Justiça mantém celulares apreendidos com delegado Mauricio Demetrio apesar de recurso da defesa

Delegado Mauricio Demetrio permanece preso desde junho de 2021, acusado de crimes de corrupção e associação criminosa; sua esposa também responde ao processo em liberdade.
As conversas recuperadas já forneceram as evidências dos crimes
O juiz justificou a manutenção dos aparelhos apreendidos pela importância deles como prova material das investigações contra o delegado.
Mark

Por que o juiz achou tão importante manter esses celulares apreendidos? Parece uma decisão que prejudica a defesa.

Mimi

O juiz argumentou que os aparelhos são fontes materiais de prova essenciais. Conversas recuperadas deles já forneceram evidências de crimes, inclusive sobre uma tentativa de forjar propina ao prefeito.

Luke

Mas a defesa tem um ponto legítimo — como Demetrio vai se defender sem acesso aos seus próprios aparelhos? Isso não é um direito básico?

Mimi

O juiz respondeu que a defesa pode usar outros meios. Mas é verdade que há uma tensão aqui entre investigação e direito de defesa.

Mark

E quanto à esposa? Ela está respondendo ao processo também?

Mimi

Sim, por suspeita de lavagem de dinheiro, mas está em liberdade. A defesa alegou que ela não conseguia trabalhar como advogada sem os equipamentos.

Luke

O juiz achou isso não crível. Disse que muitos advogados trabalham sem condições financeiras favoráveis. É um argumento válido, mas também um pouco frio — não leva em conta que ela pode ter perdido clientes ou oportunidades.

Mark

Quanto tempo os investigadores precisam desses aparelhos?

Mimi

O juiz não especificou um prazo. Apenas disse que há necessidade de usar ferramentas especializadas para extrair dados, códigos e senhas.

Luke

Aí está o problema real. Sem um prazo definido, os aparelhos podem ficar retidos indefinidamente. A defesa tem razão em recorrer.

Mark

Demetrio está preso desde quando?

Mimi

Desde junho de 2021. Mais de seis meses já.

Luke

E a investigação começou em 2019, baseada em denúncias de comerciantes em Petrópolis. Isso é uma operação que levou tempo para se desenvolver.

  • Delegado Mauricio Demetrio preso desde junho de 2021, acusado de associação criminosa, lavagem de dinheiro e concussão
  • Juiz negou devolução de 12 celulares, 4 tablets, 4 notebooks e 1 HD apreendidos na operação
  • Conversas recuperadas dos celulares forneceram evidências de tentativa de forjar propina ao prefeito Eduardo Paes
  • Operação Carta do Corso iniciou em 2019 a partir de denúncias de comerciantes em Petrópolis

Delegado Mauricio Demetrio, preso desde junho de 2021, acusado de associação criminosa, lavagem de dinheiro e concussão, teve pedido de devolução de 12 celulares negado. Defesa alegava que esposa advogada e filhos precisavam dos aparelhos para trabalho e estudos, mas juiz considerou argumento não crível.

Juiz nega devolução de aparelhos eletrônicos apreendidos com delegado preso por corrupção, considerando-os essenciais como prova dos crimes investigados.

Um juiz da Primeira Vara Criminal Especializada do Rio de Janeiro recusou devolver os celulares, tablets e computadores apreendidos com o delegado Mauricio Demetrio quando foi preso em junho do ano passado. A decisão, proferida pelo juiz auxiliar Bruno Rulière, mantém sob custódia da Justiça doze aparelhos do delegado e outros equipamentos eletrônicos que sua defesa tentava recuperar argumentando que prejudicavam a vida profissional e escolar de sua família.

Demetrio permanece encarcerado desde junho de 2021, acusado de associação criminosa, obstrução à justiça, lavagem de dinheiro e concussão — a cobrança de propina. Seu advogado, Raphael Mattos, afirmou que recorreria da decisão judicial, buscando a liberação dos aparelhos que considera essenciais para preparar a defesa do delegado. A defesa havia argumentado que a esposa de Demetrio, a advogada Verlaine da Costa Pereira Alves, estava impossibilitada de exercer plenamente sua profissão sem os equipamentos, e que os filhos do casal sofriam prejuízos em suas atividades escolares pela falta dos tablets e notebooks apreendidos.

O juiz Rulière rejeitou esses argumentos com clareza. Em sua decisão, afirmou que não era crível que a apreensão dos aparelhos criasse um obstáculo intransponível ao exercício da advocacia, já que nenhuma suspensão profissional havia sido imposta à acusada e que muitos advogados exercem suas atividades sem possuir condições financeiras favoráveis. Quanto aos filhos, o magistrado estendeu a mesma lógica: a apreensão não justificava a devolução dos equipamentos. O juiz enfatizou ainda a importância de manter os aparelhos sob custódia para permitir que investigadores tivessem tempo necessário para extrair todo o material bruto dos dispositivos, utilizando ferramentas especializadas para descobrir códigos e senhas.

Os celulares apreendidos revelaram-se cruciais para as investigações. Analistas do Ministério Público do Rio recuperaram conversas que haviam sido apagadas de três dos doze aparelhos, obtendo evidências de parte dos crimes atribuídos a Demetrio. Entre essas evidências estava a descoberta de trocas de mensagens entre o delegado e outras pessoas sobre uma tentativa de forjar uma entrega de propina ao prefeito Eduardo Paes, quando ainda era candidato ao cargo em novembro de 2020. Segundo o MPRJ, Demetrio tentou usar a Polícia Federal em um falso flagrante de recebimento de dinheiro de origem desconhecida ao político.

A Operação Carta do Corso, que resultou na prisão de Demetrio e outros cinco policiais civis em 30 de junho de 2021, teve origem em denúncias de 2019. Um comerciante de Petrópolis acusou o delegado de exigir propina para permitir a venda de produtos falsificados, quando Demetrio era titular da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial. Outros lojistas também depuseram contra o policial, acusado de comandar uma quadrilha formada por agentes da corporação para extorquir dinheiro do comércio local. O Grupo de Combate à Corrupção do MPRJ iniciou o caso, que depois foi transferido para o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado.

Além dos aparelhos eletrônicos, a operação apreendeu três carros blindados de luxo na garagem de um condomínio na Barra da Tijuca, onde Demetrio morava com sua esposa, 240 mil reais em dinheiro e 65 relógios. A defesa também solicitou a devolução dos veículos blindados, mas esse pedido também foi indeferido pela Justiça. A esposa de Demetrio, Verlaine da Costa Pereira Alves, também responde ao mesmo processo por suspeita de lavagem de dinheiro, mas encontra-se em liberdade.

Mattos confirmou que a defesa anterior de Demetrio havia feito o pedido de devolução dos aparelhos, e após a negativa do juiz, informou que apresentaria novo pedido pelos doze celulares e todos os equipamentos eletrônicos apreendidos. Segundo o advogado, Demetrio está confiante na Justiça e espera que os aparelhos sejam devolvidos para que a defesa possa se preparar adequadamente. O caso segue em tramitação, com a defesa buscando reverter a decisão que mantém os aparelhos como prova material dos crimes investigados.

Vamos pedir novamente os telefones. Com esses aparelhos vamos preparar a defesa do doutor Demetrio. Estive com ele na semana passada e ele está bem confiante na Justiça
— Raphael Mattos, advogado de Mauricio Demetrio
Não se mostra crível que a arrecadação dos aparelhos eletrônicos sirva de obstáculo intransponível à continuidade do exercício de advocacia. Muitos advogados sequer possuem condição financeira favorável e, ainda assim, seguem no regular exercício de sua atividade
— Juiz auxiliar Bruno Rulière, em sua decisão
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