Stray Kids liderou apresentações de k-pop no palco Mundo com som dinâmico misturando hip-hop, pop e rock, atraindo plateia mais jovem que em outros dias do festival. O k-pop funcionou como 'festival dentro de festival', com público específico que pouco dialogou com outras atrações, criando dinâmica diferente dos dias anteriores do Rock in Rio.
K-pop no Rock in Rio apresenta festival a geração jovem, mas não esgota ingressos
Um festival dentro de um festival, dois universos que pouco dialogavam
Por que o k-pop funcionou como um festival separado dentro do Rock in Rio? Não era para ser tudo integrado?
O público era completamente diferente. Enquanto outras atrações tinham gente adulta circulando entre os palcos, os fãs de k-pop acampavam no palco Mundo desde cedo. Não tinham interesse em ver Jamiroquai ou Os Garotin. Era um universo fechado.
Mas isso não é novo em festivais. Públicos específicos sempre se concentram em seus artistas. O que torna isso diferente aqui?
A escala. O k-pop trouxe uma demografia tão jovem e tão concentrada que mudou a física do festival. Precisaram emitir alertas de segurança. Nunca tinha acontecido nos outros dias.
E os ingressos não esgotaram. Isso significa que o k-pop não é tão forte assim no Brasil?
Ou significa que o Rock in Rio tem capacidade de sobra. Os ingressos também não esgotaram no dia do rock e do heavy metal. Não dá para tirar conclusão só disso.
Verdade. Mas o k-pop é nicho aqui. Extremamente popular nas redes, mas nicho. Os pais dos fãs não sabiam quem eram os artistas coreanos. Isso é diferente.
Então qual é a importância real dessa sexta-feira?
Apresentou uma geração inteira à experiência de festival. Esses jovens provavelmente voltam. E para o Rock in Rio, é um teste de como se renovar depois da pandemia.
Mas ainda não sabemos se o k-pop vai crescer ou arrefecer nos próximos anos. É uma aposta, não uma tendência confirmada.
Der Puls
- Stray Kids liderou apresentações de k-pop no palco Mundo do Rock in Rio em 11 de setembro
- Público de k-pop era predominantemente jovem e adolescente, diferente de outros dias do festival
- Ingressos não esgotaram, assim como nos dias do rock e heavy metal
- BTS lotou o Nubank Parque por dois dias em 2019; Stray Kids fez dois shows no Morumbi e um no Nilton Santos em 2025
- Festival precisou emitir alerta de segurança devido ao adensamento perigoso de público no show principal
Stray Kids liderou apresentações de k-pop no palco Mundo com som dinâmico misturando hip-hop, pop e rock, atraindo plateia mais jovem que em outros dias do festival. O k-pop funcionou como 'festival dentro de festival', com público específico que pouco dialogou com outras atrações, criando dinâmica diferente dos dias anteriores do Rock in Rio.
O Rock in Rio dedicou sexta-feira ao k-pop com Stray Kids como atração principal, atraindo multidões de jovens e adolescentes, marcando crescimento da indústria musical sul-coreana no Brasil apesar de ingressos não esgotarem.
Na sexta-feira 11 de setembro, o Rock in Rio transformou-se em algo irreconhecível. Depois de quatro dias de shows que terminaram com Elton John na segunda, o festival carioca dedicou seu quinto dia inteiramente ao k-pop, a música pop sul-coreana que há anos domina as redes sociais e as paradas de streaming em todo o mundo. Desde o início da tarde, o Parque Olímpico encheu-se de uma multidão diferente das anteriores: crianças, adolescentes e seus pais ocupavam os espaços, criando uma demografia que nem mesmo o dia do trap, dois anos atrás, havia conseguido igualar em juventude.
Os sinais dessa mobilização eram visíveis por toda parte. Camelôs vendiam camisetas do Stray Kids, a atração principal do dia, em quantidade impressionante. Os fãs chegavam adornados com acessórios característicos do universo k-pop: leques que batiam no ar durante os shows e lightsticks iluminados, aqueles bastões luminosos que piscam em sincronia com a música. Como havia acontecido no dia do rock com o Foo Fighters e no do heavy metal com o Avenged Sevenfold, os ingressos não esgotaram. Era possível comprar entradas enquanto os shows já estavam em andamento. Ainda assim, os três apresentações de k-pop no palco Mundo, o maior do festival, reuniram multidões barulhentas que se estendiam até onde a vista alcançava.
A concentração de público criou situações inusitadas. Enquanto a manhã havia permitido caminhar livremente entre a plateia espalhada pelo parque, o show principal do Stray Kids comprimiu as pessoas contra a grade de forma perigosa. O calor abafado do dia, com termômetros próximos aos 30 graus e pouca chuva, fez algumas pessoas passarem mal. O Rock in Rio precisou emitir um alerta pedindo que o público recuasse para que a apresentação pudesse prosseguir sem incidentes. Esse adensamento contrastava drasticamente com os outros palcos do festival. Ainda que o pop coreano fosse extremamente popular nas redes e no streaming, ele permanecia como uma cultura de nicho no Brasil, o que criava uma dinâmica peculiar: poucos fãs de k-pop se interessavam por apresentações como a de Os Garotin com Duquesa ou Jamiroquai no palco Sunset, ou NandaTsunami no Supernova. Estavam todos concentrados em guardar um bom lugar no espaço principal. Os pais dos jovens fãs de k-pop, por sua vez, pareciam saber pouco sobre os artistas coreanos. Era como um festival dentro de um festival, dois universos que pouco dialogavam.
O Nexz abriu o palco Mundo com um show coreográfico repleto de playback, reunindo uma multidão que pulava e aplaudia. O grupo, formado por seis japoneses e um sul-coreano que atuam dentro da indústria sul-coreana, tinha apenas dois anos desde sua formação. Repetiu músicas no palco—um pop ultrassintético que mimetizava rimas e batidas de rap—e abusou das danças, funcionando como aquecimento para o que viria. Hwasa, integrante do grupo Mamamoo, apresentou seu trabalho solo com domínio do palco e ousadia estética. Cantou de verdade, com o apoio de faixas gravadas comuns no pop atual, acompanhada por uma banda—raridade no k-pop—que transitava de riffs de guitarra roqueiros a batidas eletrônicas distorcidas no estilo hyperpop de Charli XCX.
O Stray Kids reuniu a plateia mais ansiosa e comprimida do Rock in Rio até então. O grupo fez um som mais pesado que seus pares, com destaque para batidas e rimas de hip-hop. Foi um show acelerado e extremamente dinâmico, em que um verso entrava no outro sem pedir licença, cedendo lugar a um refrão ou arranjo instrumental. Os integrantes alternavam vozes doces e melódicas com levadas sujas e vozes distorcidas, distante do estereótipo da boyband clássica e da fofura típica do k-pop, ainda que com apelo pop evidente. Com coreografias bem alinhadas, acompanhados por uma banda, os membros ainda brincaram de tocar samba e conversaram com a plateia. Como em todos os shows de k-pop daquela sexta, tiveram um tradutor no palco—prática bastante incomum para um festival no Brasil.
Esta sexta marcou mais um passo da indústria musical sul-coreana no Brasil. Em 2019, o BTS havia feito a primeira demonstração de grandeza do pop coreano por aqui, lotando o Nubank Parque dois dias seguidos com apresentações de mais de duas horas e meia de duração. Com discos nas paradas dos Estados Unidos, foram os primeiros a despontar neste lado do planeta, abrindo caminho para outros artistas. No Brasil, o Stray Kids os superou no ano passado com dois shows no estádio do Morumbi e outro no Nilton Santos, no Rio. É também um marco para o próprio Rock in Rio, que busca maneiras de se renovar após perder a capacidade de atrair a elite da música pop global. Neste ano, em três dos cinco dias do festival, os ingressos não esgotaram—pelo menos até que as atrações estivessem no palco. Na edição passada, as apostas foram no trap, num dia só de atrações brasileiras e outro só com mulheres. Agora, a bola da vez é o k-pop, que mostra força de comoção e capacidade de reunir multidões, trazendo como contrapeso a dificuldade inicial de se integrar ao ambiente do festival. Se o Rock in Rio ainda patina para se encontrar no pós-pandemia, fez algo que pode ser importante para seu futuro nesta sexta. Os jovens que viram o Stray Kids foram devidamente apresentados à experiência de um festival e à força de comoção da música ao vivo. Devem voltar—seja para ver a nova sensação do pop sul-coreano ou de outro tipo de música.
Bemerkenswerte Zitate
Era como um festival dentro de um festival, onde esses universos pouco dialogaram— Análise da cobertura sobre a dinâmica do evento
Os jovens que viram o Stray Kids foram devidamente apresentados à experiência de um festival e à força de comoção da música ao vivo— Reflexão sobre o impacto futuro do evento