Jornalista critica 'erotização desmedida' em figurino de Xuxa na turnê de despedida

empoderamento vendido como erotização do corpo
A crítica de Salgado questiona como a exposição corporal é reembalada como libertação feminina.
Mark

Por que a crítica ao figurino de Xuxa importa agora, especificamente em uma turnê de despedida?

Mimi

Porque é um momento de síntese. Xuxa está fechando um ciclo de décadas. O que ela escolhe vestir nesse encerramento diz algo sobre como ela mesma vê aquele percurso — e o que a indústria esperava que ela fizesse para marcar esse adeus.

Mark

Mas não é direito dela usar o que quiser?

Mimi

Claro que é. A questão não é sobre direito, é sobre contexto. Quando a exposição do corpo é apresentada como o ato mais radical de empoderamento disponível, vale perguntar: para quem essa narrativa funciona melhor?

Mark

Você acha que Xuxa foi pressionada?

Mimi

Não sei. Mas sei que em uma indústria que lucra com corpos femininos, a pressão é estrutural, não precisa ser explícita. Às vezes a gente internaliza o que o mercado espera.

Mark

E se ela realmente quis fazer isso?

Mimi

Então ótimo. Mas a crítica de Salgado não nega isso — apenas aponta que talvez valha a pena examinar por que essa escolha específica continua sendo vendida como a forma mais legítima de liberdade.

Mark

Isso muda algo?

Mimi

Muda a conversa. Tira a discussão do automático. Força a gente a pensar em vez de apenas consumir o espetáculo.

  • A estreia de 'O Último Voo da Nave' em São Paulo acendeu uma faísca além do espetáculo: o figurino de Xuxa tornou-se o centro de uma disputa cultural sobre corpo, idade e liberdade.
  • Mônica Salgado publicou um vídeo no Instagram argumentando que a erotização do corpo feminino estava sendo vendida como empoderamento — uma distinção que muitos consideram urgente e outros, desnecessária.
  • O debate se dividiu rapidamente: de um lado, acusações de puritanismo e policiamento do corpo alheio; do outro, a defesa de que o empoderamento pode ser capturado e transformado em mercadoria.
  • A tensão revela uma fissura mais profunda na cultura brasileira sobre como se pensa corpos femininos, envelhecimento e o que significa escolher livremente sob pressões sistêmicas.
  • O que era para ser uma celebração de encerramento de carreira tornou-se também um espelho das contradições que cercam a representação feminina no entretenimento contemporâneo.

Aos 62 anos, Xuxa inaugura sua turnê de despedida com um figurino que expõe a virilha — e a jornalista Mônica Salgado transforma esse detalhe em uma pergunta mais ampla: quando a exposição do corpo feminino é apresentada como empoderamento, quem realmente se beneficia dessa narrativa? O debate que se seguiu não é sobre o direito de uma mulher vestir o que quiser, mas sobre as pressões invisíveis que moldam essas escolhas e sobre como a indústria do entretenimento frequentemente reembala conformidade como libertação.

No domingo seguinte à estreia, a jornalista Mônica Salgado postou um vídeo no Instagram questionando as escolhas de figurino de Xuxa no primeiro show de sua turnê de despedida. A apresentadora havia inaugurado 'O Último Voo da Nave' em São Paulo usando um traje que deixava a virilha à mostra — um detalhe que, para Salgado, revelava algo além de uma decisão estética.

O ponto central da crítica não era o figurino em si, mas a narrativa que o envolvia. Salgado argumentou que a erotização do corpo feminino estava sendo embalada e apresentada como empoderamento. A distinção importa: não se tratava de questionar o direito de uma mulher usar o que quiser, mas de examinar como a indústria do entretenimento frequentemente reescreve a exposição do corpo como libertação — quando pode ser apenas outra forma de conformidade com expectativas antigas.

Xuxa, aos 62 anos, vive um momento singular. Depois de décadas construindo uma marca praticamente sinônima com a infância de gerações inteiras, ela escolheu uma turnê de despedida — um encerramento de ciclo com peso próprio. O que se veste para esse momento, portanto, não é trivial.

O vídeo de Salgado circulou em um ambiente onde essas conversas ganham cada vez mais espaço. A jornalista não negava à apresentadora o direito de escolher; apontava que talvez valesse questionar por que a exposição sexualizada continua sendo apresentada como a forma mais radical de empoderamento feminino. O debate que se seguiu dividiu opiniões: para alguns, a crítica era puritana; para outros, era uma observação necessária sobre como o empoderamento pode ser capturado e reembalado como mercadoria. A turnê de despedida de Xuxa virou também um espelho para essas contradições.

No domingo, a jornalista Mônica Salgado postou um vídeo no Instagram questionando as escolhas de figurino de Xuxa no primeiro show de sua turnê de despedida. A apresentadora havia estreado "O Último Voo da Nave" no sábado anterior em São Paulo, usando um traje que deixava a virilha à mostra — um detalhe que disparou a crítica de Salgado, que viu naquela exposição algo além de uma simples decisão estética.

O ponto central da objeção não era apenas o figurino em si, mas a narrativa que o envolvia. Salgado argumentou que a erotização do corpo feminino estava sendo vendida, embalada e apresentada como um ato de empoderamento. Essa distinção importa. Não se tratava de uma discussão sobre o direito de uma mulher usar o que quiser — mas sobre como a indústria do entretenimento frequentemente reescreve a exposição do corpo como libertação, quando pode ser apenas uma outra forma de conformidade com expectativas antigas.

Xuxa, aos 62 anos, está em um momento singular de sua carreira. Depois de décadas na televisão brasileira, construindo uma marca praticamente sinônima com a infância de gerações inteiras, ela escolheu fazer uma turnê de despedida. Essa decisão por si só carrega peso: é um encerramento de ciclo, uma última volta ao palco antes de uma retirada que parece definitiva. O que se veste para esse momento, portanto, não é trivial.

A crítica de Salgado toca em uma tensão que permeia o entretenimento contemporâneo, especialmente quando se trata de mulheres em posições de poder e visibilidade. Há uma diferença entre autonomia corporal — o direito inegável de uma mulher escolher como se apresentar — e a pressão sistêmica que frequentemente empurra essas escolhas em direções específicas. Quando uma mulher consolidada, com décadas de carreira, sente-se impelida a expor o corpo de forma sexualizada para marcar sua despedida, a pergunta legítima é: quem está sendo servido por essa narrativa de empoderamento?

O vídeo de Salgado circulou em um momento em que essas conversas ganham cada vez mais espaço. Não é mais possível falar de figurino, corpo e palco sem tocar em questões de agência, expectativa e o que realmente significa escolher livremente em um ambiente saturado de pressões invisíveis. A jornalista não estava dizendo que Xuxa não tinha o direito de usar o que quisesse. Estava apontando que talvez valesse a pena questionar por que essa escolha específica — a exposição sexualizada — continua sendo apresentada como a forma mais radical de empoderamento feminino.

O debate que se seguiu reflete uma fissura mais profunda no modo como a cultura brasileira pensa sobre corpos femininos, envelhecimento e liberdade. Para alguns, a crítica era puritana, uma tentativa de policiamento do corpo alheio. Para outros, era uma observação necessária sobre como o empoderamento pode ser capturado e reembalado como mercadoria. O que fica claro é que a turnê de despedida de Xuxa, que deveria ser apenas um espetáculo de encerramento, virou também um espelho para essas contradições.

Salgado argumentou que a erotização do corpo feminino estava sendo vendida como um ato de empoderamento
— Crítica de Mônica Salgado sobre o figurino de Xuxa
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