No Japão, onde a linha entre desespero e predação raramente foi tão perturbadoramente ténue, um tribunal de Tóquio condenou Takahiro Shiraishi à morte pelos assassinatos de nove jovens atraídos através do Twitter com a promessa de auxílio ao suicídio. O juiz foi inequívoco: a vulnerabilidade das vítimas não equivale a consentimento, e o que pareceu, nas redes sociais, um gesto de compaixão revelou-se, na realidade, uma caça sistemática. Este caso interroga a sociedade contemporânea sobre os perigos que habitam os espaços digitais onde o sofrimento humano se torna visível — e explorável.
Japonês condenado à morte por assassinar nove pessoas contactadas no Twitter
Nenhuma das vítimas consentiu em ser morta, apesar de expressarem desespero
Como é que um homem consegue atrair nove pessoas diferentes para a sua casa através do Twitter sem que ninguém desconfiasse?
Porque as vítimas estavam numa posição de vulnerabilidade extrema. Expressavam pensamentos suicidas online, e ele apresentava-se como alguém que as podia ajudar. Era uma predação dirigida a pessoas em crise.
Mas o tribunal confirmou que nenhuma consentiu realmente. Como é que a defesa conseguiu argumentar consentimento quando havia nove corpos desmembrados?
A defesa tentou usar a narrativa de que ele estava a "ajudar" pessoas que queriam morrer. O juiz rejeitou isso completamente.
E quanto aos corpos? Onde é que os armazenava?
Na sua própria casa, em Zama. Foram encontrados lá durante a investigação.
Há algo que não fica claro: quanto tempo passou entre o contacto inicial no Twitter e o assassinato? Dias? Horas?
A fonte não especifica isso. Sabemos que as mortes ocorreram entre agosto e outubro de 2017, mas os detalhes da progressão de cada caso não estão documentados aqui.
E ele sabia que seria condenado à morte?
Sim. Declarou durante o julgamento que não recorreria, mesmo se fosse condenado à morte. Parecia aceitar o resultado.
Isso é significativo, mas também levanta questões sobre a sua saúde mental que não são exploradas nesta reportagem.
Qual é a idade das vítimas mais jovens?
A mais jovem tinha 15 anos. As idades variavam entre os 15 e os 26 anos.
Der Puls
- Entre agosto e outubro de 2017, nove jovens com idades entre os 15 e os 26 anos desapareceram após contactarem um desconhecido no Twitter que prometia ajudá-los a morrer.
- Os corpos foram encontrados desmembrados e armazenados no apartamento de Shiraishi em Zama, revelando uma frieza metódica que chocou o Japão.
- O julgamento girou em torno de uma questão filosófica e jurídica central: ideação suicida expressa online constitui consentimento para ser morto? O juiz respondeu com clareza que não.
- Shiraishi confessou os crimes e declarou que não recorreria da sentença de morte, encerrando qualquer ambiguidade sobre a sua responsabilidade.
- Esta é a segunda condenação à morte proferida pela justiça japonesa em menos de uma semana, sinalizando uma postura inflexível face ao homicídio múltiplo.
No Japão, onde a linha entre desespero e predação raramente foi tão perturbadoramente ténue, um tribunal de Tóquio condenou Takahiro Shiraishi à morte pelos assassinatos de nove jovens atraídos através do Twitter com a promessa de auxílio ao suicídio. O juiz foi inequívoco: a vulnerabilidade das vítimas não equivale a consentimento, e o que pareceu, nas redes sociais, um gesto de compaixão revelou-se, na realidade, uma caça sistemática. Este caso interroga a sociedade contemporânea sobre os perigos que habitam os espaços digitais onde o sofrimento humano se torna visível — e explorável.
Em 2017, Takahiro Shiraishi, então com 30 anos, usou o Twitter para identificar mulheres jovens em sofrimento — aquelas que partilhavam pensamentos suicidas nas redes sociais. Apresentava-se como alguém disposto a ajudá-las a morrer. Quando chegavam à sua casa em Zama, na prefeitura de Kanagawa, eram assassinadas. Entre agosto e outubro desse ano, matou oito mulheres e um homem com idades entre os 15 e os 26 anos, desmembrando e armazenando os corpos na sua residência.
A única vítima masculina não foi recrutada da mesma forma: era o companheiro de uma das mulheres assassinadas, que foi à procura dela após o seu desaparecimento e também foi morto. Shiraishi confessou todos os crimes e foi declarado culpado de assassinato, roubo, desmembramento e ocultação de cadáveres.
O núcleo do julgamento foi a questão do consentimento. A defesa argumentou que Shiraishi respondia ao desejo expresso das vítimas de morrer. O juiz Naokuni Yano rejeitou essa narrativa de forma categórica: a vulnerabilidade e a ideação suicida não equivalem a autorização para ser morto. Nenhuma das vítimas consentiu verdadeiramente no que lhes foi feito.
Shiraishi declarou que não recorreria da sentença, mesmo que fosse condenado à morte — e foi. A condenação é a segunda que o Japão pronuncia em menos de uma semana, num sinal claro de que o sistema judicial nipónico mantém uma aplicação rigorosa da pena capital nos casos de homicídio múltiplo.
Um tribunal de Tóquio condenou Takahiro Shiraishi, um homem de 30 anos, à pena de morte por ter assassinado nove pessoas em 2017. As vítimas foram atraídas à sua casa em Zama, na prefeitura de Kanagawa, depois de contactadas através do Twitter, onde Shiraishi se apresentava como alguém disposto a ajudá-las a morrer.
Shiraishi confessou os crimes e foi declarado culpado de roubo, assassinato, desmembramento e armazenamento dos corpos das vítimas na sua residência. Entre agosto e outubro de 2017, matou oito mulheres e um homem, com idades compreendidas entre os 15 e os 26 anos. O ponto central do julgamento foi a questão do consentimento: Shiraishi argumentava que estava a ajudar pessoas que expressavam pensamentos suicidas, mas o juiz Naokuni Yano foi claro na sua conclusão — nenhuma das vítimas consentiu realmente em ser morta, apesar de algumas terem manifestado ideação suicida nas redes sociais.
A estratégia de Shiraishi era sistemática. Contactava mulheres no Twitter que mostravam sinais de desespero e oferecia-lhes ajuda para terminar as suas vidas. Quando chegavam à sua casa, eram mortas. A única vítima masculina era o companheiro de uma das mulheres assassinadas, que procurou Shiraishi depois do desaparecimento da sua namorada e também foi morto.
Durante o julgamento, Shiraishi declarou que não recorreria da sentença, mesmo que fosse condenado à morte. O juiz Yano rejeitou completamente a narrativa de consentimento que a defesa tentou estabelecer, reconhecendo que as vítimas, embora vulneráveis e com pensamentos suicidas, não autorizaram o que lhes foi feito.
Esta condenação à morte é a segunda que a justiça japonesa determina em menos de uma semana. No sábado anterior, um tribunal no sudoeste do arquipélago condenou um homem de 41 anos à morte por enforcamento pelo homicídio de cinco pessoas em 2018, incluindo a sua avó e o seu pai. Os dois casos refletem uma aplicação rigorosa da pena capital no Japão em situações de homicídio múltiplo.
Bemerkenswerte Zitate
Nenhuma das vítimas, apesar de terem manifestado pensamentos suicidas no Twitter, consentiu em ser morta.— Juiz Naokuni Yano
Declarou que não ia recorrer da sentença, mesmo se fosse condenado à pena de morte.— Takahiro Shiraishi, durante o julgamento