OMS exige reconhecimento uniforme de todas as vacinas aprovadas para viajantes

Um sistema duplo que exacerba as desigualdades globais
A OMS alertou para o risco de fragmentação se alguns países não reconhecerem todas as vacinas aprovadas.
Mark

Por que é que a OMS sentia necessidade de fazer este apelo agora, em julho de 2021?

Mimi

Porque os países estavam a abrir as fronteiras, e cada um estava a tomar decisões diferentes sobre quais as vacinas que aceitava. Isto criava caos — um viajante vacinado podia ser aceite num país e rejeitado noutro.

Mark

Mas a Sinovac e a Sinopharm não eram aprovadas na Europa e na América do Norte. Não havia razão para desconfiar delas?

Mimi

A OMS tinha aprovado ambas. Tinham passado pelos testes de segurança e eficácia. O problema era que os reguladores ocidentais não tinham feito o mesmo trabalho de revisão — não por desconfiança científica, mas por processos burocráticos diferentes.

Mark

E qual era o verdadeiro custo de criar este "sistema duplo"?

Mimi

Os países pobres, que tinham vacinado as suas populações com Sinovac e Sinopharm, viam-se agora com cidadãos que não podiam viajar. Isto prejudicava o turismo, os negócios, as remessas. Era uma punição económica por terem escolhido as vacinas que conseguiam obter.

Mark

A variante delta estava a mudar o jogo nessa altura?

Mimi

Estava. Os casos voltavam a subir, e isso tornava as decisões sobre viagens ainda mais políticas. Alguns países usavam a variante como desculpa para ser ainda mais restritivos.

Mark

O que é que a OMS esperava que os governos fizessem?

Mimi

Que reconhecessem todas as vacinas da lista de emergência, independentemente de terem aprovação nacional. Que priorizassem a equidade global em vez da proteção do mercado interno.

  • Vacinas como Sinovac e Sinopharm foram distribuídas em massa em África, América Latina e Ásia do Sul, mas a sua não aprovação europeia e norte-americana ameaçava deixar milhões de vacinados sem acesso a viagens internacionais.
  • A OMS, a GAVI e o UNICEF alertaram em conjunto para o risco de um 'sistema duplo' que criaria uma hierarquia global de proteção, favorecendo os países ricos e penalizando os mais pobres.
  • O apelo surgiu precisamente quando os países tomavam decisões sobre reabertura de fronteiras — decisões com consequências económicas e sociais de longo prazo para as nações em desenvolvimento.
  • A variante delta espalhava-se e os casos semanais voltavam a subir em várias regiões, tornando ainda mais urgente e delicada a questão de quem seria considerado 'suficientemente vacinado' para viajar.
  • Portugal, com quase 17.100 mortes e crescimento simultâneo de casos e internamentos, vivia o contexto de pressão que tornava estas decisões globais imediatamente locais.

Num momento em que as fronteiras começavam a reabrir e as decisões sobre mobilidade global ganhavam peso duradouro, a Organização Mundial de Saúde apelou, em julho de 2021, a que todos os governos reconhecessem como totalmente vacinados os viajantes imunizados com qualquer vacina da sua lista de emergência. O pedido, simples na forma, tocava numa ferida mais profunda: a pandemia havia exposto as desigualdades entre nações, e o modo como o mundo tratasse as vacinas chinesas — aprovadas pela OMS mas não pelos reguladores ocidentais — determinaria quem poderia circular livremente e quem ficaria excluído.

A Organização Mundial de Saúde dirigiu-se aos governos de todo o mundo com um apelo direto: quem recebeu qualquer vacina aprovada pela sua lista de emergência deve ser reconhecido como totalmente vacinado, sem exceções. A mensagem era clara, mas as suas implicações revelavam uma das tensões mais profundas que a pandemia havia criado.

A lista de emergência da OMS inclui seis vacinas — Pfizer-BioNTech, Moderna, AstraZeneca, Janssen, Sinovac e Sinopharm. As duas últimas, de origem chinesa, foram amplamente utilizadas em regiões em desenvolvimento, mas não obtiveram aprovação dos reguladores europeus ou norte-americanos. O resultado prático era absurdo: um viajante vacinado com Sinovac podia encontrar-se impedido de entrar em países que a própria OMS considerava protegidos.

Numa declaração conjunta com a GAVI e o UNICEF, a organização nomeou o risco com precisão: criar um 'sistema duplo' que beneficiaria os países ricos e agravaria as desigualdades já expostas pela pandemia. Reconhecer apenas algumas vacinas equivalia a construir uma hierarquia de mobilidade global — e as economias mais frágeis pagariam o preço mais alto.

O momento do apelo não era neutro. Em julho de 2021, as fronteiras começavam a reabrir, mas a variante delta avançava e os casos voltavam a subir. Era precisamente então que as regras sobre quem podia viajar estavam a ser escritas — com consequências que se prolongariam muito além da pandemia. A OMS pedia equidade num instante em que a fragmentação ainda podia ser evitada.

A Organização Mundial de Saúde fez um apelo direto aos governos de todo o mundo nesta quinta-feira: reconheçam como totalmente vacinados todos os viajantes que receberam qualquer uma das vacinas aprovadas pela sua lista de emergência, independentemente de qual seja. O pedido é simples na forma, mas carregado de implicações políticas e económicas que tocam no cerne das desigualdades globais que a pandemia expôs.

A OMS incluiu na sua lista de emergência seis vacinas: Pfizer-BioNTech, Moderna, AstraZeneca, Janssen, Sinovac e Sinopharm. Mas aqui está o problema. As duas últimas, desenvolvidas na China, foram amplamente distribuídas em regiões em desenvolvimento — África, América Latina, Ásia do Sul — enquanto os reguladores europeus e norte-americanos ainda não as aprovaram. Isto significa que um viajante vacinado com Sinovac ou Sinopharm pode encontrar-se impedido de entrar em certos países, apesar de ter recebido uma vacina que a OMS considera segura e eficaz.

Numa declaração conjunta com parceiros como a Fundação GAVI e o UNICEF — organizações que trabalham com a OMS no programa COVAX de distribuição global de vacinas — a organização alertou para o risco de criar um "sistema duplo". Se alguns países reconhecerem apenas as vacinas aprovadas pelos seus próprios reguladores, estarão a criar uma hierarquia de proteção que beneficia os países ricos e prejudica os pobres. "Qualquer medida que apenas permita que pessoas protegidas por algumas vacinas aprovadas pela OMS beneficiem da reabertura das viagens criará um sistema duplo, aumentando as divisões globais em torno das vacinas e exacerbando as desigualdades", alertou a organização.

O timing do apelo não é casual. Muitos países estavam a começar a abrir as suas fronteiras a viajantes internacionais em julho de 2021, à medida que os casos desciam globalmente. Mas a variante delta começava a espalhar-se, e as infeções semanais voltaram a subir em várias regiões. Era o momento em que as decisões sobre quem podia viajar e quem não podia estavam a ser tomadas — decisões que teriam consequências duradouras.

A OMS sublinhou que um sistema de reconhecimento fragmentado teria "um impacto negativo no crescimento das economias que mais sofrem". Isto é, os países em desenvolvimento que já estavam a lutar com os efeitos económicos da pandemia. Se os seus cidadãos — vacinados com vacinas aprovadas pela OMS — fossem impedidos de viajar para mercados importantes, isso prejudicaria ainda mais as suas economias.

Em Portugal, o contexto era de preocupação crescente. O país tinha registado 17.096 mortes e 879.557 casos confirmados até essa data, e estava a enfrentar um aumento simultâneo de casos e internamentos. Globalmente, a pandemia tinha provocado pelo menos 3.940.888 mortes em mais de 181,7 milhões de casos confirmados.

O apelo da OMS era, portanto, um pedido de equidade num momento de fragmentação. Não era apenas sobre vacinas; era sobre quem teria permissão para se mover pelo mundo, e quem ficaria para trás.

Qualquer medida que apenas permita que pessoas protegidas por algumas vacinas aprovadas pela OMS beneficiem da reabertura das viagens criará um sistema duplo, aumentando as divisões globais
— Organização Mundial de Saúde
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