MP abre investigação contra vereadora Tatiana Medeiros por rachadinha e nepotismo

Vereadora Tatiana Medeiros foi presa em abril e cumpre prisão domiciliar por questões de saúde, sendo afastada de seu cargo na Câmara Municipal.
Padrasto repassava salário integral à vereadora mesmo em cargo público
O esquema de rachadinha investigado pelo Ministério Público envolvia o padrasto de Tatiana Medeiros como operador financeiro.
Mark

Por que o Ministério Público abriu esse procedimento agora, em setembro, se a Polícia Federal já tinha indiciado Tatiana meses antes?

Mimi

O inquérito da PF forneceu os elementos que o MP precisava para instaurar seu próprio procedimento. São processos diferentes — a PF investiga, o MP analisa e decide se há base para ação penal. Levou alguns meses.

Luke

Mas a gente sabe que ela foi presa em abril. Então entre abril e setembro, o que mudou? O documento do MP é novo, mas os fatos que ele descreve já eram conhecidos desde o inquérito da PF.

Mark

E quanto às acusações específicas — a rachadinha, o nepotismo, a compra de votos? São todas confirmadas ou ainda são suspeitas?

Mimi

São investigadas. O MP aponta indícios: o padrasto repassando salário integral, movimentações bancárias atípicas com aumento de 230%, transferências de R$ 100 via Pix. Mas indício não é prova.

Luke

Exato. E sobre o companheiro dela, Alandilson Cardoso Passos — o MP diz que ele tem ligação com facção criminosa e financiou a campanha com recursos ilícitos. Mas quem confirmou essa ligação? É do inquérito da PF ou é uma suspeita do MP?

Mark

Parece que vem do inquérito da PF, não é?

Mimi

Sim, o procedimento do MP é baseado em elementos do inquérito da PF. Mas o MP está abrindo sua própria investigação agora.

Luke

Então o que a gente tem é: a PF investigou, indiciou, Tatiana foi presa, agora o MP está formalizando a investigação dela. Mas ninguém foi condenado ainda.

Mark

E ela continua presa?

Mimi

Não. Cumpre prisão domiciliar por questões de saúde. E foi afastada do cargo.

Luke

Afastada por quem? Por decisão judicial ou por decisão da Câmara?

Mimi

O texto não especifica. Só diz que foi afastada e que o suplente Leôndidas Júnior ocupa a cadeira dela agora.

  • O Ministério Público formalizou investigação em setembro, ampliando o cerco que a Polícia Federal já havia iniciado com o indiciamento e a prisão da vereadora em abril.
  • O esquema suspeito é familiar no sentido literal: o padrasto repassava o próprio salário à parlamentar, a irmã fazia transferências de R$ 100 via Pix a eleitores na véspera das eleições, e o cunhado também figura entre os investigados.
  • O companheiro da vereadora teria ligações com uma facção criminosa de Teresina e é suspeito de ter financiado a campanha com dinheiro ilícito — enquanto a conta bancária do padrasto cresceu 230% no ano eleitoral.
  • Tatiana Medeiros cumpre prisão domiciliar por razões de saúde, foi afastada do mandato e sua vaga na Câmara Municipal de Teresina passou ao suplente Leôndidas Júnior.
  • O procedimento investigativo, assinado pela 34ª Promotoria de Justiça do Piauí, aponta que até uma ONG da vereadora teria sido desviada de sua finalidade para integrar o esquema.

Em Teresina, o Ministério Público do Piauí abriu investigação formal contra a vereadora Tatiana Medeiros, do PSB, acusada de tecer uma rede de irregularidades que envolve rachadinha, nepotismo, compra de votos e financiamento ilícito de campanha. O caso revela como o poder público pode ser convertido em instrumento doméstico — com familiares, uma ONG e até transferências via Pix compondo o esquema. Já presa em abril e hoje em prisão domiciliar, a parlamentar vê sua cadeira ocupada por outro, enquanto a Justiça tenta reconstituir os fios de uma trama que atravessa eleições, contas bancárias e vínculos com o crime organizado.

O Ministério Público do Piauí formalizou, em 16 de setembro, um procedimento de investigação contra a vereadora Tatiana Medeiros, do PSB, com base em elementos reunidos pela Polícia Federal. As suspeitas são graves e variadas: rachadinha, nepotismo cruzado, compra de votos e financiamento ilícito de campanha.

No centro do esquema investigado está o padrasto da vereadora, Stênio Ferreira Santos, apontado como operador financeiro que repassava seu salário integral a Tatiana enquanto ocupava cargo público — o modelo clássico da rachadinha. Há ainda indícios de que familiares foram nomeados em órgãos públicos e de que uma ONG de sua propriedade, o Instituto Vamos Juntos, foi incorporada ao esquema em vez de cumprir sua função social.

O financiamento da campanha eleitoral também levanta suspeitas sérias. O companheiro de Tatiana, Alandilson Cardoso Passos, teria vínculos com uma facção criminosa de Teresina e supostamente injetou recursos ilícitos na campanha. A conta bancária do padrasto registrou crescimento superior a 230% no ano eleitoral. A irmã da vereadora teria feito transferências de R$ 100 via Pix a eleitores na véspera das eleições de 2024.

Além de Tatiana, o Ministério Público investiga Stênio Ferreira Santos e o cunhado Lucas de Carvalho Dias Sena. A vereadora já havia sido alvo da Operação Escudo Eleitoral e presa em abril. Hoje cumpre prisão domiciliar por questões de saúde, está afastada do mandato e sua cadeira na Câmara Municipal de Teresina foi assumida pelo suplente Leôndidas Júnior.

O Ministério Público do Piauí abriu procedimento de investigação contra a vereadora Tatiana Medeiros, do PSB, acusando-a de rachadinha e nepotismo. A decisão foi publicada em 16 de setembro pela 34ª Promotoria de Justiça, baseada em elementos colhidos em inquérito da Polícia Federal que apontava irregularidades envolvendo a parlamentar, sua família e pessoas próximas.

O esquema investigado é amplo. Segundo o Ministério Público, o padrasto de Tatiana, Stênio Ferreira Santos, funcionava como operador financeiro dela, repassando seu salário integral à vereadora mesmo enquanto ocupava cargos públicos — o padrão clássico do que se chama rachadinha. Além disso, há indícios de nepotismo cruzado, com nomeações de familiares em órgãos públicos e uso da estrutura estatal para cumprir promessas de campanha, prática vedada por lei. O Instituto Vamos Juntos, uma ONG pertencente à vereadora, teria sido desviado de sua finalidade e incorporado ao esquema.

O financiamento da campanha também está sob suspeita. O companheiro de Tatiana, Alandilson Cardoso Passos, teria ligações com uma facção criminosa em Teresina e supostamente financiou parte da campanha dela com recursos ilícitos. As movimentações bancárias do padrasto chamaram atenção: sua conta registrou aumento de mais de 230% no ano eleitoral. Há ainda indícios de compra de votos, com transferências de R$ 100 via Pix a eleitores feitas pela irmã da vereadora no dia anterior às eleições de 2024.

Além de Tatiana Medeiros, o procedimento do Ministério Público investiga também Stênio Ferreira Santos e Lucas de Carvalho Dias Sena, cunhado da vereadora. O documento foi assinado por Flávio Teixeira de Abreu Júnior, titular da 34ª Promotoria de Justiça do Piauí.

Esta não é a primeira ação contra a vereadora. A Polícia Federal já a havia indiciado anteriormente por esquema de rachadinha e fraudes eleitorais. Tatiana, sua mãe, seu padrasto e funcionários da ONG foram alvo da Operação Escudo Eleitoral, que investigava suposto esquema de compra de votos e financiamento de campanha com recursos do crime organizado. Ela foi presa em abril, mas atualmente cumpre prisão domiciliar devido a questões de saúde. Afastada do cargo, sua cadeira na Câmara Municipal de Teresina foi ocupada pelo suplente Leôndidas Júnior.

O Ministério Público apura esquema de rachadinha, nepotismo cruzado, favorecimento de parentes com nomeações públicas, e financiamento ilícito de campanha
— Ministério Público do Piauí, 34ª Promotoria de Justiça
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