semanas de tratamento e depois de cada alteração de dose. Na maioria dos casos são ligeiros a moderados e tendem a diminuir com o tempo.

Os dois medicamentos têm princípios ativos diferentes, semaglutido no Ozempic e tirzepatida no Mounjaro, mas atuam de forma semelhante: regulam o apetite e a glicemia, aumentam a saciedade, reduzem a fome e atrasam o esvaziamento do estômago, o que faz com que os alimentos fiquem lá mais tempo. Segundo a médica, os centros cerebrais envolvidos controlam também a náusea, o que explica o enjoo no início. Comer em excesso ou fazer refeições muito gordurosas pode agravar o enfartamento, o refluxo e os vómitos.

Há efeitos menos conhecidos. A queda de cabelo, diz a especialista, está ligada à rapidez da perda de peso e à restrição calórica, não a uma ação direta do fármaco nos folículos, e é difusa e temporária. A perda de massa muscular é outra consequência: o organismo perde gordura, mas também alguma massa magra. "Sem treino de força e sem proteína suficiente, perde-se músculo, o que é especialmente relevante nas pessoas mais velhas", alerta. Daí a recomendação de uma alimentação com proteína adequada e de um plano de exercício que inclua treino de força, ajustado à condição de cada pessoa.

A vesícula biliar também pode ser afetada. A perda de peso rápida favorece os cálculos biliares, as chamadas pedras na vesícula, e em casos raros pode surgir pancreatite aguda, inflamação do pâncreas que exige avaliação médica urgente. Joana Menezes Nunes descreve a litíase biliar como um risco identificado e a pancreatite como rara, mas observada nesta classe de fármacos. Uma dor abdominal intensa e persistente, com ou sem vómitos, deve ser avaliada por um profissional de saúde.

Alguns doentes relatam formigueiros ou uma sensibilidade invulgar da pele ao toque, a disestesia, observada em ensaios clínicos com semaglutido oral. O cansaço pode surgir no início, quando se come e bebe menos. Com vómitos ou diarreia aumenta o risco de desidratação, que pode afetar os rins; "come-se e bebe-se menos, às vezes sem dar por isso", observa a médica, que pede atenção aos líquidos ao longo do dia.

Entre os efeitos mais raros está a neuropatia ótica isquémica anterior não arterítica (NAION), que afeta o nervo ótico e pode causar perda de visão. A Agência Europeia de Medicamentos reconheceu-a como efeito muito raro do semaglutido, podendo atingir até uma em cada 10 mil pessoas tratadas. Uma alteração súbita da visão exige assistência médica imediata.

Para reduzir os efeitos, a endocrinologista aconselha respeitar o esquema de aumento de dose, fazer refeições pequenas, comer devagar e evitar gorduras. Quem não tolera uma dose pode precisar de prolongar a fase de adaptação, sob orientação médica. "O objetivo não é chegar depressa à dose máxima, mas chegar bem." Diabéticos tipo 2 que tomem insulina ou outros fármacos para baixar a glicemia podem precisar de ajustar doses para evitar hipoglicemias, e quem tem retinopatia diabética pode necessitar de vigilância oftalmológica. Usar estes medicamentos sem acompanhamento aumenta o risco de problemas não identificados.

Nem todos têm sintomas, nem todos perdem o mesmo peso. Por isso, defende a médica, a eficácia deve medir-se pelo ganho de saúde e não só pela balança: "Devemos desfocar o tratamento do peso e focar no ganho de saúde." Dor intensa, vómitos persistentes, diarreia grave, sinais de desidratação ou alterações súbitas da visão justificam avaliação médica.

Devemos desfocar o tratamento do peso e focar no ganho de saúde.
— Joana Menezes Nunes, endocrinologista, à NiT
Sem treino de força e sem proteína suficiente, perde-se músculo, o que é especialmente relevante nas pessoas mais velhas.
— Joana Menezes Nunes, endocrinologista, à NiT
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