Marçal ressaltou que não há procedimento formal contra Avalanche, apenas notícias divulgadas pela Folha de S. Paulo sobre proximidade com líder do PCC. Áudios mostram Avalanche conversando sobre proximidade com membro do PCC que controlava tráfico em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo.
Marçal defende aliado suspeito de ligação com PCC em debate
Se for, e houver alguma ligação, espero que pague
Por que Marçal escolheu defender Avalanche justamente em um debate televisionado, onde a questão seria inevitavelmente levantada?
Porque não defender seria pior. Se ele ficasse em silêncio ou se distanciasse, estaria admitindo que há algo indefensável. Melhor controlar a narrativa em tempo real, na frente de todos.
Mas a defesa dele não nega as acusações — apenas diz que não há processo formal. Isso não deixa a questão em aberto?
Exatamente. É uma defesa que não defende, tecnicamente. Ele está dizendo: "Se for verdade, que ele pague." Isso protege Marçal politicamente, porque ele não está negando os áudios nem dizendo que Avalanche é inocente.
E o elogio que Marçal faz a Avalanche por "resistir a pressões" — isso não parece estranho dado o contexto?
É uma forma de recontextualizar a lealdade. Em vez de parecer que está protegendo alguém envolvido com crime, Marçal o apresenta como alguém que enfrentou ataques políticos. É uma mudança de foco.
Os números mostram que Marçal está em terceiro lugar. Essa defesa ajuda ou prejudica sua campanha?
Provavelmente prejudica. Cada menção a Avalanche e ao PCC tira o foco de suas propostas. Mas não defender seria pior ainda — deixaria seus apoiadores confusos sobre sua integridade política.
Então ele está preso entre duas más opções?
Sim. Defender Avalanche o vincula a suspeitas; não defender o torna desleal. Marçal escolheu a lealdade, apostando que a falta de processo formal é suficiente para manter a questão ambígua.
Il Polso
- Debate da TV Record no sábado, 28 de setembro de 2024
- Áudios mostram Avalanche em proximidade com líder do PCC que controlava tráfico em Paraisópolis
- Nunes lidera com 27%, Boulos tem 25%, Marçal tem 21% nas intenções de voto
Marçal ressaltou que não há procedimento formal contra Avalanche, apenas notícias divulgadas pela Folha de S. Paulo sobre proximidade com líder do PCC. Áudios mostram Avalanche conversando sobre proximidade com membro do PCC que controlava tráfico em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo.
Pablo Marçal defendeu Leonardo Avalanche, presidente do PRTB, das suspeitas de ligação com o PCC em debate da TV Record, afirmando que não há processo contra ele e que deve pagar se errou.
No debate da TV Record realizado no sábado, Pablo Marçal subiu ao palco para defender Leonardo Avalanche, presidente do partido PRTB que o apoia na corrida pela Prefeitura de São Paulo. A questão era delicada: áudios divulgados pela Folha de S. Paulo haviam revelado conversas em que Avalanche mencionava proximidade com um líder do Primeiro Comando da Capital que havia controlado o tráfico de drogas na favela de Paraisópolis, na zona sul da cidade.
Marçal reconheceu a existência dos relatos, mas estruturou sua defesa em torno de uma distinção técnica. Não há, afirmou, nenhum procedimento formal instaurado contra Avalanche — apenas notícias publicadas. Essa diferença entre acusação pública e processo legal tornou-se o ponto de apoio de sua argumentação. "Se for, e houver alguma ligação, espero que pague", disse o candidato, deixando em aberto a possibilidade de culpa enquanto mantinha a presunção de inocência.
Mas Marçal foi além da defesa técnica. Elogiou Avalanche por ter resistido ao que chamou de "pressões" de outros partidos políticos, mantendo sua candidatura apesar das críticas. Essa lealdade, sugeriu Marçal, merecia reconhecimento público. "Aqui vai meu respeito para você, sem tirar sua responsabilidade caso você tenha alguma ligação com o que foi noticiado", disse o influenciador, equilibrando apoio político com a ressalva de que Avalanche deveria responder por seus atos se comprovado qualquer envolvimento indevido.
O debate de sábado foi o nono encontro entre os principais candidatos à Prefeitura. Participaram Ricardo Nunes pelo MDB, Guilherme Boulos pelo PSOL, Marçal, Tabata Amaral pelo PSB, José Luiz Datena pelo PSDB e Marina Helena pelo Novo. A campanha segue acirrada, com Nunes liderando as intenções de voto segundo a última pesquisa Datafolha, divulgada na quinta-feira, com 27% — tecnicamente empatado com Boulos, que marca 25%. Marçal aparece em terceiro lugar com 21%, seguido por Amaral com 9%, Datena com 6% e Helena com 2%.
A defesa de Marçal ocorre em um momento em que a proximidade com Avalanche pode representar tanto um ativo quanto um passivo político. De um lado, demonstra lealdade a seus aliados; de outro, o vincula a suspeitas que ainda não foram formalmente investigadas, mas que circulam no debate público. A estratégia do candidato parece ser a de reconhecer a gravidade potencial das acusações enquanto insiste na falta de comprovação legal, mantendo assim a porta aberta para continuar apoiando seu presidente de partido sem parecer negligente com questões de segurança pública.
Citazioni salienti
Não foi instaurado nenhum procedimento contra ele, a não ser uma notícia. E, se for, e houver alguma ligação, espero que pague.— Pablo Marçal, candidato à Prefeitura pelo PRTB
O Leonardo foi um cara que resistiu a todas as pressões dos partidos que estão aqui, e aqui vai meu respeito para você, sem tirar sua responsabilidade caso você tenha alguma ligação com o que foi noticiado.— Pablo Marçal, durante o debate