Lula lidera seguidores nas redes, mas Bolsonaro e aliados dominam engajamento

É sempre um risco, porque pode simplesmente não se eleger e ainda perder seguidores
Especialista em estratégia digital avalia o fenômeno de outsiders que usam fama prévia para ganhar espaço na política.
Mark

Como é possível Lula ter mais seguidores mas Flávio Bolsonaro ter mais engajamento? Isso não deveria ser proporcional?

Mimi

Não necessariamente. Seguidores são uma métrica de alcance potencial, mas engajamento é sobre quem realmente interage. Flávio teve 41 milhões de interações contra 29 milhões de Lula. Pode ser que os seguidores de Lula sejam mais passivos, ou que a estratégia de Flávio seja mais provocadora.

Luke

Mas precisamos ser cuidadosos aqui. O que exatamente conta como "engajamento"? Curtidas, comentários, compartilhamentos — tudo junto? E em que período? A Tubular mediu isso durante quanto tempo?

Mimi

Ótima pergunta. A reportagem não especifica o período exato, apenas diz "durante a campanha". Mas a especialista Maria Carolina sugere que eleitores de direita compartilham mais conteúdo, o que explicaria o volume maior de interações.

Mark

Então esses outsiders como Nikolas Ferreira realmente conseguem se eleger só por causa das redes sociais?

Mimi

Não só por causa delas. Nikolas mantém uma audiência cativa desde sua primeira eleição — ele já era conhecido. As redes amplificam, mas não criam do nada. Luciana da Culinária é um caso mais arriscado: ela tem 9 milhões de seguidores, mas em um canal de receitas, não de política.

Luke

Exatamente. A reportagem diz que é "sempre um risco" porque o candidato pode não se eleger e perder seguidores. Mas não temos dados sobre quantos desses outsiders realmente vencem eleições. Isso é especulação.

Mimi

Verdade. Sabemos que Tiririca e Romário aproveitaram fama prévia, mas não sabemos a taxa de sucesso geral desse modelo.

Mark

E quanto ao dinheiro? Lula gastou R$ 6 milhões em impulsionamento. Isso é muito?

Mimi

Em termos de campanha digital, é significativo. Mas a reportagem não diz quanto cada candidato tem de orçamento total, então é difícil avaliar se é muito ou pouco em proporção.

Luke

E há uma restrição importante: o impulsionamento está proibido em certos períodos — 2 a 5 de outubro e 23 a 26 de outubro. Então esses números de R$ 6 milhões são dos últimos 30 dias, não da campanha inteira.

Mimi

Boa observação. E a decisão do TSE de remover perfis dos sistemas de recomendação mudou tudo. Agora o impulsionamento pago é praticamente obrigatório para alcançar quem não segue o candidato.

  • Lula tem mais seguidores, mas Flávio Bolsonaro gerou 41 milhões de interações contra 29 milhões do petista — o engajamento, não o número de fãs, é a moeda que vale nas campanhas digitais de 2026.
  • Outsiders como Nikolas Ferreira, MC Gui e Luciana da Culinária transformaram audiências construídas fora da política em trampolins eleitorais, repetindo um padrão que vai de Tiririca a Romário.
  • Uma decisão do TSE baniu candidatos dos sistemas de recomendação das plataformas, tornando o impulsionamento pago quase obrigatório — e Lula respondeu investindo R$ 6 milhões em publicações patrocinadas nos últimos 30 dias.
  • Pesquisadores apontam que eleitores de direita interagem mais abertamente com conteúdo político, amplificando organicamente candidatos como Flávio Bolsonaro e Renan Santos sem custo adicional.
  • Com janelas de proibição de impulsionamento entre 2 e 5 de outubro e 23 e 26 de outubro, as campanhas correm para concentrar seus gastos digitais nos intervalos permitidos, tornando cada real investido ainda mais estratégico.

A três semanas das eleições de 2026, as redes sociais oferecem um espelho ambíguo da política brasileira: quem acumula mais seguidores nem sempre é quem mobiliza mais corações. Lula lidera em audiência, mas seus adversários lideram em engajamento — e numa era em que algoritmos e orçamentos de impulsionamento determinam quem é visto, a distinção entre presença e influência nunca foi tão decisiva. O digital tornou-se o campo de batalha onde fama prévia, dinheiro e comportamento do eleitorado se entrelaçam para redesenhar as possibilidades do voto.

A três semanas do pleito de 2026, as redes sociais revelam uma campanha de duas velocidades. Lula acumula 15,4 milhões de seguidores no Instagram — o maior número entre presidenciáveis —, mas Flávio Bolsonaro, com 12,3 milhões, superou o petista em interações: 41 milhões contra 29 milhões durante a campanha. Renan Santos, do partido Missão, aparece próximo com 30 milhões de interações. Em visualizações, porém, Lula recupera terreno, ultrapassando 655 milhões contra 567 milhões de Flávio e 468 milhões de Renan.

Entre candidatos a deputado federal, o fenômeno dos outsiders digitais é ainda mais evidente. Nikolas Ferreira lidera com 22,3 milhões de seguidores no Instagram. MC Gui soma 11 milhões no Facebook, e Luciana da Culinária — cujo canal no YouTube é dedicado exclusivamente a receitas — chega a 9 milhões de inscritos. No Senado, a família Bolsonaro domina: Michelle com 8,3 milhões no Instagram, Carlos com 4,2 milhões. Os dados foram levantados pela Folha em parceria com a Tubular, cobrindo quase 21 mil candidatos registrados no TSE.

A estrategista Maria Carolina Lopes explica que candidatos com audiência prévia em outras áreas repetem um padrão histórico — de Tiririca a Romário —, mas o risco é real: podem não se eleger e ainda perder seguidores. Ela também aponta um desequilíbrio comportamental: eleitores de direita tendem a interagir mais abertamente com conteúdo político, enquanto os de esquerda se protegem em suas bolhas, o que amplifica organicamente os candidatos conservadores.

O dinheiro reflete essa assimetria. Lula investiu R$ 6 milhões em impulsionamento pago nos últimos 30 dias, seguido por Flávio Bolsonaro com R$ 997,5 mil. Apenas as ferramentas da Meta permitem patrocínio eleitoral no Brasil. Uma decisão do TSE desde 2024 retirou perfis de candidatos dos sistemas de recomendação durante a campanha, tornando o impulsionamento pago quase indispensável para alcançar eleitores que ainda não seguem o candidato. Com janelas de proibição de impulsionamento em dois períodos de outubro, cada intervalo permitido se transforma em uma corrida estratégica pelo alcance digital.

A três semanas do pleito, as redes sociais revelam um retrato dividido da campanha de 2026: Lula acumula o maior número de seguidores na maioria das plataformas, mas são seus adversários que conseguem fazer o público interagir. Flávio Bolsonaro e Renan Santos dominam em curtidas, comentários e compartilhamentos — a moeda que realmente circula nas campanhas digitais.

Os números são claros. No Instagram, onde a disputa presidencial se concentra, Lula soma 15,4 milhões de seguidores. Flávio Bolsonaro fica atrás com 12,3 milhões. Mas quando se trata de engajamento, a ordem se inverte: Flávio registrou mais de 41 milhões de interações durante a campanha, enquanto Lula alcançou 29 milhões. Renan Santos, do partido Missão, aparece no meio, com cerca de 30 milhões de interações. O petista, porém, compensou com alcance: suas publicações ultrapassaram 655 milhões de visualizações, contra 567 milhões de Flávio e 468 milhões de Renan.

Entre os candidatos a deputado federal, a história é de outsiders que transformaram fama em votos. Nikolas Ferreira, do PL mineiro que busca reeleição, é o candidato mais seguido em todo o país com 22,3 milhões no Instagram. MC Gui, cantor do PSD paulista, soma 11 milhões no Facebook. Luciana da Culinária, do Podemos goiano, lidera no YouTube com 9 milhões de seguidores — embora seu canal seja dedicado apenas a receitas. Adilson Barroso Bolsonarista, do PL paulista, tem 8,2 milhões no Facebook. Na disputa pelo Senado, a família Bolsonaro ocupa o topo: Michelle, com 8,3 milhões no Instagram; Carlos, com 4,2 milhões na mesma plataforma. Esses dados vêm de um levantamento da Folha em parceria com a Tubular, plataforma que monitora redes sociais, e abrangem os perfis de quase 21 mil candidatos registrados no TSE.

Maria Carolina Lopes, estrategista política digital e doutora em comunicação, explica o fenômeno. Candidatos que já tinham audiência em outras áreas — como Tiririca, que era palhaço, ou Romário, que era jogador de futebol — aproveitam a fama multiplataforma para ganhar espaço político. "É sempre um risco, porque pode simplesmente não se eleger e ainda perder seguidores", avalia. Mas há um padrão comportamental que favorece a direita: eleitores de esquerda tendem a ser mais contidos ao compartilhar conteúdos, protegendo-se em suas bolhas. Eleitores de direita estão mais dispostos a interagir com publicações de seus candidatos.

O investimento financeiro reflete essa dinâmica. Lula foi quem mais gastou com impulsionamento de conteúdo nos últimos 30 dias: R$ 6 milhões em publicações patrocinadas no Facebook e Instagram, segundo relatório da Meta. Flávio Bolsonaro vem em seguida com R$ 997,5 mil, seguido por Ronaldo Caiado com R$ 374,9 mil e Renan Santos com R$ 324,5 mil. Apenas as ferramentas da Meta permitem patrocínio de publicações político-eleitorais no Brasil. A empresa também oferece a possibilidade de cruzar conteúdos entre plataformas — levar seguidores do Instagram para o WhatsApp, por exemplo.

Uma decisão do TSE desde as eleições municipais de 2024 mudou o jogo: as redes sociais foram obrigadas a remover perfis oficiais de candidatos de seus sistemas de recomendação durante a campanha. Na prática, isso significa que o conteúdo de um candidato só chega a quem não o segue se houver pagamento para impulsionar. O efeito foi aumentar drasticamente a importância do Instagram nas campanhas e tornar o investimento em publicações pagas ainda mais crítico. O impulsionamento está proibido de 2 a 5 de outubro e de 23 a 26 de outubro, criando janelas estratégicas para os candidatos gastarem seus orçamentos digitais.

É a fatia dos candidatos que fazem outra coisa e aproveitam a fama multiplataforma, como nos casos de Tiririca e Romário, ou das redes em que trabalham, como no caso da Luciana da Culinária. É sempre um risco, porque pode simplesmente não se eleger e ainda perder seguidores.
— Maria Carolina Lopes, estrategista política digital e doutora em comunicação
Eleitores de esquerda são mais contidos ao compartilhar conteúdos e tendem a se proteger em suas bolhas. Já os eleitores de direita estão mais dispostos a interagir com as publicações de seus candidatos.
— Maria Carolina Lopes
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