Lula, reeleito, promete mudar o modo de governar, regular plataformas digitais e priorizar SUS e educação

Crime no mundo digital tem que ser tratado igual a crime na vida real
Lula defendeu a regulação das plataformas digitais em seu discurso de vitória em São Paulo.
Mark

Por que o discurso gira tanto em torno das redes sociais?

Mimi

Porque a campanha viveu isso. O PT acusou a Meta no TSE, e a Folha revelou mensagens internas de funcionários admitindo restrições às contas de Lula no Instagram.

Luke

Convém separar: a admissão de restrições está reportada, mas a tese de que a empresa tentou direcionar o resultado é a acusação da campanha, não um fato comprovado.

Mark

E o papel de Janones?

Mimi

Ele reuniu quase 11 milhões de pessoas num canal de WhatsApp e distribuiu tarefas aos seguidores. Mudou o jogo da esquerda no ambiente digital depois do primeiro turno.

Luke

Quanto isso pesou no resultado, ninguém mostrou. O número de integrantes é uma coisa; efeito sobre voto é outra.

Mark

Lula falou em governar de outro jeito. O que significa?

Mimi

Mais participação popular e comunicação direta, sem intermediários. Ele disse que vai falar com o povo muitas vezes por dia.

Luke

São intenções ditas num discurso de vitória. Não há detalhe sobre como serão feitas, nem como a regulação passaria num Congresso dominado pela direita bolsonarista.

Mark

Então o que acompanhar?

Mimi

A proposta de regulação das redes e o relacionamento com o Congresso.

  • A abstenção de 19,22% e a presença de três milhões de eleitores que tinham ficado em casa no primeiro turno mostram uma mobilização popular que pressiona o novo governo.
  • Lula acusa big techs como a Meta de interferir na eleição, e a disputa sobre regulação das redes ganha temperatura a cada fala.
  • O presidente promete falar diretamente com a população várias vezes ao dia, buscando contornar a imprensa e acelerar a comunicação digital.
  • Com um Congresso dominado pela direita bolsonarista, a agenda de SUS, educação e regulação digital terá de atravessar uma base adversária antes de virar realidade.

Na noite de domingo, em São Paulo, Lula voltou ao palco como presidente reeleito, após vencer Flávio Bolsonaro por cerca de 4,5 milhões de votos num segundo turno de participação mais alta do que se viu em anos. Ao falar de um país que, segundo ele, não aceita ser quintal de ninguém, o presidente tratou a vitória como mandato para mudar o modo de governar, enfrentar as plataformas digitais e ampliar políticas sociais. O desafio que se desenha é governar com um Congresso dominado pela direita, e a regulação das redes sociais tende a ser o terreno onde essa disputa mais se revelará.

Na noite de domingo, em São Paulo, Lula subiu ao palco como presidente reeleito, cercado de aliados, depois de vencer Flávio Bolsonaro por cerca de 4,5 milhões de votos. Começou agradecendo ao vice Geraldo Alckmin e celebrando um comparecimento que bateu recordes: a abstenção de 19,22% foi a menor para um segundo turno desde 2006, e três milhões de pessoas que tinham ficado em casa no primeiro turno voltaram às urnas. Lembrou jovens que foram às ruas e idosos levados às votações por netos.

O tema das plataformas digitais ocupou boa parte da fala. Lula afirmou que a eleição exigiu vencer uma interferência de fora para dentro, defendeu que crime digital seja tratado como crime real e criticou gigantes que lucram bilhões sem pagar imposto no país, citando a Meta, que a campanha petista acusou no TSE de favorecer o adversário. Ao mesmo tempo, agradeceu ao deputado André Janones, responsável pelo canal digital que reuniu quase 11 milhões de pessoas, e anunciou que a comunicação direta com a população terá papel central.

Sobre o adversário, foi duro, chamando a vitória de derrota do negacionismo e da mentira. Nas promessas, citou a defesa do SUS, atenção aos idosos, respeito às mulheres e Estado laico, além de escola em tempo integral, ampliação do Pé-de-Meia, 15 UTIs inteligentes e uma política de inteligência artificial e data centers com dados mantidos no país.

Lula evitou falar em unidade nacional e disse que o Brasil precisa apenas ser civilizado e respeitar sua Constituição. O desafio que se impõe agora é governar diante de um Congresso adverso, onde a regulação das redes deve se tornar um dos pontos mais disputados.

Na noite deste domingo (25), em São Paulo, o presidente Lula (PT) subiu ao palco rodeado de aliados para falar como reeleito. Ele derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL) por uma diferença de cerca de 4,5 milhões de votos. No discurso, prometeu mudar o jeito de governar, trabalhar com um Congresso dominado pela direita bolsonarista e regular as redes sociais.

Começou pelos agradecimentos. Elogiou o vice, Geraldo Alckmin (PSB), pela lealdade, e celebrou o comparecimento. A abstenção no segundo turno foi de 19,22%, a mais baixa para esta etapa desde 2006, e os votos inválidos também recuaram ao menor nível em 20 anos. Três milhões de pessoas que não votaram no primeiro turno compareceram agora. Lula agradeceu à juventude que "foi para a rua" e aos idosos, contando ter visto eleitores doentes e com dificuldade de locomoção levados às urnas por netos.

O tema das plataformas digitais ocupou boa parte da fala. Lula disse que a eleição exigiu vencer uma interferência vinda de fora para dentro e defendeu que crime no mundo digital seja tratado como crime na vida real. Criticou empresas gigantes que lucram bilhões, não pagam imposto no país e tentam direcionar o resultado eleitoral. No início de outubro, a campanha petista acusou no TSE a Meta, dona de Instagram, Facebook e WhatsApp, de interferir a favor do candidato do PL. A Folha revelou que funcionários da empresa admitiram, em mensagens internas, restrições que prejudicaram as contas do presidente no Instagram.

Sobre o adversário, Lula foi duro. Chamou a eleição de derrota do negacionismo e da mentira e disse ter ficado constrangido nos debates, ao enfrentar o que descreveu como um representante genuíno do milicianismo. No debate da Band, em 18 de outubro, Flávio adotou postura provocativa, fugiu de perguntas, e Lula se irritou e teve dificuldade de controlar a discussão. O presidente também lembrou a manifestação na avenida Paulista, na véspera, quando o público cantou o Hino da Independência diante do Masp, o que ele leu como sinal de que o país não aceita ser quintal de ninguém. O pano de fundo foi a sucessão de tarifaços e declarações ambíguas de Donald Trump, além da classificação de Comando Vermelho e PCC como organizações terroristas pelos EUA, anunciada dois dias após visita de Flávio ao presidente americano.

Lula agradeceu ao deputado André Janones (Rede), a quem chamou de general da campanha. Janones liderou a reação digital da esquerda após o primeiro turno e reuniu quase 11 milhões de pessoas no canal "Exército do Lula", no WhatsApp; Flávio e aliados chegaram a pedir ao TSE a derrubada do canal. Lula disse que a comunicação digital terá grande espaço no governo, que ganhou um celular do governador do Piauí, Rafael Fonteles, e que vai falar diretamente com a população várias vezes ao dia, sem ser interpretado por jornalistas de má-fé.

Nas promessas, citou a defesa do SUS contra a privatização, atenção aos idosos, mais respeito às mulheres e igualdade entre religiões, com Estado laico. Na educação, prometeu escola em tempo integral até o ensino médio, universalização do Pé-de-Meia no ensino médio e um Pé-de-Meia universitário. Defendeu mais matemática e engenharia para criar uma inteligência artificial brasileira e atrair data centers, com parte reservada a dados do país. Na saúde, prometeu 15 UTIs inteligentes e disse que o Brasil logo terá o maior percentual de tratamento de câncer. Lembrou ainda que o desmatamento caiu quatro anos seguidos, agradecendo a Marina Silva e João Paulo Capobianco.

Lula evitou a expressão "unidade nacional", que, segundo ele, nem sempre cabe no país, e disse que o Brasil só precisa ser civilizado e tem uma Constituição. O desafio agora é governar diante de um Congresso adverso, onde a regulação das redes deve ser um dos principais pontos de disputa.

Vamos mudar o jeito de governar esse país e fazer o povo participar mais das decisões.
— Lula, em discurso após a reeleição
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