João Gomes homenageia mestres da tradição nordestina no projeto Dominguinho

Modernizar o passado é uma revolução musical
João Gomes explica a filosofia por trás do projeto Dominguinho, citando Chico Science.
Mark

Por que João Gomes escolheu homenagear mestres esquecidos em vez de apenas fazer música nova?

Mimi

Porque ele vê a tradição não como peso, mas como matéria-prima viva. Chico Science já tinha dito: modernizar o passado é revolução. João está apenas levando isso a sério.

Mark

Mas por que agora? Por que um artista de 24 anos se importa com Petrúcio Amorim ou Kara Veia?

Mimi

Talvez porque ele tenha crescido ouvindo essas vozes, mesmo que ninguém as nomeasse. Ou porque percebeu que a música nordestina só respira quando honra suas próprias raízes.

Mark

O projeto Dominguinho parece muito orgânico. Como três artistas diferentes chegam a essa sintonia?

Mimi

Não foi planejado. Eles se viram, se gostaram, queriam fazer o mesmo som. Quando algo é verdadeiro assim, o público sente na pele.

Mark

Qual é o risco de um projeto desses? De ficar preso ao passado?

Mimi

Nenhum, se você entender que o passado não é prisão — é conversa. Eles fazem releituras, mas também gravam canções novas. É renovação, não nostalgia.

Mark

E a sinergia entre Mestrinho, Jota.Pê e João — é algo que pode durar?

Mimi

Mestrinho disse algo importante: não vê três artistas, vê Dominguinho como algo único. Quando a fusão é assim, ela tende a resistir.

  • Um jovem artista assume publicamente a responsabilidade de honrar compositores esquecidos como Petrúcio Amorim e Kara Veia — nomes significativos que o tempo relegou à sombra.
  • O projeto Dominguinho tensiona a lógica do mercado musical ao nascer de afinidade genuína, não de estratégia, desafiando a ideia de que sucesso exige cálculo.
  • Jota.Pê revela que os três músicos simplesmente se encontraram, se reconheceram e decidiram fazer o mesmo som — e é exatamente essa autenticidade que o público percebe e responde.
  • Mestrinho sintetiza a proposta: não são três artistas separados em palco, mas uma coisa só — fusão entre gerações, entre reverência e inovação, entre o clássico e o contemporâneo.
  • O Dominguinho abre o Festival de Inverno Bahia em Vitória da Conquista, posicionando a homenagem à tradição nordestina como o gesto inaugural de um evento que reunirá nomes como Maria Bethânia e Ludmilla.

Aos 24 anos, João Gomes escolheu abrir o Festival de Inverno Bahia não em nome próprio, mas em nome de uma linhagem — a dos mestres do forró e da música nordestina que moldaram o que ele é. Ao lado de Mestrinho e Jota.Pê, no projeto Dominguinho, ele invoca Chico Science para lembrar que modernizar o passado não é traição, mas revolução. É a consciência de que uma tradição só sobrevive quando alguém, no presente, decide carregá-la com cuidado e amor.

João Gomes tinha 24 anos quando decidiu abrir o Festival de Inverno Bahia não como solista, mas como parte de algo maior. O projeto Dominguinho — parceria com Mestrinho e Jota.Pê — nasceu menos de estratégia e mais de fé musical: a crença de que honrar o passado é também construir o futuro.

Antes de subir ao palco em Vitória da Conquista, Gomes citou Chico Science e aquela frase que virou manifesto: modernizar o passado é uma revolução musical. Para ele, o Dominguinho existe para trazer à luz mestres negligenciados — Petrúcio Amorim, Kara Veia — compositores tão significativos quanto os que ocupam os holofotes, mas que mereciam ser reverenciados no presente.

O que chamava atenção não era apenas o repertório — releituras de clássicos do forró, grandes sucessos brasileiros, novas composições —, mas como os três tocavam juntos. Jota.Pê explicou com clareza: não havia cálculo. Eles se viram, se gostaram, perceberam que queriam fazer o mesmo som. E porque era verdadeiro, o público sentia.

Mestrinho completou: o Dominguinho homenageia o mestre Dominguinhos, evoca um domingo ensolarado, mas é acima de tudo uma coisa só — não três artistas separados, mas uma fusão entre gerações, entre o clássico e o contemporâneo. Naquela sexta-feira, quem abriu o festival foi um jovem que entendeu que o futuro da música nordestina se constrói em conversa com quem veio antes — em palco, ao vivo, com quem acredita na mesma coisa.

João Gomes tinha 24 anos e já carregava o peso de uma responsabilidade que muitos artistas mais velhos evitam: honrar o passado enquanto constroem o futuro. Na sexta-feira, 21 de agosto, ele abriu o Festival de Inverno Bahia em Vitória da Conquista não como solista, mas como parte de um projeto chamado Dominguinho — uma parceria com os músicos Mestrinho e Jota.Pê que funciona menos como estratégia de mercado e mais como ato de fé musical.

Antes de subir ao palco, Gomes conversou com a reportagem e deixou claro o que o move. Ele citou Chico Science e aquela frase que virou quase um manifesto: modernizar o passado é uma revolução musical. Não era retórica vazia. Para Gomes, o Dominguinho existe justamente para dar continuidade ao que já existe, para trazer à luz mestres que talvez tenham sido esquecidos ou negligenciados. Nomes como Petrúcio Amorim e Kara Veia — compositores tão significativos quanto aqueles que ocupam os holofotes — mereciam ser reverenciados no presente, não enterrados no arquivo.

O projeto já estava em seu segundo volume, e o repertório revelava a intenção: releituras de clássicos do forró, interpretações de grandes sucessos da música brasileira, novas composições. Mas o que realmente chamava atenção não era apenas o que tocavam, era como tocavam juntos. Jota.Pê explicou isso com clareza desarmante. Não havia cálculo por trás. Os três se viram, se gostaram, perceberam que queriam fazer o mesmo som. E porque aquilo era verdadeiro — porque não havia artifício — o público sentia. A honestidade e o amor pelo trabalho traduziam-se em aceitação genuína.

Mestrinho completou o quadro com uma observação que sintetizava tudo: o Dominguinho era uma homenagem ao mestre Dominguinhos, era uma homenagem a um domingo ensolarado e maravilhoso, mas acima de tudo era algo único. Não três artistas separados. Uma coisa só. Essa fusão — entre gerações, entre o clássico e o contemporâneo, entre a reverência e a inovação — era o coração do projeto.

O festival seguiria até domingo, 23 de agosto, no Parque de Exposições Teopompo de Almeida. Além do Dominguinho, a primeira noite traria Zé Ramalho e Henry Freitas. Os dias seguintes trariam Maria Bethânia, Ludmilla, Bell Marques, Marcelo Falcão e Belo. Ingressos começavam em 125 reais, vendidos pela plataforma Sympla e em pontos fixos em Salvador e Vitória da Conquista. Mas naquela sexta-feira, quem abriu tudo foi um jovem que entendeu que o futuro da música nordestina não se constrói ignorando quem veio antes — constrói-se em conversa com eles, em palco, ao vivo, com duas outras pessoas que acreditam na mesma coisa.

Alguns mestres precisam ser reverenciados no nosso tempo, porque talvez tenham sido injustiçados lá atrás
— João Gomes
Não foi uma ideia de mercado. A gente se viu, se gostou, se juntou e fez um som que a gente queria fazer. Como isso foi de verdade, o público percebeu
— Jota.Pê
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