Mendonça aprofunda crise institucional ao afastar diretor da PF e pressionar Lula

Mendonça empurrou o governo para o centro da crise
Auxiliares de Lula avaliam que a decisão atropelou a estratégia presidencial de se manter distante da guerra na cúpula do Judiciário.
Mark

Por que Mendonça afastou justamente o diretor-geral da PF? Qual era a acusação concreta?

Mimi

Mendonça alegou que Andrei estava atuando com viés político na chefia da corporação. O gatilho imediato foi um relatório interno da PF que Moraes usou para investigar o próprio Mendonça por abuso de autoridade e improbidade administrativa nos casos Master e INSS.

Luke

Mas espera — Mendonça afastou Andrei porque Andrei produziu um relatório que foi usado contra Mendonça? Isso é uma reação direta a uma investigação?

Mimi

Sim, é exatamente isso. Mendonça havia sinalizado a Fachin um mês antes que uma medida drástica poderia ser necessária, mas o relatório que Moraes usou acelerou a decisão.

Mark

E qual é o argumento do governo Lula contra isso?

Mimi

Que Mendonça violou a prerrogativa constitucional privativa do presidente para prover e desprover cargos da PF. Além disso, que a descontinuidade abrupta compromete o funcionamento da corporação.

Luke

Mas Mendonça é ministro do STF — ele tem poder para fazer isso? Ou é uma invasão de competência?

Mimi

É exatamente a questão que está em jogo. A AGU pediu a Fachin que suspenda a decisão, argumentando invasão de competência. Fachin tem 72 horas para se manifestar.

Mark

E Andrei é realmente próximo de Lula?

Mimi

Muito. Foi coordenador de segurança de Lula na campanha de 2022 e permanece entre seus nomes mais próximos.

Luke

Então há uma questão política clara aqui — Mendonça, indicado por Bolsonaro, afastando um aliado de Lula. Mas a fonte confirma que Andrei estava realmente agindo com viés, ou é só a alegação de Mendonça?

Mimi

A fonte não oferece evidências independentes de viés. Mendonça alega, mas o que está documentado é que Andrei produziu um relatório que Moraes usou contra Mendonça.

Mark

E a reação dentro da PF?

Mimi

Onze dos 13 diretores assinaram uma manifestação de apoio a Andrei e Almada, repudiando o que chamaram de ataques. O diretor-executivo que assumiu interinamente também expressou confiança em Andrei.

  • Mendonça afastou Andrei Rodrigues e Leandro Almada da PF em 8 de setembro de 2026
  • Andrei foi coordenador de segurança de Lula na campanha de 2022
  • O afastamento foi motivado por relatório interno da PF usado por Moraes para investigar Mendonça
  • Fachin tem 72 horas para se manifestar sobre pedido da AGU para suspender a decisão
  • 11 dos 13 diretores da PF assinaram manifestação de apoio a Andrei

Mendonça afastou Andrei Rodrigues e Leandro Almada da PF em decisão que aprofundou desgaste institucional no Supremo Tribunal Federal. O afastamento foi motivado por relatório interno da PF usado por Alexandre de Moraes para investigar Mendonça por abuso de autoridade e improbidade administrativa.

Ministro André Mendonça do STF ordenou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues, intensificando tensões institucionais e pressionando o governo Lula em meio a disputa política com as eleições próximas.

O ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal ordenou nesta terça-feira o afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal, uma decisão que aprofundou a crise institucional na mais alta corte do país e colocou o governo Lula sob pressão em um momento de acirramento político com as eleições se aproximando.

Andrei, que foi coordenador de segurança de Lula na campanha de 2022 e permanece entre seus nomes mais próximos, foi afastado junto com Leandro Almada, diretor de inteligência da corporação. A ordem de Mendonça foi motivada, segundo sua própria decisão, por um relatório interno produzido pela PF que o ministro Alexandre de Moraes utilizou para solicitar uma investigação contra Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade nos casos do Banco Master e do INSS. A medida foi rapidamente levada a referendo pela Segunda Turma do Supremo, onde Kassio Nunes Marques e Luiz Fux votaram para acompanhar Mendonça em menos de dez minutos, formando maioria. O processo foi interrompido quando Gilmar Mendes pediu mais tempo para análise, argumentando que a decisão pode ter desequilibrado a disputa eleitoral e defendendo que o caso seja analisado no plenário.

A reação do governo foi imediata. A Advocacia-Geral da União, por meio do advogado-geral Jorge Messias, pediu com urgência ao presidente do STF, Edson Fachin, que suspenda liminarmente a decisão de Mendonça. O argumento central é que o afastamento viola a prerrogativa constitucional privativa do presidente da República para prover e desprover cargos de direção da Polícia Federal. Messias alertou que a descontinuidade abrupta na gestão da PF compromete o funcionamento das atividades de polícia judiciária e gera risco de desorganização institucional. Fachin concedeu 72 horas para que Mendonça se manifeste sobre o pedido. Antes disso, o chefe da AGU e o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, foram recebidos por Lula no Palácio da Alvorada para uma reunião de emergência, depois conversando com Fachin no STF.

Entre aliados do presidente, a ordem de Mendonça reforçou narrativas de que o ministro age politicamente durante a campanha eleitoral para beneficiar Flávio Bolsonaro, cujo pai, Jair Bolsonaro, indicou Mendonça ao Supremo. Auxiliares de Lula avaliam que Mendonça criou uma armadilha para o Palácio do Planalto ao agir contra Andrei, empurrando o governo para o centro da crise na corte e atropelando a estratégia que Lula vinha tentando sustentar: manter-se distante da guerra na cúpula do Judiciário e, principalmente, do caso Master.

A crise reflete disputas mais profundas dentro do tribunal. Conforme reportado anteriormente, Fachin avalia assumir as investigações dos casos Master e INSS para tentar conter a crise instalada no tribunal. O presidente do STF reuniu auxiliares no domingo para articular o caminho e a forma com a qual deverá dirigir este momento inédito. As possibilidades formais para Fachin puxar para a presidência os casos são limitadas, e ele avalia alternativas legais e regimentais. Uma ala do STF que apoia Moraes defende que Fachin retire temporariamente Mendonça como relator dos casos enquanto houver dúvidas sobre os métodos do ministro, citando como precedente o fato de Fachin ter tirado do inquérito das fake news o pedido de abertura de investigação de Moraes contra Mendonça.

Mendonça havia sinalizado a Fachin há cerca de um mês que uma medida drástica poderia ser necessária, suspeitando que Andrei estivesse atuando com viés político na chefia da corporação para blindar a campanha de Lula. O estopim da crise com Moraes selou essa decisão. Após o afastamento, integrantes da cúpula da PF colocaram seus cargos à disposição em reação ao que classificaram como ataques contra o diretor-geral. Em manifestação conjunta assinada por 11 dos 13 diretores da corporação, o grupo afirmou prestar total apoio aos dois colegas e repudiou tentativas de atribuir a eles ou à instituição uma atuação não republicana. Os dois que não assinaram foram o diretor-executivo William Marcel Murad, que assumiu interinamente o comando, e Almada. Murad afirmou em discurso que manifesta confiança em Andrei, dizendo que não se deixarão abalar com ataques e que saberão atravessar essa tempestade.

Fachin, em discurso de encerramento de evento no Conselho Nacional de Justiça, do qual também é presidente, afirmou que o Judiciário brasileiro está à altura dos desafios e não faltará à legalidade constitucional, pedindo diálogo permanente. Os próximos 72 horas determinarão se a decisão de Mendonça permanece ou se é suspensa, com implicações profundas para o equilíbrio institucional e a campanha eleitoral em andamento.

O Poder Judiciário brasileiro está à altura dos desafios que se apresentam no momento contemporâneo
— Edson Fachin, presidente do STF
Não nos deixaremos abalar com ataques e afirmamos a nossa total confiança na direção-geral e no diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues
— William Marcel Murad, diretor-executivo da PF
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