Meta é acusada de usar recursos como reprodução automática e notificações frequentes para manter jovens conectados, enquanto escondia riscos conhecidos das plataformas. Os Estados buscam bilhões em indenização e exigem mudanças estruturais, incluindo verificação parental, alteração de algoritmos e remoção de filtros que modificam aparência.
Meta enfrenta julgamento que pode reformular Facebook e Instagram para jovens
A Meta sabia que crianças menores de 13 anos usavam suas plataformas
Por que este julgamento é considerado tão diferente dos outros que a Meta já enfrentou?
Porque não é apenas sobre dinheiro. Multas, a Meta pode pagar. Mas se perder aqui, a empresa pode ser obrigada a redesenhar fundamentalmente como suas plataformas funcionam para crianças e adolescentes. Isso toca na arquitetura do negócio.
Os documentos internos parecem ser a peça-chave. O que eles mostram exatamente?
Que a Meta sabia. Sabia que crianças menores de 13 anos estavam usando Instagram apesar das restrições. Sabia que seus recursos mantinham as pessoas presas. E sabia dos riscos. Não é uma questão de negligência — é uma questão de conhecimento e ação deliberada.
A Meta diz que já tem controles parentais e ferramentas de bem-estar. Por que a acusação não acredita nisso?
Porque, segundo a acusação, essas ferramentas foram criadas principalmente para melhorar a imagem pública da empresa, não para reduzir efetivamente o uso. É a diferença entre um gesto e uma solução real.
Mark Zuckerberg vai testemunhar. O que ele pode dizer que mude o resultado?
Provavelmente pouco que não tenha sido dito antes. O que importa é se os documentos internos contradizem suas palavras. Se mostram que ele sabia de coisas que negou publicamente, isso é devastador.
Se a Meta perder, qual é o cenário mais provável?
Mudanças estruturais nas plataformas para menores de idade — verificação parental obrigatória, algoritmos diferentes, sem Stories, sem reprodução automática. Basicamente, um Instagram e Facebook muito menos viciantes, o que significa menos tempo de uso, menos dados coletados, menos publicidade direcionada.
E isso afetaria outras empresas de tecnologia também?
Absolutamente. Seria um precedente. Se a Meta é obrigada a mudar, TikTok, YouTube, Snapchat — todas teriam que repensar como servem menores. É por isso que este julgamento importa além da Meta.
Il Polso
- 29 Estados americanos movem ação contra a Meta em tribunal federal na Califórnia
- Documentos internos mostram que 20% das crianças de 11 anos e 30% das de 12 anos nos EUA usavam Instagram
- Estados exigem bilhões em indenização e mudanças estruturais nas plataformas
- Julgamento deve durar entre 6 e 8 semanas, com testemunhas incluindo Mark Zuckerberg
Meta é acusada de usar recursos como reprodução automática e notificações frequentes para manter jovens conectados, enquanto escondia riscos conhecidos das plataformas. Os Estados buscam bilhões em indenização e exigem mudanças estruturais, incluindo verificação parental, alteração de algoritmos e remoção de filtros que modificam aparência.
Tribunal federal da Califórnia inicia julgamento contra Meta movido por 29 Estados americanos que acusam a empresa de desenvolver plataformas deliberadamente viciantes para crianças e adolescentes, violando leis de proteção infantil.
Um tribunal federal na Califórnia abriu as portas nesta terça-feira para o que pode ser um dos julgamentos mais consequentes já enfrentados pela Meta. Vinte e nove Estados americanos estão em juízo contra a gigante das redes sociais, acusando-a de ter construído deliberadamente plataformas viciantes para crianças e adolescentes, violando leis federais e estaduais de proteção infantil. A juíza Yvonne Gonzalez Rogers, que já presidiu disputas envolvendo outras grandes empresas de tecnologia, conduzirá o caso no tribunal de Oakland. O que está em jogo vai além de uma multa: os Estados exigem bilhões de dólares em indenização e mudanças estruturais profundas em como o Facebook e o Instagram funcionam para usuários menores de idade.
A ação começou em outubro de 2023, mas suas raízes estão em revelações anteriores que abalaram a confiança pública na empresa. Frances Haugen, ex-gerente de produto do Facebook, testemunhou ao Congresso americano que a Meta sabia que seus produtos, particularmente o Instagram, estavam prejudicando jovens. Suas declarações desencadearam investigações em vários Estados, que posteriormente se uniram nesta ação conjunta. A Meta tentou impedir o avanço do processo ou dividi-lo em julgamentos menores, mas não conseguiu. Agora, quatro Estados — Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey — apresentam seus argumentos diante do tribunal.
Os acusadores argumentam que a Meta violou a Lei de Proteção da Privacidade Online de Crianças (COPPA), uma lei federal que protege menores de 13 anos de práticas predatórias na internet. Segundo a acusação, a empresa projetou recursos específicos para manter crianças e adolescentes presos às plataformas pelo máximo de tempo possível: reprodução automática de vídeos, Stories do Instagram, notificações frequentes que os chamam de volta aos aplicativos. Os Estados afirmam ainda que a Meta enganou consumidores sobre a segurança de suas plataformas para usuários jovens e coletou dados pessoais de crianças de forma inadequada. Documentos internos apresentados no primeiro dia de julgamento revelam que a Meta sabia que crianças menores de 13 anos usavam suas plataformas apesar das próprias restrições de idade da empresa — cerca de 20% das crianças de 11 anos e 30% das de 12 anos nos Estados Unidos estavam no Instagram.
Megan O'Neill, procuradora-geral adjunta da Califórnia, abriu a acusação descrevendo como a Meta teria desenvolvido recursos para "fisgar" usuários, mantê-los nas plataformas, coletar seus dados e esconder os riscos. Ela argumentou que enquanto a Meta afirmava ao Congresso, aos usuários e aos pais que Instagram e Facebook eram seguros para crianças, internamente conhecia e ocultava os riscos. O'Neill também criticou as ferramentas de controle de tempo de uso, dizendo que serviam mais para melhorar a imagem pública da empresa do que para reduzir efetivamente o uso. A defesa da Meta, representada pelo advogado Paul Schmidt, começou a apresentar sua versão, argumentando que a empresa já reconhecia publicamente preocupações sobre o uso das redes sociais e havia criado ferramentas para ajudar usuários a administrar o tempo gasto nos aplicativos.
Os Estados não estão apenas buscando compensação financeira. Eles exigem mudanças substanciais nas operações das plataformas, especialmente para usuários jovens. Entre as alterações solicitadas estão a implementação de verificação parental para adolescentes, mudanças nos algoritmos de recomendação que supostamente estimulam a liberação de dopamina, remoção de filtros de imagem que modificam a aparência das pessoas, fim da reprodução automática de vídeos, proibição de múltiplas contas e eliminação de postagens que desaparecem como os Stories. Essas exigências refletem uma visão de que a arquitetura das plataformas em si foi concebida para explorar vulnerabilidades psicológicas de menores.
A Meta nega veementemente todas as acusações. Uma porta-voz da empresa afirmou que a Meta "discorda veementemente" das alegações e está confiante de que as evidências demonstrarão seu "compromisso de longa data com o apoio aos jovens". A empresa aponta para medidas que já implementou: controles parentais, recursos de segurança e configuração de contas de adolescentes como privadas por padrão. O advogado da defesa também citou uma publicação de 2019 em que a Meta reconheceu publicamente preocupações relacionadas ao uso problemático das plataformas.
O julgamento deve durar entre seis e oito semanas. Entre as testemunhas esperadas estão Mark Zuckerberg, fundador e presidente-executivo da Meta, Adam Mosseri, chefe do Instagram há oito anos, e Arturo Béjar, ex-diretor de engenharia do Facebook que se tornou denunciante da empresa. A Meta já enfrentou processos anteriores relacionados à proteção de crianças, incluindo um em 2020 que resultou em uma multa de 5 bilhões de dólares — a maior já aplicada à empresa por questões de segurança infantil — e outro em março de 2024 em Los Angeles, onde um júri concluiu que a Meta poderia ser responsabilizada por desenvolver plataformas viciantes. Este novo julgamento, porém, é considerado uma das maiores ameaças às operações da empresa até agora, com potencial para estabelecer novos limites sobre como empresas de tecnologia desenvolvem produtos para menores de idade.
Citazioni salienti
A Meta discorda veementemente dessas acusações e está confiante de que as evidências demonstrarão seu compromisso de longa data com o apoio aos jovens— Porta-voz da Meta
O caso não é sobre acabar com o Instagram, mas sobre determinar se a Meta enganou o público sobre os riscos para crianças e violou a lei federal de proteção à privacidade infantil— Megan O'Neill, procuradora-geral adjunta da Califórnia