Japão inicia vacinação contra covid-19 a menos de seis meses dos Jogos Olímpicos

Não estou a ter em conta os Jogos Olímpicos
O ministro da vacinação reafirma que a prioridade é a saúde pública, não o calendário esportivo.
Mark

Por que o Japão demorou tanto para começar a vacinar, comparado com o Reino Unido?

Mimi

O país tinha um processo de aprovação muito mais rigoroso, que exigia ensaios clínicos com participantes japoneses. Havia também um ceticismo histórico com vacinas estrangeiras, resultado de campanhas anteriores que causaram efeitos colaterais graves.

Mark

E quanto aos Jogos Olímpicos? Isso não pressionava o governo a acelerar?

Mimi

Oficialmente, não. O ministro Kono disse explicitamente que não estava considerando os Jogos na estratégia de vacinação. A prioridade declarada era completar a imunização sem sobressaltos, não cumprir um calendário esportivo.

Mark

Qual era o maior obstáculo prático naquele momento?

Mimi

As agulhas especiais. O país tinha vacinas para 193 mil pessoas, mas isso só funcionava se usassem agulhas que extraíssem seis doses por ampola. As seringas convencionais do Japão extraíam apenas cinco. Havia agulhas suficientes para os 40 mil profissionais de saúde, mas não para toda a população.

Mark

Qual era a ordem de vacinação?

Mimi

Primeiro os 40 mil trabalhadores de saúde. Depois, em março, 3,7 milhões de pessoas do setor de saúde e 36 milhões de idosos. A população geral só começaria no final de junho ou julho — quando os Jogos estariam começando.

Mark

Isso significava que a maioria dos japoneses não estaria vacinada durante os Jogos?

Mimi

Exatamente. O cronograma deixava claro que a imunização em massa só ocorreria depois que o evento já tivesse começado. Era uma realidade que o governo tinha de aceitar.

  • O Japão iniciou sua vacinação com apenas doze doses aplicadas no primeiro dia — uma gota num oceano de 126 milhões de pessoas.
  • A demora de dois meses em relação ao Reino Unido expôs a tensão entre o rigor regulatório japonês e a velocidade exigida pela pandemia.
  • Os Jogos Olímpicos de julho pairavam sobre cada decisão, mas o ministro Taro Kono insistia que a saúde pública, e não o calendário esportivo, guiava o ritmo da campanha.
  • Uma escassez silenciosa ameaçava os planos: as agulhas especiais capazes de extrair seis doses por ampola eram raras, e sem elas o número de pessoas imunizáveis encolhia drasticamente.
  • A população geral só começaria a ser vacinada em junho ou julho — exatamente quando as chamas olímpicas deveriam ser acesas em Tóquio.

No limiar de um evento que prometia reunir o mundo, o Japão deu seus primeiros passos numa campanha de vacinação que chegava tarde, mas carregava o peso de uma nação inteira. Com 126 milhões de pessoas a imunizar e os Jogos Olímpicos a menos de seis meses, o país equilibrava a cautela institucional que sempre marcou sua relação com medicamentos estrangeiros e a urgência de um calendário que o mundo observava. A agulha aplicada no Centro Médico de Tóquio era, ao mesmo tempo, um gesto médico e uma declaração de intenções.

No dia 17 de fevereiro de 2021, o Japão deu seu primeiro passo na vacinação contra a covid-19. O diretor do Centro Médico de Tóquio, Kazuhiro Araki, voluntariou-se para receber a primeira dose da vacina Pfizer — a única então aprovada no país — como gesto público de encorajamento. Doze profissionais de saúde foram vacinados naquele dia, com expansão prevista para cerca de cem centros de saúde na semana seguinte.

A meta do governo era imunizar toda a população de 126 milhões de pessoas em aproximadamente um ano. A urgência era real: os Jogos Olímpicos de Tóquio estavam marcados para 23 de julho, e tanto o governo quanto o comité organizador reafirmavam que o evento aconteceria conforme planejado. Ainda assim, o Japão chegava à vacinação com dois meses de atraso em relação ao Reino Unido, reflexo de um processo de aprovação rigoroso que exigia ensaios clínicos com participantes japoneses e de um ceticismo histórico em relação a vacinas estrangeiras.

O ministro responsável pela vacinação, Taro Kono, foi direto ao afirmar que os Jogos Olímpicos não influenciavam o ritmo da campanha. Mas os desafios práticos eram imediatos: o país havia recebido doses suficientes para imunizar 193 mil pessoas — número que dependia do uso de agulhas especiais capazes de extrair seis doses por ampola, escassas no Japão. Kono reconheceu o problema e comprometeu-se a garantir o suprimento necessário.

A vacinação seguiria por fases: primeiro os 40 mil profissionais de saúde na linha de frente, depois 3,7 milhões de trabalhadores do setor e 36 milhões de idosos acima de 65 anos. A população geral só seria contemplada no final de junho ou julho — precisamente quando os Jogos começariam. O país enfrentava sua terceira onda com cerca de 1.400 casos diários, números modestos frente a outras grandes economias, mas suficientes para manter viva a pergunta sobre o que, afinal, o verão olímpico reservava para Tóquio.

No dia 17 de fevereiro de 2021, o Japão iniciou sua campanha de vacinação contra a covid-19 com uma injeção aplicada no Centro Médico de Tóquio, no bairro de Meguro. O diretor da instituição, Kazuhiro Araki, foi o primeiro a receber a dose da vacina Pfizer — a única até então aprovada no país — voluntariando-se para servir de exemplo público e encorajar outros a seguirem o mesmo caminho. Naquele primeiro dia, doze profissionais de saúde receberam a vacina, e a expansão estava programada para atingir cerca de cem centros de saúde em todo o território na semana seguinte.

O cronograma era ambicioso: o governo japonês pretendia imunizar toda a população de 126 milhões de pessoas em aproximadamente um ano. Mas havia urgência por trás dessa meta. Os Jogos Olímpicos de Tóquio estavam marcados para começar em 23 de julho, menos de seis meses adiante. Tanto o governo quanto o comité organizador dos Jogos reafirmavam publicamente que o evento aconteceria conforme planejado, apesar dos questionamentos que pairavam sobre sua realização em plena pandemia.

O Japão, porém, havia chegado à vacinação tarde. O Reino Unido já estava imunizando sua população havia mais de dois meses. Essa demora refletia uma realidade institucional e cultural: o país mantinha um processo de aprovação de medicamentos particularmente rigoroso, que exigia ensaios clínicos conduzidos com participantes japoneses. Além disso, havia um ceticismo histórico em relação a vacinas desenvolvidas no exterior, alimentado por campanhas anteriores que haviam causado graves efeitos colaterais. O Japão só havia autorizado a vacina Pfizer no domingo anterior ao início da campanha.

O ministro responsável pela vacinação, Taro Kono, deixou claro em coletiva de imprensa que a prioridade do governo era completar a imunização sem apressamentos desnecessários. "Não estou a ter em conta os Jogos Olímpicos", disse ele, sinalizando que o foco era a saúde pública, não o calendário esportivo. Mas os números revelavam desafios práticos imediatos. O país havia recebido vacinas suficientes para aplicar duas doses em 193 mil pessoas — uma fração ínfima de sua população. Esse número dependia, porém, de um detalhe técnico crucial: o uso de agulhas especiais que permitiam extrair seis doses de cada ampola. As seringas convencionalmente usadas no Japão conseguiam extrair apenas cinco.

Kono reconheceu a escassez. "Temos agulhas suficientes para vacinar todos os 40 mil trabalhadores de saúde, mas estou determinado a obter agulhas suficientes para toda a vacinação", afirmou. O primeiro grupo a ser imunizado seria exatamente esses profissionais de saúde na linha de frente. Em seguida, em março, chegaria a vez de cerca de 3,7 milhões de pessoas ligadas ao setor de saúde e aproximadamente 36 milhões de idosos com mais de 65 anos. A população em geral, com mais de 16 anos, só começaria a ser vacinada no final de junho ou julho — justamente quando os Jogos Olímpicos estariam começando.

O Japão havia assinado acordos com três fabricantes: Pfizer, Moderna e AstraZeneca, buscando garantir doses suficientes para toda a população e manter reservas estratégicas. Por enquanto, descartava outras opções de vacinas. O país enfrentava sua terceira onda de infecções naquele inverno, mas com números significativamente menores do que outras grandes economias. Registrava entre 1.300 e 1.400 novos casos diários, totalizando cerca de 418 mil infecções e 7.139 mortes desde o início da pandemia, segundo dados da Universidade Johns Hopkins. Globalmente, a pandemia já havia causado pelo menos 2,4 milhões de mortes em mais de 109 milhões de casos confirmados.

Não estou a ter em conta os Jogos Olímpicos. A prioridade do Governo é completar a imunização sem sobressaltos.
— Taro Kono, ministro responsável pela vacinação
Temos agulhas suficientes para vacinar todos os 40 mil trabalhadores de saúde, mas estou determinado a obter agulhas suficientes para toda a vacinação.
— Taro Kono
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