A cada ciclo eleitoral, o Brasil reencontra a si mesmo diante de um espelho partido: de um lado, a continuidade; do outro, a ruptura. A pesquisa Datafolha divulgada esta semana revela que, pela primeira vez, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente de Lula em um cenário de segundo turno — 46% contra 45% —, um empate técnico que, mesmo dentro da margem de erro, sinaliza uma transformação na dinâmica da corrida presidencial de 2026. A polarização se aprofunda, as rejeições permanecem simétricas e altas, e o país caminha para mais um confronto que parece deixar pouco espaço para quem não e
Datafolha: Flávio Bolsonaro lidera com 46% contra 45% de Lula no 2º turno
A eleição caminha para polarização cada vez mais consolidada
Como uma pesquisa que mostra empate técnico consegue ser notícia de que Flávio está à frente?
Porque é a primeira vez que ele aparece numericamente na frente em um segundo turno. Mesmo dentro da margem de erro, é uma mudança de trajetória — Lula estava sempre à frente antes.
Mas precisamos ser claros: 46% contra 45% com margem de erro de dois pontos significa que Lula pode estar em 47% e Flávio em 44%. Não é uma virada confirmada.
E no primeiro turno, como fica?
Lula mantém a liderança com 39%, mas Flávio cresceu de 33% para 35%. É um movimento mais lento, mas consistente.
Importante notar que Flávio cresceu 2 pontos enquanto Lula ficou estável. Se essa tendência continuar, o segundo turno fica cada vez mais competitivo.
E os outros candidatos? Caiado e Zema não conseguem sair do lugar?
Eles crescem lentamente, mas o ponto é que ainda são menos conhecidos e menos rejeitados. Caiado é desconhecido por 54% do eleitorado.
Exatamente. Eles têm espaço teórico de crescimento, mas a pesquisa mostra que a eleição está se polarizando entre Lula e Flávio. Quanto mais próximo fica o primeiro turno, menos espaço sobra para o centro.
A rejeição é simétrica?
Praticamente. 48% rejeitam Lula, 46% rejeitam Flávio. É uma eleição de dois blocos muito definidos.
E isso é importante porque significa que o resultado vai depender muito de quem consegue mobilizar melhor sua base e convencer os indecisos — que são apenas 4% no primeiro turno.
The Pulse
- Pela primeira vez, Flávio Bolsonaro ultrapassa numericamente Lula em intenções de voto para o segundo turno, marcando 46% contra 45% do presidente — um resultado que, mesmo dentro da margem de erro, rompe uma barreira simbólica importante.
- A rejeição mútua e elevada — 48% não votariam em Lula de jeito nenhum, e 46% rejeitam Flávio — revela que a eleição pode ser decidida menos por convicção e mais por aversão ao adversário.
- No primeiro turno, Lula ainda lidera com 39%, mas Flávio avança de 33% para 35%, e sua menção espontânea saltou de 12% para 16%, indicando crescimento real de presença na mente do eleitor.
- Caiado e Zema surgem como alternativas com menor rejeição e maior espaço para crescimento, mas ainda carecem de reconhecimento suficiente para ameaçar a polarização dominante.
- A fragmentação do primeiro turno aponta para um segundo turno cada vez mais inevitável, onde a soma dos adversários de Lula já alcança 55% dos votos válidos, consolidando o cenário de confronto direto.
A cada ciclo eleitoral, o Brasil reencontra a si mesmo diante de um espelho partido: de um lado, a continuidade; do outro, a ruptura. A pesquisa Datafolha divulgada esta semana revela que, pela primeira vez, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente de Lula em um cenário de segundo turno — 46% contra 45% —, um empate técnico que, mesmo dentro da margem de erro, sinaliza uma transformação na dinâmica da corrida presidencial de 2026. A polarização se aprofunda, as rejeições permanecem simétricas e altas, e o país caminha para mais um confronto que parece deixar pouco espaço para quem não escolhe um dos dois lados.
A pesquisa Datafolha divulgada esta semana marca um ponto de inflexão na corrida presidencial de 2026. Pela primeira vez, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente do presidente Lula em um cenário de segundo turno — 46% contra 45% —, resultado que, embora dentro da margem de erro de dois pontos percentuais e tecnicamente configurando empate, revela uma dinâmica eleitoral em transformação. O levantamento ouviu 2.004 eleitores em 137 cidades entre 7 e 9 de abril, em um momento em que Ronaldo Caiado acabava de oficializar sua candidatura pelo PSD.
No primeiro turno, a hierarquia se mantém diferente: Lula lidera com 39%, mas Flávio avançou de 33% para 35%. Quando a pesquisa pergunta espontaneamente em quem o eleitor pensa, Flávio saltou de 12% para 16% de citações — crescimento que chama atenção. Caiado aparece pela primeira vez nesse formato com apenas 2%, sugerindo que ainda não conquistou presença consolidada na mente do eleitorado.
A rejeição permanece o traço mais marcante do cenário. Quarenta e oito por cento rejeitam Lula, e 46% rejeitam Flávio — uma simetria que espelha a polarização estrutural da disputa. Caiado e Zema encontram-se em posição mais confortável justamente por serem menos conhecidos e menos rejeitados, mas essa vantagem ainda não se traduz em força eleitoral suficiente para romper a lógica binária.
O perfil dos eleitores revela as fraturas sociais da disputa: Lula vai melhor entre os mais pobres, os menos instruídos e os nordestinos, enquanto Flávio se destaca entre os mais ricos e, de forma pronunciada, entre os evangélicos, onde marca 49% contra 25% do presidente. Descontados brancos e nulos, a soma dos adversários de Lula já alcança 55% dos votos válidos — dado que aponta para um segundo turno cada vez mais inevitável e para uma eleição com pouco espaço para quem tenta ocupar o centro.
A pesquisa Datafolha divulgada nesta semana marca um ponto de inflexão na corrida presidencial de 2026. Pela primeira vez, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente do presidente Lula em um cenário de segundo turno, com 46% das intenções de voto contra 45% do petista. O resultado, porém, situa-se dentro da margem de erro de dois pontos percentuais — o que tecnicamente configura um empate — mas a trajetória que o levou até aqui revela uma dinâmica eleitoral em transformação.
O levantamento, realizado entre 7 e 9 de abril junto a 2.004 eleitores espalhados por 137 cidades, chega em um momento de maior clareza no tabuleiro político. Ronaldo Caiado oficializou sua candidatura pelo PSD, e o cenário de polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro ganha contornos mais nítidos. Quando testados contra outros nomes da direita, como Caiado e Romeu Zema do Novo, Lula permanece empatado tecnicamente, ambos marcando 42% contra 45% do presidente. Mas é no confronto direto com o senador que a mudança mais significativa aparece.
No primeiro turno, a hierarquia se mantém diferente. Lula segue na frente com 39% das intenções de voto, mas Flávio avançou de 33% para 35% — uma trajetória de crescimento que se acelera. Caiado subiu de 4% para 5%, enquanto Zema oscilou de 5% para 4%. Candidatos como Renan Santos, Aldo Rebelo e Cabo Daciolo aparecem com 2%, 1% e 1% respectivamente. Brancos e nulos somam 10%, e 4% dos entrevistados ainda não sabem em quem votar.
Quando a pesquisa abandona a lista de candidatos e pergunta espontaneamente em quem o eleitor pensa, o padrão se repete com variações reveladoras. Lula avançou de 25% para 26%, mantendo a dianteira, mas Flávio saltou de 12% para 16% — um crescimento que chama atenção. Caiado aparece pela primeira vez neste formato com apenas 2% das citações espontâneas, sugerindo que ainda não conquistou presença de topo na mente do eleitor.
A rejeição, porém, permanece o traço mais marcante da eleição. Quarenta e oito por cento dos entrevistados afirmam que não votariam em Lula de jeito nenhum, enquanto 46% rejeitam Flávio Bolsonaro. Essa simetria na rejeição espelha a polarização que domina o cenário. Lula é conhecido por 99% do eleitorado, enquanto Flávio é conhecido por 93%. Caiado e Zema, por sua vez, encontram-se em posição mais confortável de crescimento justamente porque ainda são menos conhecidos e menos rejeitados. Caiado é desconhecido por 54% do eleitorado e tem rejeição de apenas 16%, enquanto Zema é desconhecido por 56% e rejeitado por 17%.
O perfil do eleitorado que apoia cada candidato revela as fraturas políticas e sociais que estruturam a disputa. Lula vai melhor entre os menos instruídos, os mais pobres e os nordestinos. Flávio se destaca entre os mais ricos, em segmentos de renda mais alta e, de forma particularmente pronunciada, entre os evangélicos, onde marca 49% contra 25% do presidente. Entre os católicos, Lula mantém vantagem clara com 43% contra 30% do senador.
O levantamento também reforça a percepção de que o segundo turno é hoje o cenário mais provável. Quando se descontam brancos e nulos, Lula aparece com 45% dos votos válidos, enquanto a soma de seus adversários chega a 55%. Esse dado ainda deve ser lido com cautela pela distância até a eleição, mas aponta para uma fragmentação que tende a se resolver em um confronto direto. A entrada oficial de Caiado na disputa e o crescimento de Flávio consolidam a imagem de uma eleição cada vez mais polarizada, com pouco espaço para alternativas de centro.
Notable Quotes
Resultado ainda configura empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais— Datafolha