'Mais do que para Lula, Bolsonaro perdeu para si mesmo', diz Zema

Bolsonaro perdeu para si mesmo, devido à forma de condução da comunicação
Zema, aliado no segundo turno, explicou à Super FM por que, na sua leitura, o presidente foi derrotado.
Mark

Qual foi exatamente a afirmação de Zema?

Mimi

Que Bolsonaro perdeu mais para si mesmo do que para Lula, por causa da forma como conduziu a comunicação. Ele disse isso à rádio Super FM, na quinta-feira, 17.

Mark

E isso vem de um adversário?

Mimi

Não, de um aliado. Zema apoiou Bolsonaro no segundo turno, logo depois de se reeleger em Minas, e ainda elogiou as boas intenções do presidente.

Luke

Vale separar as coisas. É a opinião de Zema, não uma conclusão sobre o que decidiu o voto. A matéria não traz dados que meçam o peso da comunicação na derrota.

Mark

Que exemplos aparecem de comunicação problemática?

Mimi

Na pandemia, ele diz que o governo federal deixou a desejar e menosprezou algo que causava aflição. O texto lembra que Lula usou nas inserções partidárias a fala do não ser coveiro e a imitação de pessoas com falta de ar.

Luke

Esses exemplos são da campanha de Lula, não de Zema. Ele não os cita nominalmente na entrevista, pelo que está no texto.

Mark

Então o que fica de firme?

Mimi

Que as falas sobre a pandemia foram usadas como munição pelos adversários, e que um aliado publicamente atribui a derrota à comunicação.

Luke

E que o quanto isso pesou nas urnas segue sem resposta no texto.

  • Zema afirma que Bolsonaro perdeu a eleição para si mesmo, e não apenas para Lula, o que transforma uma derrota eleitoral em um julgamento sobre o estilo de governar.
  • As falas do presidente sobre a pandemia, como a frase sobre não ser coveiro e a imitação de pessoas com falta de ar, voltaram a circular na campanha petista e ganharam peso político.
  • O governador descreve discursos que deixavam a população angustiada e um governo federal que tratou a crise sanitária com desdém, sem medir o efeito sobre quem sofria.
  • A avaliação vem de um aliado de segundo turno e ainda não é consenso: resta saber se outros nomes da direita vão endossar essa explicação nas semanas seguintes à eleição.

Num tempo em que cada eleição parece pedir uma explicação definitiva, o governador reeleito de Minas Gerais, Romeu Zema, ofereceu a sua: Jair Bolsonaro teria perdido menos para Lula do que para a própria forma de falar com o país. A declaração, dada em entrevista à rádio Super FM em 17 de novembro de 2022, vem de um aliado que apoiara o presidente no segundo turno e aponta sobretudo para a pandemia, período em que palavras de autoridade pesam tanto quanto decisões. Trata-se de uma leitura, não de uma prova, mas ela coloca em foco uma pergunta antiga da política: até que ponto o modo de dizer as coisas decide o destino de quem governa.

Na quinta-feira, 17 de novembro, o governador reeleito de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), concedeu entrevista à rádio Super FM e ofereceu uma avaliação franca sobre a derrota de Jair Bolsonaro (PL). Para ele, o problema esteve menos no adversário e mais na maneira como o próprio presidente se comunicou com os brasileiros ao longo do mandato.

A frase que resumiu a entrevista foi a de que Bolsonaro teria perdido para si mesmo, e não apenas para Lula. Zema reconheceu as boas intenções do presidente, mas disse que muitos de seus discursos não acertavam o tom e deixavam as pessoas angustiadas.

O ponto mais duro da crítica foi a pandemia. Para o governador, o governo federal minimizou uma crise que causava aflição a muita gente, e esse desdém cobrou um preço político.

A fala vem de um aliado: Zema apoiou Bolsonaro no segundo turno logo após ser reeleito em Minas, justificando a escolha com ataques ao PT no estado. A leitura toca num tema que de fato circulou na campanha, já que Lula retomou nas inserções partidárias falas do presidente sobre a covid-19. Ainda assim, trata-se de uma interpretação, não de uma conclusão apurada sobre o que decidiu o voto. Resta ver se essa avaliação ganhará eco entre outros aliados de Bolsonaro.

Na quinta-feira, 17 de novembro, o governador reeleito de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), deu uma entrevista à rádio Super FM e fez uma avaliação franca da derrota do presidente Jair Bolsonaro (PL) na eleição de 2022. Para ele, o problema esteve menos no adversário e mais na maneira como o próprio presidente se comunicou com os brasileiros ao longo do mandato.

A frase central da entrevista foi esta: mais do que ter perdido para Lula, Bolsonaro teria perdido para si mesmo, por causa da forma como conduziu a comunicação. Zema não poupou elogios pessoais. Disse que o presidente tem boas intenções, mas que, em muitos discursos, acabou não sendo feliz. Segundo o governador, esses pronunciamentos deixavam as pessoas angustiadas.

O ponto mais duro da crítica se referiu à pandemia. Zema afirmou que a comunicação do governo federal nesse período deixou muito a desejar. Em sua leitura, quando se lida com algo que não se conhece, o mais prudente é não menosprezar. Ao minimizar o problema, disse ele, o governo tratava com desdém algo que causava aflição a muita gente, e isso acabava tendo um reflexo negativo.

O comentário vem de um aliado. Zema anunciou apoio a Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial logo depois de ser reeleito em Minas. Naquela ocasião, justificou a escolha atacando o PT no estado, ao dizer que a gestão petista foi uma grande tragédia e uma das mais desastrosas que Minas Gerais já teve, em referência ao mandato de Fernando Pimentel.

A avaliação do governador toca num tema que de fato circulou na campanha. Os discursos de Bolsonaro durante a pandemia deram munição política aos adversários em 2022. O petista Luiz Inácio Lula da Silva retomou, nas inserções partidárias, falas do presidente sobre a crise sanitária. Entre elas, a ocasião em que Bolsonaro disse não ser coveiro, a propósito das mortes por covid-19, e outra em que imitou pessoas com falta de ar.

O que a entrevista mostra, portanto, é a leitura de um aliado de segundo turno sobre as causas da derrota: a comunicação, sobretudo na pandemia, teria pesado mais do que o confronto direto com Lula. Trata-se de uma interpretação de Zema, não de uma conclusão apurada sobre o que decidiu o voto. O que se sabe é que as falas sobre a pandemia foram usadas pela campanha adversária. Resta acompanhar se essa avaliação ganhará eco entre outros aliados de Bolsonaro nas semanas seguintes à eleição.

Mais do que ter perdido para o próprio candidato Lula, o presidente Bolsonaro perdeu para si mesmo, devido à forma de condução da comunicação.
— Romeu Zema, governador reeleito de Minas Gerais
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