Mortos em protestos anticorrupção no Nepal sobem para 51 após uma semana de violência

51 mortos, incluindo 21 manifestantes, nove prisioneiros, três policiais e outras 18 pessoas; a esposa do ex-premiê Jhalanath Khanal sofreu queimaduras graves.
A renúncia do premiê não acalmou as ruas de Katmandu
Oli renunciou na terça-feira, mas multidões incendiaram prédios públicos e perseguiram políticos no mesmo dia.
Mark

Por que o número de 51 mortos chama tanta atenção?

Mimi

Porque a agitação é a pior em décadas no Nepal, e o número subiu depois que o primeiro-ministro já tinha renunciado.

Mark

A renúncia não resolveu nada?

Mimi

Não acalmou os ânimos. Na terça-feira, um dia depois dos 19 mortos nos confrontos, multidões queimaram prédios públicos e perseguiram políticos.

Luke

Vale notar que o balanço vem de um porta-voz da polícia. É uma fonte oficial só.

Mark

E as categorias de vítimas?

Mimi

São 21 manifestantes, nove prisioneiros, três policiais e 18 outras pessoas.

Luke

Esses 18 não têm explicação na reportagem. Também não se sabe como morreram os prisioneiros.

Mark

E o papel da Geração Z?

Mimi

Alguns líderes querem entrar nas negociações do novo gabinete e dizem que radicais usaram os protestos legítimos.

Luke

É uma afirmação deles; a reportagem não identifica quem seriam esses grupos.

Mark

O que vem a seguir?

Mimi

A formação do novo gabinete, num país com 14 governos desde a transição democrática.

  • Os confrontos desde segunda-feira já somam 51 mortos, na pior onda de violência do país em décadas.
  • Multidões invadiram e incendiaram prédios públicos em Katmandu e passaram a perseguir políticos até dentro de suas casas.
  • A residência do ex-premiê Jhalanath Khanal foi incendiada, e sua esposa segue internada em UTI com queimaduras graves.
  • Com Oli fora do cargo, a disputa agora gira em torno da formação de um novo gabinete e da sobrevivência de uma coalizão frágil.

Num país que carrega no próprio relevo a imagem de uma muralha entre gigantes, o Nepal vive uma de suas crises mais duras em décadas: protestos contra a corrupção e a promessa não cumprida de melhor governança deixaram 51 mortos desde a segunda-feira, 8 de setembro. A renúncia do primeiro-ministro K.P. Sharma Oli, que deveria ter aberto caminho para a calma, não bastou para conter a fúria acumulada, herdeira de uma nação que, após guerra civil e abolição da monarquia, ainda não viu a vida cotidiana mudar na mesma medida que suas instituições. O que se desenha agora é uma pergunta de fundo: haverá um novo governo capaz de sustentar uma coalizão já desgastada por rivalidades?

Na sexta-feira, o porta-voz da polícia do Nepal, Binod Ghimire, atualizou o balanço de uma semana de violência: 51 pessoas morreram nos protestos anticorrupção que sacodem o país. Entre os mortos estão 21 manifestantes, nove prisioneiros, três policiais e outras 18 pessoas, sem identificação detalhada pela fonte.

A escalada começou na segunda-feira, 8, quando confrontos com a polícia deixaram ao menos 19 mortos. No dia seguinte, o primeiro-ministro K.P. Sharma Oli renunciou, mas a saída não trouxe paz às ruas. Na terça-feira, a raiva explodiu em Katmandu: multidões invadiram e incendiaram prédios públicos e caçaram políticos nas ruas e dentro de suas casas. Vídeos de espancamentos se espalharam nas redes. A esposa do ex-premiê Jhalanath Khanal ficou gravemente queimada quando manifestantes atearam fogo à casa do casal e segue em UTI.

O descontentamento é antigo. O Nepal saiu da monarquia para a república e atravessou uma guerra civil, mas a vida da população mudou pouco. Desde a democracia parlamentar, já teve 14 governos. A coalizão no poder dependia de um acordo para alternar o comando até 2027, ameaçado por rivalidades pessoais. Agora, a questão é quem comandará o novo gabinete e se a aliança conseguirá sobreviver à crise.

Na sexta-feira, um porta-voz da polícia do Nepal, Binod Ghimire, atualizou o balanço de uma semana de violência nas ruas: 51 pessoas morreram nos protestos anticorrupção que sacodem o país. Segundo ele, entre as vítimas estão 21 manifestantes, nove prisioneiros, três policiais e outras 18 pessoas, sem que a fonte detalhe quem seriam estas últimas.

A agitação é descrita como a pior em décadas no país do Himalaia, encravado entre a Índia e a China, que convive com instabilidade política e incerteza econômica desde que protestos levaram à abolição da monarquia, em 2008.

A escalada se intensificou na segunda-feira (8), quando confrontos com a polícia mataram ao menos 19 pessoas. No dia seguinte, o primeiro-ministro K.P. Sharma Oli renunciou ao cargo. A saída, porém, não acalmou as ruas.

Foi justamente na terça-feira que a violência explodiu em Katmandu, a capital. Multidões invadiram e incendiaram prédios públicos e passaram a perseguir políticos nas ruas e dentro de suas casas. Várias cenas de espancamentos circularam nas redes sociais. A esposa do ex-primeiro-ministro Jhalanath Khanal sofreu queimaduras graves quando manifestantes incendiaram a residência do casal, e está internada em uma UTI.

Entre as lideranças da chamada "Geração Z", que querem participar das negociações para a formação de um novo gabinete, alguns integrantes passaram a declarar que protestos legítimos foram aproveitados por grupos radicais.

O descontentamento é antigo e se alimenta da lentidão no cumprimento de promessas de melhora na governança. Em poucas décadas, o Nepal passou da monarquia à república, mas a condição social da população mudou pouco. O país viveu uma guerra civil entre 1996 e 2006, depois que o Partido Comunista do Nepal, de linha maoísta, iniciou uma rebelião armada contra a monarquia. A insurgência terminou com um acordo de paz abrangente em novembro de 2006, e dois anos depois foi estabelecida uma república democrática federal.

Desde a transição para a democracia parlamentar, o Nepal já teve 14 governos. A coalizão de centro-esquerda que estava no poder tinha um acordo com partidos menores para alternar o comando até 2027, mas analistas avaliavam que a união seguia ameaçada por rivalidades e ambições pessoais de seus líderes, empenhados em preservar influência.

Com o premiê fora do cargo e as ruas ainda tensas, o que se observa agora é como será formado o novo gabinete e se a frágil coalizão sobrevive à crise.

O número de mortos subiu para 51, entre eles 21 manifestantes, nove prisioneiros e três policiais.
— Binod Ghimire, porta-voz da polícia do Nepal
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