A menos de dois anos das eleições presidenciais de 2026, o Brasil começa a ver os contornos de uma disputa que ainda não começou oficialmente, mas já se move nas pesquisas. O Datafolha, ouvindo mais de dois mil eleitores em março, encontrou Lula à frente em todos os cenários de segundo turno testados — mas com margens menores do que as registradas em dezembro, revelando um eleitorado que não está parado. A política, como sempre, é um rio: a liderança de hoje não garante a chegada de amanhã.
Lula lidera com 46% contra Flávio Bolsonaro em segundo turno, aponta Datafolha
Lula perde cinco pontos em três meses, Flávio ganha sete
Por que essa queda de cinco pontos para Lula em apenas três meses é importante?
Porque mostra que a eleição não está decidida. Em dezembro ele tinha 51%, agora tem 46%. Flávio subiu de 36% para 43%. Isso é movimento real.
Mas dentro da margem de erro de dois pontos, essa diferença de três pontos entre eles ainda deixa Lula tecnicamente à frente. Certo?
Sim, mas o padrão importa. Lula caindo e Flávio subindo na mesma direção — isso é tendência, não ruído.
E se Haddad fosse o candidato em vez de Lula? Os números mudam muito?
Completamente. Haddad fica atrás de Flávio: 41% contra 43%. Lula tem algo que Haddad não tem.
Mas a pesquisa não explica por quê. É rejeição a Haddad ou preferência por Lula? Não sabemos.
Então Lula ainda é o candidato mais forte do PT, mesmo perdendo força?
Claramente. Todos os cenários com Lula o mostram à frente. Com Haddad, ele perde contra Flávio.
Embora, novamente, dentro da margem de erro. E não sabemos como esses números evoluem entre março e outubro de 2026.
Os governadores de outros estados — Tarcísio, Ratinho, Caiado — eles são ameaças reais?
Menos que Flávio. Lula tem mais vantagem contra eles. Mas a tendência é a mesma: ele está perdendo pontos desde dezembro.
E nenhum deles confirmou que vai disputar a presidência. Tarcísio quer a reeleição em São Paulo. Ratinho em Paraná. Esses números são hipotéticos.
The Pulse
- Lula lidera o confronto direto com Flávio Bolsonaro por apenas três pontos — 46% a 43% —, uma diferença que cabe dentro da margem de erro e que era de quinze pontos em dezembro.
- A trajetória é o dado mais inquietante: o presidente perdeu cinco pontos desde dezembro, enquanto Flávio ganhou sete, sinalizando uma convergência acelerada.
- Nos cenários contra governadores como Tarcísio, Ratinho Jr., Caiado e Eduardo Leite, Lula mantém vantagens mais folgadas, mas quase todas encolheram em relação à pesquisa anterior.
- O ponto de virada aparece quando Fernando Haddad substitui Lula: contra Flávio Bolsonaro, o ministro da Fazenda ficaria atrás — 41% a 43% —, evidenciando que a força eleitoral do PT em 2026 ainda depende fortemente do nome do presidente.
- A pesquisa captura um momento de reconfiguração: Lula segue na dianteira, mas o campo de manobra está visivelmente mais estreito.
A menos de dois anos das eleições presidenciais de 2026, o Brasil começa a ver os contornos de uma disputa que ainda não começou oficialmente, mas já se move nas pesquisas. O Datafolha, ouvindo mais de dois mil eleitores em março, encontrou Lula à frente em todos os cenários de segundo turno testados — mas com margens menores do que as registradas em dezembro, revelando um eleitorado que não está parado. A política, como sempre, é um rio: a liderança de hoje não garante a chegada de amanhã.
Uma pesquisa do Datafolha divulgada pela Folha de S.Paulo em março de 2026 traça o mapa eleitoral para o pleito presidencial, testando múltiplos cenários de segundo turno. Em todos eles, o presidente Lula aparece à frente — mas as margens contam uma história de movimento, não de conforto.
No confronto mais direto, Lula marca 46% contra 43% de Flávio Bolsonaro. A diferença existe, mas está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. E o histórico recente pesa: em dezembro, o presidente tinha 51% e o senador apenas 36%. Desde então, Lula perdeu cinco pontos e Flávio ganhou sete — uma convergência que comprime a distância entre os dois candidatos mais prováveis.
Contra outros nomes da oposição, o presidente mantém vantagens mais confortáveis. Tarcísio de Freitas aparece com 42% contra 45% de Lula; Ratinho Junior fica em 41% contra 45% do presidente; Ronaldo Caiado marca 36% e Eduardo Leite, 34% — ambos bem abaixo dos 46% de Lula. Ainda assim, quase todos esses cenários mostram algum recuo em relação a dezembro.
O dado mais revelador surge quando o Datafolha testa Fernando Haddad no lugar de Lula. Contra Flávio Bolsonaro, o ministro da Fazenda ficaria atrás: 41% a 43%. A inversão sugere que a candidatura de Lula ainda carrega uma força eleitoral que seu partido, por si só, não reproduz com a mesma intensidade. O presidente lidera — mas o espaço está encolhendo.
Uma pesquisa do Datafolha divulgada no sábado pela Folha de S.Paulo traça o mapa eleitoral para 2026, testando diversos cenários de segundo turno. Em todos eles, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece à frente, mas as margens revelam um quadro em movimento — nem tão confortável quanto era alguns meses atrás.
No confronto direto entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro, o presidente marca 46% das intenções de voto contra 43% do filho do ex-presidente. À primeira vista, uma vantagem clara. Mas o histórico recente conta outra história. Em dezembro, Lula tinha 51% enquanto Flávio registrava apenas 36%. Sete meses antes, em julho de 2025, o presidente somava 48% e o senador 37%. A trajetória mostra Lula perdendo cinco pontos desde dezembro, enquanto Flávio ganha sete — uma convergência que reduz a distância entre os dois.
O instituto ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais entre quarta e quinta-feira da semana anterior, distribuídos em 137 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com 95% de confiança. Isso significa que, tecnicamente, a diferença entre Lula e Flávio está dentro da zona de incerteza — embora o presidente mantenha a dianteira.
Lula também lidera em confrontos contra outros possíveis candidatos da oposição. Contra Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo que já sinalizou intenção de disputar a reeleição em seu estado, o presidente tem 45% contra 42% do governador. Aqui também há recuo: em dezembro eram 47% para Lula e 42% para Tarcísio. Contra Ratinho Junior, governador do Paraná, Lula marca 45% enquanto o adversário fica em 41% — praticamente estável em relação a dezembro, quando o presidente tinha 47% e o governador paranaense 41%.
Os cenários contra governadores de outros estados mostram margens maiores. Contra Ronaldo Caiado, de Goiás, Lula aparece com 46% contra 36% de Caiado — uma queda de um ponto para o presidente em relação a dezembro, mas uma queda de cinco pontos para o governador goiano. Contra Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, a diferença é ainda mais ampla: 46% para Lula contra 34% para Leite, representando uma queda de sete pontos para o governador gaúcho desde dezembro.
O Datafolha também testou cenários alternativos em que Fernando Haddad, ministro da Fazenda, seria o candidato presidencial pelo PT. Nesse caso, o quadro muda. Contra Flávio Bolsonaro, Haddad teria 41% enquanto o senador chegaria a 43%, invertendo a posição — Flávio à frente. Esse resultado sugere que a candidatura de Lula, apesar dos recuos recentes, ainda carrega mais força eleitoral que a de seu ministro em cenários de segundo turno.
Os dados revelam um eleitorado em movimento. Lula mantém a liderança em todos os cenários testados contra governadores, mas a margem encolheu significativamente em relação a dezembro, especialmente contra Flávio Bolsonaro. A pesquisa captura um momento em que a disputa presidencial de 2026 começa a ganhar contornos mais definidos, com o presidente ainda na frente mas com espaço reduzido para manobra.
Notable Quotes
Em um eventual segundo turno das eleições de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria 46% dos interesses de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro alcançaria 43%— Pesquisa Datafolha divulgada pela Folha de S.Paulo