Um ano após o ataque que abalou o Médio Oriente, Benjamin Netanyahu reafirmou perante os israelitas que a guerra em Gaza prosseguirá até ao cumprimento integral dos objetivos declarados — derrotar o Hamas, recuperar os reféns e garantir a segurança das fronteiras. O conflito, agora no seu 367.º dia, deixou quase 42 mil mortos em Gaza, na sua maioria civis, e mergulhou 1,1 milhões de pessoas numa fome catastrófica. Entre a retórica da vitória e o peso esmagador do sofrimento humano, a região inteira aguarda, suspensa, o que virá a seguir.
Netanyahu promete continuar guerra até atingir objetivos em Gaza
Missão sagrada, não vamos parar até que a tenhamos cumprido
Netanyahu diz que vai continuar até atingir os objetivos. Quais são exatamente esses objetivos, e há alguma medida clara de quando estarão cumpridos?
Ele nomeou quatro: derrotar o Hamas, trazer de volta os reféns, eliminar ameaças futuras de Gaza, e permitir que os israelitas do sul e norte regressem em segurança. Mas é verdade que alguns desses são abertos — o que significa "eliminar ameaças futuras"? Quando é que isso fica completo?
Exatamente. E há uma tensão real aqui: quase 100 reféns continuam em poder do Hamas um ano depois. Se esse é um objetivo, por que não foi alcançado? Netanyahu não aborda isso na mensagem.
Ele fala em "missão sagrada". Isso muda a natureza do conflito de alguma forma?
Muda a linguagem, sim. Transforma-o de uma operação militar com objetivos definidos numa questão de princípio existencial. Isso torna mais difícil negociar ou aceitar compromissos.
Mas a realidade material é que 42 mil pessoas morreram, 90% de Gaza foi deslocada, e há fome catastrófica. Esses números são verificados pela ONU. A questão é: a que custo se perseguem esses objetivos?
A guerra ameaça alastrar-se pelo Médio Oriente. Isso muda o cálculo estratégico?
Teoricamente, sim. Se o conflito se expandir, os objetivos de Netanyahu podem tornar-se ainda mais difíceis de alcançar. Mas a sua mensagem não reconhece esse risco.
E não sabemos quantos dos reféns ainda estão vivos. Isso é um dado importante que falta na mensagem pública.
Le Pouls
- Netanyahu declarou, no aniversário do ataque de 7 de outubro, que Israel não cessará as operações militares enquanto o Hamas não for derrotado e os reféns não forem recuperados.
- Quase 42 mil pessoas morreram em Gaza ao longo de um ano de guerra, incluindo cerca de 17 mil menores, num conflito que a ONU classifica como uma das maiores crises humanitárias documentadas.
- 90% da população de Gaza — cerca de 2,1 milhões de pessoas — foi deslocada, acumulando-se em acampamentos costeiros sem acesso adequado a água, saúde ou alimentação.
- Mais de 1,1 milhões de gazenses encontram-se em situação de fome catastrófica, o número mais elevado alguma vez registado nos estudos globais de segurança alimentar das Nações Unidas.
- A escalada do conflito ameaça ultrapassar as fronteiras de Gaza e desestabilizar toda a região do Médio Oriente, sem que qualquer solução diplomática esteja à vista.
Um ano após o ataque que abalou o Médio Oriente, Benjamin Netanyahu reafirmou perante os israelitas que a guerra em Gaza prosseguirá até ao cumprimento integral dos objetivos declarados — derrotar o Hamas, recuperar os reféns e garantir a segurança das fronteiras. O conflito, agora no seu 367.º dia, deixou quase 42 mil mortos em Gaza, na sua maioria civis, e mergulhou 1,1 milhões de pessoas numa fome catastrófica. Entre a retórica da vitória e o peso esmagador do sofrimento humano, a região inteira aguarda, suspensa, o que virá a seguir.
Benjamin Netanyahu assinalou o primeiro aniversário do ataque do Hamas com uma mensagem televisiva dirigida aos israelitas, reafirmando que a guerra em Gaza não terminará enquanto Israel não cumprir os seus objetivos: derrotar o Hamas, resgatar todos os reféns — vivos ou mortos — eliminar ameaças futuras provenientes de Gaza e permitir o regresso seguro dos habitantes do sul e do norte do país. "Trata-se de uma missão sagrada", declarou o primeiro-ministro, prometendo que "continuaremos a lutar e juntos venceremos".
Um ano antes, cerca de mil combatentes do Hamas tinham atravessado a fronteira israelita, matando quase 1.200 pessoas e capturando mais de 200 reféns. Quase 100 desses reféns permaneciam ainda em poder do movimento islamita na data do aniversário. Israel, apoiado pelos Estados Unidos e pela União Europeia na classificação do Hamas como organização terrorista, prometeu aniquilar o grupo.
O preço humano do conflito é devastador. As operações militares israelitas em Gaza causaram quase 42 mil mortos, a maioria civis, entre os quais cerca de 17 mil menores. Mais de 97 mil ficaram feridos e aproximadamente 10 mil desapareceram, presumivelmente soterrados nos escombros. A ONU considera estes dados fidedignos.
Quase 90% da população de Gaza — cerca de 2,1 milhões de pessoas — foi forçada a abandonar as suas casas, concentrando-se em acampamentos superlotados ao longo da costa, sem acesso adequado a água potável ou cuidados de saúde. Mais de 1,1 milhões encontram-se em situação de fome catastrófica, o número mais elevado alguma vez registado nos estudos globais de segurança alimentar das Nações Unidas.
Netanyahu enquadrou o 7 de outubro como um evento que "vai simbolizar para as gerações futuras o preço do nosso renascimento", mas a guerra que se prolonga há um ano continua a ameaçar alastrar-se por toda a região, aprofundando uma crise humanitária cujas consequências se estendem muito além das fronteiras de Gaza.
Benjamin Netanyahu marcou o primeiro aniversário do ataque do Hamas com uma mensagem televisiva dirigida aos israelitas, reafirmando que a guerra continuará até que Israel alcance seus objetivos declarados. O primeiro-ministro israelita listou essas metas com clareza: derrotar o Hamas em Gaza, trazer de volta todos os reféns — vivos ou mortos — eliminar qualquer ameaça futura originária da Faixa de Gaza, e permitir que os habitantes do sul e norte de Israel regressem em segurança às suas casas. "Trata-se de uma missão sagrada, não vamos parar até que a tenhamos cumprido", declarou Netanyahu, repetindo ao longo da mensagem que "continuaremos a lutar e juntos venceremos".
O contexto dessa declaração é o de um conflito que completava seu 367.º dia naquela segunda-feira. Exatamente um ano antes, cerca de mil combatentes do Hamas atacaram o território israelita de forma inesperada, matando quase 1.200 pessoas e capturando mais de 200 reféns. Desses reféns, quase 100 permaneciam em poder do Hamas um ano depois. O Governo de Telavive, considerando o Hamas uma organização terrorista — posição partilhada pelos Estados Unidos e União Europeia — prometeu aniquilar o movimento islamita.
O custo dessa guerra, porém, foi extraordinário. As operações militares de Israel na Faixa de Gaza mataram quase 42 mil pessoas, a maioria delas civis. Entre os mortos, cerca de 17 mil eram menores de idade. Mais de 97 mil ficaram feridos, e aproximadamente 10 mil desapareceram, presumivelmente soterrados nos escombros. A ONU considera esses números, fornecidos pelas autoridades locais de Gaza, como fidedignos. Quase dois milhões de pessoas foram forçadas a abandonar suas casas, o que representa cerca de 90% da população total de Gaza, estimada em 2,3 milhões de habitantes.
Os deslocados encontram-se agora em acampamentos apinhados ao longo da costa, onde o acesso a bens essenciais é praticamente inexistente. Água potável é escassa, e os cuidados de saúde estão severamente comprometidos. O enclave palestiniano, já historicamente pobre e densamente povoado, mergulhou numa crise humanitária de proporções sem precedentes. Mais de 1,1 milhões de pessoas encontram-se numa "situação de fome catastrófica", segundo dados da ONU, que registou este como o mais elevado número de vítimas de insegurança alimentar alguma vez documentado em seus estudos globais sobre segurança alimentar.
Netanyahu enquadrou o ataque de 7 de outubro como um evento que "vai simbolizar para as gerações futuras o preço do nosso renascimento", argumentando que a vitória militar garantiria "a eternidade" e provaria "a nossa determinação e a força do nosso espírito". A sua mensagem, transmitida no aniversário do ataque, não fez concessões quanto à continuação das operações. Contudo, a guerra que se desenrola há um ano continua a ameaçar alastrar-se por toda a região do Médio Oriente, desestabilizando uma área já frágil e criando consequências humanitárias que se estendem muito além das fronteiras de Gaza.
Citations marquantes
Trata-se de uma missão sagrada, não vamos parar até que a tenhamos cumprido— Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelita
A vitória garante a eternidade— Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelita