Mulheres sofrem mais solidão na pandemia, revelam pesquisas científicas

Mulheres, jovens e pessoas sedentárias enfrentam aumento significativo de solidão, depressão e ansiedade durante o isolamento social da pandemia.
O Homo sapiens não foi biologicamente programado para viver só
Neuropsicólogo explica por que o isolamento total prejudica a saúde mental, independentemente de tecnologia ou exercício.
Mark

Por que as mulheres sofreram mais solidão se tinham acesso às mesmas tecnologias que os homens?

Mimi

Porque a tecnologia não substitui o que elas perderam. O trabalho era um espaço de rede social real para muitas mulheres — conversas no intervalo, relacionamentos que se construíam naturalmente. Quando isso desapareceu, a perda foi concreta. Além disso, muitas mulheres carregavam responsabilidades domésticas que se multiplicaram durante o isolamento.

Mark

E os idosos? Como conseguiram lidar melhor se a solidão é prejudicial?

Mimi

Eles já viviam com certa solidão antes da pandemia. O cérebro deles tinha uma referência de como é estar só. Mas isso não significa que estivessem bem — apenas que o isolamento em si não era o fator mais devastador. O que realmente os angustiava era a incerteza, o medo do vírus.

Mark

Telefonemas funcionaram melhor que videochamadas? Por quê?

Mimi

Ouvir a voz de alguém parece ser menos exaustivo que ver um rosto através de uma tela. Há algo no ato de falar e ouvir que reduz o estresse de forma que a imagem visual não consegue. Talvez seja mais íntimo, menos performático.

Mark

Os jovens que mantiveram exercício físico realmente sofreram menos depressão?

Mimi

Sim, mas não é mágica de curto prazo. O exercício só protege a mente quando é consistente, quando vira hábito. Aqueles que pararam de se mover viram a depressão disparar — de 32% para 61%. Aqueles que continuaram foram os mais resilientes.

Mark

Então a solução é simples: exercício, contato social, tecnologia?

Mimi

Não é simples porque a biologia humana não foi feita para isolamento total. Você pode fazer tudo certo e ainda sofrer porque está biologicamente privado de algo que o corpo precisa. A tecnologia ajuda, o exercício ajuda, mas não substituem o contato físico real.

  • Mulheres relataram níveis de solidão significativamente mais altos que os homens, em parte porque o ambiente de trabalho funcionava como sua principal rede de apoio social — e esse espaço simplesmente desapareceu.
  • Jovens entre 18 e 29 anos, apesar de dominarem as ferramentas digitais, sofreram mais do que os idosos, pois a socialização intensa é uma necessidade biológica central nessa fase da vida.
  • Universitários viram as taxas de depressão quase dobrarem — de 32% para 61% — enquanto o número médio de passos diários caiu pela metade, revelando uma ligação direta entre sedentarismo e deterioração mental.
  • Contra a expectativa, foram os telefonemas e as mensagens de texto — e não as videochamadas — que se mostraram mais eficazes para aliviar a solidão, sugerindo que a voz humana carrega algo que a imagem não substitui.
  • Programas de exercício de curto prazo não reverteram o quadro: apenas quem manteve uma rotina física consistente ao longo da pandemia conseguiu resistir melhor à depressão e à ansiedade.

Em meio ao isolamento imposto pela pandemia, pesquisadores ao redor do mundo começaram a revelar que o sofrimento não se distribuiu de forma igual: mulheres e jovens carregaram um peso desproporcional de solidão, enquanto idosos, já familiarizados com certas formas de distância, demonstraram uma resiliência inesperada. O que emergiu desses estudos não é apenas um retrato de uma crise sanitária, mas um lembrete de que o ser humano foi forjado para o convívio — e que quando esse convívio é interrompido, o custo é biológico, não apenas emocional.

A pandemia não apenas interrompeu rotinas — ela expôs fraturas invisíveis na forma como diferentes grupos humanos constroem e dependem de suas conexões sociais. Pesquisadores em vários países começaram a mapear essas consequências, e os padrões que emergiram surpreenderam até os especialistas.

Quando as restrições chegaram, a tecnologia pareceu ser a resposta imediata. Mas um estudo da Universidade de Nevada com mais de dois mil participantes revelou algo inesperado: telefonemas e mensagens de texto eram mais eficazes para reduzir a solidão do que videochamadas. A voz direta, sem a exigência visual de uma tela, parecia mais humana e menos exaustiva.

Os dados também mostraram que jovens entre 18 e 29 anos sofreram de forma muito mais intensa do que os idosos. Os mais velhos, já acostumados a certas formas de distância em suas rotinas, demonstraram uma resiliência peculiar — embora especialistas ressaltem que solidão nunca é saudável. Para os jovens, a interrupção abrupta da vida social criou um vazio que nenhuma plataforma digital conseguiu preencher completamente.

O gênero emergiu como outro fator crítico. Pesquisadores da Mayo Clinic, comparando dados de 2018 com os de 2020, constataram que mulheres relatavam níveis muito mais altos de solidão do que homens. A explicação mais provável: para muitas delas, o ambiente profissional era uma rede de apoio essencial. Com o trabalho remoto, essa rede desapareceu — ao mesmo tempo em que as responsabilidades domésticas e o cuidado com filhos se multiplicavam dentro de casa.

Entre universitários, o quadro foi igualmente alarmante. Um estudo da Universidade da Califórnia acompanhou 120 estudantes ao longo de 2020 e descobriu que as taxas de depressão quase dobraram, enquanto a média de passos diários caiu de dez mil para 4,6 mil. O sedentarismo revelou-se um fator direto na deterioração da saúde mental — e tentativas de reverter isso com exercícios de curto prazo não funcionaram. Apenas a consistência ao longo do tempo produziu resultados reais.

Especialistas em saúde mental reforçam que esses números não são abstratos: revelam uma verdade biológica sobre o Homo sapiens, uma espécie que não foi programada para o isolamento. Manter redes de apoio, continuar se movimentando e reconhecer os sinais de depressão são, segundo os pesquisadores, as ferramentas mais valiosas que essa crise — estudada em tempo real como nenhuma outra antes — pode nos deixar.

A pandemia forçou o mundo inteiro a repensar a rotina. Meses se transformaram em mais meses. A falta de contato físico começou a pesar de formas que ninguém havia previsto completamente. Pesquisadores ao redor do globo começaram a mapear essas consequências invisíveis — e o que encontraram revelou padrões surpreendentes sobre quem sofre mais e como as pessoas tentam se reconectar quando o isolamento se torna a única opção.

Quando as restrições começaram, a tecnologia pareceu ser a salvação óbvia. Nos primeiros meses, empresas de telefonia, provedores de internet e plataformas de vídeo registraram picos enormes de uso. Mas quando pesquisadores da Universidade de Nevada analisaram como mais de dois mil pessoas realmente usavam essas ferramentas, descobriram algo inesperado: telefonemas e mensagens de texto dominavam. Não eram as videochamadas sofisticadas que muitos esperavam que se tornassem a norma. A voz ao telefone, aquele contato mais simples e direto, reduzia a sensação de solidão de forma mais eficaz do que ver o rosto de alguém através de uma tela. Ouvir e falar parecia menos exaustivo, mais humano de alguma forma.

Mas nem todos sofreram igualmente. Os dados mostraram que pessoas entre 18 e 29 anos enfrentavam o isolamento de forma muito mais difícil do que os idosos, apesar de terem acesso a todas essas tecnologias. Os mais velhos, que já viviam com certa solidão em suas rotinas normais, pareciam ter desenvolvido uma resiliência peculiar. Não que estivessem bem — especialistas deixam claro que a solidão nunca é saudável — mas o isolamento em si não era o fator mais devastador para eles. O que realmente angustiava os idosos era a incerteza: o medo do vírus, a preocupação com o que viria a seguir. Para os jovens, era diferente. A interrupção abrupta da vida social, quando a socialização é biologicamente central para aquela fase da vida, criava um vazio que a tecnologia não conseguia preencher completamente.

O gênero também emergiu como um fator crítico. Pesquisadores da Mayo Clinic analisaram dados de quase dois mil pessoas em dois momentos: fevereiro de 2018 e depois entre maio e dezembro de 2020, quando o isolamento já estava em vigor. As mulheres relataram níveis significativamente mais altos de solidão do que os homens. Os pesquisadores apontaram uma razão provável: o trabalho. Para muitas mulheres, o ambiente profissional funcionava como uma rede social essencial, um espaço de apoio e conexão que ia além das tarefas laborais. Quando esse espaço desapareceu, a perda foi mais aguda. Além disso, muitas mulheres carregavam o peso adicional do trabalho doméstico intensificado, do cuidado com filhos, das responsabilidades que se multiplicaram quando a casa se tornou escritório, escola e lar simultaneamente. Especialistas em saúde mental confirmam que mulheres naturalmente constroem redes de apoio mais robustas com amigos e família — e quando essas redes são cortadas de repente, o desgaste é severo.

Outro padrão preocupante emergiu entre os jovens universitários. Pesquisadores da Universidade da Califórnia acompanharam 120 estudantes de fevereiro a dezembro de 2020, medindo não apenas sua atividade física mas também sua saúde mental. O resultado foi alarmante: o número médio de passos caiu de dez mil para 4,6 mil por dia. As taxas de depressão praticamente dobraram, subindo de 32% para 61%. O sedentarismo não era apenas uma questão de ganho de peso ou fraqueza muscular — era um fator direto na deterioração da saúde mental. Quando os pesquisadores tentaram reverter isso com programas de exercício a curto prazo, descobriram que não funcionava. O benefício da atividade física para a mente só se concretiza com compromisso de longo prazo, com consistência. Aqueles que mantiveram a rotina de exercícios durante a pandemia foram os que melhor resistiram à depressão.

Especialistas em saúde mental e neuropsicologia enfatizam que esses dados não são apenas números abstratos. Revelam algo fundamental sobre a biologia humana: o Homo sapiens não foi programado para viver isolado. O convívio social não é um luxo ou uma preferência — é uma necessidade biológica. Morar sozinho não necessariamente aumenta a solidão, mas o isolamento total, a falta de contato físico e de interação face a face, prejudica o cérebro e o corpo de formas que a tecnologia não consegue compensar. Profissionais de saúde alertam que é essencial manter redes de apoio, continuar se movimentando, e estar atento aos sinais de depressão e ansiedade que podem exigir intervenção profissional. As pesquisas que mapeiam esses efeitos são ferramentas valiosas — permitem que pacientes reconheçam quando algo está errado e que médicos ofereçam tratamentos mais precisos e eficazes para uma crise que, diferentemente de pandemias passadas, pode ser estudada em tempo real.

O ato de ouvir e falar ao telefone era menos estressante e diminuía níveis de solidão, aumentando vínculos de relacionamento
— Natalie Pennington, professora de estudos de comunicação da Universidade de Nevada
A contribuição positiva da atividade física para uma mente saudável só é possível com intervenções a longo prazo
— Sally Sadoff, autora de estudo da Universidade da Califórnia
Fale Conosco FAQ