Numa sexta-feira de novembro, clientes do Nubank e do Mercado Pago descobriram que não conseguiam mais depositar nem retirar criptomoedas, enquanto a compra e a venda continuavam abertas. Os dois bancos atribuíram a interrupção a fornecedores externos que não nomearam, e nenhum deles arriscou uma data para o retorno. O episódio se desenha em meio a um outono turbulento para o setor, marcado por ataques e fugas de capital, mas sem que haja, até agora, qualquer prova de que um caso esteja ligado ao outro.
Nubank e Mercado Pago suspendem depósitos e saques de criptomoedas após falhas em fornecedores externos
Compra e venda seguem; depósitos e saques, não
O que exatamente parou no Nubank e no Mercado Pago?
Depósitos e saques de criptomoedas. Comprar e vender dentro das plataformas segue funcionando nas duas.
E a causa?
As duas falam em fornecedores externos. No Nubank, um responsável pela verificação de transações; no Mercado Pago, um de monitoramento de riscos e prevenção à lavagem de dinheiro.
Mas são versões das próprias empresas. Nenhum fornecedor foi nomeado, então ninguém de fora confirmou a causa.
A Fireblocks aparece nisso, certo?
Aparece na área de suporte do Nubank. Ela disse que sua plataforma opera normalmente e negou ser a origem da interrupção.
Ou seja, o Nubank não disse que o fornecedor é a Fireblocks. A citação no suporte não prova isso.
E a Chainalysis?
É uma hipótese levantada por Rocelo Lopes, da Truther, à Folha. Não há confirmação de nenhuma ligação.
Isso tem a ver com o roubo na Binance?
Os casos ocorrem na mesma semana, mas não há confirmação de relação.
E segue sem prazo para normalização. A garantia de que os fundos estão seguros é, por ora, declaração das empresas.
The Pulse
- Os saques e depósitos de cripto travaram de repente no Nubank e no Mercado Pago, deixando clientes sem resposta sobre quando o serviço volta.
- Os bancos culpam fornecedores terceirizados sem nomeá-los, e a Fireblocks rejeita qualquer falha em seus sistemas, criando um jogo de empurra.
- Em paralelo, o mercado ainda sente o roubo de cerca de US$ 6,3 bilhões na Binance e o bloqueio preventivo na Mercado Bitcoin, o que alimenta suspeitas.
- Os fundos estão, segundo as empresas, preservados e os depósitos pendentes serão creditados automaticamente, mas a normalização segue sem prazo definido.
Numa sexta-feira de novembro, clientes do Nubank e do Mercado Pago descobriram que não conseguiam mais depositar nem retirar criptomoedas, enquanto a compra e a venda continuavam abertas. Os dois bancos atribuíram a interrupção a fornecedores externos que não nomearam, e nenhum deles arriscou uma data para o retorno. O episódio se desenha em meio a um outono turbulento para o setor, marcado por ataques e fugas de capital, mas sem que haja, até agora, qualquer prova de que um caso esteja ligado ao outro.
Na sexta-feira (6), clientes do Nubank e do Mercado Pago que tentaram depositar ou retirar criptomoedas encontraram o serviço suspenso. As duas instituições dizem que a causa são instabilidades em fornecedores externos, mas nenhuma revelou quais são essas empresas nem quando tudo deve voltar ao normal.
No Nubank, o problema estaria num fornecedor de verificação de transações. O banco garante que a falha não aconteceu em sua infraestrutura e que os ativos e dados dos clientes seguem protegidos. Comprar e vender continua possível. A Fireblocks, citada na área de suporte, nega que seus sistemas tenham causado o problema.
No Mercado Pago, o incidente atingiu um fornecedor de monitoramento de riscos e prevenção à lavagem de dinheiro, e parte das transferências para carteiras externas foi bloqueada por precaução. Os depósitos recebidos serão creditados automaticamente quando o serviço voltar, e a empresa promete avisar os usuários.
O contexto é de tensão. No fim de outubro, a Binance sofreu um ataque que levou cerca de US$ 6,3 bilhões, atribuído pelo FBI ao grupo TraderTraitor, ligado à Coreia do Norte. Depois da retomada gradual dos saques, houve forte saída de recursos. Já a Mercado Bitcoin bloqueou US$ 11,2 milhões e suspendeu operações de forma preventiva. Não há, porém, prova de ligação entre esses episódios e as falhas atuais.
Uma hipótese cogitada pelo mercado envolve ferramentas de análise de blockchain, como a Chainalysis, que monitoram transações suspeitas. Se essas ferramentas tivessem sido comprometidas, os bancos poderiam ter bloqueado transferências por cautela. Nada disso foi confirmado.
Por ora, sabe-se apenas o que as empresas afirmaram: os fundos estariam seguros, a negociação segue funcionando e não há prazo para a volta dos depósitos e saques.
Na sexta-feira (6), clientes do Nubank e do Mercado Pago que tentaram depositar ou retirar criptomoedas encontraram o serviço suspenso. As duas instituições disseram que a causa são instabilidades em fornecedores externos. Nenhuma delas revelou publicamente quais são essas empresas, e nenhuma informou quando tudo volta ao normal.
No Nubank, segundo o comunicado, o problema está num fornecedor responsável pela verificação de transações. O banco afirmou que a falha não ocorreu em sua infraestrutura e que não há risco à segurança dos clientes, cujos ativos e informações seguem protegidos. Comprar e vender ativos digitais na plataforma continua possível. O que ficou de fora foram os depósitos e saques feitos diretamente em criptomoedas. O banco diz acompanhar o caso com o fornecedor e que retomará as operações quando o serviço externo for restabelecido.
A Fireblocks, empresa de tecnologia de custódia de ativos digitais citada na área de suporte do Nubank, também se pronunciou. Disse que sua plataforma e sua infraestrutura funcionam normalmente e negou que a interrupção tenha sido causada por seus sistemas.
O Mercado Pago descreveu um quadro parecido, com outro tipo de prestador. Segundo a empresa, o incidente atingiu um fornecedor de monitoramento de riscos e prevenção à lavagem de dinheiro. Por precaução, parte das transferências de criptomoedas para carteiras externas foi bloqueada. A empresa afirma que os recursos dos clientes estão preservados. Depósitos recebidos podem demorar a ser processados, mas serão creditados automaticamente quando o serviço se normalizar. Compra e venda seguem sem impacto. O Mercado Pago diz acompanhar a situação em tempo real, promete avisar os usuários quando as transferências voltarem e também não nomeou o fornecedor.
As falhas surgem numa semana de tensão no setor. No fim de outubro, a Binance, considerada a maior corretora de ativos digitais do mundo, sofreu um ataque cibernético que levou cerca de US$ 6,3 bilhões (R$ 34,7 bilhões) em criptomoedas. O FBI atribuiu a invasão ao grupo TraderTraitor, ligado à Coreia do Norte. Depois que a Binance retomou gradualmente as retiradas, em 1º de novembro, usuários sacaram bilhões de dólares. Segundo a Reuters, as saídas líquidas chegaram a US$ 4,72 bilhões (R$ 26 bilhões), embora a corretora diga que o volume começou a se estabilizar.
Houve ainda o caso da brasileira Mercado Bitcoin. Em 2 de novembro, a empresa disse ter identificado um incidente de segurança e bloqueado cerca de US$ 11,2 milhões (R$ 61,6 milhões) em ativos. Afirmou que não houve prejuízo aos clientes nem vazamento de dados e suspendeu depósitos e saques de forma preventiva. Apesar da proximidade das datas, não há confirmação de que as interrupções no Nubank e no Mercado Pago tenham relação com ataques recentes.
No mercado, uma hipótese envolve empresas de análise de blockchain, como a Chainalysis, que monitoram transações e ajudam a identificar movimentações suspeitas. Rocelo Lopes, fundador da empresa de pagamentos com criptomoedas Truther, mencionou à Folha de S.Paulo a possibilidade de problemas em serviços desse tipo. Se ferramentas de monitoramento fossem comprometidas, instituições poderiam bloquear transferências para evitar operações com carteiras suspeitas. Não há, porém, confirmação de que a Chainalysis tenha ligação com os incidentes, e Nubank e Mercado Pago mantêm sigilo sobre os fornecedores.
Por ora, o que se sabe é o que as empresas disseram: os fundos estariam seguros, compra e venda funcionam, e não há prazo para a volta de depósitos e saques.
Notable Quotes
A falha não ocorreu na infraestrutura do banco e não representa risco à segurança dos clientes.— Nubank, em comunicado (paraphrase)
A plataforma e a infraestrutura da empresa operam normalmente, e a interrupção não foi causada por seus sistemas.— Fireblocks (paraphrase)