Nubank e Mercado Pago suspendem saques e depósitos de cripto após instabilidades em fornecedores

A origem da falha segue em aberto.
O Nubank não identificou o fornecedor e a Fireblocks negou qualquer problema em sua plataforma.
Mark

Duas empresas diferentes pararam saques e depósitos de cripto no mesmo dia. Por que isso chama atenção?

Mimi

Porque quem tem cripto nesses aplicativos ficou sem conseguir movê-las de ou para carteiras externas. Compra e venda dentro do app, ao menos no Mercado Pago, continuam normais.

Luke

Vale separar: o Mercado Pago disse isso sobre si. O Nubank não detalhou o que segue funcionando, pelo que a reportagem traz.

Mark

E a causa? É a mesma nas duas?

Mimi

As explicações são distintas. O Nubank fala em fornecedor externo de dados; o Mercado Pago, em fornecedor de monitoramento de riscos e prevenção à lavagem de dinheiro.

Luke

E nenhuma é verificada de forma independente. O Nubank não disse quem é o fornecedor. A Fireblocks, que aparece na documentação de suporte do banco, negou que o problema seja dela.

Mark

Então por que a Fireblocks foi citada?

Mimi

Por ser uma das empresas mencionadas na documentação do banco. Isso não a aponta como responsável, e ela mesma rejeita isso.

Mark

E a hipótese da Chainalysis?

Luke

É uma hipótese de Rocelo Lopes, da Truther, e a Chainalysis foi dada só como exemplo do setor. Não há confirmação de ligação com os casos.

Mimi

O que está claro é que não há prazo para a normalização, e que as duas empresas dizem que o dinheiro dos clientes está preservado.

Luke

Essa garantia é declaração das próprias instituições. Por ora, é o que há.

  • Na sexta-feira, clientes do Nubank e do Mercado Pago deram de cara com operações de criptomoedas suspensas sem data para voltar.
  • O Nubank atribui o problema a um fornecedor externo de dados, mas não diz quem é, enquanto a Fireblocks nega qualquer falha em sua plataforma.
  • O Mercado Pago bloqueou preventivamente transferências para carteiras externas enquanto seus sistemas de verificação antilavagem não se recompõem.
  • Quem apenas compra e vende dentro do aplicativo segue operando normalmente, mas quem precisa mover ativos para fora fica preso à espera.
  • Nenhuma instituição fixou prazo para a normalização, e o caminho agora depende de comunicados e de uma possível identificação dos fornecedores envolvidos.

Numa sexta-feira de novembro, o aplicativo que guarda o dinheiro de milhões de brasileiros passou a dizer, em silêncio técnico, que certas portas estavam fechadas. Nubank e Mercado Pago pararam, por precaução, o vaivém de criptomoedas para dentro e para fora de suas contas, depois que serviços terceirizados de processamento e vigilância de transações deixaram de responder com a firmeza esperada. Ambas as instituições juram que o patrimônio dos clientes está intacto, mas nenhuma sabe ainda quando a passagem será reaberta, e a origem exata da falha permanece envolta numa névoa de responsabilidades que ninguém quer assumir.

Na sexta-feira, 6, quem tentou tirar criptomoedas da conta do Nubank ou do Mercado Pago, ou colocá-las lá, encontrou a mesma mensagem: as operações estavam suspensas. As duas instituições afirmaram ter identificado instabilidades em serviços tecnológicos usados para processar e monitorar essas transações. A informação foi publicada originalmente pela Folha de S.Paulo.

As explicações, porém, divergiram. O Nubank disse que o problema vinha de um fornecedor externo de dados, com quem mantém contato direto, e garantiu que a ocorrência não representa risco aos clientes. Não revelou, contudo, o nome da empresa. A Fireblocks, citada na documentação de suporte do banco e ligada à custódia de criptomoedas, negou qualquer relação com o episódio e afirmou que sua infraestrutura opera normalmente. A origem da falha segue indefinida.

No Mercado Pago, a questão está num fornecedor de monitoramento de riscos e prevenção à lavagem de dinheiro. Diante das instabilidades, a empresa bloqueou de forma preventiva parte das transferências para carteiras externas e avisou que depósitos podem demorar a ser creditados. Garantiu que os recursos dos clientes estão preservados e que a compra e venda de ativos segue normal.

Uma explicação possível veio de Rocelo Lopes, fundador da Truther. Segundo ele, falhas em plataformas que analisam transações na blockchain podem levar bancos a parar movimentações por cautela, já que sem essa verificação não é possível cumprir exigências contra a lavagem de dinheiro. Ele citou a Chainalysis como exemplo do setor, sem que haja confirmação de vínculo com os casos.

Até agora, nenhuma das instituições definiu prazo para a retomada completa. Quem depende de mover criptomoedas para fora da plataforma segue aguardando, enquanto os comunicados e uma eventual identificação dos fornecedores envolvidos devem indicar o próximo passo.

Na sexta-feira (6), quem abriu o aplicativo do Nubank ou do Mercado Pago para tirar criptomoedas da conta, ou para colocá-las lá, encontrou um aviso: as operações estavam suspensas. As duas instituições interromperam temporariamente saques e depósitos de ativos digitais depois de identificar instabilidades em serviços tecnológicos usados no processamento e no monitoramento dessas transações. As informações foram publicadas originalmente pela Folha de S.Paulo.

Apesar de a medida ser a mesma, as explicações dadas pelas empresas foram diferentes. O Nubank atribuiu a interrupção a uma instabilidade em um fornecedor externo de dados. Disse que acompanha o problema diretamente com a empresa responsável, que retomará as operações assim que o serviço se normalizar e que a ocorrência não representa risco à segurança dos clientes.

O banco, porém, não revelou qual é o fornecedor. Uma das empresas citadas na documentação de suporte do Nubank é a Fireblocks, especializada em infraestrutura para o mercado de ativos digitais e ligada a serviços de custódia de criptomoedas. Procurada, a Fireblocks negou qualquer relação com o episódio. Em nota, afirmou poder confirmar que a interrupção dos serviços do Nubank não resulta de problema em sua plataforma e que sua infraestrutura opera normalmente. Com isso, a origem da falha segue em aberto.

No Mercado Pago, o incidente envolve um fornecedor especializado em monitoramento de riscos e prevenção à lavagem de dinheiro. A instituição notou instabilidades nas transferências de criptoativos e bloqueou, de forma preventiva, parte das movimentações para carteiras externas, para evitar operações potencialmente inseguras enquanto os sistemas de verificação não estiverem plenamente disponíveis. Segundo a empresa, os recursos dos clientes permanecem preservados. O aplicativo também avisa que depósitos de criptomoedas podem demorar a ser identificados e creditados.

O Mercado Pago destacou que o problema não afeta tudo: as operações de compra e venda de ativos virtuais seguem normalmente, sem impactos. A empresa diz monitorar a situação em tempo real e que avisará os clientes quando as transferências forem integralmente restabelecidas.

Uma hipótese para o que ocorreu veio de Rocelo Lopes, fundador da Truther, empresa especializada em pagamentos com criptomoedas. Ele disse à Folha que falhas em plataformas de monitoramento e verificação de transações em blockchain podem levar bancos e instituições de pagamento a parar movimentações por precaução. Esses sistemas avaliam a origem e o destino dos recursos, apontam movimentações suspeitas e ajudam a cumprir exigências contra a lavagem de dinheiro. Sem conseguir verificar certas transações, as instituições poderiam bloquear tudo até recuperar o monitoramento. Lopes citou a Chainalysis, que analisa transações em blockchain, como exemplo de empresa do setor, mas não houve confirmação de que ela tenha relação com os casos do Nubank e do Mercado Pago.

A distinção entre as operações explica quem sente o problema. Comprar e vender dentro do aplicativo segue funcionando; já depósitos e saques para endereços externos dependem de processamento, identificação e verificação nas redes de ativos digitais. Por isso, o impacto recai sobre quem precisa mover criptomoedas entre as plataformas e carteiras externas.

Até as informações divulgadas na sexta, nenhuma das duas instituições havia fixado prazo para a retomada completa. O que se acompanha agora são os comunicados de ambas e uma possível identificação dos fornecedores envolvidos.

Podemos confirmar que a interrupção dos serviços do Nubank não é resultado de nenhum problema na plataforma Fireblocks.
— Fireblocks, em nota
Falhas em plataformas de monitoramento podem levar instituições a interromper movimentações por precaução.
— Rocelo Lopes, fundador da Truther, à Folha (paráfrase)
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