Missão OSIRIS-REx refina trajetória do asteroide Bennu e reduz incertezas sobre risco de impacto

O efeito em Bennu equivale ao peso de três uvas agindo o tempo todo
Steve Chesley descreve a força minúscula que, ao longo de séculos, altera a trajetória do asteroide.
Mark

Qual é a notícia principal aqui?

Mimi

Os dados da OSIRIS-REx permitiram calcular a órbita de Bennu com alta certeza até 2135 e rastrear seus movimentos até 2300. O risco de impacto até 2300 é de 1 em 1.750.

Mark

E os tais buracos de fechadura?

Mimi

São regiões do espaço onde a gravidade da Terra poderia ajustar a órbita do asteroide para uma colisão futura. Eram 26 possíveis; agora, só dois preocupam.

Luke

Vale separar o que é medido do que é projetado. A alta certeza vale até 2135. Depois disso, o que há são probabilidades, como 1 em 2.700 para 24 de setembro de 2182.

Mark

Então por que a Nasa diz que não há motivo de preocupação?

Mimi

Farnocchia afirma que há 99,94% de chance de não existir trajetória de impacto. É a avaliação dele e da equipe, publicada na Icarus.

Luke

Exato, é a estimativa de um grupo de pesquisa. O texto não traz revisão independente, e não diz o que acontece nos dois buracos restantes.

Mark

E o efeito Yarkovsky?

Mimi

É um pequeno impulso causado pelo calor do Sol. Em Bennu, equivale ao peso de três uvas, mas pesa no longo prazo.

Luke

E há incógnitas: a ejeção de partículas pela superfície surpreendeu a equipe e pode influenciar a órbita. O texto não quantifica esse efeito.

  • Um asteroide do tamanho de um estádio pode cruzar o caminho da Terra em datas distantes, e a dúvida sobre isso ainda pairava sobre os cientistas.
  • A sonda OSIRIS-REx mapeou Bennu com tanta precisão que a equipe admitiu nunca ter modelado a órbita de um corpo assim com tal certeza.
  • Dos 26 'buracos de fechadura' gravitacionais que antes assustavam os pesquisadores, restaram apenas dois que merecem atenção.
  • A probabilidade de colisão caiu para cerca de 0,06%, e a Nasa segue vigiando a órbita nos próximos anos para confirmar a trajetória.

Há certos movimentos no céu que parecem distantes da vida cotidiana, mas que pesam sobre o futuro de todos nós. Depois de mais de dois anos acompanhando de perto o asteroide Bennu, a sonda OSIRIS-REx da Nasa permitiu que cientistas desenhassem sua trajetória até o século 23 com uma precisão inédita. O resultado acalma a imaginação: a chance de que Bennu atinja a Terra até 2300 é de 1 em 1.750, e os pesquisadores veem o risco como baixo. Ainda assim, a humanidade aprende aqui que conhecer o cosmos é também aprender a viver com incertezas que diminuem, mas nunca desaparecem por completo.

Durante mais de dois anos, a sonda OSIRIS-REx, da Nasa, orbitou o asteroide Bennu. Chegou ao corpo celeste em dezembro de 2018, recolheu uma amostra da superfície e partiu em maio de 2021, com previsão de retorno à Terra em setembro de 2023. O que ela enviou de volta mudou a maneira como os cientistas preveem o futuro do asteroide.

Com os dados em mãos, a equipe conseguiu rastrear os movimentos de Bennu até 2300 e reduzir as incertezas sobre sua órbita. O estudo, publicado na revista Icarus, indica 1 chance em 1.750 de impacto até lá. A aproximação de 2135 não é perigosa em si, mas a gravidade terrestre alterará a órbita do asteroide e pode influenciar riscos futuros.

O centro da descoberta são os chamados buracos de fechadura gravitacionais, regiões onde a gravidade de um planeta pode desviar um asteroide para uma rota de colisão. Antes, os cientistas temiam 26 desses pontos; agora, há apenas dois. Davide Farnocchia, autor principal do estudo, afirmou que a probabilidade de colisão é mínima, com 99,94% de chance de não haver trajetória de impacto.

A pesquisa também mediu o efeito Yarkovsky, pequeno impulso causado pelo aquecimento e resfriamento do asteroide ao girar, equivalente ao peso de três uvas. Kelly Fast, da Nasa, e Dante Lauretta, pesquisador principal da missão, celebraram o resultado. A agência seguirá observando Bennu nos próximos anos.

Durante mais de dois anos, a sonda OSIRIS-REx, da Nasa, circulou o asteroide Bennu, e o que ela mandou de volta mudou a forma como os cientistas calculam o futuro dele. A missão chegou ao asteroide em dezembro de 2018 e partiu em maio de 2021, levando uma amostra recolhida da superfície. A amostra deve chegar à Terra em setembro de 2023.

Os dados da sonda permitiram rastrear com precisão os movimentos de Bennu até o ano de 2300 e reduziram as incertezas sobre sua órbita futura. Um estudo baseado nessas descobertas foi publicado na revista Icarus. Segundo ele, o asteroide tem 1 chance em 1.750 de atingir a Terra até 2300. Sua próxima aproximação do planeta será em 2135, e a mais significativa acontecerá em 24 de setembro de 2182, com 1 chance em 2.700 de impacto naquele dia. Os pesquisadores concordam que o risco é baixo.

Bennu tem formato de peão, cerca de 500 metros de largura, e é formado por rochas mantidas unidas pela gravidade. A aproximação de 2135 não é perigosa em si. Mas a trajetória exata importa porque a gravidade da Terra vai alterar a órbita do asteroide em torno do Sol, o que pode afetar as chances de impacto depois disso.

O ponto central do estudo são os chamados buracos de fechadura gravitacionais: pequenas regiões do espaço onde a gravidade de um planeta pode alterar a órbita de um asteroide que passa. Davide Farnocchia, do Centro de Estudos de Objetos Próximos à Terra da Nasa, sediado no Jet Propulsion Laboratory, em Pasadena, na Califórnia, e autor principal do estudo, explicou que a gravidade terrestre ajustaria o movimento na medida certa para colocar Bennu em rota de colisão numa data posterior do século 22. Antes, os cientistas temiam que Bennu pudesse atravessar 26 desses buracos. Agora, preocupam-se com apenas dois.

Farnocchia disse que a equipe nunca havia modelado a trajetória de um asteroide com tal precisão, e que ela é calculada com alto grau de certeza até 2135. Ele ressalta que a probabilidade de impacto é muito pequena: há 99,94% de chance de que não exista trajetória de colisão, e, portanto, nenhum motivo específico de preocupação.

O estudo também mediu o efeito Yarkovsky. Ao orbitar o Sol, o asteroide aquece e esfria repetidamente enquanto gira, libera energia e recebe um pequeno impulso. Steve Chesley, cientista sênior do Jet Propulsion Laboratory e coautor, afirmou que o efeito atua em asteroides de todos os tamanhos, mas só havia sido medido de longe para uma pequena fração deles. Em Bennu, equivale ao peso de três uvas agindo constantemente, o que é minúsculo, mas relevante para as chances de impacto ao longo de décadas e séculos.

Outras forças também mexem na órbita: a gravidade do Sol, de planetas, luas e outros asteroides, a poeira do sistema solar e o vento solar. Durante a missão, a equipe se surpreendeu ao ver a superfície de Bennu ejetando partículas no espaço, o que também pode influenciar o movimento.

Kelly Fast, gerente do programa de observação de objetos próximos à Terra, na sede da Nasa em Washington, disse que a missão foi uma oportunidade extraordinária para refinar e testar os modelos orbitais. Dante Lauretta, pesquisador principal da OSIRIS-REx e professor da Universidade do Arizona, chamou o resultado de incrível. A Nasa continuará observando a órbita de Bennu nos próximos anos.

Há uma probabilidade de 99,94% de que não haja uma trajetória de impacto. Não há motivo específico para preocupação.
— Davide Farnocchia, Centro de Estudos de Objetos Próximos à Terra da Nasa
Nunca modelamos a trajetória de um asteroide com essa precisão antes.
— Davide Farnocchia
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