Oito candidatos disputam as duas vagas ao Senado pelo Distrito Federal em 2026

Oito nomes disputam duas cadeiras no Senado do DF
A disputa reúne parlamentares experientes, ex-magistrado investigado e Michelle Bolsonaro em chapa heterogênea.
Mark

Por que essa disputa pelo Senado do DF chama atenção agora, em agosto, quando a eleição é em outubro?

Mimi

Porque os prazos são apertados. As convenções terminaram na quarta-feira, e os partidos têm até o dia 15 para registrar tudo no TSE. É o momento em que a chapa fica de fato fechada.

Mark

Olhando para esses oito nomes, o que mais salta aos olhos?

Mimi

A diversidade de trajetórias. Você tem uma ex-atleta olímpica buscando reeleição, uma mulher que começou na luta contra a ditadura, um ex-magistrado investigado por atos golpistas, e Michelle Bolsonaro, que entrou na política como primeira-dama.

Mark

Michelle Bolsonaro é realmente uma aposta para o PL chegar ao público feminino?

Mimi

É o que o partido diz. Ela presidiu o PL Mulher até junho, quando saiu do cargo em meio a atritos com Flávio Bolsonaro. Depois fizeram as pazes. Mas sim, ela representa uma tentativa de ampliar a base do partido entre mulheres.

Mark

E Sebastião Coelho, o ex-desembargador? Como alguém investigado por incitação a atos golpistas consegue ser candidato?

Mimi

Boa pergunta. Ele está sendo investigado pelo Conselho Nacional de Justiça, mas isso não o impede de se candidatar. Renunciou ao cargo no TRE-DF três dias após fazer acusações contra Alexandre de Moraes. Agora tenta uma cadeira no Senado.

Mark

E Tiago Tarsis, do Agir? Ele parece diferente dos outros.

Mimi

Muito. Tem 39 anos, é agricultor e estrategista político. Diz que adiantou a candidatura porque achou os outros candidatos tecnicamente despreparados. Quer fazer uma campanha sem comício, com lives diárias, e promete ficar só quatro anos no mandato se eleito.

Mark

Isso é viável? Uma campanha sem comício em 2026?

Mimi

É uma aposta. Ele está tentando algo diferente do modelo tradicional. Mas é uma candidatura que ainda precisa provar sua viabilidade.

  • A corrida é assimétrica: nomes com visibilidade nacional como Michelle Bolsonaro e Bia Kicis disputam o mesmo espaço que candidatos sem mandato e sem fundo partidário, criando um campo de forças desequilibrado.
  • A presença de Sebastião Coelho, ex-desembargador investigado pelo CNJ por incitação a atos golpistas, introduz uma tensão institucional que vai além da disputa eleitoral comum.
  • Leila do Vôlei enfrenta o desafio da reeleição carregando um histórico de derrota expressiva na corrida ao governo do DF em 2022, o que torna sua campanha uma prova de resiliência política.
  • Erika Kokay, com quatro mandatos na Câmara e raízes no movimento estudantil da ditadura, representa a aposta do PT em transformar experiência legislativa em capital eleitoral para o Senado.
  • O prazo para registro no TSE expira em 15 de agosto, e o primeiro turno ocorre em 4 de outubro — a janela para consolidação de alianças e estratégias é estreita e já está se fechando.

No Distrito Federal, oito candidatos de espectros políticos distintos convergem para disputar apenas duas cadeiras no Senado nas eleições de 2026 — um campo estreito que obriga escolhas e revela o estado das forças políticas da capital federal. Entre veteranos do legislativo, uma ex-primeira-dama, uma atleta olímpica e um ex-magistrado investigado por incitação golpista, a disputa condensa tensões nacionais num território de pouco mais de três milhões de habitantes. O registro no TSE encerra-se em 15 de agosto, e o veredicto das urnas chegará em outubro.

Oito candidatos foram indicados pelos partidos para disputar as duas vagas ao Senado do Distrito Federal em 2026. As convenções ocorreram até 5 de agosto, e os partidos têm até o dia 15 para registrar os nomes no TSE. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 23 do mesmo mês.

Pelo PL, Bia Kicis chega ao Senado após dois mandatos na Câmara e a presidência da CCJ entre 2021 e 2022. Michelle Bolsonaro, nascida em Ceilândia e ex-primeira-dama, presidiu o PL Mulher até junho deste ano, quando deixou o cargo em meio a tensões com o enteado Flávio Bolsonaro — com quem se reconciliou semanas depois.

Erika Kokay disputa o Senado pelo PT pela primeira vez. Moradora de Brasília desde 1975, iniciou sua trajetória política no movimento estudantil da UnB durante a ditadura militar, foi expulsa da universidade após organizar uma greve e só concluiu Psicologia após a anistia. Hoje cumpre seu quarto mandato como deputada federal. Leila Barros, a Leila do Vôlei, busca reeleição pelo PDT. Senadora desde 2019, conquistou duas medalhas de bronze olímpicas com a Seleção Brasileira e é autora da lei que tipifica o crime de stalking.

Cristian Viana, do Podemos, é secretário do Entorno do DF e foca sua candidatura na integração entre a capital e os municípios goianos vizinhos. Sebastião Coelho, do Novo, é ex-desembargador aposentado após três décadas no Tribunal de Justiça do DF — e responde a investigação no CNJ por ter acusado o ministro Alexandre de Moraes de declarar guerra ao país durante discurso no TSE.

Eduardo Zanata, professor de português na rede pública e candidato do PSTU, tem histórico no movimento estudantil e duas candidaturas a vice-governador. Tiago Tarsis, do Agir, agricultor e estrategista político, prometeu campanha sem comício e sem fundo partidário — e afirmou que, se eleito, cumprirá apenas quatro anos do mandato e passará o gabinete ao suplente.

Oito nomes já estão na disputa pelas duas cadeiras em aberto no Senado do Distrito Federal. Os partidos cumpriram o prazo das convenções na quarta-feira, dia 5 de agosto, e agora têm até o dia 15 para registrar seus candidatos no Tribunal Superior Eleitoral. O primeiro turno acontece em 4 de outubro, com possível segundo turno em 23 de outubro.

A chapa é heterogênea. Bia Kicis, do PL, está em seu segundo mandato na Câmara dos Deputados e presidiu a Comissão de Constituição e Justiça entre 2021 e 2022, a principal comissão da Casa. Ela é também presidente do PL no Distrito Federal e considerada próxima à família do ex-presidente Jair Bolsonaro. Seu colega de partido, Michelle Bolsonaro, nascida em Ceilândia, tornou-se conhecida como primeira-dama durante a gestão de Bolsonaro, com quem se casou em 2007. Ela presidiu o PL Mulher desde 2023 até junho deste ano, quando deixou o cargo em meio a tensões com o enteado Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência. Os dois reconciliaram-se semanas depois.

Pelo PT, Erika Kokay concorre ao Senado pela primeira vez. Natural de Fortaleza, vive em Brasília desde 1975 e começou sua trajetória política em 1976, no movimento estudantil da UnB durante o regime militar. Foi expulsa da universidade após organizar uma greve, mas conseguiu voltar e concluir Psicologia em 1988, após a anistia. Eleita deputada distrital em 2002, permaneceu no legislativo do DF até 2010, quando migrou para a Câmara dos Deputados. Cumpre agora seu quarto mandato como deputada federal.

Leila Barros, conhecida como Leila do Vôlei, é senadora desde 2019 e busca reeleição pelo PDT. Natural de Taguatinga, ganhou projeção nacional pela carreira na Seleção Brasileira de Vôlei Feminino, conquistando duas medalhas de bronze em Olimpíadas, em Atlanta (1996) e Sydney (2000). No Senado, preside a Comissão de Esporte e foi autora da lei que tipifica o crime de perseguição, conhecido como stalking. Em 2022, candidatou-se ao governo do DF e recebeu 79.597 votos no primeiro turno, equivalente a 4,81%.

Cristian Viana, do Podemos, é presidente do diretório distrital do partido e secretário do Entorno do DF, pasta responsável pelas relações entre a capital e os municípios goianos vizinhos. Esta é sua primeira candidatura ao Senado, embora tenha exercido funções no Governo do Distrito Federal, na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Sua atuação, segundo o partido, concentra-se na integração entre o DF e o Entorno, com foco em mobilidade, desenvolvimento regional e articulação institucional.

Sebastião Coelho, do Novo, é ex-desembargador aposentado. Natural de Santana de Ipanema, em Alagoas, fez carreira no Tribunal de Justiça do DF, onde se aposentou em 2022 após três décadas de magistratura. Atuou como juiz de direito e juiz eleitoral no Tribunal Regional Eleitoral. Foi eleito vice-presidente e Corregedor do TRE-DF para o triênio 2022-2024, quando pediu aposentadoria. Coelho é investigado pelo Conselho Nacional de Justiça por incitação a atos golpistas durante sua atuação na magistratura. Na ocasião, acusou o ministro Alexandre de Moraes de proferir uma declaração de guerra ao país durante discurso de posse na presidência do Tribunal Superior Eleitoral. Renunciou ao cargo três dias após o evento.

Eduardo Zanata, do PSTU, é professor de língua portuguesa na rede pública do DF. Iniciou sua carreira política no movimento estudantil, presidindo o Diretório Central dos Estudantes de 2007 a 2008. Foi candidato a vice-governador pelo partido em 2018 e 2022. Tiago Tarsis, do Agir, tem 39 anos, é agricultor, micro-empresário e estrategista político com mais de 20 anos de atuação em campanhas e processos eleitorais. Afirmou ao G1 que pretendia candidatar-se em 2030, mas adiantou os planos pela falta de preparo técnico dos candidatos ao Senado. Promete campanha sem comício e sem fundo partidário, com lives diárias durante a propaganda eleitoral. Se eleito, afirma que ficará apenas quatro anos no mandato e passará o gabinete ao suplente, o policial militar Clayton Feliciano.

Adiantou os planos em razão da falta de preparo técnico dos candidatos ao Senado
— Tiago Tarsis, candidato pelo Agir
Pretende fazer campanha sem comício e sem fundo partidário, com lives diárias durante propaganda eleitoral
— Tiago Tarsis, sobre sua estratégia de campanha
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