No coração histórico de São Paulo, uma escavadeira da Sabesp perfurou pela segunda vez em dois dias uma tubulação de gás, forçando o isolamento de ruas e a evacuação de estabelecimentos. O episódio, por si só contido sem vítimas, ganha peso sombrio quando visto ao lado de uma explosão em maio que matou duas pessoas — todos incidentes ligados às mesmas obras. Quando o acidente se repete com tal regularidade, a cidade é convidada a reconhecer não uma falha pontual, mas uma fragilidade sistêmica na forma como se escava ao lado da infraestrutura que sustenta a vida urbana.
Obra da Sabesp causa vazamento de gás e isolamento de rua no Centro de SP
Duas vezes em dois dias na mesma região sugere que algo no processo não está funcionando
Por que dois vazamentos em dois dias na mesma região parecem significativos?
Porque sugerem que não há um protocolo consistente sendo seguido. Se você está fazendo escavações perto de gás encanado, deveria haver marcação, localização prévia, supervisão. Duas vezes em dois dias significa que algo no processo não está funcionando.
Mas precisamos ser cuidadosos aqui — o segundo incidente foi causado por uma retroescavadeira, não necessariamente pela Sabesp. A fonte diz "uma retroescavadeira atingiu", não que era um equipamento da Sabesp.
Verdade. Mas a Sabesp estava fazendo manutenção emergencial quando seu trabalho causou o primeiro vazamento. E há um padrão maior — em maio, uma obra da Sabesp causou uma explosão que matou duas pessoas.
Então a questão é: como uma empresa de saneamento, que deveria conhecer essas redes melhor que ninguém, continua atingindo-as?
Essa é a pergunta certa. Mas a reportagem não nos diz se houve investigação sobre o incidente de maio, se houve mudanças de procedimento, se há regulação sendo aplicada.
Exatamente. O que vemos é repetição sem contexto de consequência. Ninguém foi responsabilizado pela explosão que matou duas pessoas? Não sabemos.
E os estabelecimentos evacuados — qual é o custo real disso para um bar no centro?
Além do risco à vida, há o impacto econômico. Você fecha seu negócio por precaução, perde clientes, perde receita. E tudo porque alguém não localizou corretamente uma tubulação.
A reportagem não nos diz quanto tempo os locais ficaram isolados ou evacuados. Foram horas? Minutos? Isso importa para entender o impacto real.
Il Polso
- Uma escavadeira da Sabesp perfurou uma tubulação de gás na rua Doutor Teodoro Baima às 19h15 de quinta-feira, provocando vazamento de proporções consideráveis no Centro Histórico de São Paulo.
- O Corpo de Bombeiros isolou a rua e evacuou estabelecimentos vizinhos, incluindo o bar Laje do Baixo, cujo proprietário denunciou o incidente publicamente nas redes sociais.
- A Comgás chegou ao local em 22 minutos e controlou o vazamento, mas a interrupção abrupta das obras e a evacuação revelam o potencial destrutivo de cada escavação mal coordenada.
- É o segundo incidente idêntico em dois dias na mesma região — na véspera, outra retroescavadeira havia atingido uma rede de gás na rua Três de Dezembro.
- O padrão que emerge é inquietante: em maio, obra da Sabesp no Jaguaré causou explosão que danificou 35 residências e matou duas pessoas, tornando os vazamentos desta semana não acidentes isolados, mas elos de uma cadeia preocupante.
No coração histórico de São Paulo, uma escavadeira da Sabesp perfurou pela segunda vez em dois dias uma tubulação de gás, forçando o isolamento de ruas e a evacuação de estabelecimentos. O episódio, por si só contido sem vítimas, ganha peso sombrio quando visto ao lado de uma explosão em maio que matou duas pessoas — todos incidentes ligados às mesmas obras. Quando o acidente se repete com tal regularidade, a cidade é convidada a reconhecer não uma falha pontual, mas uma fragilidade sistêmica na forma como se escava ao lado da infraestrutura que sustenta a vida urbana.
Na noite de quinta-feira, uma escavadeira da Sabesp perfurou uma tubulação de gás na rua Doutor Teodoro Baima, no Centro Histórico de São Paulo. O chamado chegou à Comgás às 19h15 e, vinte e dois minutos depois, uma equipe já estava no local diante de um vazamento expressivo. O Corpo de Bombeiros isolou a via e evacuou os estabelecimentos próximos por precaução.
Alexandre Youssef, dono do bar Laje do Baixo, confirmou a evacuação e publicou nas redes sociais que a obra da Sabesp havia causado o incidente. A companhia reconheceu que realizava manutenção emergencial quando um encanamento foi atingido dentro de uma vala aberta, e que os trabalhos foram interrompidos imediatamente.
O que transforma o episódio em algo mais do que um acidente é sua repetição: na tarde anterior, na rua Três de Dezembro, também no centro, outra retroescavadeira havia atingido uma rede de gás. Mesma dinâmica, mesma região, dias consecutivos.
O contexto recente agrava a preocupação. Em maio, uma obra da Sabesp no Jaguaré resultou em explosão que danificou 35 residências e matou duas pessoas — a companhia confirmou que uma rede de gás havia sido atingida durante os trabalhos. Os vazamentos desta semana não deixaram vítimas, mas sugerem que os procedimentos de segurança em escavações próximas à infraestrutura de gás não estão funcionando. O que era acidente começa a parecer padrão.
Na noite de quinta-feira, uma escavadeira operada por funcionários da Sabesp perfurou uma tubulação de gás encanado na rua Doutor Teodoro Baima, no Centro Histórico de São Paulo. O chamado chegou à Comgás às 19h15. Vinte e dois minutos depois, uma equipe estava no local. O que encontraram foi um vazamento de proporções consideráveis — o suficiente para que o Corpo de Bombeiros isolasse a rua e evacuasse os estabelecimentos vizinhos por medida de segurança.
Alexandre Youssef, proprietário do bar Laje do Baixo situado na mesma via, confirmou que sua casa noturna precisou ser esvaziada. Ele publicou nas redes sociais que o incidente havia sido causado pela obra da Sabesp. A companhia, por sua vez, informou que realizava manutenção emergencial quando o acidente ocorreu — um encanamento de gás foi atingido dentro de uma vala aberta. Os trabalhos foram interrompidos imediatamente após o dano.
O que torna este episódio particularmente preocupante é sua repetição. Na tarde anterior, na rua Três de Dezembro, também no centro da capital, uma retroescavadeira havia atingido outra rede de gás encanado. Novamente a área foi isolada. Novamente estabelecimentos foram esvaziados. Novamente Comgás e Defesa Civil foram acionadas. Dois incidentes idênticos em dois dias na mesma região começam a desenhar um padrão.
O histórico recente da Sabesp torna essa sequência ainda mais inquietante. No início de maio, uma obra da companhia no bairro do Jaguaré, na zona leste, resultou em uma explosão. Trinta e cinco residências foram danificadas. Duas pessoas morreram. A Sabesp confirmou que uma rede de gás havia sido atingida durante seus trabalhos, e que a explosão ocorreu enquanto técnicos tentavam fazer o reparo.
Os vazamentos desta semana não resultaram em mortes ou ferimentos relatados. Mas eles sugerem que os procedimentos de segurança em torno de escavações próximas a infraestrutura de gás — procedimentos que deveriam ser rotina — não estão funcionando como deveriam. Quando uma empresa de saneamento atinge repetidamente as redes que deveria proteger, a questão deixa de ser um acidente isolado e passa a ser um problema de sistema.
Citazioni salienti
O estabelecimento precisou ser evacuado para evitar riscos aos frequentadores— Alexandre Youssef, proprietário do bar Laje do Baixo
A Sabesp realizava manutenção emergencial quando um encanamento de gás foi atingido em uma vala a céu aberto— Sabesp