Lula cita Saddam ao criticar operações dos EUA e gera polêmica em entrevista à CNN

Mataram o Saddam e até agora não acharam uma arma química
Lula questiona a justificativa americana para a invasão do Iraque em entrevista à CNN.
Mark

Por que Lula escolheu trazer Saddam Hussein para uma entrevista sobre política externa atual? Parece uma comparação estranha.

Mimi

Não é sobre Saddam em si. É sobre o padrão. Lula está dizendo: os EUA invadiram o Iraque com uma justificativa que nunca se provou. Agora fazem operações na Venezuela, no Pacífico, com justificativas semelhantes. Ele quer mostrar que isso é recorrente.

Luke

Mas preciso ser claro: Saddam Hussein foi um ditador que matou centenas de milhares de pessoas. A falta de armas químicas não o torna inocente. Lula está criticando a justificativa da invasão, não o regime em si?

Mimi

Exatamente. Ele não está defendendo Saddam. Está questionando se as operações americanas resolvem algo ou apenas causam mais morte sem provas de sucesso.

Mark

E quanto ao caso da Venezuela? Maduro foi capturado e está sendo julgado. Isso é diferente de uma invasão.

Luke

Verdade. Maduro foi capturado em Caracas, que é território venezuelano, e está respondendo a acusações específicas de tráfico. Lula está certo em questionar se houve comprovação de drogas nos barcos, mas o caso de Maduro tem acusações formais. São situações diferentes.

Mimi

Lula vê um padrão de ação sem transparência. Operações acontecem, pessoas morrem, mas não há prestação de contas clara sobre o que foi encontrado ou provado.

Mark

E a Lei de Reciprocidade que ele menciona? É uma ameaça real?

Luke

Foi aprovada por unanimidade no Congresso, então sim, existe e está pronta para ser usada. Mas Lula deixa claro que prefere negociar primeiro. É uma carta na manga, não um plano imediato.

Mimi

O que importa é que ele está dizendo: não vamos aceitar imposições. Vamos negociar, mas temos ferramentas se for necessário.

  • Lula reacendeu uma ferida histórica ao lembrar que Saddam Hussein foi executado sem que as armas químicas que justificaram a invasão do Iraque jamais fossem encontradas.
  • A fala viralizou nas redes sociais com interpretações controversas, gerando uma onda de críticas que acusavam o presidente de defender o ditador iraquiano.
  • O presidente ampliou o ataque ao questionar operações americanas na Venezuela e no Pacífico, afirmando que nenhuma prova concreta de narcotráfico foi apresentada após mortes e prisões.
  • Chamando Trump de 'imperador' e denunciando a 'lei do mais forte', Lula traçou uma linha clara entre o direito de governar um país e a pretensão de governar o mundo.
  • No campo comercial, Lula declarou preferência pela negociação, mas alertou que o Brasil dispõe de uma Lei de Reciprocidade aprovada por unanimidade no Congresso, pronta para ser acionada.

Em um momento em que as tensões entre grandes e pequenas nações redefinem a ordem global, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu o palco da CNN internacional para invocar o fantasma do Iraque — e com ele, uma pergunta que atravessa décadas: até quando o mundo aceita guerras construídas sobre justificativas que nunca se comprovam? Falando à jornalista Christiane Amanpour, Lula estendeu essa crítica às operações americanas na Venezuela e no Pacífico, defendendo a soberania das nações contra o que chamou de 'lei do mais forte'. Ao mesmo tempo, o presidente sinalizou que o Brasil prefere a mesa de negociação à guerra tarifária — mas que não chegará a ela de mãos vazias.

Em entrevista à jornalista Christiane Amanpour da CNN, o presidente Lula recorreu a um episódio que o inquieta há anos: a invasão do Iraque pelos Estados Unidos, a execução de Saddam Hussein em 2006 e a ausência definitiva das armas químicas que serviram de pretexto para a guerra. 'Mataram o Saddam Hussein e até agora não acharam uma arma química. Eu fico me perguntando até quando o mundo vai ficar subordinado à mentiras', disse. A declaração rapidamente se espalhou pelas redes sociais, com muitos interpretando-a como uma defesa do ditador iraquiano.

Não era a primeira vez. Em março, durante encontro da Celac, Lula havia feito perguntas semelhantes sobre o Iraque e o Irã, revelando um padrão consistente de questionamento às intervenções americanas baseadas em justificativas não comprovadas.

Na mesma entrevista, o presidente estendeu a crítica às operações recentes de Washington na Venezuela e a ataques contra embarcações no Pacífico, acusadas de envolvimento com narcotráfico. Para Lula, essas ações violam a soberania das nações. Referindo-se ao caso de Nicolás Maduro — preso nos EUA desde janeiro e réu em quatro acusações ligadas a drogas e armas — o presidente argumentou que mortes e prisões ocorreram sem que provas concretas fossem apresentadas publicamente.

O tom político se aprofundou quando Lula voltou a chamar Trump de 'imperador', rejeitando um modelo de poder baseado na força bruta. 'O Trump foi eleito para ser presidente dos EUA. Ele tem o direito de governar para os EUA, mas ele não tem o direito de governar outros países', afirmou.

No plano comercial, Lula classificou as tarifas americanas contra o Brasil como 'baseadas em mentiras', mas reafirmou sua disposição para negociar. Filho do movimento sindical, disse preferir acordos a conflitos — porém deixou um recado claro: caso os EUA não queiram negociar, o Brasil acionará a Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional.

Em entrevista exclusiva à jornalista Christiane Amanpour da CNN na segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva trouxe à tona a morte de Saddam Hussein para questionar as operações militares dos Estados Unidos ao redor do mundo. Lula apontou um fato que o incomoda há anos: os americanos invadiram o Iraque alegando que o país possuía armas químicas, mataram o ditador iraquiano em 2006, mas nunca encontraram essas armas. "Mataram o Saddam Hussein e até agora não acharam uma arma química. Eu fico me perguntando até quando o mundo vai ficar subordinado à mentiras", disse o presidente brasileiro. O comentário rapidamente viralizou nas redes sociais, com usuários interpretando a fala como uma defesa do antigo líder iraquiano, gerando críticas em plataformas como X e TikTok.

Esta não era a primeira vez que Lula retomava o caso iraquiano para criticar a política externa americana. Em março deste ano, durante um encontro da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), ele havia feito perguntas semelhantes: "E agora se invadiu o Irã a pretexto de que o Irã estava construindo bomba nuclear. Cadê as armas químicas do Saddam Hussein? Aonde elas estão? Quem achou?". O padrão de questionamento revela uma preocupação consistente do presidente com o que ele vê como intervenções americanas baseadas em justificativas que não se comprovam.

Na mesma entrevista com Amanpour, Lula expandiu sua crítica para operações mais recentes. Mencionou as ações de Washington na Venezuela e os ataques contra embarcações acusadas de envolvimento com narcotráfico no Oceano Pacífico. Segundo o presidente, essas operações desrespeitam a soberania territorial das nações. "A segurança territorial dos países não existe. Qualquer país agora pode invadir um outro país", afirmou. Ao falar sobre a Venezuela especificamente, Lula argumentou que se havia narcotráfico no país, a solução seria prender os traficantes, não matar pessoas em operações cujos resultados nunca foram comprovados. "Se tinha narcotráfico na Venezuela, prende o narcotraficante. Agora, mataram muita gente lá, nos barcos, e não provaram ainda nenhum traficante. Não mostraram nenhuma droga, não mostraram nada. Só prenderam", disse, referindo-se ao caso de Nicolás Maduro, capturado pelos Estados Unidos em Caracas e preso desde 3 de janeiro em território americano, respondendo a quatro acusações relacionadas a tráfico de drogas e armas.

A crítica de Lula às operações militares americanas se insere em uma visão mais ampla sobre o exercício do poder internacional. Durante a entrevista, o presidente voltou a chamar Donald Trump de "imperador", criticando um modelo de governança baseado na força bruta. "É um jeito de governar quando você diz que eu sou forte, eu sou maior, eu sou mais rico, eu posso tudo e o restante tem que obedecer. É a chamada lei do mais forte, eu não concordo com esse tipo de lei", comentou. Lula reconheceu o direito de Trump governar os Estados Unidos, mas negou que ele tenha autoridade para impor sua vontade a outros países. "O Trump foi eleito para ser presidente dos EUA. Ele tem o direito de governar para EUA, mas ele não tem o direito de governar outros países. Não tem o direito de impor a sua vontade", acrescentou.

A entrevista também tocou em questões comerciais imediatas. Lula caracterizou as tarifas americanas contra o Brasil como "baseadas em mentiras" e chamou atenção para o desequilíbrio comercial entre os dois países. Apesar da tensão, o presidente reafirmou sua preferência pela negociação. "Eu não quero entrar em uma guerra tarifária com os EUA, nem com qualquer outro país. O que eu quero é negociar, e acredito na negociação; nasci no movimento trabalhista e sindical justamente para negociar e buscar acordos. Farei todos os esforços para negociar", disse. No entanto, deixou claro que há limites para essa disposição. Se os Estados Unidos não se mostrarem dispostos a negociar, o Brasil tem ferramentas à sua disposição. "Caso não seja possível porque os EUA não queiram, teremos que tomar as atitudes, que tem uma Lei de Reciprocidade aprovada por unanimidade no Congresso Nacional", completou, sinalizando que o país está preparado para responder com medidas próprias caso as negociações fracassem.

A segurança territorial dos países não existe. Qualquer país agora pode invadir um outro país
— Presidente Lula, criticando operações militares americanas
O Trump foi eleito para ser presidente dos EUA. Ele tem o direito de governar para EUA, mas ele não tem o direito de governar outros países
— Presidente Lula, sobre os limites da autoridade presidencial americana
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