Juiz que bebeu vinho em sessão do TJMG acusa colegas de difamação

Difamação que estão fazendo contra mim, diz juiz flagrado bebendo vinho
Magistrado gravou vídeo negando conduta e acusando colegas, em vez de reconhecer o ocorrido.
Mark

Por que um juiz com 36 anos de carreira faria algo assim durante uma sessão pública?

Mimi

Não sabemos. O que sabemos é que ele estava lá, bebendo vinho de uma garrafa, e que a sessão foi suspensa quando isso foi notado. O resto é interpretação.

Mark

E por que ele gravou aquele vídeo no dia seguinte?

Mimi

Aparentemente para negar que estava sendo difamado. Mas em vez de simplesmente dizer "não foi assim", ele atacou o STF, o STJ, um ministro, e fez acusações de corrupção sem provas. Foi uma escolha que complicou as coisas para ele.

Mark

Ele estava tentando se defender?

Mimi

Talvez. Ou talvez estivesse tentando mudar a narrativa. Mas quando você está sendo investigado por conduta inadequada e sua resposta é fazer acusações infundadas contra colegas e instituições, você não está se defendendo — está criando mais problemas.

Mark

O que a lei diz sobre isso?

Mimi

A Lei Orgânica da Magistratura exige conduta irrepreensível. O CNJ tem regras específicas para videoconferências: terno ou toga, nada de bermuda, nada de bebida. Ele violou tudo isso.

Mark

E agora?

Mimi

Agora o Órgão Especial do TJMG vai julgar se houve falta funcional. A sessão estava marcada para 12 de agosto. Depois disso, há consequências possíveis — desde uma advertência até a perda do cargo.

  • Um juiz com mais de três décadas de carreira apareceu em sessão virtual bebendo vinho da garrafa, fumando e de bermuda, forçando a suspensão imediata do julgamento.
  • Em vez de reconhecer a conduta, Salles gravou um vídeo circulado nas redes sociais em que acusou colegas de difamação e atacou o STF, o STJ e o ministro Alexandre de Moraes sem apresentar qualquer prova.
  • O magistrado ainda fez acusações de corrupção contra desembargadores mineiros e desafiou quem quisesse 'bater de frente' com ele, escalando o conflito institucional.
  • O TJMG reagiu com rapidez, instaurando procedimento de apuração de falta funcional encaminhado ao Órgão Especial do Tribunal, com julgamento marcado para 12 de agosto.
  • Salles recusou-se a falar com a imprensa, deixando o vídeo como sua única resposta pública — um silêncio que contrasta com a veemência das acusações que fez.

Após 36 anos de carreira na magistratura, o juiz Milton Lívio Lemos Salles viu-se no centro de uma crise institucional quando foi flagrado bebendo vinho diretamente da garrafa, fumando e vestindo bermuda durante uma sessão virtual do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. O episódio, que levou à suspensão imediata da sessão, revelou não apenas uma questão de decoro, mas também a forma como um magistrado escolhe responder quando sua conduta é publicamente questionada. Em vez de reconhecer o ocorrido, Salles gravou um vídeo acusando colegas de difamação e dirigindo ofensas sem provas a instituições como o STF e o STJ — transformando um incidente de comportamento em um teste mais amplo sobre responsabilidade e integridade judicial.

Na manhã de 10 de agosto, durante uma sessão virtual do TJMG, os participantes perceberam algo incomum na tela do juiz Milton Lívio Lemos Salles: ele bebia vinho diretamente de uma garrafa, fumava e vestia bermuda. Assim que o consumo de álcool foi notado, a sessão foi suspensa imediatamente.

No dia seguinte, Salles gravou um vídeo que rapidamente circulou entre colegas nas redes sociais. Nele, o magistrado — com 36 anos de carreira — afirmava ser vítima de difamação. Mas o vídeo foi além da negação: Salles atacou o Supremo Tribunal Federal, o Superior Tribunal de Justiça e o ministro Alexandre de Moraes, fez acusações de corrupção contra desembargadores mineiros sem apresentar qualquer prova e encerrou desafiando quem quisesse confrontá-lo. Quando procurado pela TV Globo, optou pelo silêncio.

A conduta de Salles contrariou normas claras da magistratura. A Lei Orgânica da Magistratura Nacional exige comportamento irrepreensível na vida pública e particular, e a Resolução 465/2022 do CNJ determina vestimenta adequada — terno ou toga — em videoconferências judiciais. O TJMG respondeu com rapidez, solicitando apuração imediata e rigorosa. A Corregedoria-Geral abriu o procedimento e o encaminhou ao Órgão Especial do Tribunal, com julgamento marcado para 12 de agosto.

O que começou como uma questão de decoro transformou-se em algo mais revelador: não apenas o que um magistrado fez durante uma sessão, mas o que escolheu fazer depois — e o que essa escolha diz sobre sua relação com a responsabilidade institucional.

Milton Lívio Lemos Salles tem 36 anos de carreira como magistrado. Na segunda-feira, 10 de agosto, durante uma sessão virtual do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, ele apareceu na tela bebendo vinho diretamente de uma garrafa, fumando e usando bermuda. Quando os participantes perceberam o consumo de álcool, a sessão foi suspensa imediatamente.

No dia seguinte, terça-feira 11 de agosto, Salles gravou um vídeo que começou a circular entre seus colegas nas redes sociais. Nele, o juiz afirmava estar sendo vítima de difamação. "Meu nome é Milton Lívio Lemos Salles, tenho 36 anos de magistratura, e quero deixar um depoimento sobre essa difamação que estão fazendo contra mim", disse na gravação. Mas o vídeo não se limitava a negar o ocorrido. Salles também dirigiu ofensas ao Supremo Tribunal Federal, ao Superior Tribunal de Justiça e ao ministro Alexandre de Moraes. Fez ainda acusações de corrupção contra desembargadores mineiros, sem apresentar qualquer prova para sustentá-las. Antes de encerrar, desafiou quem quisesse "bater de frente" com ele.

Quando procurado pela TV Globo para comentar o caso, Salles recusou-se a falar. Sua posição oficial passou a ser o silêncio.

Salles trabalha como juiz de direito auxiliar em uma unidade da segunda instância do TJMG especializada em direito de família. Sua conduta durante a sessão virtual violou normas que regem o comportamento de magistrados. A Lei Orgânica da Magistratura Nacional, em seu artigo 35, inciso VIII, exige que juízes mantenham "conduta irrepreensível na vida pública e particular". O Conselho Nacional de Justiça também estabelece regras para audiências remotas por meio da Resolução 465/2022, determinando que magistrados usem vestimenta adequada, como terno ou toga, em videoconferências realizadas no exercício da magistratura.

O TJMG respondeu rapidamente. Assim que tomou conhecimento do caso, o tribunal solicitou uma apuração "imediata e rigorosa" mediante a instauração de procedimento para eventual constatação de falta funcional. A Corregedoria-Geral de Justiça do TJMG abriu o procedimento e o encaminhou para apreciação do Órgão Especial do Tribunal, que é o órgão competente para decidir sobre o tema. O julgamento estava marcado para 12 de agosto.

O caso expõe uma tensão entre a conduta observada e a resposta do magistrado. As imagens da sessão são claras e foram vistas por múltiplos participantes. A reação de Salles — não reconhecer o ocorrido, mas sim acusar colegas de difamação enquanto faz acusações infundadas contra instituições e pessoas — adicionou uma camada de complexidade ao episódio. O que começou como uma questão de decoro judicial tornou-se também uma questão sobre como um magistrado responde quando sua conduta é questionada.

Tenho 36 anos de magistratura, e quero deixar um depoimento sobre essa difamação que estão fazendo contra mim
— Milton Lívio Lemos Salles, em vídeo gravado após a sessão
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