Na quarta-feira, o presidente Lula assinou quatro decretos que redefinem a arquitetura energética do Brasil — abrindo o mercado livre de eletricidade a pequenos consumidores, regulamentando combustíveis sustentáveis para a aviação e criando um marco para a captura de carbono. É um movimento que reconhece que a transição energética não acontece apenas nas grandes usinas, mas também na escolha que um hospital ou uma escola faz sobre de quem compra sua luz. O Brasil aposta que descentralizar o poder de escolha e certificar novas tecnologias pode alinhar crescimento econômico e responsabilidade cl
Lula assina decretos que abrem mercado livre de energia e regulam combustível sustentável
Pequenos estabelecimentos ganham poder de escolha sobre quem vende sua energia
Por que abrir o mercado de energia para pequenos consumidores agora? O que muda na prática para um dono de padaria ou uma escola?
Até agora, eles não tinham escolha. Compravam energia da distribuidora local pelo preço que ela oferecia. Agora, a partir de 2027, podem procurar fornecedores alternativos, potencialmente com preços melhores ou energia de fontes renováveis. É uma mudança de poder.
E se o fornecedor que escolheram desaparecer ou falir?
Entra o SUI, o Supridor de Última Instância. A distribuidora local garante que a energia continue chegando. É uma rede de segurança para que ninguém fique sem luz.
Faz sentido. Mas por que combustível sustentável de aviação é tão importante agora?
A aviação é um setor que cresce e emite muito carbono. Não há bateria que voe um avião comercial hoje. O SAF é uma ponte — usa combustível que reduz emissões em até 80% comparado ao querosene comum, e pode ser usado nos motores existentes.
E o Brasil tem vantagem nisso?
Tem. Temos cana-de-açúcar, biomassa, tecnologia. O decreto abre o caminho regulatório para produzir em escala. Projetam 2,1 bilhões de litros em 2030. É um mercado que vai crescer.
O que é esse Certificado de Sustentabilidade do SAF? Parece complicado.
Na verdade simplifica. Permite separar o valor ambiental do combustível de seu volume físico. Uma companhia aérea pode comprar o combustível em um lugar e o crédito ambiental em outro. Torna a logística viável em aeroportos menores.
E a captura de carbono? Isso funciona de verdade?
É tecnologia em desenvolvimento. O decreto cria as regras para que empresas capturem CO₂ da atmosfera ou de processos industriais, transportem por dutos e armazenem no subsolo. Não é solução completa, mas é parte da estratégia.
El Pulso
- Pela primeira vez, pequenos comércios, rurais, hospitais e escolas terão o direito de escolher seu fornecedor de energia elétrica a partir de novembro de 2027 — uma ruptura com décadas de mercado cativo.
- Consumidores residenciais entram na fila um ano depois, em 2028, mas a transição exige um mecanismo de segurança: o Supridor de Última Instância garante que ninguém fique sem luz se o fornecedor escolhido falhar.
- A aviação doméstica passa a ter metas obrigatórias de redução de emissões a partir de 2027, com certificação compulsória de todo combustível sustentável produzido ou importado no país.
- Um certificado inovador permite negociar o atributo ambiental do combustível sustentável separado do volume físico, facilitando sua adoção em aeroportos distantes dos centros de produção.
- O Brasil projeta produzir 3,6 bilhões de litros de combustível sustentável de aviação em 2035 e cria o primeiro marco regulatório nacional para captura e armazenamento geológico de carbono.
Na quarta-feira, o presidente Lula assinou quatro decretos que redefinem a arquitetura energética do Brasil — abrindo o mercado livre de eletricidade a pequenos consumidores, regulamentando combustíveis sustentáveis para a aviação e criando um marco para a captura de carbono. É um movimento que reconhece que a transição energética não acontece apenas nas grandes usinas, mas também na escolha que um hospital ou uma escola faz sobre de quem compra sua luz. O Brasil aposta que descentralizar o poder de escolha e certificar novas tecnologias pode alinhar crescimento econômico e responsabilidade climática.
Na quarta-feira, o presidente Lula assinou quatro decretos que reorganizam setores críticos da economia energética brasileira. O mais imediato deles abre o mercado livre de eletricidade a consumidores que até agora não tinham escolha sobre seu fornecedor. A partir de 25 de novembro de 2027, pequenos estabelecimentos comerciais, propriedades rurais, hospitais e escolas — todos que recebem energia em baixa tensão — poderão migrar para o chamado Ambiente de Contratação Livre. Os consumidores residenciais terão acesso a essa liberdade um ano depois, em novembro de 2028.
Para proteger quem fizer essa migração, os decretos criam o Supridor de Última Instância: uma rede de segurança que garante o fornecimento caso o prestador escolhido deixe de operar. Até 2030, as distribuidoras tradicionais exercerão esse papel; depois, outros agentes poderão assumir a função, sob regulação da Aneel.
Outro decreto regulamenta o Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação, estabelecendo metas graduais de redução de emissões para o setor aéreo doméstico a partir de 2027, com objetivo de 10% de corte em 2037. Todo combustível produzido no Brasil ou importado passará a exigir certificação obrigatória. Uma inovação relevante é o Certificado de Sustentabilidade do SAF, que permite negociar o atributo ambiental do combustível separado de seu volume físico — ampliando sua viabilidade logística em todo o país.
O terceiro decreto cria o marco regulatório para captura, transporte e armazenamento geológico de dióxido de carbono, com foco em segurança ambiental e descarbonização industrial. As atividades dependerão de autorização da Agência Nacional do Petróleo, e o Ministério de Minas e Energia elaborará um plano nacional de infraestrutura revisado a cada dois anos. Juntos, os decretos projetam uma produção de 2,1 bilhões de litros de combustível sustentável em 2030 e 3,6 bilhões em 2035 — três frentes que o governo considera essenciais para a transição energética brasileira.
Na quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou quatro decretos que reorganizam setores críticos da economia energética brasileira, abrindo caminhos para que consumidores menores escolham seus fornecedores de eletricidade e estabelecendo regras para combustíveis mais limpos na aviação e captura de carbono.
O primeiro decreto marca uma mudança estrutural no mercado de energia elétrica. Até agora, a maioria dos consumidores não tinha escolha sobre quem lhes vendia eletricidade. A partir de 25 de novembro de 2027, pequenos estabelecimentos comerciais, propriedades rurais, indústrias menores, hospitais e escolas — todos aqueles que recebem energia em baixa tensão, abaixo de 2,3 kV — poderão selecionar seu fornecedor. Para consumidores residenciais, essa liberdade chega um ano depois, em novembro de 2028. O decreto define como funcionará essa migração para o chamado Ambiente de Contratação Livre, incluindo os requisitos formais e o papel de agentes varejistas que intermediarão essas transações.
Um mecanismo importante nessa abertura é o chamado SUI, o Supridor de Última Instância. Ele funciona como uma rede de segurança: se o fornecedor que um consumidor escolheu deixar de prestar o serviço, o SUI garante que a energia continue chegando. Até 31 de dezembro de 2030, as distribuidoras de energia elétrica exercerão essa função. Depois dessa data, outros agentes poderão assumir a responsabilidade, conforme regulamentação da Agência Nacional de Energia Elétrica, que coordenará a transição entre os dois ambientes de contratação.
O segundo decreto regulamenta o Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação, criado pela Lei do Combustível do Futuro. Ele estabelece as regras para como esse combustível será produzido, certificado, comercializado e rastreado, além de definir metas de redução de emissões para o setor aéreo. A partir de 2027, a aviação doméstica começará a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa de forma gradual, com o objetivo de alcançar 10% de redução em 2037. O decreto também cria o Programa Nacional de Certificação do Combustível Sustentável de Aviação, garantindo que todo combustível produzido no Brasil ou importado seja certificado obrigatoriamente.
Dentro desse marco regulatório, foi criado também o Certificado de Sustentabilidade do SAF — a sigla em inglês para Sustainable Aviation Fuel. Esse certificado permite que o atributo ambiental do combustível sustentável seja negociado separadamente de seu volume físico, uma inovação que amplia a viabilidade logística do combustível e facilita seu uso em aeroportos de todo o país. O sistema inclui registro, rastreabilidade e comprovação das reduções de emissões alcançadas.
O terceiro decreto estabelece as condições para captura, transporte por dutos e armazenamento geológico de dióxido de carbono no Brasil. Ele regulamenta artigos da Lei do Combustível do Futuro e cria o marco regulatório para essa atividade, com foco em segurança ambiental e operacional, descarbonização industrial e expansão de tecnologias de baixo carbono. As atividades dependerão de autorização da Agência Nacional do Petróleo, e há regras para monitoramento e encerramento das operações. O Ministério de Minas e Energia, com apoio da Empresa de Pesquisa Energética, elaborará um plano nacional de infraestrutura para orientar a implantação de áreas de captura, transporte e armazenamento de carbono, com revisão a cada dois anos.
Segundo o ministério, esses decretos abrem caminho para que a produção nacional de combustível sustentável de aviação alcance 2,1 bilhões de litros por ano em 2030 e 3,6 bilhões de litros em 2035. Os três decretos juntos representam um esforço coordenado para descentralizar o mercado de energia, reduzir emissões no transporte aéreo e criar infraestrutura para captura e armazenamento de carbono — três frentes da transição energética que o governo vê como essenciais para os próximos anos.
Citas Notables
O SUI será exercido pelas distribuidoras de energia elétrica até 31 de dezembro de 2030, após o qual outros agentes poderão assumir conforme regulamentação da Aneel— Decreto assinado pelo presidente Lula