Campos e Lyra debatem bets e políticas para mulheres em disputa acirrada por Pernambuco

Essa postura envergonhou Pernambuco, chocou o Brasil
Campos confronta Lyra sobre declaração polêmica sobre laqueadura sem consentimento durante debate sobre políticas para mulheres.
Mark

Por que as bets se tornaram um ponto de divisão tão importante neste debate?

Mimi

Porque a questão toca em duas coisas simultaneamente: arrecadação municipal e preocupações sociais reais. Campos defende que as cidades precisam se adaptar à realidade federal, enquanto Lyra vê as apostas como um vetor de crime organizado.

Luke

Mas vale notar que a redução da alíquota de Campos foi uma decisão concreta, documentada. O que não fica claro é quanto dinheiro isso gerou para o Recife ou quanto impacto teve no vício em jogos.

Mark

E quanto ao episódio da laqueadura? Isso parece ser o ponto mais pessoal do debate.

Mimi

É um momento em que Campos traz para o palco algo que Lyra já havia tentado deixar para trás. Ele usa um vídeo como prova, e ela pede desculpas mas também se defende citando investimentos.

Luke

O importante aqui é que Lyra realmente pediu desculpas publicamente. Isso não apaga o que foi dito, mas mostra que ela reconheceu o erro. Campos está certo em trazer à tona, mas o eleitor precisa saber que ela já havia se posicionado sobre isso antes.

Mark

A pesquisa mostra um empate técnico. O que mudou em uma semana?

Mimi

Campos ganhou três pontos. Pode ser efeito do debate, pode ser movimento natural da campanha. Mas o fato é que ele estava atrás e agora está empatado.

Luke

A pesquisa é de um único instituto e foi divulgada no mesmo dia do debate, então não sabemos se captura o impacto dele. Além disso, margem de erro não foi mencionada na reportagem.

Mark

Lyra recebe apoio de partidos de direita, mas menciona Lula durante o debate. Como isso funciona?

Mimi

Ela não declara voto a presidente, então pode falar bem de Lula quando convém, especialmente ao mencionar obras federais, sem se comprometer politicamente.

Luke

Isso é uma estratégia clara, mas a reportagem não deixa claro se ela realmente recebe apoio de bolsonaristas ou apenas de partidos de direita. Campos fez a acusação, mas não há confirmação independente disso.

  • Com 42% das intenções de voto cada, Lyra e Campos chegaram ao debate tecnicamente empatados, tornando cada palavra uma aposta de alto risco.
  • O tema das bets explodiu logo no início: Campos foi pressionado pela redução de impostos sobre casas de apostas no Recife, enquanto Lyra prometeu um programa de acolhimento para viciados em jogos.
  • O momento mais tenso veio quando Campos resgatou uma frase atribuída a Lyra sobre laqueadura sem consentimento — a governadora pediu desculpas publicamente, mas o dano simbólico já estava feito.
  • Na segurança pública, Lyra acusou o PSB de ter presidido o pior período da história do estado, enquanto Campos denunciou a expansão do PCC e do Comando Vermelho em Pernambuco.
  • Campos avançou três pontos percentuais na última semana, sinalizando que o debate ocorreu num momento de virada potencial na corrida eleitoral.

Em Pernambuco, onde mais da metade do eleitorado é composta por mulheres, dois candidatos empatados nas pesquisas se encontraram diante das câmeras para disputar não apenas votos, mas narrativas sobre quem melhor representa o futuro do estado. O debate entre Raquel Lyra e João Campos revelou as tensões que atravessam a política brasileira contemporânea: a regulação do jogo, a proteção das mulheres e o controle do crime organizado — temas que, juntos, desenham o contorno de uma sociedade ainda em busca de equilíbrio entre liberdade e responsabilidade.

Na noite de 29 de setembro, os três candidatos ao governo de Pernambuco debateram ao vivo pela TV Globo, com Raquel Lyra e João Campos no centro das trocas mais acaloradas, enquanto Ivan Moraes, do PSOL, pressionava ambos com questionamentos sobre suas trajetórias.

O tema das apostas online abriu o confronto. Moraes lembrou que Campos, como prefeito do Recife, reduziu de 5% para 2% o imposto sobre casas de bets. Campos se defendeu argumentando que, após a regulamentação federal pelo presidente Lula, municípios precisaram adaptar suas legislações para garantir arrecadação. Lyra, no bloco final, afirmou que as bets nunca tiveram espaço em seu governo e prometeu criar um programa para conectar psiquiatras e psicólogos a pessoas com vício em jogos.

O momento de maior tensão veio quando Campos trouxe à tona uma declaração anterior de Lyra em que ela teria sugerido colocar uma gestante na fila para laqueadura sem seu conhecimento. A governadora pediu desculpas, disse que aquela não era sua posição, e destacou que seu governo realizou o maior investimento em políticas para mulheres da história do estado. Campos, por sua vez, anunciou que dobraria o número de delegacias especializadas no atendimento a mulheres.

Na segurança pública, Campos denunciou a expansão do PCC e do Comando Vermelho em Pernambuco e cobrou a construção de novas delegacias. Lyra retrucou lembrando que Campos foi chefe de gabinete durante o que ela classificou como o pior período de segurança pública do estado, sob o governo do PSB.

O debate aconteceu no mesmo dia em que o instituto Quaest divulgou pesquisa mostrando os dois candidatos empatados com 42% das intenções de voto. Campos havia avançado três pontos percentuais em uma semana, enquanto Lyra oscilou apenas um ponto. Pernambuco tem mais de 7,2 milhões de eleitores, sendo o segundo maior colégio eleitoral do Nordeste — com 53,64% do eleitorado composto por mulheres, tornando o debate sobre direitos femininos ainda mais estratégico para ambos os lados.

Na noite de terça-feira, 29 de setembro, os três candidatos ao governo de Pernambuco subiram ao palco de um debate transmitido pela TV Globo para defender suas visões sobre temas que dividem o eleitorado: apostas online, direitos das mulheres e segurança pública. A governadora Raquel Lyra, do PSD, enfrentou o ex-prefeito do Recife João Campos, do PSB, enquanto o ex-vereador Ivan Moraes, do PSOL, pressionava ambos com questionamentos sobre suas trajetórias.

O tema das bets emergiu cedo no debate, quando Moraes atacou uma decisão de Campos quando era prefeito do Recife: reduzir de 5% para 2% a alíquota do ISS incidente sobre casas de apostas online. O ex-vereador provocou Campos lembrando que a prefeitura havia financiado carnavais, festas de São João e eventos públicos durante sua gestão, questionando como ele se explicaria aos parceiros que bancaram essas celebrações. Campos respondeu que nunca foi parceiro das bets, argumentando que após o presidente Lula regulamentar as apostas em nível federal, as cidades precisaram adequar suas legislações. Ele apontou que times de futebol, programas de televisão e festas em todo o Brasil passaram a receber patrocínio de plataformas de apostas, e que o Recife simplesmente se adequou para garantir arrecadação municipal.

Raquel Lyra retomou o assunto no bloco final do debate, desta vez dirigindo-se a Moraes. Ela afirmou que durante seu governo as bets nunca tiveram espaço, citando preocupações com lavagem de dinheiro e fortalecimento do crime organizado. A governadora prometeu lançar um programa chamado Acolhimento Digital para aproximar psiquiatras e psicólogos de pessoas que desenvolveram vício em jogos.

O confronto mais tenso do debate ocorreu quando Campos levantou o histórico de Lyra em relação a políticas para mulheres. Ele anunciou que duplicaria o número de delegacias especializadas em atendimento a mulheres e resgatou uma declaração polêmica da governadora em que ela sugeriu colocar uma gestante na fila para laqueadura sem seu conhecimento. Campos disse que um vídeo da governadora em uma ala pediátrica continha a frase "Faz sem ela saber", e que essa postura envergonhou Pernambuco e chocou o Brasil. Lyra pediu desculpas, afirmando que aquela não era sua posição nem sua prática, e destacou que seu governo realizou o maior investimento em políticas para mulheres da história do estado.

A segurança pública também ocupou espaço central nas trocas. Campos denunciou que facções criminosas como o PCC e o Comando Vermelho invadiram Pernambuco, privando famílias de liberdade, e cobrou a construção de delegacias para enfrentar o problema. Lyra retrucou afirmando que seu governo combateu facções criminosas e bateu recorde no combate ao crime organizado, lembrando que Campos havia sido chefe de gabinete de Paulo Câmara, o último governador do PSB no estado, durante o que ela chamou de pior período de segurança pública que Pernambuco já enfrentou.

Moraes também questionou o apoio de Campos ao presidente Lula, lembrando que o PSB havia apoiado Aécio Neves à presidência em 2014 e votado a favor do impeachment de Dilma Rousseff em 2016. Campos respondeu que Moraes estava fazendo o jogo de quem é contra Lula e disse que não esperava isso dele, mas que esperava de Lyra, que recebe apoio de partidos de direita como Podemos e Novo e não declara voto a presidente. Lyra pediu direito de resposta à acusação de estar cercada por bolsonaristas, mas o pedido não foi concedido. Durante o debate, ela mencionou Lula ao falar de parcerias em obras de adutoras, barragens e construção de hospitais.

No mesmo dia em que o debate foi transmitido, o instituto Quaest divulgou pesquisa de intenção de voto que mostrava a disputa extremamente acirrada. Lyra e Campos apareciam empatados com 42% cada um das intenções de voto no primeiro turno. Campos havia avançado três pontos percentuais em relação à rodada anterior, enquanto Lyra oscilou um ponto para cima. Na pesquisa de 23 de setembro, Lyra tinha 41% contra 39% de Campos. Uma semana antes, em 8 de setembro, ela liderava com 43% ante 37% do adversário. Pernambuco possui 7.225.744 eleitores aptos a votar neste ano, sendo o sétimo maior colégio eleitoral do país e o segundo do Nordeste, com 53,64% do eleitorado sendo feminino.

É uma inverdade dizer que eu sou parceiro de bets. Depois que o presidente Lula regulamentou as bets no Brasil, as cidades precisaram adequar suas legislações.
— João Campos
Comigo no governo, bet nunca teve vez. Eu sei que bet favorece a lavagem de dinheiro e cristaliza o crime organizado no Brasil.
— Raquel Lyra
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