Num tempo em que cada eleição parece pedir uma explicação definitiva, o governador reeleito de Minas Gerais, Romeu Zema, ofereceu a sua: Jair Bolsonaro teria perdido menos para Lula do que para a própria forma de falar com o país. A declaração, dada em entrevista à rádio Super FM em 17 de novembro de 2022, vem de um aliado que apoiara o presidente no segundo turno e aponta sobretudo para a pandemia, período em que palavras de autoridade pesam tanto quanto decisões. Trata-se de uma leitura, não de uma prova, mas ela coloca em foco uma pergunta antiga da política: até que ponto o modo de dizer a
'Mais do que para Lula, Bolsonaro perdeu para si mesmo', diz Zema
Bolsonaro perdeu para si mesmo, devido à forma de condução da comunicação
Qual foi exatamente a afirmação de Zema?
Que Bolsonaro perdeu mais para si mesmo do que para Lula, por causa da forma como conduziu a comunicação. Ele disse isso à rádio Super FM, na quinta-feira, 17.
E isso vem de um adversário?
Não, de um aliado. Zema apoiou Bolsonaro no segundo turno, logo depois de se reeleger em Minas, e ainda elogiou as boas intenções do presidente.
Vale separar as coisas. É a opinião de Zema, não uma conclusão sobre o que decidiu o voto. A matéria não traz dados que meçam o peso da comunicação na derrota.
Que exemplos aparecem de comunicação problemática?
Na pandemia, ele diz que o governo federal deixou a desejar e menosprezou algo que causava aflição. O texto lembra que Lula usou nas inserções partidárias a fala do não ser coveiro e a imitação de pessoas com falta de ar.
Esses exemplos são da campanha de Lula, não de Zema. Ele não os cita nominalmente na entrevista, pelo que está no texto.
Então o que fica de firme?
Que as falas sobre a pandemia foram usadas como munição pelos adversários, e que um aliado publicamente atribui a derrota à comunicação.
E que o quanto isso pesou nas urnas segue sem resposta no texto.
El Pulso
- Zema afirma que Bolsonaro perdeu a eleição para si mesmo, e não apenas para Lula, o que transforma uma derrota eleitoral em um julgamento sobre o estilo de governar.
- As falas do presidente sobre a pandemia, como a frase sobre não ser coveiro e a imitação de pessoas com falta de ar, voltaram a circular na campanha petista e ganharam peso político.
- O governador descreve discursos que deixavam a população angustiada e um governo federal que tratou a crise sanitária com desdém, sem medir o efeito sobre quem sofria.
- A avaliação vem de um aliado de segundo turno e ainda não é consenso: resta saber se outros nomes da direita vão endossar essa explicação nas semanas seguintes à eleição.
Num tempo em que cada eleição parece pedir uma explicação definitiva, o governador reeleito de Minas Gerais, Romeu Zema, ofereceu a sua: Jair Bolsonaro teria perdido menos para Lula do que para a própria forma de falar com o país. A declaração, dada em entrevista à rádio Super FM em 17 de novembro de 2022, vem de um aliado que apoiara o presidente no segundo turno e aponta sobretudo para a pandemia, período em que palavras de autoridade pesam tanto quanto decisões. Trata-se de uma leitura, não de uma prova, mas ela coloca em foco uma pergunta antiga da política: até que ponto o modo de dizer as coisas decide o destino de quem governa.
Na quinta-feira, 17 de novembro, o governador reeleito de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), concedeu entrevista à rádio Super FM e ofereceu uma avaliação franca sobre a derrota de Jair Bolsonaro (PL). Para ele, o problema esteve menos no adversário e mais na maneira como o próprio presidente se comunicou com os brasileiros ao longo do mandato.
A frase que resumiu a entrevista foi a de que Bolsonaro teria perdido para si mesmo, e não apenas para Lula. Zema reconheceu as boas intenções do presidente, mas disse que muitos de seus discursos não acertavam o tom e deixavam as pessoas angustiadas.
O ponto mais duro da crítica foi a pandemia. Para o governador, o governo federal minimizou uma crise que causava aflição a muita gente, e esse desdém cobrou um preço político.
A fala vem de um aliado: Zema apoiou Bolsonaro no segundo turno logo após ser reeleito em Minas, justificando a escolha com ataques ao PT no estado. A leitura toca num tema que de fato circulou na campanha, já que Lula retomou nas inserções partidárias falas do presidente sobre a covid-19. Ainda assim, trata-se de uma interpretação, não de uma conclusão apurada sobre o que decidiu o voto. Resta ver se essa avaliação ganhará eco entre outros aliados de Bolsonaro.
Na quinta-feira, 17 de novembro, o governador reeleito de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), deu uma entrevista à rádio Super FM e fez uma avaliação franca da derrota do presidente Jair Bolsonaro (PL) na eleição de 2022. Para ele, o problema esteve menos no adversário e mais na maneira como o próprio presidente se comunicou com os brasileiros ao longo do mandato.
A frase central da entrevista foi esta: mais do que ter perdido para Lula, Bolsonaro teria perdido para si mesmo, por causa da forma como conduziu a comunicação. Zema não poupou elogios pessoais. Disse que o presidente tem boas intenções, mas que, em muitos discursos, acabou não sendo feliz. Segundo o governador, esses pronunciamentos deixavam as pessoas angustiadas.
O ponto mais duro da crítica se referiu à pandemia. Zema afirmou que a comunicação do governo federal nesse período deixou muito a desejar. Em sua leitura, quando se lida com algo que não se conhece, o mais prudente é não menosprezar. Ao minimizar o problema, disse ele, o governo tratava com desdém algo que causava aflição a muita gente, e isso acabava tendo um reflexo negativo.
O comentário vem de um aliado. Zema anunciou apoio a Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial logo depois de ser reeleito em Minas. Naquela ocasião, justificou a escolha atacando o PT no estado, ao dizer que a gestão petista foi uma grande tragédia e uma das mais desastrosas que Minas Gerais já teve, em referência ao mandato de Fernando Pimentel.
A avaliação do governador toca num tema que de fato circulou na campanha. Os discursos de Bolsonaro durante a pandemia deram munição política aos adversários em 2022. O petista Luiz Inácio Lula da Silva retomou, nas inserções partidárias, falas do presidente sobre a crise sanitária. Entre elas, a ocasião em que Bolsonaro disse não ser coveiro, a propósito das mortes por covid-19, e outra em que imitou pessoas com falta de ar.
O que a entrevista mostra, portanto, é a leitura de um aliado de segundo turno sobre as causas da derrota: a comunicação, sobretudo na pandemia, teria pesado mais do que o confronto direto com Lula. Trata-se de uma interpretação de Zema, não de uma conclusão apurada sobre o que decidiu o voto. O que se sabe é que as falas sobre a pandemia foram usadas pela campanha adversária. Resta acompanhar se essa avaliação ganhará eco entre outros aliados de Bolsonaro nas semanas seguintes à eleição.
Citas Notables
Mais do que ter perdido para o próprio candidato Lula, o presidente Bolsonaro perdeu para si mesmo, devido à forma de condução da comunicação.— Romeu Zema, governador reeleito de Minas Gerais