Netanyahu promete continuar guerra até atingir objetivos em Gaza

Quase 42 mil mortos em Gaza (maioritariamente civis), cerca de 17 mil menores, mais de 97 mil feridos, 10 mil desaparecidos, 90% da população deslocada, e mais de 1,1 milhões em situação de fome catastrófica.
Missão sagrada, não vamos parar até que a tenhamos cumprido
Netanyahu reafirma o compromisso de Israel de prosseguir com a guerra até alcançar seus objetivos declarados em Gaza.
Mark

Netanyahu diz que vai continuar até atingir os objetivos. Quais são exatamente esses objetivos, e há alguma medida clara de quando estarão cumpridos?

Mimi

Ele nomeou quatro: derrotar o Hamas, trazer de volta os reféns, eliminar ameaças futuras de Gaza, e permitir que os israelitas do sul e norte regressem em segurança. Mas é verdade que alguns desses são abertos — o que significa "eliminar ameaças futuras"? Quando é que isso fica completo?

Luke

Exatamente. E há uma tensão real aqui: quase 100 reféns continuam em poder do Hamas um ano depois. Se esse é um objetivo, por que não foi alcançado? Netanyahu não aborda isso na mensagem.

Mark

Ele fala em "missão sagrada". Isso muda a natureza do conflito de alguma forma?

Mimi

Muda a linguagem, sim. Transforma-o de uma operação militar com objetivos definidos numa questão de princípio existencial. Isso torna mais difícil negociar ou aceitar compromissos.

Luke

Mas a realidade material é que 42 mil pessoas morreram, 90% de Gaza foi deslocada, e há fome catastrófica. Esses números são verificados pela ONU. A questão é: a que custo se perseguem esses objetivos?

Mark

A guerra ameaça alastrar-se pelo Médio Oriente. Isso muda o cálculo estratégico?

Mimi

Teoricamente, sim. Se o conflito se expandir, os objetivos de Netanyahu podem tornar-se ainda mais difíceis de alcançar. Mas a sua mensagem não reconhece esse risco.

Luke

E não sabemos quantos dos reféns ainda estão vivos. Isso é um dado importante que falta na mensagem pública.

  • Netanyahu declarou, no aniversário do ataque de 7 de outubro, que Israel não cessará as operações militares enquanto o Hamas não for derrotado e os reféns não forem recuperados.
  • Quase 42 mil pessoas morreram em Gaza ao longo de um ano de guerra, incluindo cerca de 17 mil menores, num conflito que a ONU classifica como uma das maiores crises humanitárias documentadas.
  • 90% da população de Gaza — cerca de 2,1 milhões de pessoas — foi deslocada, acumulando-se em acampamentos costeiros sem acesso adequado a água, saúde ou alimentação.
  • Mais de 1,1 milhões de gazenses encontram-se em situação de fome catastrófica, o número mais elevado alguma vez registado nos estudos globais de segurança alimentar das Nações Unidas.
  • A escalada do conflito ameaça ultrapassar as fronteiras de Gaza e desestabilizar toda a região do Médio Oriente, sem que qualquer solução diplomática esteja à vista.

Um ano após o ataque que abalou o Médio Oriente, Benjamin Netanyahu reafirmou perante os israelitas que a guerra em Gaza prosseguirá até ao cumprimento integral dos objetivos declarados — derrotar o Hamas, recuperar os reféns e garantir a segurança das fronteiras. O conflito, agora no seu 367.º dia, deixou quase 42 mil mortos em Gaza, na sua maioria civis, e mergulhou 1,1 milhões de pessoas numa fome catastrófica. Entre a retórica da vitória e o peso esmagador do sofrimento humano, a região inteira aguarda, suspensa, o que virá a seguir.

Benjamin Netanyahu assinalou o primeiro aniversário do ataque do Hamas com uma mensagem televisiva dirigida aos israelitas, reafirmando que a guerra em Gaza não terminará enquanto Israel não cumprir os seus objetivos: derrotar o Hamas, resgatar todos os reféns — vivos ou mortos — eliminar ameaças futuras provenientes de Gaza e permitir o regresso seguro dos habitantes do sul e do norte do país. "Trata-se de uma missão sagrada", declarou o primeiro-ministro, prometendo que "continuaremos a lutar e juntos venceremos".

Um ano antes, cerca de mil combatentes do Hamas tinham atravessado a fronteira israelita, matando quase 1.200 pessoas e capturando mais de 200 reféns. Quase 100 desses reféns permaneciam ainda em poder do movimento islamita na data do aniversário. Israel, apoiado pelos Estados Unidos e pela União Europeia na classificação do Hamas como organização terrorista, prometeu aniquilar o grupo.

O preço humano do conflito é devastador. As operações militares israelitas em Gaza causaram quase 42 mil mortos, a maioria civis, entre os quais cerca de 17 mil menores. Mais de 97 mil ficaram feridos e aproximadamente 10 mil desapareceram, presumivelmente soterrados nos escombros. A ONU considera estes dados fidedignos.

Quase 90% da população de Gaza — cerca de 2,1 milhões de pessoas — foi forçada a abandonar as suas casas, concentrando-se em acampamentos superlotados ao longo da costa, sem acesso adequado a água potável ou cuidados de saúde. Mais de 1,1 milhões encontram-se em situação de fome catastrófica, o número mais elevado alguma vez registado nos estudos globais de segurança alimentar das Nações Unidas.

Netanyahu enquadrou o 7 de outubro como um evento que "vai simbolizar para as gerações futuras o preço do nosso renascimento", mas a guerra que se prolonga há um ano continua a ameaçar alastrar-se por toda a região, aprofundando uma crise humanitária cujas consequências se estendem muito além das fronteiras de Gaza.

Benjamin Netanyahu marcou o primeiro aniversário do ataque do Hamas com uma mensagem televisiva dirigida aos israelitas, reafirmando que a guerra continuará até que Israel alcance seus objetivos declarados. O primeiro-ministro israelita listou essas metas com clareza: derrotar o Hamas em Gaza, trazer de volta todos os reféns — vivos ou mortos — eliminar qualquer ameaça futura originária da Faixa de Gaza, e permitir que os habitantes do sul e norte de Israel regressem em segurança às suas casas. "Trata-se de uma missão sagrada, não vamos parar até que a tenhamos cumprido", declarou Netanyahu, repetindo ao longo da mensagem que "continuaremos a lutar e juntos venceremos".

O contexto dessa declaração é o de um conflito que completava seu 367.º dia naquela segunda-feira. Exatamente um ano antes, cerca de mil combatentes do Hamas atacaram o território israelita de forma inesperada, matando quase 1.200 pessoas e capturando mais de 200 reféns. Desses reféns, quase 100 permaneciam em poder do Hamas um ano depois. O Governo de Telavive, considerando o Hamas uma organização terrorista — posição partilhada pelos Estados Unidos e União Europeia — prometeu aniquilar o movimento islamita.

O custo dessa guerra, porém, foi extraordinário. As operações militares de Israel na Faixa de Gaza mataram quase 42 mil pessoas, a maioria delas civis. Entre os mortos, cerca de 17 mil eram menores de idade. Mais de 97 mil ficaram feridos, e aproximadamente 10 mil desapareceram, presumivelmente soterrados nos escombros. A ONU considera esses números, fornecidos pelas autoridades locais de Gaza, como fidedignos. Quase dois milhões de pessoas foram forçadas a abandonar suas casas, o que representa cerca de 90% da população total de Gaza, estimada em 2,3 milhões de habitantes.

Os deslocados encontram-se agora em acampamentos apinhados ao longo da costa, onde o acesso a bens essenciais é praticamente inexistente. Água potável é escassa, e os cuidados de saúde estão severamente comprometidos. O enclave palestiniano, já historicamente pobre e densamente povoado, mergulhou numa crise humanitária de proporções sem precedentes. Mais de 1,1 milhões de pessoas encontram-se numa "situação de fome catastrófica", segundo dados da ONU, que registou este como o mais elevado número de vítimas de insegurança alimentar alguma vez documentado em seus estudos globais sobre segurança alimentar.

Netanyahu enquadrou o ataque de 7 de outubro como um evento que "vai simbolizar para as gerações futuras o preço do nosso renascimento", argumentando que a vitória militar garantiria "a eternidade" e provaria "a nossa determinação e a força do nosso espírito". A sua mensagem, transmitida no aniversário do ataque, não fez concessões quanto à continuação das operações. Contudo, a guerra que se desenrola há um ano continua a ameaçar alastrar-se por toda a região do Médio Oriente, desestabilizando uma área já frágil e criando consequências humanitárias que se estendem muito além das fronteiras de Gaza.

Trata-se de uma missão sagrada, não vamos parar até que a tenhamos cumprido
— Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelita
A vitória garante a eternidade
— Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelita
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