Num tempo em que empresas grandes enfrentam dívidas que pesam sobre médicos, pacientes e fornecedores, a Oncoclínicas tenta reorganizar seus compromissos sem sacrificar quem já é dono do negócio. Ao apresentar um novo plano de recuperação extrajudicial, que substitui o anterior levado à Justiça em agosto, a companhia reúne metade de seus credores em torno de uma dívida de R$ 5,7 bilhões, pagando parte em ativos e alongando o restante até 2040. O desfecho ainda depende de adesões que faltam, e o que se decide agora é se a confiança entre credores e acionistas consegue se refazer.
Oncoclínicas protocola novo plano de recuperação com 50% de adesão e dívida de R$ 5,7 bi
A maior parte da dívida só será paga entre 2031 e 2040
Qual é a mudança central em relação ao plano de agosto?
O novo plano não dilui os atuais acionistas, e já tem cerca de metade dos credores a bordo, incluindo Oncoprod e Cedro.
Um aviso: o texto fala em R$ 5,7 milhões no começo, mas título e resumo dizem R$ 5,7 bilhões. Tomo bilhões como o mais provável, mas a discrepância existe.
Por que a Oncoprod pesa tanto?
É a principal fornecedora de medicamentos, tem quase R$ 1 bilhão a receber e se comprometeu a dar capital de giro para comprar remédios, sob condições.
Condições que a reportagem não detalha.
E a Cedro?
Crédito de R$ 630 milhões, que pode chegar a R$ 2,4 bilhões conforme decisão judicial. Recebe debênture de até R$ 150 milhões e ativos, inclusive CDBs do Master.
A ausência de diluição vale se a conversão ocorrer a R$ 3,00 e a assembleia aprovar. Hoje o papel vale R$ 1,00. São dois condicionais.
E os R$ 3,2 bilhões?
É o valor presente da dívida, com desconto de CDI mais 7,5% ao ano, já que a maior parte só será paga entre 2031 e 2040.
Os 400 médicos de apoio são declaração da própria companhia, não verificada de forma independente.
Der Puls
- A dívida de R$ 5,7 bilhões pressiona a empresa, e cada adesão que falta pode mudar o rumo do plano.
- Credores e acionistas seguem em embate, e o novo texto surge depois de semanas de disputa aberta.
- A Oncoprod e a Cedro entraram no acordo, mas CRIs e a BB Asset ainda não se manifestaram.
- Com 30 dias para impugnações e 90 dias para aprovação, o caminho segue aberto e incerto.
Num tempo em que empresas grandes enfrentam dívidas que pesam sobre médicos, pacientes e fornecedores, a Oncoclínicas tenta reorganizar seus compromissos sem sacrificar quem já é dono do negócio. Ao apresentar um novo plano de recuperação extrajudicial, que substitui o anterior levado à Justiça em agosto, a companhia reúne metade de seus credores em torno de uma dívida de R$ 5,7 bilhões, pagando parte em ativos e alongando o restante até 2040. O desfecho ainda depende de adesões que faltam, e o que se decide agora é se a confiança entre credores e acionistas consegue se refazer.
A Oncoclínicas levou à Justiça, na sexta-feira, 23 de outubro, um novo plano de Recuperação Extrajudicial. Ele substitui o documento apresentado em 28 de agosto e chega após semanas de tensão entre credores e acionistas. Na primeira versão da coluna de Mariana Barbosa, no UOL, a dívida aparece como R$ 5,7 milhões, mas o título e o resumo indicam R$ 5,7 bilhões, valor coerente com as demais cifras.
O grande trunfo da empresa foi um desenho que preserva os atuais acionistas. Cerca de metade dos credores já aderiu, entre eles a Oncoprod, principal fornecedora de medicamentos, e a Cedro Participações, de Lucas Kallas. A Oncoprod, com crédito de quase R$ 1 bilhão, se comprometeu a fornecer capital de giro para compra de remédios, sob certas condições. A Cedro, com crédito de R$ 630 milhões que pode chegar a R$ 2,4 bilhões por decisão judicial, negociou uma debênture conversível limitada a R$ 150 milhões e receberá ativos de liquidez variada, incluindo CDBs do Master. Se a conversão ocorrer com o papel a R$ 3,00 corrigido pelo IPCA, não haverá diluição, mesmo com a ação valendo R$ 1,00 hoje.
O pagamento se estende por anos: R$ 450 milhões serão quitados em ativos e a maior parte da dívida vence entre 2031 e 2040. Trazidos a valor presente, os pagamentos somam cerca de R$ 3,2 bilhões. A companhia afirma ainda ter o apoio de mais de 400 dos seus 600 médicos.
Agora o plano será publicado para atrair novas adesões. Os credores terão 30 dias para impugnar, e a lei prevê 90 dias para aprovação. O que se observa é se os detentores de CRI e a BB Asset vão aderir.
A Oncoclínicas protocolou na sexta-feira, 23 de outubro, um novo plano de Recuperação Extrajudicial. Ele substitui o que a companhia havia levado à Justiça em 28 de agosto e chega depois de semanas de embates entre credores e acionistas. O texto da coluna de Mariana Barbosa, no UOL, fala em dívida de R$ 5,7 milhões no primeiro parágrafo, mas o título e o resumo editorial indicam R$ 5,7 bilhões, valor compatível com as demais cifras do plano.
O ponto que a empresa conseguiu emplacar foi um desenho que não dilui os atuais acionistas. O plano reúne a adesão de cerca de 50% dos credores. Entre eles estão a Oncoprod, principal fornecedora de medicamentos, e a Cedro Participações, de Lucas Kallas. Ainda faltam adesões importantes, como as de detentores de CRI e da BB Asset.
A Oncoprod tem um crédito de quase R$ 1 bilhão e se comprometeu a fornecer capital de giro para a compra de medicamentos, sob certas condições. Do total da dívida, R$ 450 milhões serão pagos em ativos.
A Cedro tem um crédito de R$ 630 milhões, valor sujeito a uma decisão judicial que pode elevá-lo a R$ 2,4 bilhões. Ela negociou uma debênture conversível, que depende de aprovação em assembleia de acionistas e está limitada a R$ 150 milhões. Também receberá diversos ativos, de maior ou menor liquidez, entre eles CDBs do Master. Se, numa eventual conversão, o papel valer R$ 3,00 corrigidos pelo IPCA, não haverá diluição para os acionistas atuais. Hoje a ação vale R$ 1,00.
O calendário de pagamento é longo: a maior parte da dívida será quitada entre 2031 e 2040. Trazidos a valor presente, com desconto a uma taxa que reflete o risco (CDI mais 7,5% ao ano), os pagamentos somam R$ 3,2 bilhões. O prazo médio do parcelamento, ponderado pelo valor de cada parcela, é de 6,9 anos.
A companhia também informou ter o apoio manifestado de mais de 400 dos 600 médicos que compõem seu corpo clínico.
A intenção é publicar os termos do plano para buscar novas adesões. A partir da publicação, os credores têm 30 dias para apresentar impugnações, e o prazo legal para a aprovação do plano é de 90 dias. O que se acompanha agora é se CRIs e BB Asset aderem.
Bemerkenswerte Zitate
A companhia diz ter apoio de mais de 400 dos 600 médicos do corpo clínico.— Oncoclínicas, segundo a coluna de Mariana Barbosa