O POVO+ vence Prêmio IMPA de Jornalismo com reportagem sobre Matemática

A matemática constrói a gramática do universo antes dele se revelar
Frase que sintetiza a reportagem vencedora de Catalina Leite sobre como equações predizem descobertas científicas.
Mark

Por que uma reportagem sobre matemática vence um prêmio de jornalismo? Não seria mais fácil escrever sobre saúde ou tecnologia?

Mimi

Porque matemática é invisível. As pessoas usam equações todos os dias sem saber. O que Catalina fez foi mostrar que a matemática não é apenas números — é uma linguagem que o universo fala antes de revelar seus segredos.

Mark

Você quer dizer que as equações predizem a realidade?

Mimi

Exatamente. A antimatéria foi prevista por uma equação antes de ser descoberta em laboratório. Planetas foram localizados porque os números apontaram onde eles deveriam estar. A reportagem torna isso visível.

Mark

E por que isso importa agora, nesta edição específica do prêmio?

Mimi

Porque pela primeira vez, oito mulheres estão entre os premiados. Não é coincidência. Mulheres estão contando essas histórias de forma diferente — menos árida, mais humana.

Mark

Catalina já tinha vencido antes?

Mimi

Não na categoria Matemática. Ela ficou em segundo lugar em 2023 com arqueologia, menção honrosa em 2022. Mas isso mostra consistência — ela sabe traduzir ciência para pessoas reais.

Mark

Qual é o desafio que ela vai discutir na mesa-redonda?

Mimi

Como fazer matemática e ciência parecerem acessíveis sem perder a profundidade. É o trabalho invisível do jornalismo científico: simplificar sem simplificar demais.

  • Catalina Leite venceu a categoria Matemática da 9ª edição do Prêmio IMPA de Jornalismo
  • A reportagem explora como equações matemáticas predizem fenômenos científicos como antimatéria e localização de planetas
  • 150 reportagens de 18 estados e DF participaram da 9ª edição
  • Primeira vez que mulheres são maioria entre premiados: oito mulheres entre os vencedores
  • Catalina receberá o prêmio no Rio de Janeiro em 29 de agosto durante o Festival Nacional da Matemática

Catalina Leite venceu na categoria Matemática com reportagem que mostra como a matemática prevê descobertas científicas, como antimatéria e localização de planetas. A 9ª edição do prêmio recebeu 150 reportagens de 18 estados e DF, com destaque para protagonismo feminino: oito mulheres entre os premiados, primeira vez que mulheres são maioria.

A plataforma O POVO+ conquistou primeiro lugar na 9ª edição do Prêmio IMPA de Jornalismo com reportagem sobre matemática da jornalista Catalina Leite, que explora como equações predizem fenômenos científicos.

Catalina Leite, editora-adjunta da plataforma O POVO+, conquistou o primeiro lugar na categoria Matemática da 9ª edição do Prêmio IMPA de Jornalismo com uma reportagem que explora um dos mistérios mais profundos da ciência: como as equações matemáticas conseguem apontar para a existência de fenômenos que ainda não foram formalmente descobertos ou teorizados.

A reportagem vencedora, intitulada "Além dos números: como a matemática constrói a gramática do Universo", mergulha em exemplos concretos dessa capacidade preditiva. O trabalho apresenta casos como a previsão da antimatéria e a possibilidade de determinar a localização de planetas através de modelos matemáticos — situações em que as equações funcionaram como pistas que levaram a grandes descobertas científicas. Trata-se de um exercício de tradução: transformar conceitos abstratos em narrativas que façam sentido para leitores que não necessariamente possuem formação em ciências exatas.

O Prêmio IMPA de Jornalismo, promovido pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada, consolidou-se como um dos principais reconhecimentos nacionais de jornalismo científico. A 9ª edição recebeu 150 reportagens vindas de 18 estados e do Distrito Federal, publicadas em jornais, revistas, televisão, rádio, podcasts e plataformas digitais — um espectro amplo que reflete a diversidade dos espaços onde a cobertura científica acontece hoje.

Além de Catalina, outras jornalistas também foram reconhecidas na categoria Matemática: Sthephany de Oliveira, do Jornal da USP, ficou em segundo lugar, e Paloma Oliveto, do Correio Braziliense, em terceiro. Carolina Nalin e Bruno Romani, do O Globo, receberam menção honrosa. Na categoria Divulgação Científica, a revista Superinteressante venceu com reportagem de Maria Clara Rossini, seguida por Ed Wanderley da Agência Pública em segundo lugar e Yuri Pinheiro de Vasconcelos da Revista Pesquisa Fapesp em terceiro. Três outras mulheres conquistaram menções honrosas nessa categoria.

O que marca esta edição do prêmio é um dado que o próprio Instituto de Matemática Pura e Aplicada destacou em nota oficial: pela primeira vez, as mulheres são maioria entre os premiados. Oito mulheres foram inscritas como autoras premiadas na 9ª edição. Para o Impa, esse resultado "destaca a presença feminina no jornalismo científico e a ocupação de espaços de produção e divulgação do conhecimento". Marcelo Viana, diretor-geral do instituto e presidente da comissão julgadora, comentou que foi "uma alegria ver o jornalismo científico sendo feito por tantas mulheres talentosas", acrescentando que "a matemática só tem a ganhar quando as histórias são contadas por vozes diversas".

Catalina Leite não é uma estreante em prêmios de jornalismo científico. Formada em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará, ela trabalha como repórter e colunista especializada em ciência, meio ambiente e clima. Além de sua atuação no O POVO+, atua como diretora administrativa financeira da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental para o período 2025-2027. Seu currículo inclui reconhecimentos de instituições como Banco do Nordeste, Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior e Fórum Animal. Também foi finalista três anos consecutivos no Prêmio Einstein +Admirados da Imprensa de Saúde, Ciência e Bem-Estar na região Nordeste.

Este não é seu primeiro encontro com o Prêmio IMPA. Em 2023, ficou em segundo lugar na categoria Divulgação Científica com o especial "Rastros Arqueológicos", e em 2022 recebeu menção honrosa na mesma categoria com o site "Mundo dos Fósseis". Agora, com a vitória na categoria Matemática, ela consolida sua trajetória como uma das principais vozes do jornalismo científico brasileiro.

Catalina receberá o prêmio no Rio de Janeiro no sábado, 29 de agosto, durante o Festival Nacional da Matemática. Lá, participará de uma mesa-redonda ao lado das outras vencedoras para discutir um desafio que é central para jornalistas que cobrem ciência: como transformar matemática e ciência em histórias acessíveis e interessantes para públicos diversos — exatamente o que sua reportagem vencedora conseguiu fazer.

A matemática só tem a ganhar quando as histórias são contadas por vozes diversas. Esta edição mostra que estamos no caminho certo.
— Marcelo Viana, diretor-geral do Impa
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