Há um momento em que a obra humana no céu começa a ceder às forças invisíveis que a rodeiam. O telescópio Swift, lançado em 2004 para escutar as explosões mais violentas do universo, agora desce lentamente em direção à atmosfera, empurrado pelo calor de um Sol em atividade intensa. A NASA respondeu confiando a uma empresa privada, a Katalyst Space Technologies, a tarefa de criar uma nave capaz de o resgatar antes que a queda se torne descontrolada. É uma tentativa inédita, nascida da urgência e da vontade de mostrar que a humanidade ainda consegue cuidar dos seus instrumentos mais preciosos.
NASA contrata Katalyst para tentar salvar o telescópio Swift, em risco de reentrada descontrolada
Nunca se tentou nada semelhante.
Porque é que o Swift está a cair agora, ao fim de 21 anos?
Porque a atmosfera, mesmo rarefeita, o vai travando. Com o Sol mais ativo, as camadas altas expandem-se e o atrito aumenta. A NASA avisou em setembro que a degradação estava mais rápida.
E o que vai a Katalyst fazer, exatamente?
Construir uma nave robótica que acople ao Swift e o eleve para uma órbita mais estável. Recebeu 30 milhões de dólares para isso.
Convém dizer que nunca se tentou algo assim com um satélite não preparado para manutenção. O sucesso é uma expectativa, não um facto.
Porque lançam de um avião?
Com o foguetão Pegasus XL, da Northrop Grumman, chega-se com facilidade à órbita do Swift. A fonte diz que nenhum porto espacial dos EUA tem condições para essa trajetória.
Essa explicação vem apenas do artigo. Não há detalhes técnicos que a confirmem.
E os prazos?
A NASA fala em 50% de reentrada até junho de 2026 e 90% até 2027.
São estimativas da NASA, não certezas. E o artigo não indica a data de lançamento da nave, o que é a peça em falta.
Porque importa para além do Swift?
Se funcionar, a técnica pode prolongar a vida de outros observatórios, até do Hubble, um dia.
O "até do Hubble" é uma possibilidade, não um plano anunciado.
O Pulso
- O Swift perde altitude mais depressa do que o previsto, e a probabilidade de reentrada descontrolada cresce ano após ano.
- A NASA tem de agir contra o relógio: 50% de hipótese de queda até junho de 2026 e 90% até 2027.
- A Katalyst recebeu 30 milhões de dólares para construir, em tempo recorde, uma nave robótica sem precedentes.
- O lançamento acontecerá a partir de um avião, com um foguetão Pegasus XL, porque nenhum porto espacial dos EUA alcança a órbita peculiar do telescópio.
- Se a missão de acoplagem funcionar, poderá prolongar a vida de outros observatórios, incluindo o Hubble.
Há um momento em que a obra humana no céu começa a ceder às forças invisíveis que a rodeiam. O telescópio Swift, lançado em 2004 para escutar as explosões mais violentas do universo, agora desce lentamente em direção à atmosfera, empurrado pelo calor de um Sol em atividade intensa. A NASA respondeu confiando a uma empresa privada, a Katalyst Space Technologies, a tarefa de criar uma nave capaz de o resgatar antes que a queda se torne descontrolada. É uma tentativa inédita, nascida da urgência e da vontade de mostrar que a humanidade ainda consegue cuidar dos seus instrumentos mais preciosos.
O Observatório Neil Gehrels Swift foi lançado a 20 de novembro de 2004 e, após 21 anos de descobertas sobre as explosões de raios gama, começa a perder altitude mais depressa do que se esperava. A NASA calcula uma probabilidade de 50% de reentrada descontrolada até junho de 2026 e de 90% até 2027. Sem intervenção, o telescópio cairia em chamas.
A causa é a própria atividade do Sol. Quando a estrela está muito agitada, como aconteceu no pico de outubro passado, aquece as camadas superiores da atmosfera, que se expandem e aumentam o atrito sobre os objetos em órbita baixa. O Swift, que já tinha observado até o cometa interestelar 3I/ATLAS, sente agora essa pressão invisível.
Para responder, a NASA entregou o desafio à Katalyst Space Technologies, uma empresa privada norte-americana, que recebeu 30 milhões de dólares para construir uma nave robótica capaz de elevar o telescópio a uma órbita mais estável. O mecanismo de acoplagem está a ser desenvolvido de raiz para não perturbar os delicados instrumentos. Nunca se tentou nada assim: o Hubble foi reparado por astronautas, mas o Swift não foi concebido para isso.
O lançamento será feito a partir de um avião, com um foguetão Pegasus XL da Northrop Grumman, uma solução escolhida porque a órbita do Swift não é facilmente alcançada a partir dos portos espaciais terrestres. Ghonhee Lee, CEO da Katalyst, vê na missão a prova de que os Estados Unidos conseguem passar da identificação de um problema a uma acoplagem robótica em menos de um ano.
Se tudo correr bem, a operação poderá devolver tempo de vida não só ao Swift, mas também a outros observatórios, e um dia ao próprio Hubble. Resta saber se a nave ficará pronta antes de a janela de junho de 2026 se fechar.
O Observatório Neil Gehrels Swift foi lançado a 20 de novembro de 2004 e, ao fim de 21 anos de trabalho, está a perder altitude mais depressa do que o previsto. A NASA estima que haja 50% de probabilidade de o telescópio reentrar na atmosfera terrestre até junho de 2026 e 90% até 2027. Se nada for feito, a queda será descontrolada e em chamas.
Para tentar evitar esse desfecho, a agência espacial norte-americana adjudicou um contrato à Katalyst Space Technologies, uma empresa privada de tecnologia espacial dos Estados Unidos. A missão é inédita: a Katalyst vai construir uma nave robótica capaz de elevar o Swift para uma órbita mais estável. A empresa recebeu 30 milhões de dólares para o fazer.
O Swift dedicou-se a estudar as explosões mais poderosas do universo, as rajadas de raios gama, e outros fenómenos, entre eles o cometa interestelar 3I/ATLAS.
A perda de altitude é um processo natural. Em órbita terrestre baixa, a atmosfera é extremamente rarefeita, mas ainda assim trava os objetos que por lá circulam. Menor velocidade significa uma órbita mais baixa. Em setembro, a NASA comunicou que o aumento da atividade solar estava a acelerar a degradação da órbita do Swift. Quando o Sol está muito ativo, aquece as camadas superiores da atmosfera e faz com que se expandam, aumentando o atrito sobre o telescópio. O pico de atividade solar ocorreu em outubro passado.
O lançamento da nave de salvamento tem uma particularidade. Será feito num foguetão Pegasus XL, da Northrop Grumman, que parte não do solo, mas de um avião. Segundo a fonte, esta configuração permite chegar com facilidade à órbita peculiar do Swift, uma trajetória para a qual nenhum dos portos espaciais dos EUA reúne as condições necessárias.
Nunca se tentou nada semelhante. O Hubble recebeu manutenção de astronautas a bordo do vaivém espacial, mas foi projetado para isso. O Swift não. Por esse motivo, o veículo da Katalyst usará um mecanismo robótico desenvolvido de propósito para acoplar ao telescópio sem perturbar o seu delicado conjunto de instrumentos.
Tudo isto decorre contra o relógio. Ghonhee Lee, CEO da Katalyst, afirmou em comunicado que se trata de salvar um ativo científico de classe mundial e, ao mesmo tempo, provar que os Estados Unidos conseguem executar uma resposta rápida em órbita. Segundo Lee, a missão mostra que é possível passar da identificação do problema a uma missão de acoplagem robótica em menos de um ano.
Se a operação, que não deverá causar danos ao telescópio, resultar, poderá dar nova vida a outros observatórios espaciais, incluindo, um dia, o próprio Hubble. Resta saber se a nave ficará pronta e chegará a tempo, antes de a janela de junho de 2026 se começar a fechar.
Citações Notáveis
Trata-se de salvar um ativo científico de classe mundial, ao mesmo tempo que provamos que os Estados Unidos são capazes de executar uma resposta rápida em órbita.— Ghonhee Lee, CEO da Katalyst