Modelo do SUS para adaptação climática será apresentado na COP31, em Antália

A crise climática é, sobretudo, uma crise de saúde pública
Padilha defende que a saúde seja o tema mais mobilizador na agenda climática da COP31.
Mark

Qual é a ideia central que o Brasil leva a Antália?

Mimi

Que o SUS já está sendo reformado para enfrentar o clima. O AdaptaSUS prevê R$ 9,8 bilhões até 2035, com 2.795 unidades básicas resilientes e 4.056 ambulâncias do SAMU.

Mark

E a Força Nacional do SUS entra onde?

Mimi

Como resposta de emergência. Foram 104 missões em 25 estados nos últimos quatro anos, e a maior foi no Rio Grande do Sul, após as enchentes de 2024.

Luke

Esses números são do próprio governo, apresentados pelo ministro. A reportagem não traz avaliação independente de quantas unidades já foram concluídas.

Mimi

Verdade. O texto fala em obras viabilizadas e entregas, sem separar o que está pronto do que está previsto.

Mark

E o financiamento?

Mimi

Na COP30 foram anunciados US$ 300 milhões. Agora o ministro espera uma mesa para apresentar os programas aprovados.

Luke

Isso é expectativa, não fato consumado. Os anúncios de novos recursos são esperados, não confirmados.

Mark

As bases novas ajudam o Nordeste?

Mimi

Sim, Recife e Fortaleza estão entre as quatro que devem abrir até o fim do ano.

Luke

Devem abrir, segundo o ministro. O prazo ainda precisa ser cumprido.

  • Um plano de R$ 9,8 bilhões até 2035 quer tornar resilientes 2.795 unidades básicas de saúde e colocar 4.056 novas ambulâncias do SAMU nas ruas.
  • A Força Nacional do SUS já percorreu 25 estados com 2.423 profissionais e 86.918 atendimentos, mas a memória das enchentes gaúchas de 2024 pesa sobre cada missão.
  • Cinco novas bases regionais já funcionam em Rio de Janeiro, Salvador, Manaus, Porto Velho e Porto Alegre, e outras quatro devem entrar em operação até o fim do ano.
  • Os CISCs prometem antecipar riscos como El Niño, mas a política dependerá de financiamento: a meta é captar os US$ 300 milhões anunciados na COP30.
  • Antes de Antália, o país disputa apoio internacional com o Grupo Baku e com o Plano de Ação em Saúde de Belém, já endossado por 40 países.

Entre 9 e 20 de novembro, em Antália, na Turquia, o Brasil leva à COP31 uma resposta que nasce dentro do próprio Sistema Único de Saúde: transformar suas unidades em abrigos resilientes diante de um clima que já adoece as pessoas. Como lembrou o ministro Alexandre Padilha, a crise climática é antes de tudo uma crise de saúde pública, e é nesse terreno, mais próximo da vida cotidiana, que a sociedade tende a se mobilizar. O país apresenta, assim, um caminho que une investimento de longo prazo, resposta emergencial e vigilância do clima, na esperança de que a experiência local sirva de referência para outras nações.

Entre os dias 9 e 20 de novembro, a cidade turca de Antália recebe a COP31, e o Brasil chega com uma proposta que começa dentro de casa: adaptar o Sistema Único de Saúde para que suas unidades acolham a população diante dos efeitos do clima. O ministro Alexandre Padilha, que detalhou o plano, defende que a saúde é o tema mais capaz de mobilizar a sociedade, tanto para conter as mudanças climáticas quanto para preparar os serviços que já estão na linha de frente.

O eixo central é o AdaptaSUS, com R$ 9,8 bilhões previstos até 2035. Ele financia 2.795 unidades básicas resilientes, 4.056 novas ambulâncias do SAMU, 783 soluções de água potável em Terras Indígenas e 20,8 mil cisternas no semiárido.

A Força Nacional do SUS, criada em 2011, também será apresentada como modelo de resposta rápida. Nos últimos quatro anos, atendeu 86.918 pessoas em 25 estados, e sua maior missão foi no Rio Grande do Sul, após as enchentes de 2024, onde 763 profissionais realizaram quase 30 mil atendimentos. Para chegar a todas as regiões, o programa ganhou bases próprias, cinco já em funcionamento e quatro previstas até o fim do ano.

Ainda na pauta estão os Centros de Informação em Saúde e Clima, que monitoram ar, água, temperatura e eventos extremos para antecipar riscos. No plano internacional, o Brasil busca reforço de cooperação e financiamento pelo Grupo Baku e pelo Plano de Ação em Saúde de Belém, que já reúne 40 países. Padilha espera que a COP31 apresente os programas que receberão os recursos anunciados em Belém e um documento orientativo para que outros países busquem financiamento para seus próprios sistemas de saúde.

Entre os dias 9 e 20 de novembro, a cidade turca de Antália recebe a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP31. Na bagagem da delegação brasileira vai uma estrutura montada no país para lidar com os efeitos do clima sobre a saúde das pessoas: as mudanças feitas no Sistema Único de Saúde, o SUS, para que suas unidades sejam espaços de acolhimento adaptados e resilientes.

Quem detalhou o plano foi o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em coletiva sobre a preparação do Brasil para o encontro. Para ele, a crise climática é, sobretudo, uma crise de saúde pública, e a saúde talvez seja o tema mais sensível e mais capaz de mobilizar a sociedade, tanto para evitar as mudanças climáticas quanto para adaptar os sistemas de atenção.

O eixo central é o AdaptaSUS, programa com investimentos de R$ 9,8 bilhões até 2035. Ele viabiliza a construção de 2.795 unidades básicas de saúde resilientes e a entrega de 4.056 novas ambulâncias do SAMU. Também prevê 783 soluções de água potável em Terras Indígenas e a implantação de 20,8 mil cisternas no semiárido do Nordeste e do Sudeste.

Outro item da pauta é a Força Nacional do SUS, criada em 2011, que será apresentada como modelo de resposta emergencial, sobretudo para reforçar equipamentos de saúde já existentes. Só nos últimos quatro anos, 25 estados receberam 2.423 profissionais, que fizeram 86.918 atendimentos em 104 missões. A maior delas foi no Rio Grande do Sul, após as enchentes de 2024: 763 profissionais realizaram 29.019 atendimentos.

Para descentralizar esse apoio, foram criadas cinco novas bases da Força Nacional, de modo a alcançar as quatro regiões além do Centro-Oeste, já atendido a partir da capital federal. Funcionam hoje as bases do Rio de Janeiro, Salvador, Manaus, Porto Velho e Porto Alegre. Até o fim do ano, entram em operação mais quatro, em Recife, Fortaleza, Campo Grande e Belém.

O Brasil também apresentará os Centros de Informação em Saúde e Clima, os CISCs. Eles monitoram a qualidade do ar e da água, variações de temperatura e eventos extremos, para antecipar riscos, identificar vulnerabilidades e preparar o sistema para os efeitos de cada ocorrência. Padilha deu o exemplo do El Niño, que tem impactos regionais distintos no país, e cuja compreensão é fundamental para a preparação e a resposta.

Na agenda internacional, o país quer reforçar a cooperação global e o financiamento climático por meio do Grupo Baku, coalizão de clima e saúde que reúne os presidentes das últimas COPs: Brasil, Azerbaijão, Egito, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido. Segundo o ministro, Austrália e Turquia também entraram e já têm uma agenda de atividades em curso antes da conferência.

Há ainda o Plano de Ação em Saúde de Belém, lançado na COP30 para reunir países em torno da adaptação e do fortalecimento da atenção a populações vulneráveis. Em um ano, foi endossado por 40 países, tem o apoio de 50 organizações e reúne mais de 60 ações. Na COP30 foram anunciados US$ 300 milhões para projetos na área, e o Brasil inscreveu propostas de universidades e organizações sociais, entre elas para melhorar o monitoramento da qualidade do ar.

Padilha espera que a COP31 tenha uma mesa, da qual participará, para apresentar os programas aprovados para receber esses US$ 300 milhões. Também são esperados anúncios de novos financiamentos e a entrega de um documento orientativo para que países busquem recursos de agências internacionais e bancos de fomento para adaptar seus sistemas de saúde.

A crise climática é, sobretudo, uma crise de saúde pública.
— Alexandre Padilha, ministro da Saúde
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