Jornalista troca TV por food truck com hambúrgueres com nomes de relacionamentos

Depois do bora vêm os boletos
Driele brinca sobre a realidade do empreendedorismo além da euforia inicial.
Mark

Por que uma jornalista com vinte anos de experiência deixaria tudo para vender hambúrguer em um food truck?

Mimi

Porque às vezes a história que você quer contar é a sua própria. Driele estava acostumada a narrar a vida de outras pessoas. Agora ela está vivendo e construindo a própria narrativa.

Luke

Mas isso é risco real. Ela saiu de uma carreira consolidada. Quanto tempo ela pode manter os dois trabalhos? O artigo não deixa claro se ela ainda trabalha na TV.

Mark

Os nomes dos hambúrgueres — Ficante, Infiel, Mentiroso — parecem muito pensados. Isso foi acaso ou estratégia desde o início?

Mimi

Foi estratégia. Elas queriam que as pessoas lembrassem da experiência e conversassem sobre ela depois. Um hambúrguer chamado "Infiel" gera curiosidade e conversa de um jeito que "Hambúrguer com Bacon" nunca geraria.

Luke

Mas a pergunta real é: isso sustenta um negócio? Curiosidade vira cliente recorrente? O artigo diz que zeraram o estoque no primeiro dia, mas não sabemos quantos clientes voltaram depois.

Mark

Camila já tinha experiência em vários negócios. Por que ela escolheu Driele, que não tinha nenhuma experiência em cozinha?

Mimi

Porque Camila sabia que técnica se ensina, mas vontade, comprometimento e coragem não. Ela viu em Driele alguém que realmente entraria de verdade no projeto.

Luke

Isso é uma aposta pessoal, não uma análise de negócio. Quantos food trucks com sócios sem experiência em alimentação conseguem sobreviver além do primeiro mês? O artigo não oferece dados sobre isso.

Mark

Qual é o verdadeiro desafio agora para elas?

Mimi

Transformar aquele sucesso do primeiro dia — quando zeraram o estoque — em algo sustentável. Qualquer um vem experimentar algo novo e engraçado. O desafio é fazer alguém voltar.

Luke

E isso é honesto. Elas reconhecem isso. Mas o artigo foi publicado logo após o primeiro dia. Não sabemos como as coisas estão agora, semanas ou meses depois.

  • Uma jornalista veterana abandona a segurança de vinte anos em televisão e rádio para mergulhar, quase do zero, no universo imprevisível do empreendedorismo gastronômico.
  • O cardápio com nomes como Ficante, Mentiroso e Infiel provoca risos e identificação imediata, tornando cada pedido uma história que o cliente leva para casa mesmo depois de comer.
  • No primeiro dia de operação, o estoque inteiro de hambúrgueres artesanais foi esgotado — uma vitória celebrada, mas que revelou de imediato a pressão real de gerir produção, logística e expectativas.
  • Nas redes sociais, as sócias expõem erros, boletos e bastidores sem filtro, construindo uma audiência que acompanha o negócio como quem torce por personagens de uma história real.
  • O desafio central agora é converter a curiosidade gerada pelo conceito criativo em clientes fiéis que retornem pelo sabor, pelo atendimento e pela experiência — não apenas pelo nome engraçado do sanduíche.

Há momentos em que contar histórias alheias deixa de bastar, e a própria vida exige ser narrada em primeira pessoa. Foi o que aconteceu com Driele Veiga, jornalista de 41 anos que, após duas décadas diante das câmeras, trocou o microfone pela chapa de um food truck em Salvador — o Rainhas do Sabor — ao lado da sócia Camila Santa Bárbara. O empreendimento nasceu de uma pergunta casual entre amigas e encontrou na linguagem dos relacionamentos amorosos uma forma de transformar hambúrgueres artesanais em conversa, memória e identidade.

Driele Veiga passou mais de vinte anos contando as histórias de outras pessoas nas telas e microfones da televisão e do rádio. Aos 41 anos, mãe de um adolescente, ela decidiu que era hora de protagonizar a própria narrativa — e escolheu fazê-lo dentro de um food truck na Vila Laura, em Salvador.

Tudo começou com uma pergunta despretensiosa entre amigas: 'Bora abrir um CNPJ?'. Camila Santa Bárbara respondeu 'Bora!', e o que poderia ter sido apenas uma brincadeira virou planejamento, investimento e uma rotina completamente nova. Juntas, fundaram o Rainhas do Sabor. Camila trazia experiência prática em restaurante, lanchonete e outros negócios; Driele chegava praticamente do zero na área de alimentação, aprendendo sobre blend, ponto da carne, estoque e fornecedores enquanto deixava para trás câmeras e microfones.

A grande aposta de identidade foi nomear os hambúrgueres com a linguagem dos relacionamentos amorosos: Ficante, Namorado, Contatinho, Mentiroso e Infiel compõem um cardápio que rende conversa muito além da refeição. O Infiel, por exemplo, carrega dois blends de 150 gramas, cheddar, bacon crocante, creme de queijos e acompanhamentos — exagerado como o nome sugere. A ideia era que as pessoas não apenas comessem, mas lembrassem e contassem para alguém.

No primeiro dia de operação, o estoque zerou — uma surpresa maravilhosa que trouxe comemoração e, ao mesmo tempo, o peso real do que significa gerir um negócio. Nas redes sociais, as sócias mostram tudo: a preparação, a correria, os erros e os boletos que chegam depois do entusiasmo inicial.

O verdadeiro teste agora é transformar a curiosidade em fidelidade. Camila é direta: querem que o cliente venha pelo nome curioso, goste do produto, seja bem atendido e sinta vontade de voltar. É essa equação — criatividade mais qualidade mais experiência — que pode transformar uma ideia divertida em um negócio sustentável de verdade.

Driele Veiga passou mais de vinte anos em frente às câmeras e microfones de televisão e rádio, contando histórias que outras pessoas viviam. Aos 41 anos, mãe de um adolescente, ela decidiu contar a própria história — e escolheu fazê-lo dentro de um food truck na Vila Laura, em Salvador, vendendo hambúrgueres artesanais com nomes que soam como confissões de amigas.

Tudo começou com uma pergunta casual entre duas amigas: "Bora abrir um CNPJ?". Driele fez a pergunta. Camila Santa Bárbara respondeu "Bora!". O que poderia ter sido apenas uma brincadeira de conversa se transformou em planejamento, investimento, fornecedores, equipamentos e uma rotina completamente nova. Juntas, as duas fundaram o Rainhas do Sabor. Camila já tinha experiência em empreendedorismo — havia tocado restaurante, lanchonete, loja de roupas e negócio de bijuterias. Driele chegava praticamente do zero na área de alimentação, trocando câmeras e microfones por chapa, estoque e cozinha.

A estratégia de marca nasceu de uma decisão simples: em vez de nomear os hambúrgueres pelos ingredientes, as sócias decidiram brincar com algo que rende horas de conversa em qualquer mesa de amigas — relacionamentos amorosos. O cardápio inclui Ficante, Ficante Pro Maxx, Namorado, Contatinho, Mentiroso e Infiel. Cada nome carrega uma história e uma combinação diferente. O Infiel, por exemplo, é descrito como exagerado: leva dois blends de 150 gramas cada, cheddar, bacon crocante, creme de queijos, alface americana e tomate. A ideia era que as pessoas não apenas comessem um hambúrguer, mas que lembrassem da experiência e se divertissem com ela. Quando alguém diz que foi ao Rainhas e comeu um "Infiel" ou um "Mentiroso", a conversa continua mesmo depois que o cliente vai embora.

Para Driele, a mudança representou começar praticamente do zero em uma área completamente diferente. "Eu sempre trabalhei com comunicação, imagem, conteúdo e relacionamento com o público. De repente eu estava aprendendo sobre blend, ponto da carne, chapa, estoque, fornecedor, tempo de produção", conta. Ela descreve o empreendedorismo como uma mistura de coragem, medo, muito trabalho e aprendizado. Camila, por sua vez, viu na parceria uma oportunidade de complementaridade: enquanto ela traz experiência prática de operação e empreendedorismo, Driele consegue olhar para um produto e enxergar uma história, uma brincadeira, um conteúdo, uma maneira diferente de apresentar aquilo ao cliente.

No primeiro dia de operação, o Rainhas do Sabor zerou o estoque de hambúrgueres artesanais — uma surpresa maravilhosa que trouxe comemoração, mas também um novo desafio. Nas redes sociais, as sócias compartilham desde a preparação do espaço até limpeza, compras, montagem, correria, erros e acertos, mostrando um empreendimento sendo construído de verdade, não apenas o resultado pronto. Driele brinca que depois do "bora" vêm os boletos.

O verdadeiro desafio agora é transformar a curiosidade inicial em clientes recorrentes. Camila deixa claro que não querem que alguém venha apenas porque achou o nome do hambúrguer engraçado. Querem que venha pela curiosidade, goste do produto, seja bem atendido e tenha vontade de voltar. É isso que transforma uma ideia divertida em um negócio sustentável. Além dos hambúrgueres artesanais, o Rainhas do Sabor oferece pizzas, pastéis salgados e doces, doguinho, batatas, açaí e bebidas, apostando também na experiência das famílias com opção de diversão para as crianças.

Empreender está sendo uma mistura de coragem, medo, muito trabalho e aprendizado. Mas, se tem uma coisa da qual eu nunca tive medo, foi de trabalhar.
— Driele Veiga
Não queremos que alguém venha apenas porque achou o nome do hambúrguer engraçado. Queremos que venha pela curiosidade, goste do produto, seja bem atendido e tenha vontade de voltar.
— Camila Santa Bárbara
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