Maquiadora morre após aplicação de PMMA; médica usou 300 ml em procedimento

Maquiadora Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, 48 anos, morreu após complicações decorrentes da aplicação de PMMA nos glúteos e coxa.
Ela ligou para Tábita e foi orientada a ir à clínica para avaliação
Roseli Fernandes começou a se sentir mal 12 horas após o procedimento e buscou a médica que a havia atendido.
Mark

Como uma médica consegue aplicar 300 mililitros de PMMA em um único procedimento se há um limite de 300 mililitros por aplicação?

Mimi

Segundo o depoimento de Tábita, ela havia atingido exatamente o limite na segunda-feira. Havia um segundo procedimento previsto para a terça-feira no quadril, porque Tábita afirmou que o teto pode ser extrapolado quando os procedimentos são feitos em dias diferentes e em áreas diversas.

Luke

Mas isso é o que a médica disse. Não sabemos se esse é realmente o protocolo aceito ou se era uma prática dela. A Anvisa não mencionou nada sobre extrapolação de limites em dias diferentes.

Mark

A filha disse que a mãe começou a se sentir mal apenas 12 horas depois do procedimento. Isso é rápido demais para uma complicação de PMMA?

Mimi

Não sabemos ainda. Não há laudo que confirme a causa da morte. Os sintomas que a filha descreveu — mal-estar, fraqueza, chiado no peito, aceleração cardíaca — poderiam estar relacionados ao procedimento, mas também poderiam ter outras causas.

Luke

Exatamente. A polícia registrou como morte suspeita e homicídio, mas isso não significa que o PMMA foi a causa. Precisamos de um laudo de necropsia. Tábita afirma que o procedimento foi sem intercorrências, e sua defesa diz que não há comprovação de relação com o óbito.

Mark

Tábita tem credenciais para fazer esse tipo de procedimento?

Mimi

Ela tem pós-graduação em dermatologia, mas sem residência médica na área. Há três anos atua em São Paulo, alugando salas para os procedimentos. O pré-atendimento é feito por WhatsApp com um questionário.

Luke

Isso levanta questões sobre a supervisão desses procedimentos. Uma pós-graduação sem residência é diferente de uma formação completa em dermatologia. E fazer pré-atendimento apenas por WhatsApp parece inadequado para procedimentos invasivos.

Mark

Por que as entidades médicas querem proibir o PMMA se a Anvisa ainda o autoriza?

Mimi

As entidades médicas — CFM, SBD e SBCP — pedem proibição total para fins estéticos. A Anvisa, porém, concluiu que o PMMA é aceitável quando utilizado conforme as indicações aprovadas e sob condições adequadas. A agência autoriza apenas para preenchimento corretivo ou reparador, não para aumento meramente estético.

Luke

Há uma desconexão clara entre o que as entidades médicas consideram seguro e o que a Anvisa autoriza. Casos como o de Roseli podem mudar essa avaliação, mas por enquanto a Anvisa não tem ação em andamento para proibir a substância.

  • Uma mulher morreu no dia seguinte a um procedimento estético de 54 mil reais, após sentir o coração acelerar e perder a consciência dentro de um carro de aplicativo.
  • A médica responsável aplicou 100 seringas de PMMA em uma sala alugada pela primeira vez, encontrada pela paciente via Instagram.
  • CFM, SBD e SBCP pressionam a Anvisa pela proibição total do PMMA estético, enquanto a agência mantém sua autorização para usos corretivos e afirma não haver ação de banimento em curso.
  • A defesa da médica aguarda laudo pericial para contestar qualquer relação entre o procedimento e a morte, enquanto a polícia investiga o caso como homicídio suspeito.
  • O caso de Roseli pode se tornar o ponto de inflexão que force uma revisão regulatória sobre o uso do PMMA no Brasil.

Uma maquiadora de 48 anos viajou do Mato Grosso do Sul a São Paulo em busca de um procedimento estético e não voltou. A morte de Roseli Fernandes, horas após receber 300 mililitros de PMMA nos glúteos, coloca em evidência uma tensão antiga entre o desejo de transformação do corpo, a regulação insuficiente de substâncias de risco e a tênue fronteira entre medicina e mercado estético. O caso reacende um debate que entidades médicas travam há anos com a Anvisa — e que, desta vez, tem um rosto e um nome.

Na manhã de terça-feira, Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, 48 anos, começou a sentir mal-estar, fraqueza e um chiado no peito. Ela havia viajado do Mato Grosso do Sul a São Paulo para realizar um procedimento estético no dia anterior — a aplicação de PMMA nos glúteos e coxas. Poucas horas depois, estava morta.

O procedimento foi realizado pela médica Tábita Nunes Marcolino Jorge, 36 anos, em uma sala alugada na zona sul de São Paulo — espaço que ela utilizava pela primeira vez. Roseli a havia encontrado pelo Instagram. O valor cobrado foi de 54.410 reais, pagos por transferência. Foram aplicadas cem seringas de 3 mililitros cada, totalizando 300 mililitros do polímero sintético.

Quando os sintomas surgiram, Roseli ligou para Tábita, que a orientou a ir à clínica. No trajeto, dentro de um carro de aplicativo, ela perdeu a consciência. A médica tentou reanimação cardíaca na recepção do prédio, mas o Samu constatou o óbito no local. A filha de Roseli relatou à polícia que a mãe havia dito sentir que ia morrer.

Em depoimento, Tábita afirmou que o procedimento transcorreu sem intercorrências, que solicitou exames prévios e aplicou anestesia diluída. Disse ser a primeira complicação em seis anos de atuação. Sua defesa aguarda laudo pericial para contestar a relação entre o procedimento e a morte. A médica tem pós-graduação em dermatologia, sem residência médica na área.

O caso reacendeu o debate sobre o PMMA. CFM, Sociedade Brasileira de Dermatologia e Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica pedem à Anvisa a proibição total da substância para fins estéticos. A agência, porém, mantém sua autorização para uso corretivo ou reparador sob prescrição médica, afirmando que não há indicação para aumento de volume meramente estético — e que não há ação de banimento em curso. O caso de Roseli agora integra as investigações que podem pressionar por uma revisão dessa posição.

Na terça-feira de manhã, uma maquiadora de 48 anos começou a se queixar de dores. Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira sentia mal-estar, fraqueza e um chiado no peito que a assustava. Ela havia viajado do Mato Grosso do Sul para São Paulo especificamente para um procedimento estético realizado no dia anterior — a aplicação de PMMA, um polímero sintético usado para aumentar volume nos glúteos e coxas. Poucas horas depois, ela estaria morta.

O procedimento havia sido feito na segunda-feira pela médica Tábita Nunes Marcolino Jorge, 36 anos, em uma clínica alugada na zona sul de São Paulo. De acordo com o depoimento de Tábita à polícia, ela havia aplicado cem seringas durante a intervenção — cada uma contendo 3 mililitros do produto, totalizando 300 mililitros. A maquiadora havia encontrado a médica pelo Instagram, onde Tábita publica fotos de seus trabalhos. O procedimento foi orçado em 54 mil e 410 reais, pagos via transferência eletrônica. Tábita havia alugado a sala por 1.500 reais — era a primeira vez que utilizava aquele espaço.

Quando Roseli começou a se sentir mal na terça-feira pela manhã, ligou para Tábita pedindo avaliação. A médica orientou que ela fosse à clínica. No caminho, em um carro de aplicativo, a maquiadora ficou sem fôlego e perdeu a consciência. Tábita realizou manobras de reanimação cardíaca na recepção do prédio. Uma equipe do Samu chegou ao local e constatou a morte. A filha de Roseli, uma despachante de 27 anos, relatou aos policiais que a mãe havia dito sentir o coração muito acelerado e que achava que ia morrer.

Em seu depoimento, Tábita afirmou que o procedimento transcorreu sem intercorrências. Ela descreveu a intervenção como uma remodelação de glúteos, com aplicação de 120 mililitros de PMMA em gel em cada lado e 30 mililitros em cada região posterior. A médica informou que havia solicitado exames de urina e sangue antes do procedimento e que havia aplicado anestesia diluída em soro. A cirurgia durou cerca de duas horas e meia. Tábita também mencionou que Roseli havia feito um procedimento semelhante com outro médico dois anos antes, sem problemas. Ela própria afirmou usar PMMA no corpo e disse que, em cerca de seis anos realizando procedimentos não cirúrgicos, aquela havia sido a primeira vez que uma paciente apresentava complicações.

A defesa de Tábita emitiu uma nota afirmando que não há laudo que comprove a relação entre o procedimento e a morte. A médica apresentou-se voluntariamente à polícia, prestou depoimento e forneceu documentação, mantendo-se à disposição das investigações. A polícia registrou o caso como morte suspeita e homicídio. Tábita possui pós-graduação em dermatologia, mas sem residência médica na área. Há três anos atua em São Paulo, onde aluga salas para os procedimentos. O pré-atendimento é feito por WhatsApp, com um questionário.

O caso reacendeu o debate sobre a segurança do PMMA para fins estéticos. Entidades médicas brasileiras — o Conselho Federal de Medicina, a Sociedade Brasileira de Dermatologia e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica — posicionam-se contra o uso da substância para fins puramente estéticos e pediram à Anvisa a proibição total. A agência reguladora, porém, mantém uma posição diferente. Em nota enviada em março, a Anvisa afirmou que realizou uma reavaliação do perfil de risco e benefício do PMMA e concluiu que a substância é aceitável quando utilizada conforme as indicações aprovadas e sob condições adequadas. A agência autoriza o uso apenas para preenchimento cutâneo ou muscular com finalidade corretiva ou reparadora, por motivação de saúde e sob prescrição médica. Segundo a Anvisa, não há indicação para aumento de volume meramente estético, e não há ação em andamento para proibir a substância. O caso de Roseli agora integra as investigações que podem levar a novas decisões sobre o uso dessa substância no país.

A médica apresentou-se voluntariamente no 27º Distrito Policial, prestou depoimento e forneceu os documentos necessários, mantendo-se à total disposição da Polícia Civil
— Defesa de Tábita Nunes Marcolino Jorge
Em cerca de seis anos realizando procedimentos não cirúrgicos, foi a primeira vez que uma paciente apresentou complicações
— Tábita Nunes Marcolino Jorge, em depoimento à polícia
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