Num tempo em que muitos de nós passamos horas sem nos levantar, da mesa do trabalho ao sofá de casa, pesquisadores vêm lembrando que o corpo também se move nos gestos miúdos do cotidiano. Estudos conduzidos em diferentes países, incluindo um acompanhamento de oito anos com mais de 22 mil britânicos, sugerem que essas pequenas atividades podem atenuar os riscos cardiovasculares ligados ao sedentarismo. Para quem não encontra tempo ou disposição para treinar, a notícia é que a vida já oferece caminhos para se movimentar, bastando reparar neles.
Movimentos cotidianos, como balançar as pernas e lavar louça, podem compensar o sedentarismo
Quatro minutos por dia de breves explosões de atividade já pesam
Então lavar louça conta como exercício?
Conta como gasto de energia relevante, é o que chamam de atividade incidental, ou NEAT. Cozinhar, jardinagem e passar aspirador também entram.
E quanto disso é preciso para fazer diferença?
Um estudo de 2024 com mais de 22 mil britânicos achou que quatro minutos por dia de explosões curtas, de menos de um minuto, ajudaram a compensar o risco cardiovascular do sedentarismo.
Convém precisar: eram pessoas que não faziam exercício regular, e o resultado fala de compensar risco, não de eliminá-lo. É um estudo observacional, com dispositivo de rastreamento.
E balançar as pernas?
Um estudo pequeno apontou cerca de 16% mais energia gasta do que ficar sentado parado. Narayanan diz que o movimento ajuda a retirar glicose do sangue.
Vale notar o "pequeno". Os benefícios para vasos e açúcar no sangue são descritos como sugestões de pesquisas anteriores, não como algo comprovado de forma definitiva.
Qual a ideia prática?
Aproveitar o que já se faz: elevação de panturrilha escovando os dentes, caminhar em chamadas. Daley manda entregar compras num armário próximo da casa.
E a redução de duas horas sentado com mesas em pé foi num estudo com médicos. O texto não diz se isso se estende a outras profissões.
O Pulso
- Horas sentadas no trabalho, no transporte e em frente à TV seguem pressionando a saúde de milhões de pessoas que não treinam com regularidade.
- Um estudo de 2024 com mais de 22 mil britânicos mostrou que apenas quatro minutos diários de explosões curtas de atividade reduziram o risco cardiovascular associado ao sedentarismo.
- Pesquisadores propõem transformar gestos comuns, como balançar as pernas, lavar louça ou subir escadas, em movimento deliberado para compensar a falta de treino.
- A estratégia de 'pegar carona' em hábitos existentes, como fazer panturrilhas ao escovar os dentes, ganha força como caminho acessível, com sinais de que pode estimular conversas sobre saúde.
Num tempo em que muitos de nós passamos horas sem nos levantar, da mesa do trabalho ao sofá de casa, pesquisadores vêm lembrando que o corpo também se move nos gestos miúdos do cotidiano. Estudos conduzidos em diferentes países, incluindo um acompanhamento de oito anos com mais de 22 mil britânicos, sugerem que essas pequenas atividades podem atenuar os riscos cardiovasculares ligados ao sedentarismo. Para quem não encontra tempo ou disposição para treinar, a notícia é que a vida já oferece caminhos para se movimentar, bastando reparar neles.
Quase sem perceber, o dia pode passar inteiro sentado: primeiro na mesa do trabalho, depois no carro ou no ônibus, por fim no sofá. Muitos estudos associam esse ritmo a riscos maiores de problemas sérios de saúde, e o difícil é encontrar tempo para compensá-lo com treinos.
É aí que entra a atividade incidental, o movimento que acontece fora dos horários de exercício, conhecido pela sigla NEAT. Anantha Narayanan, da Universidade de Tecnologia de Auckland, explica que ela inclui desde balançar a perna sentado até lavar a louça. Mesmo pequenos ajustes de postura ou giros de ombro contam para o gasto de energia.
Nos músculos das pernas, por exemplo, as contrações ajudam a retirar glicose do sangue e a manter a circulação. Um pequeno estudo registrou cerca de 16% mais gasto energético ao balançar as pernas do que ao ficar parado.
A evidência mais ampla vem de Nicholas Koemel, da Universidade Monash, que acompanhou por oito anos mais de 22 mil britânicos pouco ativos. Quatro minutos diários de breves explosões de movimento bastaram para atenuar o risco cardiovascular, e quem acumulava mais atividade incidental compensava até mais de 11 horas sentado por dia.
Para tornar o hábito mais intenso, Koemel sugere subir escadas, carregar sacolas pesadas ou andar mais rápido. Amanda Daley, da Universidade de Loughborough, propõe aproveitar rotinas já existentes, como caminhar durante chamadas ou fazer exercícios enquanto escova os dentes. A mensagem é que, para quem não treina, o começo pode estar no que já se faz todos os dias.
É fácil passar o dia inteiro sentado: primeiro na mesa do trabalho, depois no carro ou no transporte público, em seguida algumas horas no sofá. Quando a pessoa percebe, já está jantando e não fez nenhum exercício. Diversos estudos globais associam esse estilo de vida sedentário a um risco maior de problemas graves de saúde, e reduzir o tempo parado traz benefícios gerais. O difícil, para muita gente, é encontrar tempo para isso.
É nesse ponto que entra o chamado exercício incidental, ou seja, o movimento que fazemos fora dos horários planejados de treino. Ele também é conhecido pela sigla NEAT, de "non-exercise activity thermogenesis" (termogênese por atividade física não associada ao exercício). Segundo Anantha Narayanan, pesquisador da Universidade de Tecnologia de Auckland, na Nova Zelândia, o conceito designa a energia gasta em atividades cotidianas que não envolvem dormir, comer ou se exercitar de propósito. Pode ser tão simples quanto balançar a perna sentado ou lavar a louça. Para Narayanan, movimentos menores, como mudar de postura, girar os ombros ou flexionar os pés, também contam.
O texto aponta que esse tipo de atividade vem se mostrando uma ferramenta poderosa: ajuda a queimar mais calorias, a reduzir o risco de doenças cardiovasculares e até o risco de morte. Narayanan explica o mecanismo no caso das pernas. Durante longos períodos sentados, os músculos ficam relativamente inativos, o que reduz as contrações regulares que ajudam a retirar glicose da corrente sanguínea e a manter a circulação saudável. Um estudo recente indica que mexer as pernas aumenta a atividade muscular e, assim, o gasto de calorias em relação a ficar parado. Um pequeno estudo constatou que balançar as pernas queima cerca de 16% mais energia do que permanecer sentado sem se mexer. Pesquisas anteriores sugerem ainda benefícios para a função dos vasos sanguíneos e para o controle do açúcar no sangue, e fazer o movimento em pé pode potencializá-los. Caminhar pode ser melhor, mas nem sempre é possível, e mexer as pernas serve num voo ou na mesa de trabalho.
A evidência mais ampla vem de um estudo de 2024 liderado por Nicholas Koemel, pesquisador sênior da Universidade Monash, na Austrália. Os pesquisadores analisaram dados de mais de 22 mil participantes do Reino Unido que usavam um dispositivo de rastreamento de movimento, numa amostra limitada a pessoas que não praticavam exercícios regularmente. Os voluntários foram acompanhados por oito anos. Apenas quatro minutos por dia de breves explosões de atividade, com menos de um minuto cada, ajudaram a compensar o risco cardiovascular ligado ao sedentarismo. Níveis mais altos de atividade incidental também compensaram os riscos de ficar sentado mais de 11 horas por dia. Pesquisas posteriores ligaram essa atividade a menor risco de morte prematura.
Koemel cita como exemplos subir lances de escada, carregar sacolas de compras pesadas ou brincar com crianças. Cozinhar, cuidar do jardim e passar aspirador de pó entram na mesma conta. Prestando atenção às oportunidades, diz ele, é possível elevar a intensidade: andar mais rápido até o destino, estacionar mais longe ou usar cesta em vez de carrinho no mercado.
Outra estratégia é "pegar carona" em hábitos que já existem, segundo Amanda Daley, professora de medicina comportamental da Universidade de Loughborough, no Reino Unido. Dá para fazer elevação de panturrilha enquanto escova os dentes, elevação de perna sob a mesa ou caminhar durante uma chamada. Na casa de Daley, as compras feitas online são entregues num armário próximo, e quem quer o produto precisa ir buscá-lo, o que também tira os adolescentes do quarto. Num estudo com médicos, mesas de trabalho em pé reduziram em cerca de duas horas por dia o tempo sentado, e a equipe notou que isso estimulou mais conversas com os pacientes sobre reduzir o sedentarismo.
Para Daley, a atividade ocasional é eficiente por não exigir muito tempo, e o importante é buscar abordagens menos intimidantes e mais fáceis. Koemel acrescenta que, quanto mais pequenas atividades a pessoa acumula, mais significativas elas se tornam com o tempo, o que pode motivar. A mensagem é que, para quem não treina, o ponto de partida pode estar na rotina que já existe.
Citações Notáveis
Movimentos menores, como mudar de postura, girar os ombros ou flexionar os pés, também contam.— Anantha Narayanan, Universidade de Tecnologia de Auckland
É importante encontrar abordagens que sejam menos intimidantes e mais fáceis de realizar.— Amanda Daley, Universidade de Loughborough