A ponte durou menos de dois anos, quando deveria durar décadas
Em Sena Madureira, no Acre, um juiz aposentado que denunciava ao vivo as falhas estruturais de uma ponte foi atingido pelo próprio colapso que tentava documentar. Edinaldo Muniz, 54 anos, transmitia imagens das pilastras cedidas da ponte Frei Paolino Baldassari — inaugurada há menos de dois anos por R$ 36 milhões — quando a estrutura desabou sobre ele e seu irmão. O episódio não é apenas uma tragédia pessoal: é um espelho da fragilidade das obras públicas brasileiras e do custo que cidadãos pagam ao exercer a vigilância que o Estado deveria exercer sobre si mesmo.
- Um juiz aposentado transmitia ao vivo as rachaduras de uma ponte interditada quando a estrutura cedeu e o soterrou junto com seu irmão e outras duas pessoas.
- Edinaldo Muniz chegou ao hospital em estado gravíssimo — traumatismo craniano, fratura no crânio e trauma abdominal — e precisou ser entubado ainda durante o transporte para Rio Branco.
- A ponte custou R$ 36 milhões, foi inaugurada em dezembro de 2023 e durou menos de dois anos, levantando perguntas urgentes sobre fiscalização, qualidade construtiva e responsabilização.
- O caso ecoa a queda da ponte Juscelino Kubitscheck em dezembro de 2024, que matou 14 pessoas — também registrada ao vivo por um vereador que, diferentemente de Muniz, conseguiu escapar.
- O Governo do Acre mobilizou aeronaves e equipes de apoio, mas a construtora responsável, a Cidade, não respondeu aos pedidos de comentário sobre a obra que falhou.
Edinaldo Muniz, juiz aposentado de 54 anos, estava embaixo da ponte Frei Paolino Baldassari em Sena Madureira transmitindo ao vivo quando a estrutura desabou sobre ele. Na câmera, ele apontava com precisão o deslocamento das pilastras e a interdição já decretada — documentando, em tempo real, o fracasso de uma obra de R$ 36 milhões inaugurada em dezembro de 2023 que deveria ter durado décadas.
O colapso o atingiu enquanto falava. Seu irmão, Edinei Muniz, de 51 anos, estava ao lado e também sofreu ferimentos graves. Outras duas pessoas ficaram feridas. Os quatro foram atendidos no Hospital João Câncio Fernandes, mas os irmãos foram transferidos para Rio Branco em estado mais crítico. Edinaldo chegou entubado: traumatismo craniano, fratura no crânio e trauma abdominal.
Na transmissão, Muniz contextualizava o fracasso: a ponte havia sido inaugurada na gestão do ex-governador Gladson Cameli, executada pela Construtora Cidade sob supervisão do departamento estadual de infraestrutura, e deveria conectar distritos e bairros da região por décadas. Ele cobrava transparência e explicações públicas do governo acreano.
O juiz aposentado também evocava um precedente perturbador: a queda da ponte Juscelino Kubitscheck, em dezembro de 2024, que matou 14 pessoas no Rio Tocantins. Naquele caso, um vereador também transmitia ao vivo as rachaduras quando a ponte cedeu — mas estava próximo à cabeceira e conseguiu escapar. Muniz não teve a mesma sorte.
O Governo do Acre informou que mobilizou aeronaves e equipes de apoio aos feridos. A Construtora Cidade não respondeu aos pedidos de comentário. O que Muniz deixou registrado, antes de ser atingido, é um documento do que deu errado — e um lembrete do preço que cidadãos pagam ao fazer o que o Estado deveria fazer por eles.
Edinaldo Muniz, um juiz aposentado de 54 anos, estava embaixo da ponte Frei Paolino Baldassari em Sena Madureira, no Acre, transmitindo ao vivo para denunciar seus problemas estruturais quando a edificação desabou sobre ele. Na transmissão, ele apontava com precisão o que via: pilastras que haviam cedido, o deslocamento visível da estrutura, a interdição que já havia sido decretada. Estava documentando o fracasso de uma obra que custou R$ 36 milhões e durou menos de dois anos — uma ponte que deveria ter servido por décadas.
O colapso o atingiu enquanto falava. Seu irmão, Edinei Muniz, de 51 anos, estava com ele e também sofreu ferimentos graves. Duas outras pessoas ficaram feridas no incidente. Os quatro foram levados ao Hospital João Câncio Fernandes em Sena Madureira, mas Edinaldo e Edinei foram transferidos para Rio Branco, a capital, onde receberam cuidados mais especializados. O estado do juiz aposentado é o mais crítico: traumatismo craniano, trauma abdominal, fratura no crânio. Ele precisou ser entubado durante o trajeto entre as duas cidades.
Na transmissão que precedeu o desabamento, Muniz não apenas apontava os danos — ele contextualizava o fracasso. A ponte havia sido inaugurada em dezembro de 2023, durante a gestão do ex-governador Gladson Cameli, supervisionada pelo Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre. A construtora responsável foi a Cidade. Muniz observava na câmera que o investimento feito para garantir uma conexão segura entre os distritos do Ramal Mário Lobão e os bairros São Francisco e Santa Teresinha havia se mostrado inútil. A obra durou menos de dois anos. Ele cobrava transparência do governo acreano, pedindo explicações públicas sobre o que havia acontecido.
O juiz aposentado também fazia referência a um precedente que pesava na memória coletiva: a queda da ponte Juscelino Kubitscheck de Oliveira, que ocorreu em 22 de dezembro de 2024. Aquela ponte, com 533 metros de comprimento e 140 metros de vão livre, cruzava o Rio Tocantins entre Estreito, no Maranhão, e Aguiarnópolis, em Tocantins. Seu colapso matou 14 pessoas e deixou três desaparecidas. Muniz reconhecia que, felizmente, a ponte Frei Paolino Baldassari havia sido interditada antes de desabar completamente, evitando uma tragédia de proporções semelhantes. Mas o padrão era perturbador.
Há uma coincidência notável entre os dois casos. Na queda da ponte Juscelino Kubitscheck, um vereador de Aguiarnópolis chamado Elias Júnior estava transmitindo ao vivo no momento do colapso. Ele havia ido até o local para mostrar as rachaduras na estrutura e acabou capturando o momento exato em que a ponte cedeu. Diferentemente de Muniz, Elias Júnior estava próximo à cabeceira e conseguiu sair do local antes que a estrutura desabasse completamente. Muniz não teve a mesma sorte.
O Governo do Acre informou que está prestando assistência aos feridos e à comunidade, mobilizando aeronaves para o transporte dos pacientes. Equipes estão no local avaliando as medidas necessárias. A reportagem não conseguiu contato com a Construtora Cidade para comentários sobre a estrutura que falhou. O que fica claro é que Muniz, ao documentar o colapso em tempo real, deixou um registro do que deu errado — e pagou um preço alto por estar no lugar certo, na hora errada, fazendo exatamente o que um cidadão deveria fazer: alertar o público sobre um perigo iminente.
Notable Quotes
Essas duas pilastras cederam. A ponte está interditada, ninguém pode passar. O dinheiro investido era para garantir uma ponte por décadas, mas essa durou menos de dois anos.— Edinaldo Muniz, na transmissão ao vivo
O governo do Acre precisa dar uma declaração e explicar para o povo do Acre o que está acontecendo aqui.— Edinaldo Muniz, na transmissão ao vivo
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que um juiz aposentado estava transmitindo ao vivo sobre uma ponte?
Ele não era mais juiz no sentido formal, mas mantinha a mentalidade de quem precisa documentar e denunciar. A ponte já havia sido interditada, mas ninguém estava explicando o que havia acontecido. Ele estava tentando forçar uma resposta pública.
E ele sabia que a ponte estava prestes a desabar?
Não. Ele estava apontando os problemas estruturais, sim, mas a transmissão era um ato de denúncia, não uma previsão. Ninguém esperava que ela cedesse naquele exato momento.
Qual é o padrão que o assusta nessa história?
Duas pontes em menos de dois anos. Uma matou 14 pessoas. A outra quase mata um homem que estava tentando alertar as autoridades sobre seus defeitos. Há algo sistemicamente errado.
A ponte custou R$ 36 milhões e durou menos de dois anos. Como isso é possível?
Essa é a pergunta que Muniz estava fazendo na transmissão. Uma ponte deveria durar décadas. O investimento foi feito com essa expectativa. Algo falhou na execução, na supervisão, ou em ambas.
E a construtora?
A Construtora Cidade não respondeu aos pedidos de comentário. Ela entregou a obra em dezembro de 2023. Depois disso, o silêncio.
O que acontece agora com Muniz?
Ele está em estado gravíssimo. Traumatismo craniano, fratura no crânio, trauma abdominal. Precisou ser entubado. Seu irmão também está ferido. A luta agora é pela recuperação dele e, talvez, por respostas sobre por que a infraestrutura do Acre continua falhando.