Em um podcast de alcance nacional, a cantora Iza nomeou em voz alta algo que muitas mães carregam em silêncio: a culpa de não ter amamentado a filha Nala, nascida prematuramente. Não foi uma confissão de falha, mas um gesto de reconhecimento — de que o corpo nem sempre obedece ao que a sociedade prescreve como natural, e de que saber ter feito o certo não dissolve o peso de sentir que se deveria ter feito diferente. Nesse espaço entre a decisão acertada e o sentimento contraditório, Iza tocou em algo muito maior do que sua história pessoal.
Iza desabafa sobre desafios da maternidade e culpa por não amamentar filha
A gente sabe que fez certo e ainda assim se cobra
Por que você acha que a culpa por não amamentar foi tão intensa, mesmo sabendo que era a melhor escolha?
Porque culpa materna não é racional. Você sabe que está certo, mas a sociedade sussurra que você deveria ter conseguido. E quando seu corpo não coopera, você internaliza isso como falha pessoal.
Nala nasceu prematuramente. Isso foi algo que você podia controlar?
Não. Mas a gente não pensa assim quando está vivendo. Você se culpa de qualquer forma, como se tivesse falhado em proteger seu filho desde antes dele nascer.
Você mencionou preocupação excessiva com a imunidade dela. Isso vinha de onde?
De achar que era minha responsabilidade garantir tudo. Como se amamentar fosse a única forma de dar ao meu filho o que ele precisa. Levou tempo para entender que eu estava transferindo minha ansiedade para ela.
E agora, com mais estrutura e tempo, como é diferente?
Agora eu consigo respirar. Posso cuidar de mim, escolher bem, estar presente sem desespero. Mas isso me fez ver como minha mãe não teve essas escolhas. E isso muda tudo.
Você acha que falar sobre isso publicamente muda algo?
Muda porque tira a culpa da sombra. Outras mães ouvem e percebem que não estão sozinhas nesse sentimento que ninguém fala. E talvez entendam que maternidade real não é perfeita.
Der Puls
- Nala nasceu prematuramente, antes que o corpo de Iza estivesse pronto para produzir leite — uma realidade fisiológica que rapidamente se converteu em ferida emocional.
- A cantora descreveu sentir-se 'menos mãe', revelando a pressão invisível que recai sobre mulheres que não seguem o caminho considerado natural pela sociedade.
- Mesmo reconhecendo que a fórmula era a melhor escolha para a filha, a culpa persistia — porque, como ela mesma disse, 'a gente se cobra' independentemente da lógica.
- Dores físicas intensas no pós-parto e ansiedade excessiva com a imunidade de Nala se somavam ao peso emocional, compondo um retrato complexo do período.
- Ao comparar sua maternidade com a criação que recebeu, Iza reconheceu ter mais estrutura e tempo hoje — sem tomar esse privilégio como garantido, mas como algo que muda, e ao mesmo tempo não muda, tudo.
Em um podcast de alcance nacional, a cantora Iza nomeou em voz alta algo que muitas mães carregam em silêncio: a culpa de não ter amamentado a filha Nala, nascida prematuramente. Não foi uma confissão de falha, mas um gesto de reconhecimento — de que o corpo nem sempre obedece ao que a sociedade prescreve como natural, e de que saber ter feito o certo não dissolve o peso de sentir que se deveria ter feito diferente. Nesse espaço entre a decisão acertada e o sentimento contraditório, Iza tocou em algo muito maior do que sua história pessoal.
Sentada diante do microfone do podcast 'Cá Entre Nós', com Fátima Bernardes, Iza falou sobre algo que a perseguiu desde o nascimento de Nala, hoje com um ano: a culpa de não ter conseguido amamentar. Nala nasceu prematuramente, antes que seu corpo estivesse pronto para produzir leite, e essa impossibilidade fisiológica se transformou em uma ferida que ela precisava nomear.
O que mais a incomodou não foi apenas o fato em si, mas a narrativa que construiu a partir dele. A sensação de ser 'menos mãe' resume toda a pressão que recai sobre mulheres que não conseguem cumprir o que a sociedade apresenta como o caminho esperado. Ela estava profundamente preocupada com a imunidade da filha, como se essa responsabilidade fosse inteiramente sua, e essa ansiedade se misturava às dores físicas intensas do pós-parto.
Havia, porém, uma contradição que Iza precisava enfrentar: ela sabia, racionalmente, que alimentar Nala com fórmula era a melhor decisão possível. Reconheceu isso com clareza. Ainda assim, a culpa permanecia — porque a culpa materna não obedece à lógica. 'A gente se cobra', disse ela, resumindo em poucas palavras o que muitas mães vivem: saber que fizeram o certo e ainda assim sentir-se inadequadas.
Iza também trouxe sua própria história à conversa. Cresceu com menos estrutura e menos tempo disponível para os cuidados que gostaria de ter recebido. Hoje, sua realidade é outra — ela tem tempo para cuidar de si, para escolher com cuidado a escola da filha, para estar presente de formas que sua mãe não conseguiu. Essa diferença ela vê com clareza, sem tomá-la como garantida.
O que emergiu da conversa não foi uma resolução da culpa, mas uma normalização dela. A maternidade real, como Iza a descreveu, é um lugar onde decisões corretas convivem com sentimentos contraditórios — onde ter mais recursos muda muito, mas não apaga o peso de achar que se deveria ser diferente.
Iza sentou-se diante do microfone do podcast "Cá Entre Nós", apresentado por Fátima Bernardes, e abriu-se sobre algo que a perseguiu desde o nascimento de sua filha Nala, agora com um ano de idade: a culpa de não ter conseguido amamentar. A cantora não disfarçou o peso emocional que carregou. Nala nasceu antes do corpo de Iza estar biologicamente pronto para produzir leite, e essa realidade física se transformou em uma ferida psicológica que ela precisava nomear em voz alta.
O que mais a incomodou não foi apenas a impossibilidade fisiológica, mas a narrativa interna que construiu a partir dela. Iza descreveu a sensação de ser "menos mãe" — uma frase que carrega toda a pressão invisível que recai sobre mulheres que não conseguem cumprir o que a sociedade apresenta como o caminho natural e esperado da maternidade. Ela estava profundamente preocupada com a imunidade da filha, como se essa responsabilidade fosse dela e apenas dela, e essa ansiedade se entrelaçava com as dores físicas intensas que enfrentava no período pós-parto.
Mas havia uma contradição que Iza precisava resolver em si mesma. Ela sabia, racionalmente, que alimentar Nala com fórmula era a melhor decisão possível para a criança. Reconheceu isso claramente. Ainda assim, a culpa permanecia, porque a culpa materna não obedece à lógica. "Mas a gente se cobra", disse ela, resumindo em poucas palavras a dinâmica silenciosa que muitas mães vivem: saber que fizeram o certo e, ao mesmo tempo, sentir-se inadequadas por não ter feito diferente.
Durante a conversa, Iza trouxe à tona sua própria história. Ela cresceu em circunstâncias diferentes, com menos estrutura e menos tempo disponível para os cuidados que gostaria de oferecer. Hoje, sua realidade é outra. Ela tem tempo para cuidar de si mesma, para escolher uma escola que a deixa tranquila, para estar presente de forma que sua mãe não conseguiu estar. Essa diferença não é um luxo que ela toma como garantido — é algo que ela nomeou, que ela vê claramente.
O que emergiu dessa conversa foi menos uma resolução da culpa e mais uma normalização dela. Iza não disse que superou o sentimento. Disse que vive uma maternidade diferente da que conheceu, com mais recursos e mais escolhas. E talvez esse seja o ponto: a maternidade real não é um estado de perfeição ou de alinhamento com expectativas. É um lugar onde decisões corretas convivem com sentimentos contraditórios, onde estrutura material muda tudo mas não muda tudo, onde uma mãe pode estar fazendo exatamente o que precisa fazer e ainda assim carregar o peso de achar que deveria ser diferente.
Bemerkenswerte Zitate
Eu estava muito preocupada com a imunidade da minha filha por achar que isso era uma responsabilidade minha— Iza, durante participação no podcast "Cá Entre Nós"
Eu não sofro muito para criar a Nala. Eu tenho tempo de me cuidar, de botar a Nala em uma escola inacreditável e eu fico sossegada— Iza, comparando sua realidade atual com a criação que recebeu