NASA acelera preparativos para pouso lunar com teste orbital em 2027 e disputa entre Blue Origin e SpaceX

A campanha de lançamento mais complicada já realizada
Jeremy Parsons, da Nasa, descreveu assim a missão Artemis III, de teste em órbita baixa prevista para 2027.
Mark

Por que uma missão de teste em órbita baixa, se o objetivo é pousar na Lua?

Mimi

Porque nenhum dos dois módulos jamais acoplou a uma nave com astronautas. A Artemis III, em 2027, treina isso a poucas centenas de milhas da Terra, com um voo de cerca de 14 dias.

Mark

E o que a Nasa quer descobrir ali?

Mimi

Qual veículo usar na Artemis IV, o primeiro pouso tripulado desde a Apollo, em 1972. Ainda não decidiu entre Starship e Blue Moon Mark 2.

Luke

Vale notar que Isaacman e Parsons falam de compromisso, mas o próprio texto diz que se espera amplamente que o cronograma mude.

Mark

As abordagens das empresas diferem muito?

Mimi

Bastante. O Starship é um sistema novo, de duas partes, que é módulo e estágio ao mesmo tempo. O Blue Moon lembra os módulos da Apollo, só que maior, com 52 pés.

Luke

E o Blue Moon nunca voou. O New Glenn explodiu em maio e destruiu o centro de lançamento da Blue Origin na Flórida.

Mark

E o reabastecimento do Starship?

Mimi

Musk falou em seis a oito lançamentos; antes, especialistas estimavam de 10 a 40. A Nasa confirmou a estimativa de Musk.

Luke

Mas ressalvou que o número real só aparece depois dos testes de transferência, que nunca foram feitos em órbita. Por ora é estimativa, não dado.

Mark

E a China?

Luke

A meta chinesa é 2030, e especialistas acham que será cumprida ou superada. Isso é avaliação deles, não fato consumado.

  • A Nasa reúne dois módulos de pouso da SpaceX e da Blue Origin para um teste decisivo em 2027, e cada atraso ecoa pelo cronograma inteiro.
  • A explosão de um New Glenn em maio destruiu o centro de lançamento da Blue Origin na Flórida e deixou o Blue Moon Mark 1 suspenso.
  • A SpaceX tenta provar que consegue transferir combustível entre duas Starships em órbita, um feito que nunca foi tentado e que pode exigir de seis a quarenta reabastecimentos.
  • O administrador Jared Isaacman promete ir até as empresas resolver problemas, não apenas cobrar relatórios, enquanto a Nasa aprova trajes lunares mais simples para não perder prazos.
  • Com o veículo da Artemis IV ainda indefinido e a China na mira para 2030, o calendário lunar segue pressionado e as datas tendem a escorregar.

Num outono em que a humanidade volta a olhar para a Lua com ambição renovada, a Nasa se vê diante de um desafio que mistura engenharia, orgulho nacional e a memória de outra corrida. A agência precisa preparar, até o ano que vem, dois módulos de pouso construídos por empresas privadas para um teste em órbita baixa da Terra, a Artemis III, antes do primeiro pouso tripulado planejado para 2028. O trabalho avança sob a sombra da China, que mira pousar taikonautas até 2030, lembrando que cada prazo nesse caminho carrega tanto ciência quanto disputa geopolítica.

Nesta sexta-feira (23), a Nasa apresentou em coletiva de imprensa o plano para deixar prontos, até o próximo ano, dois módulos de pouso lunar desenvolvidos por SpaceX e Blue Origin. O alvo é a Artemis III, um teste em órbita baixa da Terra previsto para 2027, a poucas centenas de milhas do planeta, bem mais perto que os 384.400 quilômetros até a Lua. O administrador Jared Isaacman foi enfático: mais tempo, mais dinheiro e menos voos não tornariam o trabalho mais seguro. Quando um fornecedor atrasar, a equipe da agência vai ajudar a resolver o problema, e não apenas observar.

Os dois projetos seguem caminhos muito diferentes. A SpaceX aposta no Starship, um sistema de duas partes que ainda está em desenvolvimento, e tenta fazer a primeira transferência de combustível entre naves em órbita, prevista para o início de 2027. A Blue Origin, por sua vez, sofreu um golpe em maio, quando um foguete New Glenn explodiu durante testes em solo e destruiu o centro de lançamento da empresa. O Blue Moon Mark 1, versão de carga que seria lançada neste ano, ficou suspenso, e o Mark 2, que nunca voou, ainda precisa de sistemas de suporte de vida e de acoplamento a propulsores.

A Nasa também aprovou uma versão mais simples e leve dos trajes lunares, para que estejam prontos a tempo das primeiras missões de pouso. A Artemis IV, que deve levar astronautas à superfície lunar pela primeira vez desde 1972, ainda não tem veículo definido, já que a agência abandonou o compromisso com a SpaceX no ano passado e prometeu usar o que ficasse pronto primeiro. Todas essas datas devem mudar, e a sombra da China, que quer pousar taikonautas até 2030, paira sobre cada decisão.

Nesta sexta-feira (23), a Nasa detalhou em coletiva de imprensa uma corrida para deixar prontos, até o próximo ano, dois módulos de pouso lunar, o foguete e a nave da própria agência. O objetivo é a Artemis III, uma missão de teste em órbita baixa da Terra prevista para 2027, que antecede o pouso tripulado planejado para 2028. O administrador da agência, Jared Isaacman, disse que não adianta se iludir achando que mais tempo, mais dinheiro e menos voos tornariam o trabalho mais seguro ou mais realizável.

Blue Origin e SpaceX têm, cada uma, contratos de vários bilhões de dólares para desenvolver veículos que levem astronautas da nave Orion até a superfície da Lua. Isaacman afirmou que, quando um fornecedor descumprir um cronograma, o pessoal da Nasa vai bater à porta, e não para observar, escrever relatório ou convocar comitê, mas para ajudar a resolver os problemas. Foi ele quem, em fevereiro, recém-nomeado, incluiu no roteiro lunar essa missão de teste em 2027. Nela, os veículos das duas empresas treinarão o acoplamento com a Orion a algumas centenas de milhas da Terra, bem mais perto que os 384.400 quilômetros que nos separam da Lua.

A missão deve durar cerca de 14 dias, com o lançamento de três foguetes gigantescos e vários acoplamentos e desacoplamentos da Orion com veículos experimentais. Jeremy Parsons, gerente do Programa Artemis, chamou o conjunto de provavelmente a campanha de lançamento mais complicada já realizada. A Artemis III também ajudará a definir qual módulo a Nasa usará na Artemis IV, que deve levar astronautas à superfície lunar pela primeira vez desde o fim do programa Apollo, em 1972.

Os dois projetos são muito diferentes. A SpaceX, primeira a fechar contrato de pouso lunar, em 2021, aposta no Starship, sistema de duas partes formado pelo propulsor Super Heavy e pela espaçonave superior, de 171 pés de altura e seis motores, que serviria ao mesmo tempo como módulo de pouso e estágio superior. O sistema ainda está em desenvolvimento e concluiu recentemente seu primeiro voo de teste orbital. Já o Blue Moon Mark 2, da Blue Origin, segue um desenho mais clássico: com 52 pés, lembra uma versão ampliada dos módulos da era Apollo e será lançado no compartimento de carga do foguete New Glenn. Ele nunca fez um voo de teste.

A Blue Origin planejava lançar neste ano uma versão reduzida de carga, o Blue Moon Mark 1, mas os planos foram suspensos depois que um New Glenn explodiu em maio durante testes de rotina em solo e destruiu o centro de lançamento da empresa na Flórida. Agora, a companhia precisa recolocar o New Glenn em operação, possivelmente até o fim do ano, e fazer o voo do Mark 1 no início do próximo ano. O Mark 2 da Artemis III também terá de receber sistemas de suporte de vida, pois os quatro astronautas da Orion deverão embarcar nele enquanto estiver acoplado. Ele precisará ainda se acoplar a pelo menos três estágios de propulsão. Com o Starship, a Nasa não prevê esse procedimento: citando a experiência da SpaceX com as cápsulas Dragon tripuladas, considera possível avaliar o suporte de vida fora da Artemis III.

Para a SpaceX, a lista inclui terminar o protótipo que voará na Artemis III, testar as pernas de pouso e a câmara de descompressão, continuar os voos de teste, expandir operações para duas novas plataformas na Flórida e fazer a primeira transferência de combustível entre duas Starships em órbita, prevista para o início de 2027. Essa transferência de propelentes criogênicos nunca foi feita. Especialistas estimavam entre 10 e 40 lançamentos de reabastecimento para um pouso; Elon Musk disse nesta semana que bastariam de seis a oito. A Nasa confirmou o número, mas ressalvou que o valor definitivo só será conhecido após os testes.

A agência também aprovou uma versão simplificada e mais leve dos trajes lunares da Axiom, de Houston, para ficar pronta a tempo das primeiras missões de pouso, como a Artemis IV; a versão avançada segue em desenvolvimento. Parsons disse que a Nasa busca simplificar e eliminar requisitos difíceis, mas que são os módulos de pouso que hoje ditam o cronograma. Depois da Artemis III, ambos devem fazer viagens não tripuladas à Lua para praticar pousos.

A Nasa ainda não escolheu o veículo da Artemis IV, após retirar no ano passado seu compromisso com a SpaceX e prometer usar o que ficasse pronto primeiro, citando a disputa com a China. A Artemis IV está prevista para o início de 2028 e a Artemis V, para mais tarde no mesmo ano, mas espera-se amplamente que as datas mudem. A China trabalha para pousar taikonautas na Lua até 2030, meta que especialistas acreditam que o país deve cumprir ou superar.

Não vamos nos iludir acreditando que mais tempo, mais dinheiro e voar menos vai tornar nosso trabalho mais seguro ou mais realizável.
— Jared Isaacman, administrador da Nasa
É provavelmente a campanha de lançamento mais complicada já realizada.
— Jeremy Parsons, gerente do Programa Artemis da Nasa
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