Com o regresso do El Niño após três anos de ausência, a Organização Mundial de Saúde adverte que o mundo entra num período de vulnerabilidade acrescida face a doenças transmitidas por mosquitos — dengue, Zika e chikungunya. As condições climáticas extremas que este fenómeno provoca criam terreno fértil para a proliferação do mosquito Aedes, cujo alcance geográfico se expande à medida que o planeta aquece. Metade da humanidade está hoje em risco, e a Europa, outrora poupada, começa a sentir a aproximação desta ameaça.
OMS alerta para propagação de dengue, Zika e chikungunya ligadas ao El Niño
Quando as pessoas viajam, o vírus viaja com elas
Porque é que o El Niño torna estas doenças mais prováveis? Parece uma ligação estranha.
O El Niño muda os padrões de chuva e temperatura. Mais chuva significa mais água parada onde os mosquitos se reproduzem. Temperaturas mais altas aceleram o ciclo de vida do insecto. Tudo isto junto cria condições perfeitas para a propagação.
Mas a OMS está a dizer que isto é certo? Ou é apenas uma previsão com base em modelos climáticos?
É uma previsão fundamentada. O El Niño regressou oficialmente após três anos. A OMS está a preparar-se baseada em padrões históricos e no que sabemos sobre como o clima afecta os mosquitos.
E a Europa está realmente em risco? Parece-me que a dengue é uma doença tropical.
Era. Mas o alcance geográfico dos mosquitos Aedes está a expandir-se. A OMS alertou em Abril que os países europeus estão vulneráveis. Quando as pessoas viajam, levam o vírus com elas.
Quantos casos de dengue houve na Europa até agora? O artigo não diz.
Não diz. O artigo foca-se nos números das Américas — 442 mil casos este ano, 120 mortes. Mas o risco europeu é mais sobre o que pode acontecer do que o que já aconteceu.
O Peru parece estar numa situação grave.
Está. Declarou estado de emergência em quase todas as regiões. A ministra da Saúde demitiu-se. É um sinal de que o sistema de saúde está sobrecarregado.
Mas o artigo não explica porque é que o Peru foi tão afectado. É apenas porque tem mais mosquitos? Ou porque tem menos capacidade de resposta?
Provavelmente ambos. O Peru está numa região tropical onde os mosquitos prosperam. E sim, a capacidade de resposta pode ser limitada.
Há algo que possamos fazer para nos protegermos?
O artigo menciona ferramentas em desenvolvimento para prevenção e controlo. Mas não especifica quais são. Vacinação, repelentes, controlo de mosquitos — tudo isto existe, mas o artigo não entra em detalhe.
Exacto. O artigo termina com esperança vaga. Não sabemos se essas ferramentas vão estar disponíveis a tempo ou se vão ser eficazes contra o que vem aí.
El Pulso
- O El Niño regressou e com ele a perspectiva de surtos severos de dengue, Zika e chikungunya em 2023 e 2024, segundo alerta formal da OMS.
- Nas Américas, quase 442 mil casos de dengue e cerca de 120 mortes já foram registados este ano, com o Peru a declarar estado de emergência e a perder a sua ministra da Saúde pela pressão dos casos.
- As alterações climáticas amplificam o problema ao expandir o território habitável pelo mosquito Aedes, colocando pela primeira vez países europeus na linha de risco.
- A OMS e investigadores trabalham em ferramentas de prevenção e controlo, mas a corrida contra o tempo é real — a aceleração climática pode superar a velocidade das respostas sanitárias.
Com o regresso do El Niño após três anos de ausência, a Organização Mundial de Saúde adverte que o mundo entra num período de vulnerabilidade acrescida face a doenças transmitidas por mosquitos — dengue, Zika e chikungunya. As condições climáticas extremas que este fenómeno provoca criam terreno fértil para a proliferação do mosquito Aedes, cujo alcance geográfico se expande à medida que o planeta aquece. Metade da humanidade está hoje em risco, e a Europa, outrora poupada, começa a sentir a aproximação desta ameaça.
A Organização Mundial de Saúde anunciou em junho que se prepara para um aumento significativo de dengue, Zika e chikungunya nos próximos dois anos. O motivo é o regresso do El Niño — padrão climático que aquece as águas do Pacífico e que não se manifestava há três anos. O director-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus foi directo: 2023 e 2024 serão provavelmente anos marcados por maior transmissão destas doenças.
O El Niño transforma o clima em várias regiões simultaneamente: ciclones no Pacífico, chuvas intensas na América do Sul, secas na Austrália e em partes da Ásia. Todas estas condições favorecem a reprodução do mosquito Aedes, responsável pela transmissão das três doenças virais. Raman Velayudhan, chefe do programa da OMS para doenças tropicais negligenciadas, sublinha que as alterações climáticas têm sido determinantes na expansão geográfica destes insectos — e que quando as pessoas viajam, o vírus viaja com elas.
Os números são expressivos: cerca de 400 milhões de infecções de dengue por ano em todo o mundo, com metade da população global em risco. Só nas Américas, este ano já foram registados quase 442 mil casos e aproximadamente 120 mortes. O Peru viveu o impacto de forma aguda, declarando estado de emergência em grande parte do território — pressão que culminou na demissão da ministra da Saúde.
A Europa, historicamente afastada destas doenças, enfrenta agora um risco crescente à medida que o mosquito Aedes alarga o seu território. Ferramentas de prevenção e controlo estão em desenvolvimento, mas a questão permanece em aberto: chegarão a tempo de travar o que o El Niño e o aquecimento global parecem prestes a desencadear?
A Organização Mundial de Saúde está a preparar-se para uma onda de doenças transmitidas por mosquitos nos próximos dois anos. O director-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus anunciou, numa quarta-feira de junho, que a agência espera um aumento significativo de dengue, Zika e chikungunya ligado ao regresso do El Niño — o padrão climático que aquece as águas do Oceano Pacífico oriental e central e que não se verificava há três anos.
O El Niño traz consigo condições meteorológicas extremas em várias regiões do planeta. Ciclones tropicais ameaçam as ilhas vulneráveis do Pacífico. Chuvas intensas caem sobre a América do Sul. A Austrália e partes da Ásia enfrentam secas prolongadas. Estas mudanças climáticas criam um ambiente ideal para a reprodução dos mosquitos Aedes, o insecto responsável pela transmissão das três doenças virais. Ghebreyesus foi claro: 2023 e 2024 serão provavelmente marcados por um aumento na transmissão destas doenças.
Em Abril, a OMS já tinha soado o alarme sobre o risco europeu. Os países do continente europeu estão vulneráveis à chegada destes vírus à medida que o alcance geográfico dos mosquitos se expande. Raman Velayudhan, chefe do programa global da OMS para doenças tropicais negligenciadas, explicou que as alterações climáticas têm desempenhado um papel fundamental na propagação dos mosquitos. Quando as pessoas viajam entre regiões, o vírus viaja com elas. O aumento da precipitação, temperaturas mais elevadas e, em alguns casos, a falta de água favorecem a proliferação destes insectos.
Os números revelam a escala do problema. Este ano, as Américas registaram quase 442 mil casos de dengue, com aproximadamente 120 mortes. A OMS estima que metade da população mundial está agora em risco de contrair dengue, com cerca de 400 milhões de infecções por ano em todo o mundo. O mesmo mosquito transmite as três doenças — dengue, Zika e chikungunya — razão pela qual circulam frequentemente em conjunto nas mesmas regiões.
O Peru sentiu o impacto de forma particularmente aguda. O país declarou estado de emergência na maior parte das suas regiões este ano. A pressão foi tanta que a ministra da Saúde, Rosa Gutierrez, demitiu-se na semana anterior ao anúncio da OMS, incapaz de conter o aumento dos casos. A dengue é transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti, e os sintomas incluem febre, dores nos olhos, cabeça, músculos e articulações, além de náuseas, vómitos e fadiga.
Apesar do cenário preocupante, Velayudhan nota que existem ferramentas em desenvolvimento que permitem alguma esperança. A prevenção e o controlo da dengue estão a evoluir, embora o trabalho ainda esteja em curso. A questão que fica em aberto é se estas ferramentas chegarão a tempo de conter a propagação que o El Niño e as alterações climáticas parecem prestes a acelerar.
Citas Notables
A OMS está a preparar-se para a probabilidade muito elevada de 2023 e 2024 serem marcados por um evento El Niño, que poderá aumentar a transmissão da dengue e de outros arbovírus— Tedros Adhanom Ghebreyesus, director-geral da OMS
As alterações climáticas têm desempenhado um papel fundamental para facilitar a propagação dos mosquitos— Raman Velayudhan, chefe do programa global da OMS para doenças tropicais negligenciadas