Num momento em que a saúde mental das crianças se tornou uma preocupação coletiva, um estudo do Pew Research Center revela que as mães americanas carregam um fardo emocional desproporcionalmente maior do que os pais — mais ansiosas, mais julgadas e mais definidas pela maternidade do que os seus parceiros. Este retrato, traçado no final de 2022 com mais de 3.700 participantes, não é apenas estatístico: é o reflexo de uma desigualdade silenciosa que a pandemia veio amplificar. A parentalidade continua a ser, para a maioria, uma fonte de alegria — mas o peso dessa alegria não é partilhado em igua
Mães sentem-se mais preocupadas e julgadas do que os pais, revela estudo Pew
As mães veem o trabalho como importante, mas também mais cansativo
Porque é que as mães reportam níveis tão mais altos de preocupação do que os pais? É uma questão biológica ou social?
O estudo não responde a isso diretamente, mas a investigadora Rachel Minkin sugere que está ligado a como as mães veem o seu papel. Elas descrevem a maternidade como mais importante para a sua identidade, e também como mais cansativa. Pode ser que quanto mais central algo é para quem somos, mais nos preocupamos com isso.
E o julgamento? Por que é que as mães sentem-se tão observadas?
Porque estão. Quarenta e sete por cento das mães dizem ser julgadas pelos avós, 41% por outras mães. Os pais não relatam esse mesmo nível de escrutínio de terceiros. É como se a maternidade fosse um assunto público, enquanto a paternidade é mais privado.
Mas os pais também se sentem julgados, certo?
Sim, mas principalmente pelas suas companheiras. É um tipo diferente de julgamento — mais próximo, mais íntimo. As mães sentem-se julgadas por toda a gente.
Como é que a pandemia mudou isto tudo?
Intensificou. As mães trabalhadoras viram-se com responsabilidades que triplicaram — trabalho, escola em casa, cuidados. E ao mesmo tempo, começámos a ouvir alertas sobre a saúde mental das crianças a piorar. Portanto, a preocupação que já existia tornou-se ainda mais urgente.
Então as mães estão mais stressadas, mais julgadas, e fazem mais trabalho. Como é que 82% delas ainda dizem que é prazeroso?
Talvez porque o prazer e o stress não sejam opostos. Talvez seja possível achar algo simultaneamente gratificante e exaustivo. Ou talvez as mães tenham aprendido a viver com ambos.
The Pulse
- 46% das mães dizem estar extremamente preocupadas com ansiedade ou depressão dos filhos, contra apenas 32% dos pais — uma diferença que se repete em todas as categorias de risco.
- As mães sentem-se constantemente avaliadas: quase metade reporta julgamento por parte de familiares, e 41% sente o escrutínio de outras mães na comunidade.
- A pandemia multiplicou as responsabilidades das mães trabalhadoras e os alertas sobre o declínio da saúde mental dos adolescentes intensificaram ainda mais as pressões já existentes.
- Para 35% das mulheres, ser mãe é o elemento mais importante da sua identidade — uma centralidade que alimenta tanto o cuidado como o esgotamento.
- Apesar da sobrecarga, cerca de 8 em cada 10 pais e mães continuam a descrever a parentalidade como prazerosa e gratificante na maior parte do tempo.
Num momento em que a saúde mental das crianças se tornou uma preocupação coletiva, um estudo do Pew Research Center revela que as mães americanas carregam um fardo emocional desproporcionalmente maior do que os pais — mais ansiosas, mais julgadas e mais definidas pela maternidade do que os seus parceiros. Este retrato, traçado no final de 2022 com mais de 3.700 participantes, não é apenas estatístico: é o reflexo de uma desigualdade silenciosa que a pandemia veio amplificar. A parentalidade continua a ser, para a maioria, uma fonte de alegria — mas o peso dessa alegria não é partilhado em igual medida.
A saúde mental dos filhos é hoje a maior preocupação dos pais americanos — mas o peso dessa ansiedade não é distribuído de forma igual. Um inquérito do Pew Research Center a mais de 3.700 pais, realizado no final de 2022, mostra que as mães estão significativamente mais preocupadas do que os pais em praticamente todas as categorias de risco, desde a ansiedade e depressão até ao bullying e ao consumo de drogas. As mães hispânicas destacam-se como as mais ansiosas entre todos os grupos.
A pressão não vem apenas de dentro. As mães sentem-se observadas e julgadas — por familiares, por outras mães, pela comunidade. Os pais, por seu lado, relatam ser julgados sobretudo pelas suas companheiras. Este escrutínio externo soma-se a uma identidade mais profundamente ancorada na parentalidade: 35% das mulheres dizem que ser mãe é o elemento mais importante da sua personalidade, face a 24% dos homens.
A investigadora Rachel Minkin, responsável pelo estudo, sublinha como estas dinâmicas se alimentam mutuamente: as mães veem a maternidade como algo muito importante, mas também mais cansativo e stressante, o que as torna mais propensas a estilos superprotectores e a níveis mais elevados de preocupação.
Este é o primeiro estudo abrangente sobre parentalidade do Pew desde 2015 — e o contexto mudou radicalmente. A pandemia sobrecarregou as mães trabalhadoras quando escolas fecharam e o trabalho invadiu o lar. Os alertas sobre o declínio da saúde mental dos adolescentes reforçaram medos que já existiam. Ainda assim, cerca de 80% dos pais e mães continuam a descrever a parentalidade como prazerosa e gratificante. A alegria permanece — mas o esforço para a sustentar está longe de ser partilhado em igual medida.
A saúde mental das crianças ocupa o topo da lista de preocupações dos pais americanos. Mas quem carrega o peso maior dessa ansiedade não são os homens — são as mulheres, que além de mais preocupadas, também se sentem constantemente julgadas pela forma como exercem a maternidade.
Um inquérito do Pew Research Center a mais de 3.700 pais nos Estados Unidos, realizado no final de 2022, traça um retrato claro dessa desigualdade emocional. Quando perguntados sobre o medo de os filhos enfrentarem ansiedade ou depressão em algum momento da vida, 46% das mães responderam estar "extremamente" ou "muito" preocupadas. Entre os pais, esse número cai para 32%. A diferença é significativa e repete-se quando se pergunta sobre outras ameaças — bullying, rapto, ataques físicos, problemas com drogas ou álcool. Em cada categoria, as mães relatam níveis mais elevados de preocupação. As mães hispânicas destacam-se como particularmente ansiosas quando comparadas com mulheres de outras origens raciais ou étnicas.
Mas a pressão não vem apenas de dentro. As mães sentem-se observadas e avaliadas por quem as rodeia. Familiares julgam as suas decisões — 47% das mães reportam isso. Outras mães da comunidade fazem o mesmo — 41% das mulheres dizem sentir esse escrutínio, comparado com apenas 27% dos homens. Os pais, por seu lado, relatam ser mais frequentemente julgados pelas suas companheiras do que por terceiros.
O que emerge do estudo é um padrão onde a maternidade não é apenas mais exigente emocionalmente, mas também mais definidora da identidade pessoal. Para 35% das mulheres, ser mãe é o elemento mais importante da sua personalidade. Entre os homens, esse número é 24%. As mães descrevem a parentalidade como mais stressante e cansativa durante todo ou a maior parte do tempo. Trinta por cento das mães disseram que ter filhos foi "muito mais difícil" do que esperavam, enquanto 20% dos pais deram a mesma resposta. Quando se trata de dividir as responsabilidades de cuidado, a maioria das mães diz fazer mais do que os seus parceiros — embora muitos pais afirmem que a divisão é aproximadamente igual.
Rachel Minkin, uma das investigadoras responsáveis pelo estudo, nota como estas dinâmicas se reforçam mutuamente. "As mães veem o trabalho da maternidade como muito importante, mas também mais cansativa e stressante," explica. "Estão mais preocupadas, e depois quando se trata de estilos parentais também são mais propensas a dizer que são superprotectoras. Podemos ver como estas questões se influenciam umas às outras."
Este é o primeiro estudo abrangente sobre parentalidade que o Pew Research Center realiza desde 2015. A altura não é casual. Desde o último inquérito, as fontes de stress intensificaram-se dramaticamente. A pandemia colocou uma pressão adicional particularmente sobre as mães trabalhadoras, que viram as suas responsabilidades multiplicarem-se quando as escolas fecharam e o trabalho se mudou para casa. Simultaneamente, os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças têm alertado para um declínio precipitado da saúde mental entre adolescentes, uma sequela dos confinamentos que só reforça as preocupações que os pais já sentiam.
Apesar de tudo isto, a grande maioria dos pais — cerca de 8 em cada 10 — continua a dizer que ter filhos é prazeroso (82%) e gratificante (80%) durante todo ou a maior parte do tempo. A parentalidade é difícil, desigualmente distribuída, e frequentemente solitária para as mulheres. Mas permanece, para a maioria, uma fonte de alegria.
Notable Quotes
As mães veem o trabalho da maternidade como muito importante, mas também mais cansativa e stressante. Estão mais preocupadas, e depois quando se trata de estilos parentais também são mais propensas a dizer que são superprotectoras.— Rachel Minkin, investigadora do Pew Research Center