Em um momento em que a sociedade começa a cobrar das plataformas digitais a responsabilidade pelo bem-estar de suas gerações mais jovens, a Meta concordou em pagar até US$ 18 bilhões a 29 estados americanos por práticas que, segundo as acusações, cultivaram deliberadamente a dependência de adolescentes. O acordo, que não implica admissão de culpa, estabelece tanto um conjunto inédito de proteções para menores quanto uma condição singular: parte do pagamento só se concretiza se YouTube e TikTok seguirem o mesmo caminho. É um sinal de que a era da autorregulação silenciosa das grandes plataforma
Meta pagará US$ 18 bi, mas valor integral depende de acordos do YouTube e TikTok
Pagamento integral depende de YouTube e TikTok também fecharem acordos
Por que a Meta condiciona o pagamento integral a acordos do YouTube e TikTok? Parece estranho.
A Meta está argumentando que se ela pagar a multa inteira sozinha enquanto seus concorrentes não fazem o mesmo, fica em desvantagem competitiva. É uma forma de pressionar os outros para que também façam concessões.
Mas isso assume que YouTube e TikTok serão processados e chegarão a acordos similares. O que acontece se não chegarem? A Meta fica retendo US$ 5,3 bilhões indefinidamente?
Tecnicamente sim, embora provavelmente haja cláusulas sobre prazos. Mas é um risco real — a Meta está apostando que a pressão política vai forçar as outras plataformas a negociar.
E quanto às restrições que a Meta vai implementar? Duas horas por dia parece significativo.
É bastante restritivo comparado ao uso atual. Mas a questão é se adolescentes vão realmente respeitar esses limites ou simplesmente usar contas de amigos, criar contas falsas ou migrar para outras plataformas.
Exatamente. O acordo não aborda a verificação de idade de forma robusta — a Meta diz que vai implementar medidas, mas não especifica como. Verificação de idade é tecnicamente muito difícil sem dados biométricos invasivos.
Então as restrições podem ser facilmente contornadas?
Potencialmente. E há outra questão: a Meta não admitiu irregularidades. Isso significa que, legalmente, não está reconhecendo que desenvolveu deliberadamente recursos viciantes.
Isso é importante. Os outros processos federais ainda acusam exatamente isso — design deliberado para dependência. Este acordo não resolve essa questão de fundo.
Il Polso
- Após um julgamento iniciado em 12 de agosto, a Meta cedeu à pressão coletiva de 29 estados e aceitou um acordo bilionário que reconhece, ao menos implicitamente, o dano causado a adolescentes por suas plataformas.
- A estrutura do pagamento cria uma tensão incomum: 30% do valor — cerca de US$ 5,3 bilhões — está condicionado a que YouTube e TikTok adotem restrições similares e paguem valores equivalentes, transformando o acordo em uma aposta sobre o comportamento dos concorrentes.
- Para os jovens usuários, o acordo traz mudanças concretas: limite de duas horas diárias combinadas no Facebook e Instagram, bloqueio noturno, silêncio de notificações em horário escolar e alertas a cada quinze minutos de uso contínuo.
- Apesar do acordo histórico, a Meta permanece exposta a outras ações federais e estaduais que a acusam de ter projetado intencionalmente recursos viciantes — o que significa que a batalha jurídica sobre o design das plataformas está longe de terminar.
Em um momento em que a sociedade começa a cobrar das plataformas digitais a responsabilidade pelo bem-estar de suas gerações mais jovens, a Meta concordou em pagar até US$ 18 bilhões a 29 estados americanos por práticas que, segundo as acusações, cultivaram deliberadamente a dependência de adolescentes. O acordo, que não implica admissão de culpa, estabelece tanto um conjunto inédito de proteções para menores quanto uma condição singular: parte do pagamento só se concretiza se YouTube e TikTok seguirem o mesmo caminho. É um sinal de que a era da autorregulação silenciosa das grandes plataformas pode estar chegando ao fim — mas o desfecho ainda depende de escolhas que estão além das mãos da Meta.
A Meta chegou a um acordo de US$ 18 bilhões com 29 estados americanos para encerrar processos que a acusavam de incentivar a dependência de adolescentes em suas redes sociais. O julgamento havia começado em 12 de agosto, reunindo ações iniciadas em 2023. Ao aceitar o acordo, a empresa de Mark Zuckerberg não admitiu irregularidades, e os recursos deverão financiar iniciativas de segurança online para jovens.
A estrutura de pagamento é incomum. Setenta por cento do valor — cerca de US$ 12,7 bilhões — será pago em parcelas ao longo de dez anos. Os 30% restantes, aproximadamente US$ 5,3 bilhões, só serão liberados se YouTube e TikTok também adotarem restrições similares para adolescentes e pagarem valores equivalentes aos estados. A Meta dividiu essa parcela condicionada igualmente entre os dois concorrentes.
Além da multa, a empresa comprometeu-se a implementar por dez anos um conjunto abrangente de proteções para usuários menores de 18 anos nos Estados Unidos. Adolescentes terão limite de duas horas diárias combinadas no Facebook e Instagram, com bloqueio entre meia-noite e seis da manhã e silêncio de notificações em horário escolar. A cada quinze minutos de uso contínuo, receberão avisos. Filtros de cirurgia plástica e maquiagem extrema serão desativados, e as contas serão privadas por padrão.
O acordo também encerrou processos relacionados ao escândalo Cambridge Analytica movidos por Califórnia, Illinois, Novo México e Washington, D.C., com pagamento adicional de US$ 459,3 milhões a esses quatro estados — muito abaixo dos até US$ 1,4 trilhão que a Meta afirmou que eles buscavam.
Ainda assim, o acordo não encerra a exposição legal da empresa. A Meta continua a enfrentar ações em tribunais federais e estaduais que a acusam de ter desenvolvido deliberadamente recursos para aumentar o tempo de uso por crianças e adolescentes, contribuindo para problemas de saúde mental. A questão central — se o design das plataformas foi intencionalmente viciante — permanece em aberto nos tribunais.
A Meta, proprietária do Facebook, Instagram e WhatsApp, chegou a um acordo de US$ 18 bilhões com estados americanos para encerrar processos judiciais que a acusam de incentivar a dependência de adolescentes em suas plataformas. O valor, porém, carrega uma condição inusitada: será pago integralmente apenas se YouTube e TikTok também fecharem acordos similares com os mesmos estados.
O acordo encerra ações movidas por 29 estados americanos e representa um dos maiores testes até agora das acusações de que redes sociais prejudicam crianças e adolescentes. O julgamento havia começado em 12 de agosto e reunia ações judiciais iniciadas em 2023. Ao aceitar o acordo, a empresa de Mark Zuckerberg não admitiu ter cometido irregularidades. Os recursos, segundo a Meta, devem financiar atividades de segurança online para jovens e outras prioridades estaduais.
A estrutura de pagamento é complexa. Setenta por cento do valor — aproximadamente US$ 12,7 bilhões — será dividido em parcelas ao longo de dez anos. Os trinta por cento restantes, cerca de US$ 5,3 bilhões, só serão liberados se duas condições forem atendidas: que YouTube e TikTok implementem restrições similares para adolescentes, incluindo limite diário de uma hora de uso, modo noturno e verificação de idade; e que ambas as plataformas paguem, cada uma, um valor equivalente a essa parcela de trinta por cento. A Meta exige que metade desses recursos restantes esteja vinculada ao pagamento do YouTube e a outra metade ao do TikTok.
Além da multa, a Meta concordou em adotar um conjunto abrangente de novas regras para usuários menores de 18 anos no Facebook e Instagram nos Estados Unidos, medidas que deverão ser mantidas por dez anos. Adolescentes poderão passar apenas duas horas por dia nas duas plataformas combinadas, com o limite desativável apenas com autorização dos pais. Os aplicativos serão bloqueados entre meia-noite e seis da manhã, e as notificações serão silenciadas entre oito da manhã e três da tarde. A cada quinze minutos de uso contínuo, adolescentes receberão avisos, com lembretes adicionais aos sessenta e noventa minutos. Os usuários poderão optar por um feed sem personalização baseada no sistema de recomendações da Meta, desativar a reprodução automática de vídeos e não verão, por padrão, o número de curtidas nas publicações. Filtros de cirurgia plástica e maquiagem extrema serão desativados. A Meta implementará verificação de idade para remover crianças menores de treze anos, usará classificações de filmes para garantir conteúdo apropriado por faixa etária, definirá contas como privadas por padrão para evitar contato indesejado de estranhos e oferecerá mecanismos simples para denunciar conteúdos inadequados.
O acordo também encerra processos movidos por Califórnia, Illinois, Novo México e Washington, D.C., relacionados ao escândalo Cambridge Analytica, quando a empresa de consultoria coletou dados pessoais de milhões de usuários do Facebook. Esses quatro estados receberão US$ 459,3 milhões para encerrar essas ações específicas. Em um documento apresentado antes do julgamento, a Meta afirmou que os quatro estados buscavam multas de até US$ 1,4 trilhão. Os estados não divulgaram um valor específico, mas disseram antes do início do julgamento que a quantia estaria mais próxima de US$ 200 bilhões, além de pedirem indenizações adicionais e mudanças nas plataformas, incluindo medidas para impedir que crianças criassem contas.
Apesar do acordo, a Meta ainda enfrenta outras ações em tribunais federais e estaduais dos EUA. Nessas ações, a empresa é acusada de desenvolver deliberadamente recursos para aumentar o tempo que crianças e adolescentes passam nas plataformas, provocando dependência e contribuindo para problemas de saúde mental. O acordo de agora, portanto, não encerra a exposição legal da empresa, deixando em aberto a questão de como os tribunais avaliarão as acusações de design intencional voltado à dependência.
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O dinheiro deve ser usado para financiar atividades de segurança online para jovens e outras prioridades estaduais— Meta, sobre o uso dos recursos do acordo